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6. DENEYSEL BULGULAR VE TARTIŞMA

6.13. SEM-EDX Analizleri

A Lei n. 6.729/79, modificada pela Lei n. 8.132/90, surgiu em razão de existir uma estrutura de poder por parte das montadoras de veículos, em relação à qual os “distribuidores” colocavam-se em visível desvantagem. Como dissemos, no presente estudo, distribuidores, revendedores e concessionários são sinônimos.

Em geral, eram impostos ao concessionário vários deveres, a critério da montadora, a exemplo da obrigatoriedade de manter estoques dos produtos, aquisição compulsória de peças etc. Foram essas circunstâncias que impulsionaram os revendedores a pleitear ao Estado um diploma legal que instaurasse no país a aplicação do contrato de concessão comercial como base das relações entre montadoras e revendedores de veículos automotivos terrestres.

Surgiu, nesse contexto, a configuração do dirigismo contratual, que consiste no propósito de estabelecer prévias e obrigatórias bases eqüitativas ou de equilíbrio econômico entre as prestações recíprocas concluídas entre contratantes que, em virtude de múltiplas conjunturas, seriam obrigados a aceitar cláusulas leoninas se deixados entregues a si mesmos, no exercício de uma utópica autonomia privada.

Adentrando mais especificamente no contrato de concessão comercial e suas particularidades, interessante observar o que dispõe o art. 1º da Lei n. 6.729, de 28 de novembro de 1979, a Lei Ferrari:

“Art. 1º A distribuição de veículos automotores, de via terrestre, efetivar-se-á através de concessão comercial entre produtores e distribuidores disciplinada por esta Lei e, no que não a

contrariem, pelas convenções nela previstas e disposições contratuais”.

Pelo teor do disposto no artigo 1º da Lei n. 6.729/79, defendemos que a concessão comercial é espécie do gênero distribuição ou revenda (concessão comercial lato sensu)202. Assim, o contrato de concessão de veículos, que é o objeto da lei acima referida, sendo espécie de distribuição, possui algumas peculiaridades203, a exemplo de:

− comercialização dos produtos, nesse caso, veículos automotores, implementos e componentes fabricados ou fornecidos pelo produtor;

− prestação de assistência técnica a esses produtos, inclusive quanto ao seu atendimento ou revisão;

− uso gratuito da marca do concedente, como identificação.

Poderá existir a vedação à comercialização de veículos automotores novos fabricados ou fornecidos por outro produtor, o que pressupõe exclusividade.

Tais características são de suma importância para visualizarmos as similitudes e também diferenças, se existirem, se as compararmos com as características constantes do contrato de distribuição, recém-tipificado no Código Civil Brasileiro.

De acordo com o Vocabulário Jurídico De Plácido e Silva204, v. I e II:

“Derivado do latim concessio, de concedere, designa o ato de conceder. E, assim, em acepção ampla, significa outorga, autorização, licença ou permissão, em virtude do que se atribui a

202

Paula A. Forgioni. Contrato de Distribuição, p. 50-1, como visto supra, utiliza indistintamente os termos concessão comercial e distribuição (em sentido estrito). Já Maria Helena Diniz.

Tratado Teórico e Prático dos Contratos, v. 3, p. 385, denomina a concessão comercial de concessão comercial stricto sensu, para diferenciá-la da distribuição, a qual designa concessão comercial lato sensu, e entende que ambas tornaram-se típicas a partir da Lei n. 6.729/79.

203

Artigo 3º da Lei n. 6.729/79. 204

uma pessoa o direito ou faculdade de realizar um negócio ou vários negócios, praticar um ato ou vários atos ou executar um serviço ou vários serviços”.

Interessante transcrever o que Miguel Reale205 disse a respeito do tema:

“Não estávamos, efetivamente, perante simples contrato de distribuição, que não é senão um caso complementar do contrato de agência, visto como, na estrutura econômica implantada na indústria automobilística brasileira, os chamados “distribuidores”, na realidade, representavam empresários atuantes por conta e risco próprios, com direito de ver preservada a autonomia de sua empresa, no concernente à área de comercialização dos veículos livremente produzidos pelas montadoras, bem como usufruir dos benefícios inerentes a essa produção com exclusividade, sempre com respeito a igual autonomia do fabricante no plano de sua iniciativa industrial e técnica.

O contrato de concessão comercial, em virtude de sua omniabrangência, combinando em unidade lógico-sistemática relações de mandato, agência, distribuição, compra e venda e fornecimento, na realidade altera cada uma dessas figuras jurídicas, na medida em que as correlaciona num modelo jurídico novo. Daí a dificuldade de defini-la, conceitualmente, prevalecendo noções de caráter mais operacional, nas quais a nota característica da “exclusividade” assume, geralmente, as formas mais diversas”.

Para Humberto Theodoro Jr. e Adriana M. Theodoro de Mello206:

205

Miguel Reale. Revista da Faculdade de Direito, v. 91, DEDALUS, 1996.

206

Humberto Theodoro Jr. e Adriana M. Theodoro de Mello. RT 825, julho, 2004, 93º ano, p.

“A concessão comercial (contrato de distribuição stricto sensu) é um contrato novo que se aperfeiçoa quando um fabricante obriga- se a vender, continuamente, a um distribuidor, que, por sua vez, se obriga a comprar, com vantagens especiais, produtos de sua fabricação, para posterior revenda, em zona determinada. Com esse tipo de contrato cria-se uma ’concessão’ no plano comercial, que implica a atribuição de um monopólio de exclusividade de venda a comerciantes escolhidos pelo produtor para fazê-los participar de um sistema de comercialização de seus produtos. Daí falar não só em contrato de distribuição, mas também em contrato de concessão comercial. A concessão comercial, modernamente, apresenta-se muito útil para a circulação dos produtos em massa, como cervejas, refrigerantes, automóveis, derivados de petróleo (...)”.

Com relação ao aspecto exclusividade, interessante observar que, atualmente, no relacionamento entre as montadoras e as concessionárias de veículos, verifica-se uma tendência de os revendedores cada vez mais afastarem-se da fidelidade a uma única montadora, especialmente no que diz respeito à comercialização dos carros zero quilômetro. Essa expansão serve como garantia do crescimento no número de empresas mais fortes e, portanto, menos propensas aos problemas que levaram muitas concessionárias à bancarrota.

O crescimento das denominadas “multimarcas” (terminologia mercadológica) também é conseqüência da limitação nos volumes de vendas imposta pelos fabricantes, o que vai contra a necessidade de os distribuidores buscarem novas marcas, que podem crescer. O entendimento dos distribuidores é que, para aqueles revendedores já capitalizados, não conseguirão crescer se estiverem presos a uma única marca. Na década de 80, os distribuidores conseguiam vender muitos carros com um só ponto de venda, porque o mercado brasileiro estava restrito a poucos fabricantes. Hoje, o mercado tem mais competidores, está mais dividido e, por isso, é preciso

completar os volumes com marcas distintas. Tal fato comprova mais uma vez que as situações alteram-se com o passar dos tempos, sendo certo que o melhor dos mundos seria o direito tipificado acompanhar essas alterações do mundo fático.

Dessa forma, reiteramos que a concessão comercial é uma espécie do gênero distribuição (“concessão comercial” lato sensu), e que esse gênero, por meio do Código Civil em vigor, foi recém-tipificado, diferentemente do que ocorrera com a concessão de veículos automotores, que já havia sido tipificada primeiramente207.

5.3.2. O Código Civil em Face do Contrato de Distribuição ou