A internet auxiliou na difusão de todas as áreas do conhecimento, e possibilitou que muitos espectadores tivessem acesso a conteúdos que antes eram restritos a especialistas. No jornalismo especializado a contextualização dos fatos precisa ser ainda melhor elaborada do que na prática diária da produção de notícias generalistas. “Jornalismo Especializado é aquele que traduz todos os ramos do conhecimento de forma técnica, com respaldo em sofisticadas sistematizações informativas que sofrem constantes mutações” (MESQUITA, 1984, p.178).
A ciência e a tecnologia, no período do jornalismo analógico eram buscadas apenas por quem tinha o mínimo de familiaridade com a área do conhecimento. Com a massificação da internet, muitos leigos passaram a ter interesse ou curiosidade pela área, e os jornalistas científicos sentiram a necessidade de produzir conteúdo de fácil compreensão até mesmo para leigos.
Albagli (1996) lamentava que na década de 80 e 90 o jornalismo científico era "[...] alvo de variadas críticas e controvérsias, muitas das quais no âmbito da própria comunidade científica" (ALBAGLI, 1996, p. 400). Os especialistas não entendiam a importância de facilitar a linguagem dos textos de divulgação científica, não compreendiam a importância de atrair o interesse de mais leitores ou telespectadores para a área. A autora ressaltou que na década de 1990, as mídias eletrônica e impressa realizavam "divulgação científica não intencional". Os assuntos científicos eram abordados em séries de televisão, propagandas comerciais e colunas de saúde, por exemplo, para que os leigos se familiarizassem com o tema e passassem a ter vontade de consumir conteúdos relacionados ao campo da ciência e tecnologia. Atualmente, a divulgação científica é oferecida ao grande público de uma forma mais diretiva e, claramente, produzida com a intenção de orientar e educar o telespectador e o leitor sobre temas relacionados à ciência que têm impacto direto em sua vida cotidiana, principalmente através de conteúdos jornalísticos.
Calvo Hernando (2003, p. 17) esclarece que a divulgação científica é um campo bem amplo dentro da comunicação. Ela abrange todas as áreas científicas, “[...] desde o conhecimento do Universo e do homem até a participação dos cidadãos na política”5.
5 Tradução nossa. Texto original: Los objetivos de la divulgación son multiples y en algunos casos,
Segundo o autor, a comunidade científica compreende a necessidade de difundir os avanços alcançados pelos grupos e institutos de pesquisa. Entretanto, os especialistas apresentam resistência em alterar seus textos para torná-los compreensíveis para os leigos. Calvo Hernando (2003) enfatiza que a divulgação da ciência não deve ser vista como uma atividade secundária, pois dentro do campo da ciência é fundamental que o grande público tenha interesse em conhecer os resultados adquiridos através dos projetos e estudos desenvolvidos pelos cientistas. Quanto maior o interesse da população pela evolução dos estudos nacionais, maiores serão as chances de os institutos de pesquisas acadêmicas receberem os incentivos fiscais. Portanto, a divulgação científica favorece tanto os leigos quanto os especialistas.
Bueno (2014) esclarece que não podemos confundir comunicação científica com divulgação científica e jornalismo científico. Essas expressões não são sinônimas, ainda que o tema central seja a veiculação de dados ligados à ciência em geral. Elas se diferenciam tanto pelo formato de discurso quanto pelo perfil do público ao qual o texto se direciona e com os canais de publicação das informações. O pesquisador define a comunicação científica como a grande área.
A comunicação científica diz respeito à produção e à circulação de informações sobre ciência, tecnologia e inovação que se caracterizam por um discurso especializado e que se destinam a um público formado por especialistas (BUENO, 2014, p.5-6).
Esse tipo de informação costuma ser veiculado em publicações especiais, como periódicos acadêmicos e revistas destinadas aos que têm interesse em se aprofundar em estudos de determinada área. Seriam publicações temáticas de cientistas para cientistas, com linguagem carregada de jargões e expressões típicas de uma área do conhecimento. Na área da saúde, por exemplo, além dos acadêmicos em geral, os profissionais da área costumam buscar por esse tipo de conteúdo para elevar seu grau de conhecimento sobre uma doença ou procedimento ambulatorial, por exemplo.
