• Sonuç bulunamadı

B- İBADETLERİ ÖĞRETMEDEKİ NEBEVİ METODUN İNCELİKLERİ

5- İnsanlarla Her Fırsatta İletişim Kurmaya Çalışması

À crítica do Deutsches Volksblatt convém resgatar a disputa existente no campo religioso, entre os católicos e os luteranos. Afinal, o editor do referido jornal católico era o mesmo responsável pela impressão da Revista Eclesiástica da Arquidiocese de Porto Alegre (UNITAS), o senhor Hugo Metzler (uma personalidade que terá papel de destaque em outros momentos da guerra, como poderá ser visto, no capítulo 4).

Quando ocorreu o “X Congresso de católicos teuto-brasileiros” em Novo Hamburgo, em 1914, a abertura foi realizada com a presença do arcebispo D. João Becker, acolhido como presidente de honra. Arcebispo que comandou o catolicismo em terras gaúchas por mais de trinta anos (1912-1946).

Apesar de ter nascido na Alemanha, na cidade de Saint Wendel, em 1870, veio ainda criança para o Rio Grande do Sul, com a sua família, que fixou residência na cidade de São Vendelino (ISAIA, 1998). No entanto, ele não chegou a manifestar qualquer orgulho das suas origens germânicas, sendo que São Vendelino (no interior do Rio Grande do Sul) era a cidade na qual afirmava ter nascido – o que não chega a ser uma mentira completa. Pelo que consta, em entrevistas com visitantes alemães chegava mesmo a pedir intérprete, apesar de dominar perfeitamente o idioma alemão (GERTZ, 2002).

Como característica de sua conduta, D. João Becker era considerado um elitista, sempre envolvido em atividades que lhe granjeassem visibilidade e destaque. Demasiadamente ligado à elite e ao governo, entre outras coisas, sentia-se pouco afeito à disputa de prestígio, ainda mais no interior da Igreja que via como seu domínio (ISAIA, 1998). Em virtude de sua postura, o arcebispo teve uma relação atribulada com os indivíduos de origem germânica. Entre outras características, ele recomendava que os sacerdotes evitassem as pregações em idioma alemão, chegando até mesmo a interditar cultos. Para se ter um vislumbre do alcance do mal estar em relação à sua ascendência familiar, e à própria vaidade pessoal, a paróquia

São José de Porto Alegre, das mais abastadas e importantes, “que congregava a comunidade

alemã, teve com o arcebispo uma contenda, em que se chegou a arbitramento do Papa” (ISAIA, 1998, p. 53), em virtude das rendas da paróquia.

O período de 1914 a 1918 marcou a degradação no relacionamento entre a comunidade católica germânica gaúcha e a sua Igreja. No início da conflagração mundial, prevaleceu a boa vontade da arquidiocese do estado, sob a autoridade de Dom João Becker, para com fatia considerável dos seus fiéis, que mesclava, sem maiores contratempos, elementos culturais distintos, entretanto a sua recomendação era a de que preponderasse a assimilação dos descendentes de alemães.

Apesar da posição da autoridade máxima da arquidiocese, em comum, os católicos e os luteranos de mesma ascendência étnica tinham o zelo pela manutenção da identidade, a mesma apesar das divergências.78 Tanto que, durante o X Congresso, cujo presidente eleito fora Hugo Metzler, os debates nas reuniões passavam pela condenação da política governamental de criar colônias mistas (UNITAS, n. 2 e 3, 1914). Igualmente, o congresso

defendia o direito de “continuar a cultivar a língua dos seus antepassados” (UNITAS, n. 2 e 3,

1914, p. 57).

Há de se distinguir, não obstante, a maneira como separaram a etnicidade da conotação política da nacionalidade alemã. Também fazendo uso do apelo à pátria, para justificar a afetividade com a terra, marcaram uma posição na qual negavam definitivamente qualquer possibilidade de aproximação com um outro Estado. Fica claro diante da argumentação feita que:

os habitantes das chamadas „colônias alemãs‟ no sul do Brasil não são alemães no

sentido político da palavra, mas são teuto-brasileiros, que tanto se ufanam de serem brasileiros como qualquer luso-brasileiro, que pagam os mesmos impostos que estes e morrem nos mesmos campos de batalha em defesa da mesma Pátria, que poderosamente contribuíram para a prosperidade dos estados onde de preferência residem (UNITAS, n. 2 e 3, 1914, p. 57).

