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4. AK PARTİ’NİN 12 HAZİRAN 2011 MİLLETVEKİLİ GENEL SEÇİMLERİ

4.2. Seçim Bildirgesi

Quando se fala nesse período de euforia do Fundão, é impossível deixar de falar das olarias. Apesar de fazermos um estudo mais aprofundado sobre elas, no segundo capítulo, neste momento é importante falar delas para explicar essa euforia da qual estamos tratando.

O crescimento da urbanização da Vila de Brejo Alegre aumentou a demanda por materiais de construção, para que as habitações fossem erguidas. O primeiro sinal dessa necessidade foi um oficio feito pelo Sr. Joaquim Gonçalves Goulart, em 1885, no qual solicitava um terreno para a produção de adobos. O pedido foi aceito pela Câmara de Vereadores, que disponibilizou dois terrenos, para que o solicitante pudesse escolher. Com esta doação, nasce a primeira indústria da Vila. Os dois terrenos ficavam localizados próximos ao Brejo Alegre, onde hoje está localizada a avenida Coronel Teodolino Pereira de Araújo, região central de Araguari.

A partir do ano de 1885, as olarias se configuraram como uma das principais atividades produtivas do Fundão. Mesmo que a primeira não tenha se instalado na comunidade, a grande quantidade de argila, no vale do rio Araguari e córrego Fundão, fez com que elas, logo, fossem ali implantadas.

Já no início do século XX, essas olarias representavam as maiores empregadoras do Fundão e entre as maiores de todo o município de Araguari. A primeira a se instalar foi de propriedade do Sr. Manoel dos Santos e, até o ano de 1960, existiam aproximadamente 14 olarias, no Fundão.

Para fazer o escoamento da produção utilizavam-se, até a década de 1950, principalmente dos carros de boi; a partir da década de 1960, passou a ser comum o uso de caminhões, para fazer o frete. Quando se usavam os carros de bois, a produção era levada

diretamente para Araguari, ou até a estação Stevenson, e, da estação, a produção era transportada até os principais mercados consumidores em ascensão: as cidades de Araguari e Uberlândia. Com a intensificação do uso dos caminhões esse transporte, muitas vezes, era feito da origem diretamente ao destino.

O crescente processo de urbanização de Araguari leva alguns dos proprietários rurais do Fundão a aproveitarem a grande quantidade de argila nos canais fluviais que drenam a região. Esse fato fez da produção de tijolos, ao lado da produção do arroz, a principal atividade econômica da comunidade. Ao Fundão é atribuído o mérito de ter construído Araguari e de ter contribuído para a expansão urbana da cidade de Uberlândia. De acordo com o Sr. Diniz,

[...] do Fundão vinha cerca de 50 mil tijolo todo dia pra Araguari... essas casas aqui é tudo tijolo lá do Fundão. Ocê vê essas casas boas e bonitas aí, os tijolo é tudo de lá. Do Sebastião Faria, Tijolo 51. Tem muito tijolo vendido aí. O Antônio Faria, meu irmão, tocou olaria lá no Fundão muitos anos. Teve uma época que ele fez 500.000 tijolo e entregou lá na Stevenson. Mas fez uma pilha de tijolo lá que ocê não avistava a estação não. Muitos perguntava: “mas o que é aquilo que ta lá na estação?” Tampou a estação lá! Isso tudo era pra por nos vagão [...] O Fundão construiu Araguari! Araguari não tinha casa aqui não! Tinha rancho aí oh! O Fundão tem uma importância muito grande, ora! (Informação verbal)15.

Na fala, é possível perceber um sentimento de pertencimento de alguém que nasceu e cresceu no Fundão e que vivenciou um momento importante da história do lugar. O entrevistado deixa clara também a importância dessa atividade econômica para a economia, não só da comunidade, como também para Araguari. A indústria de tijolos viveu o seu momento áureo porque os novos municípios emancipados demandavam o produto para se desenvolverem.

Numa região que, desde sua demarcação como Sesmaria, sempre procurou sua vocação produtiva, as olarias pareciam ser a resposta tão esperada. Deixando de lado o fato de que o Sr. Diniz Farina tem suas origens no Fundão e que, por isso, seja natural que ele tenha

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uma identidade com o lugar, fazendo com que ele valorize, de uma maneira explícita, as atividades produtivas desenvolvidas, inclusive, pela sua própria família, na comunidade, é possível interpretar que a expansão das olarias significou uma mudança na pacata rotina do Fundão. Antes delas, a movimentação de pessoas e mercadorias se restringia, basicamente, ao interior das propriedades, e seguia o ciclo da colheita agrícola. Com as olarias, era constante a circulação de pessoas e mercadorias pelas estradas, propriedades, portos e estação ferroviária. Os dois produtores que o Sr. Diniz menciona na sua fala são seus irmãos mais velhos, Sebastião Faria e Antônio Farias, que comandavam duas das cinco maiores olarias do Fundão. Para diferenciar os tijolos e se saber a origem destes, cada um tinha a sua marca. No caso da olaria de Sebastião Faria, a marca do tijolo era 51, e a de Antônio Farias tinha as iniciais do seu nome como marca do tijolo (AF). Apesar da ausência de registros materiais históricos que comprovem a importância do Fundão, na sua fala o entrevistado quer deixar bem claro que o referencial é a grande quantidade de construções feitas com tijolos das olarias da comunidade. A euforia trazida pela produção dos tijolos marca a história do lugar.

Não seria exagero afirmar que, com a implantação das olarias, a ocupação e circulação de pessoas e mercadorias atingem seu auge, no Fundão. Contudo, a maioria das pessoas que vinha para a comunidade não adquiria terras, mas apenas vendia sua mão-de- obra. Isto mostra que as olarias motivaram uma ampliação no processo de ocupação, o que, entretanto, não alterou a estrutura fundiária da comunidade, ou seja, as propriedades não foram, necessariamente, divididas, compartimentadas.

Outro fator importante a ser mencionado é que, embora as olarias tenham intensificado a ocupação do Fundão, com a geração de novos empregos, tendo os trabalhadores que morar dentro das propriedades onde estavam localizadas as olarias, isto não resultou em ganhos significativos para eles, que não melhoraram sua renda e aumentaram sua dependência em

relação à cidade, para comprar a sua alimentação, já que não lhes era dado o direito de plantar a sua roça nas propriedades onde estavam localizadas as olarias.

No próximo capítulo veremos por que esse momento de intensa atividade econômica no Fundão não passou de uma euforia. Esse clima não se refletiu em satisfação para todos os agentes envolvidos nos processos produtivos instalados na comunidade. Seja durante a produção de arroz, já retratada neste capítulo, seja no processo de instalação das olarias, veremos que os ganhos não se refletiram em fartura para todos os sujeitos envolvidos no processo produtivo.

CAPÍTULO II - AS TRANSFORMAÇÕES SÓCIO-ECONÔMICAS E O PROCESSO