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KLASİK ARAP ŞİİRİNDE YERİLEN KÖTÜ BİR AHLAK: MAL/SERVET BİRİKTİRMEK

1. Sefalet Getiren Birikim

a) A implantação da viticultura e as exigências produtivas do mercado

No que diz respeito à implantação da viticultura, D4 explicitou:

No início, houve intransigência das pessoas que já estão acostumadas com um tipo de produção e que não admitem a entrada de novas atividades porque se acham prejudicadas pela nova atividade, além da questão da cultura produtiva do município de Toledo que sempre foi muito alto dentro dos municípios do estado do Paraná, sempre girou em torno de 3 a 3,5% do valor arrecadado no estado inteiro e sempre tivemos atividades que marcaram fortemente a presença que é a suinocultura, avicultura e agricultura o que demanda grande esforço financeiro para você produzir (D4).

Percebe-se que D4 compreende a implantação da viticultura como uma nova atividade produtiva dos agricultores familiares de Toledo, embora enfrentem-se

resistências de outros segmentos agrícolas, que entendem haver prejuízo das demais culturas produtivas.

Quanto às exigências produtivas que o mercado determina, D1 declarou: O produtor está se profissionalizando [...] estamos vendo uma nova geração de profissionais agricultores com conhecimento, eu vejo benefício nisso porque assim o mundo vai evoluindo, então as formas de tecnologia vão se aperfeiçoando e vão desenvolvendo novas tecnologias e o mundo vai se aperfeiçoando. As propriedades rurais estão cada vez mais profissionalizadas e com uma produção específica, há 50 anos atrás se produzia um pouco de tudo para a subsistência e um pouco para a venda e se fazia na propriedade não se comprava nada fora, agora não. Estamos na era da tecnologia, estar no mercado exige do agricultor rendimento e quem não se desenvolve para no tempo fica estagnado e vai sair do mercado. Aquela imagem romântica da agricultura dos camponeses, isso não existe mais, é um modelo de 70 anos atrás, hoje é tecnologia é estar no mercado porque o mundo exige (D1).

Verifica-se pelo depoimento que os agricultores devem acompanhar a tecnologia e colocar o produto no mercado, para saírem da condição de produtores de subsistência.

b) Visibilidade dos viticultores no município a partir do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA

Quanto à visibilidade dos viticultores, D4 se posicionou em duas falas:

Até o aparecimento do PAA a gente não tinha noção do número de produtores com menos de oito hectares, porque esse pessoal nunca aparecia para reivindicar ou participar de ações de agropecuária e com o aparecimento do PAA fundado em cima da agroindústria familiar de bolachas, pães, massas e também de mel todos estes itens mais a olericultura [...] vimos que tinha potencial para atender o mercado e também abastecer os programas sociais porque a gente notou que em menos de três anos saímos de 22 hectares de horta em Toledo para aproximadamente 60 hectares e, isso abriu uma luz para nós dizendo que também olhássemos na questão da viticultura e que esta população tivesse oportunidade para trabalhar (...) quando começamos o Programa da Fruticultura e do PAA no município nós fomos ver que não tinha 3.500, mas tinha 4.200 produtores familiares, porque muita gente que estava sem tirar notas há vários anos e passou a tirar nota porque tinha interesse em fazer vendas para a prefeitura e só, nos últimos dois anos mais de 2 milhões de reais que entraram de ICMS foi porque pessoas que nunca declararam produção passaram a declarar porque estavam vendendo ou trabalhando com vendas públicas (D4).

Nós temos em Toledo, hoje, com certeza de 300 a 500 pequenos produtores que estão aptos a participarem dos programas de aquisição de alimentos e merenda, acredito que nem todos vão querer plantar fruta, mas a gente nota que se 20% deles plantarem frutas a gente pode chegar a um

público de 60 a 80 produtores que vão estar inseridos com uma renda média de R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00 por mês e que ele vai conseguir na realidade, familiarmente fazer gerar recursos interessantes à sua propriedade e não só na venda in natura, mas também na venda agregada com o produto transformado (D4).

Diante de ambas as falas, verifica-se que o PAA concretiza condições para a visibilidade dos viticultores no cenário local – o que gera recursos significativos à propriedade familiar e à economia do município.

No tocante à relação exclusiva do viticultor com o PAA, D1 afirmou:

O viticultor sabe que não pode depender do governo porque o governo não tem uma regularidade estável que o negócio precisa [...] o produtor vai ter que procurar um mercado firme e vai destinar somente uma parcela para esses programas de governo, o compra direta por exemplo, ele é um plano periódico anual, plano de governo, então se acaba interrompendo o programa aqui em Toledo em 06 (seis) meses no mínimo, pouco tempo e tem uma burocracia para reativar, mudou o secretário da agricultura, mudou a forma de distribuição, mudou a orientação da CONAB, etc, então como fica o agricultor? Ele não pode ficar congelado até o governo dizer que vai comprar de novo, então estas políticas de governo não fazem mais do que manter o produtor na sua mais primitiva condição, porque não estimula o produtor a se tecnificar como é o mercado do grão (D1).