A identidade brasileira passa, fundamentalmente, pelo jus soli, de nascimento no território, e não pelo jus sanguinis, de característica alemã. Embora o teuto-brasileiro católico não negasse sua germanidade, a reivindicação de um caráter brasileiro se enseja mediante a reivindicação de uma cidadania, sentimento que, sinceramente, era expresso por germânicos em geral (SEYFERTH, 2004), mas habilmente reforçada pela manifesta disposição de ir às últimas consequências pelo Brasil.

Houve, de fato, casos de alemães e descendentes, contados por Coaracy (1962), que se dirigiam para morar na Alemanha após alcançarem a prosperidade material. Eram eles

78 Como afirma Frederick Barth (1997), as divergências existentes podem dificultar o processo de identificação

celebrados pelos amigos, que desejavam felicidade nessa volta às origens. Entretanto, apesar do desejo de permanecer, a maioria voltava para o Brasil, em virtude de não conseguirem se adaptar a uma sociedade que não era a sua.

No entanto, a confusão volta a se fazer presente quando lemos um comentário, feito logo em sequência, do redator do jornal católico Deutsches Volksblatt, José König. Ele

afirmou que a Igreja preservaria as “culturas nacionais, para extrair o que melhor tem delas, inclusive a língua” (UNITAS, n. 2 e 3, 1914, p. 63), apesar de condenar os vícios, que

qualificara de nacionais, como o orgulho exagerado. Em certa medida, o redator do jornal fez coro aos comentários feitos por Vivaldo Coaracy, no início do capítulo (item 2.4). Não obstante, ao referir sobre os predicados da sua cultura, tomara, inadvertidamente, a nação pela raça. Ou seja, mesmo estando bem clara a separação entre política e cultura, enfatizando a absoluta brasilidade cívica e política dos teutos, a ideia foi permeada por dois conceitos, raça e nação, como tendo um mesmo significado. Portanto, o mal-entendido conceitual estava longe de ser resolvido, o que reafirmaria a continuidade das compreensões equivocadas e das acusações erroneamente feitas.

Uma outra cisão com relação aos luteranos ficou evidente quando foi abordada a participação de cada grupo no interior da sociedade. Nesse momento, os católicos manifestaram sua inconformidade, explicando que no solo gaúcho estaria a se desenhar uma situação semelhante à da Alemanha, na qual os luteranos desfrutavam de vantagens, decorrentes da proteção dada pelo governo, e, por isto, menosprezavam os católicos. Para evitar uma repetição do mesmo quadro, o padre Bolle denunciou que um perigo semelhante

estaria surgindo no Rio Grande do Sul, “no horizonte das colônias teuto-brasileiras. Já

também aí começam a ser mais numerosos os médicos, advogados, juízes, funcionários

protestantes, que os católicos” (UNITAS, n.os

2 e 3, 1914, p. 61). Fica patente, então, que a crítica promovida contra a Deutsche Post, por ocasião da guerra, se inseria em outra mais antiga e que dizia respeito à rivalidade religiosa, marcada pelo desejo de visibilidade na sociedade gaúcha.

Igualmente destacavável é a principal proposta deliberada no evento, pelo que consta, motivada por prudência. A resolução do X Congresso se concentrou em “dedicar atenção particular às tendências socialístico-anarquísticas e opor-se a tempo à sua invasão nas rodas

de operários cristãos” (UNITAS, n.os

2 e 3, 1914, p. 66). Portanto, a fé católica, ao se destacar como elemento agregador que buscava manter a coesão no interior do grupo, excluia e

condenava determinadas práticas. Apesar de muitos teuto-brasileiros e alemães integrarem o movimento operário, o fato de compartilharem de formas de pensamento anticapitalistas, como o socialismo e o anarquismo, poderia indispô-los diante dos indivíduos com os quais compartilhavam traços étnicos.

Significa dizer que havia fatores sociais que excediam em importância àqueles que eram linguísticos e fenotípicos. Embora as dissensões fossem intensas no interior daquilo que se denomina germanidade, o fator étnico acabava sendo confirmado por aqueles que, externamente, viam o conjunto dos indivíduos como sendo pertencentes a uma mesma etnia/raça/nação. Apesar disso, a preocupação demonstrada põe em relevo o perigo que algumas doutrinas representariam para a coesão do grupo (BARTH, 1997).

2.9 OUTRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A GUERRA EM

Benzer Belgeler