A divulgação científica, por seu turno, refere-se ao processo de veiculação de informações científicas, tecnológicas ou associadas a inovações que têm como audiência o cidadão comum, a pessoa não especializada, o leigo (BUENO, 2014, p.6).
ciudadano en la política. Según las corrientes actuales en la comunidad científica de los grandes países, la divulgación de la ciencia no es una actividad de segunda, ni por supuesto, una misión imposibles.
Esse conteúdo possui uma linguagem simplificada, alguns termos são recodificados para que os não pertencentes àquela área do conhecimento possam compreender o que está sendo dito. Sua veiculação é muito mais ampla do que a comunicação científica Além de palestras, livros e cartilhas, os meios de comunicação de massa também são utilizados para disseminar os avanços da ciência nesse formato. São textos de fácil compreensão, mas que abordam temas relacionados à ciência, tecnologia e inovação. Até mesmo espetáculos teatrais podem ser utilizados em escolas para disseminar informações sobre o correto uso de preservativo, por exemplo. E palestras em centros comunitários que explicam a importância da amamentação, ou sobre os melhores alimentos para uma nutrição balanceada das crianças, também se enquadram nessa categoria.
O jornalismo científico, a exemplo da divulgação científica, da qual é um caso particular, destina-se ao cidadão comum e caracteriza-se também por uma linguagem acessível, mas apresenta uma especificidade: é fruto do processo de produção jornalística, que tem suas singularidades, e se manifesta tradicionalmente nos meios de comunicação de massa (jornais, revistas, rádio, televisão, portais), embora, com a emergência das novas tecnologias de comunicação e informação, esteja presente também em blogs, grupos de discussão e nas mídias sociais em geral (BUENO, 2014, p.6).
A divulgação científica e o jornalismo científico são complementares, e sua principal diferença é que o jornalismo científico veicula acontecimentos ou fatos científicos, mas que se enquadram nos valores-notícias, que já mencionamos no capítulo anterior. Alguns pesquisadores ou especialistas podem até desempenhar o duplo papel de divulgadores e de jornalistas, como é o caso do médico oncologista Dráuzio Varella. Funcionaria como uma cadeia de produção de conteúdo em que o divulgador e o jornalista científico buscassem ler os periódicos científicos para encontrar informações que possam ser interessantes para o público leigo, segundo Bueno (2014). No caso do jornalismo, além de interessantes, os avanços da ciência precisam de um ponto factual para que se torne notícia.
Calvo Hernando (1997a) oferece uma definição simplificada para o jornalismo científico. Conforme o autor, essa é “[…] especialização informativa que consiste em divulgar a ciência e a tecnologia através dos meios de comunicação de massa” (CALVO HERNANDO, 1997a, p. 15,16). Como é o caso das revistas impressas: Superinteressante e Saúde, ambas do Grupo Abril, e Galileu, da editora Globo. Bem como o programa Bem Estar da Rede Globo, nosso objeto de estudo.
Bueno (1984, p. 29) define seis funções básicas que o jornalismo científico deve cumprir: 1) informativa, 2) educativa, 3) social, 4) cultural, 4) econômica e 6) político- ideológica. A ciência faz parte da realidade social de cada cidadão. No caso da saúde, é preciso informar quais os riscos e quais as formas de prevenir doenças, educar o público a ter hábitos mais saudáveis e ter autossuficiência para analisar seu grau de periculosidade. Pode ser necessário desmistificar tradições culturais de tratamento de enfermidades e incentivar a todos a fiscalizar o sistema hospitalar, buscando seus diretos e denunciando práticas que possam ser incorretas. Segundo o autor, o profissional tem a responsabilidade de “[...] informar, formar e conscientizar o público sobre questões e repercussões da ciência e tecnologia” (BUENO, 1984, p. 34).
Mourão (2011) acrescenta que o jornalismo também é uma forma das instituições prestarem contas com os cidadãos. No campo científico, toda pesquisa busca melhorar a vida da população, e a maioria dos estudos são fomentados por incentivos governamentais. Desta forma, os jornalistas ao divulgarem os avanços da ciência e tecnologia, além de promoverem a disseminação dos conhecimentos, ainda informam os resultados desses incentivos fiscais.