Esta afirmação do depoente aponta que os programas governamentais sofrem constantes mudanças, o que pode prejudicar os viticultores e, para esse enfrentamento precisam de uma frente comercial mais garantida.

Sobre a falta de uma política de comercialização, D1 expôs:

Não adianta o produtor plantar alguma coisa isolada, não tem como operacionalizar a venda deste produto, vai ter que procurar um local para levar [...] se tiver comercialização é o mercado quem vai definir. Não se tem fruta porque não tem uma logística definida: eu vou plantar fruta, mas eu vou vender para quem? Tem toda uma política a ser definida e não adianta querer impor um tipo de cultura em uma determinada região [...] aqui é uma região para plantar soja, milho porque as condições climáticas favoreceram essas culturas e porque aqui as cerealistas da região já criaram uma estrutura de recebimento para esses grãos, para esse formato [...] já tem 50 anos de investimento em tecnologia, em pesquisa, em recursos para produzir e a fruta vai ser a mesma coisa, uma hora vai ter que começar a engrenar (D1).

Pode-se inferir segundo D1, que falta uma política de comercialização para a viticultura, a qual tem como exigência básica uma logística comercial, a saber, cita- se o transporte do produto, certificação, centros de recebimento e armazenamento e processo de organização da venda do produto.

A propósito da relevância da produção local das frutas, em especial da uva, D4 depõe:

A uva local é melhor do que a comprada do CEASA. Enquanto se traz uma fruta do CEASA para os mercados locais que com três ou quatro dias ali na venda já fica escura e mancha tudo, a fruta local tem uma sobrevida muito maior, então além de aguentar na prateleira ela é mais saborosa [...] e o modelo que nós temos hoje do que trazem do CEASA é um produto que você não sabe onde foi produzido, e só se privilegia as grandes marcas [...] precisamos criar um mercado justo onde as pessoas vão ter o acesso à renda de forma justa e todo mundo com direito à cidadania e isso que todo mundo quer (D4).

Decorre deste depoimento que a produção da uva local tem maior aceitação do que a uva comercializada pelo CEASA, para tanto há necessidade da criação de um mercado.

c) A agricultura familiar em Toledo

Com referência aos avanços da agricultura familiar em Toledo, D2 e D3 assim se pronunciaram:

De positivo é que em Toledo a agricultura familiar tem uma percentagem de 80% e compõem a 3ª maior bacia leiteira do Paraná [...] Outro aspecto é que o agricultor familiar hoje está mais consciente nos hábitos de preservação, faz conservação de solos, plantio direto, fazem curso de manuseio de agrotóxicos e isso foi um avanço muito grande porque eu vi no início da colonização barbaridades contra o meio ambiente. [...] Também uma coisa boa que vejo é a qualidade de vida no interior, em que grande parte já tem asfalto, luz elétrica, água encanada, telefone, internet, claro que muita coisa ainda falta, mas já se deu um grande passo (D2).

Eu vejo como avanço para o produtor a lei criada pelo governo federal em que os município são obrigados a comprar X% dos nossos pequenos agricultores o que veio dar um ânimo ao nosso agricultor (D3).

Pelos depoimentos considera-se que a agricultura familiar de Toledo tem um reconhecimento de destaque no Paraná, o que vem certamente contribuir para as melhorias de infraestrutura e condições de vida do homem do campo. Acrescenta-se também, que implantar os programas sociais tem entusiasmado os agricultores familiares.

No que se relacionam às dificuldades da agricultura familiar de Toledo, D4 e D2 manifestaram:

Uma das dificuldades da produção da uva é que se dá justamente no mesmo momento do plantio da soja e o que acontece é que quando desseca a lavoura de soja, o defensivo da soja é altamente tóxico no momento de desenvolvimento vegetativo da uva ,do 24-D, então essa volatilidade que possui o defensivo acaba contaminando e prejudicando uma lavoura que não é objeto dele, e aí é que surgiram vários problemas, atritos entre os produtores. [...](D4).

Vejo que um dos entraves para a agricultura familiar diria que não temos uma política agrícola definida como por exemplo, a questão de preço. O pequeno agricultor, quando ele não produz em larga escala e o que ele produz ele tem que vender logo e o que acontece no mercado da oferta e procura é que se você tem bastante produto para vender, o preço cai e quando não tem o produto o preço sobe [...] e ele precisa vender logo para fazer frente aos seus compromissos (D2).

Percebe-se nas falas que entre as dificuldades dos agricultores familiares destacam-se o uso de agrotóxicos na secagem da soja, o que afeta os parreirais na sua floração. Outra adversidade se remete à necessidade imperiosa de uma política agrícola de preços que contemple a agricultura familiar.

4) EIXOS ANALÍTICOS E SIGNIFICADOS DA EXPERIÊNCIA DA VITICULTURA