Cada investimento em ciência vem do bolso do contribuinte que precisa saber para onde vão seus gastos e de que forma são usados. É dessa maneira que age o jornalista de ciência criando conhecimento e propondo algo além (MOURÃO, 2011, p. 2).
O precursor do jornalismo científico, de acordo com Burkett (1990), foi Henry Oldenburg que comandava a publicação Philosophical Transactions, em meados de 1660, na Alemanha. Naquele período, o foco desse tipo de publicação não era o público leigo, mas conforme a educação e a cultura se popularizaram na Europa, os leitores de suplementos passaram a ter curiosidade sobre os temas relacionados à ciência e tecnologia. Ainda de acordo com o autor, a primeira revista voltada a disseminar a informação científica foi a Science, criada em 1880, por Thomas Edison. Essa publicação, que permanece em circulação até hoje, reúne cientistas interessados em popularizar a ciência.
No Brasil, o jornalismo científico já iniciou com fortes influências da área médica, segundo Oliveira (2005). José Reis era médico, pesquisador, educador, jornalista e um divulgador científico. Em 1929 publicou seu primeiro livro, o Tratado de Ornitopatologia, onde detalhava os resultados de estudos sobre doenças aviárias, realizados no Instituto Biológico de São Paulo. Ele também publicava artigos na revista Chácaras e Quintais para auxiliar os pequenos produtores a identificar e tratar
suas criações. Em 1948 ele participou da criação da Sociedade Brasileira de Progresso da Ciência (SBPC) e estreou sua coluna dominical: No mundo da ciência, publicada na Folha de São Paulo até 2002, quando faleceu.
A década de 1980 foi o período de expansão do jornalismo científico no país, de acordo com Oliveira (2005), quando surgiram as revistas Ciência Hoje, da SBPC e a Ciência Ilustrada, da Editora Abril. Na década seguinte, a Revista Globo Ciência e a Superinteressante emergiram como publicações que tinham como foco maior assuntos mais próximos da realidade do público. A ciência chegou à televisão no final da década de 1970, e teve um forte crescimento em 1980, assim como aconteceu com o impresso, conforme Jurberg (2001). Os programas especializados que surgiram naquele período foram o Nossa Ciência da TV Educativa Rio de Janeiro (1979), Tome Ciência da TVE (1987), o Estação Ciência da TV Manchete (1988) e o Globo Ciência da Rede Globo (1984), reconhecido como programa pioneiro de divulgação científica na televisão brasileira (JURBERG, 2001, p. 8).
O Globo Ciência, veiculado na Rede Globo entre 1984 e 2014, divulgava, inicialmente notícias e eventos do mundo científico e abordava temáticas que estivessem relacionadas com as necessidades do público para engajar a audiência e construir um público interessado pelo universo científico. Jurberg (2001) explica que o programa buscava atingir um público diversificado, desde leigos com pouca escolaridade até a comunidade científica, mas com o tempo notou-se que o programa era mais assistido pelos jovens tornando-se mais dinâmico. Com a Constituição de 1988, que obrigava as emissoras a promover educação, o programa passou a discutir temas relacionados à saúde, ecologia, produção de alimentos e planejamento familiar. O Globo Ciência nunca teve grande destaque na grade de programação da Rede Globo, sendo veiculado aos sábados pela manhã. Nos anos 1980, era exibido às 10h30min, depois passou para 8h30min e nos anos 2000 ia ao ar às 6h30min, um horário de baixa audiência e pouco atrativo para os adolescentes, público-alvo do programa.
A ciência tem se popularizado na mídia como um todo, mas a linguagem rebuscada e os termos não comuns aos leigos dificultam a popularização do jornalismo científico. Todavia, ao apresentar temas que possam ser de interesse do público, como a prevenção de doenças, esse conteúdo torna-se mais atrativo. Segundo Dornelles (1995, p. 49), “[...] apenas após 1980, com o surgimento da AIDS, doença sexualmente transmissível, causada por um vírus que ataca o sistema
imunológico, os jornais passaram a dar cobertura sistemática às questões que envolvem a ciência médica”. Naquele período muitos veículos de comunicação publicavam fatos pouco esclarecedores que causavam especulações e interpretações errôneas sobre o tema. Alguns mitos criados naquele período ainda criam confusão sobre as formas de contrair a AIDS. Mesmo que muitos estudos reafirmem que a doença só pode ser contraída por contato sexual ou sangue, algumas pessoas ainda acreditam que a saliva ou o suor sejam vias de transmissão do vírus.
Com base em casos como de desinformação, Bueno (2010) defende que muitos jornalistas não estão preparados para decodificar o discurso dos especialistas e podem gerar uma espetacularização da notícia. Isso desincentiva os pesquisadores ou cientistas que defendem a popularização da ciência. O autor ressalta, ainda, que alguns pesquisadores ou cientistas podem ter dificuldade em se comunicar com o público leigo, porque acreditam que a linguagem utilizada em textos de divulgação científica para este público os obriga a simplificar seu discurso e essa simplificação pode empobrecer sua pesquisa. Dornelles (1995, p. 49) também concorda que os jornalistas precisam se especializar na área científica, para que possam trabalhar melhor em conjunto com os especialistas, que em geral, têm dificuldade de compreender que para uma descoberta ser noticiada, é necessário um valor notícia que a torne interessante para a mídia. "Para eles, tudo o que fazem merece ser divulgado, pois desconhecem o processo de seleção das matérias, que chegam aos milhares diariamente em cada redação de jornal."
O público difere, fundamentalmente, nos processos de comunicação e de divulgação científica. No primeiro caso, está identificado com os especialistas, ou seja, pessoas que, por sua formação específica, estão familiarizadas com os temas, os conceitos e o próprio processo de produção em ciência e tecnologia (C&T). No segundo caso – divulgação científica – ele é, prioritariamente, um não iniciado, quer dizer, não tem, obrigatoriamente, formação técnico-científica que lhe permita, sem maior esforço, decodificar um jargão técnico ou compreender conceitos que respaldam o processo singular de circulação de informações especializadas (BUENO, 2010, p. 2). Bueno (2010) julga que o público leigo tem dificuldade para entender a progressão dos avanços da área técnica e científica, pois isso, apenas acompanha os
insights que são publicados pelos veículos de comunicação. “O público de interesse
da divulgação científica não reconhece, de imediato, o caráter coletivo ou burocrático da produção da ciência e a individualiza” (BUENO, 2010, p. 2). A mídia tem uma parcela de culpa nessa glamourização da ciência, por não mostrar todo o processo de
gestão da pesquisa acadêmica e os métodos de análise necessários para que tal resposta fosse alcançada. O acompanhamento de um estudo para avaliar os resultados de uma vacina que possa evitar a AIDS, por exemplo, não tem o mesmo valor notícia do que a publicação de seus resultados. O potencial atrativo de uma manchete que noticia a descoberta de uma vacina para a AIDS garantiria a venda de muitos exemplares de jornais ou revistas.
Kucinski (2000) aconselha que os jornalistas devem evitar se envolver em campanhas sanitárias e preventivas do governo, pois algumas ações são apenas paliativas e não atacam a causa da doença, como é o caso das campanhas de vacinação de sarampo e tuberculose que não promovem uma estrutura social melhor para a população, de modo que cada indivíduo possa manter-se saudável e viver em um ambiente mais limpo, evitando assim o contato com o vírus e a proliferação das doenças infecciosas. As campanhas governamentais de saúde ilustram uma realidade na qual a vacinação massiva erradicaria a doença, e os jornalistas ao invés de criticar, endossam essa ideia. “Frente à complexidade dessas questões, cabe ao jornalista o papel delicado de socializar as discussões e contribuir para o processo de construção de uma nova moral” (KUCINSKI, 2000, p.186). Concordamos que no jornalismo diário as divulgações de campanhas de vacinação, por exemplo, são mais presentes do que as longas reportagens descrevendo os resultados de estudos científicos. Entretanto, acreditamos que a divulgação científica, muitas vezes, tem maior amplitude e relevância na vida cotidiana dos cidadãos do que o jornalismo científico interpretativo. O interesse público de noticiar uma campanha de vacinação nacional é maior que o de difundir os avanços das pesquisas americanas para a cura do câncer, por exemplo. O valor-notícia proximidade mais uma vez se destaca.
Calvo Hernando (2003) defende que uma das premissas do jornalismo científico é promover a divulgação e educar o telespectador sobre ciência. O pesquisador enfatiza a importância da difusão de campanhas governamentais de promoção da saúde, mas acredita que o jornalismo precisa contextualizar o público, e educá-lo para a ciência.
O jornalismo científico, em seu dever de entregar conhecimento à sociedade, é uma fonte de ensino e aprendizagem que visa tornar compreensível, para o público em geral, a pesquisa científica e tecnológica, cuja importância se constitui na verdadeira ferramenta
educação científica para o seu fácil acesso a grandes grupos sociais com diferentes níveis de ensino6 (CALVO HERNANDO, 2003, p. 18). Albagli (1996) acredita que os meios de comunicação e outras formas de divulgação científica são boas estratégias de promover a disseminação da ciência entre o público leigo, mas nenhuma delas substitui a educação científica formal oferecida pelas escolas primárias e secundárias. Entretanto, a mídia precisa oferecer conteúdos que completem essa formação de conhecimento.
Embora a divulgação científica seja geralmente percebida como sendo baseada em mecanismos de educação informais, dado que seu alvo é o público leigo em geral, é inevitável sua relação com a educação científica formal oferecida pelas escolas primárias e secundárias. [...]. Alguns estudos concluem que a base para o conhecimento científico formada durante os primeiros anos da educação formal, na escola [...]. Outros estudos indicam que a escola não é capaz de prover toda a educação e a informação científica requerida pelo cidadão, ao longo da vida [...]. Hoje em dia, ainda que não intencionalmente, adultos e crianças são expostos e estão em contato com diferentes outras fontes de informação científica fora da escola (ALBAGLI, 1996, p. 402). Tendo em vista que 20 anos se passaram desde essa constatação de Albagli (1996) e que a internet se tornou, atualmente, o meio mais fácil de ter acesso a qualquer tipo de conhecimento e informação, defendemos a importância de os meios de comunicação auxiliarem na educação científica. Lembramos que não é papel fundamental dos veículos de comunicação oferecerem educação em saúde, mas compreendemos que a mídia pode aguçar a curiosidade do público pelos temas relacionados à ciência e incentivar o público a buscar informações mais completas e especializadas para sanar suas dúvidas. No caso das ciências da saúde, a mídia tem o dever de promover a disseminação dos avanços da medicina e novas formas de tratamento que possam oferecer uma melhor qualidade de vida à população.
O jornalismo científico, ainda que aborde temas complexos, precisa apresentar uma linguagem que facilite a compreensão. Conforme Calvo Hernando (2004), a utilização de analogias tem o propósito de aproximar o texto da realidade de quem está recebendo essa informação. “Os próprios cientistas se utilizam de analogias quando falam ou escrevem para o público não especializado e quando escrevem
6 Tradução nossa. Texto original: El periodismo cientifico, em su tarea de entregar el conocimiento a la
sociedad, es una fuente de enseñanza y aprendizaje que busca hacer comprensible, para un público amplio, las investigaciones científicas y tecnológicas, cuya importancia radica en que se constituye en una verdadera herramienta de alfabetización científica por su fácil accesso a grandes grupos sociales con diferentes niveles educativos.
artigos de divulgação científica”7 (CALVO HERNANDO, 2004, p. 6). Pacheco (2008) concorda com o pesquisador e compreende que as informações científicas sem uma adequação jornalística de linguagem não são de fácil entendimento para o grande público. A autora recomenda a utilização de exemplos metafóricos para facilitar a compreensão do texto científico.
De um modo geral os exemplos com metáforas colocados nas revistas conseguem, sem perder precisão, ajudar o público-leitor a vislumbrar um mundo bem maior e mais interessante do que aquele que costumeiramente é mostrado (PACHECO, 2008, p. 27).
Ainda, conforme Pacheco (2008), as publicações de divulgação científica oferecem ao público uma alta gama de assuntos relacionados à ciência, e os jornalistas precisam sempre tentar adequar os temas a algo que seja próximo da realidade do receptor. “Faz-se necessário, portanto, perceber como o “mundo da ciência” aparentemente distante para a maioria, é traduzido em linguagem de fácil assimilação (PACHECO, 2008, p. 2). A autora vislumbra que o jornalismo científico