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1. ARAŞTIRMA HAKKINDA AÇIKLAMALAR

3.4.   Ak Parti’nin İletişim Yönetimi

Ainda que não tenha sido o grande foco de atração populacional da região do Triângulo Mineiro, na segunda metade do século XIX, a região onde está localizada o município de Araguari e, obviamente, a comunidade do Fundão conheceram um período de crescimento econômico que foi sustentado, a princípio, pela instalação de infra-estrutura de transporte.

Apesar da carência de registros materiais históricos, no que diz respeito à origem da comunidade do Fundão, a necessidade de fazer circular as mercadorias que eram produzidas nas áreas rurais de Araguari motivou, inicialmente, a criação de portos fluviais, nos rios que cortam o município, e a ampliação das estradas vicinais que ligavam as comunidades rurais à área urbana do município.

Acredita-se que a instalação de estradas e a criação de portos no rio Araguari tenham sido responsáveis por aumentar o fluxo de pessoas que por ali passavam, fomentando, assim, a ocupação mais efetiva dessa região, posteriormente à década de 1860. Com isso, as primeiras áreas ocupadas foram aquelas mais próximas dos respectivos portos e das estradas que davam acesso a estes.

Em publicação feita pela Fundação Educacional e Cultural de Araguari – FUNEC e pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, foi transcrito um ofício da Câmara Municipal, datado de 28 de abril de 1892, no qual se faz referência aos portos localizados no rio das Velhas – atual rio Araguari. Segundo este:

A Câmara Municipal deste Município, faz saber a todos [...] que por resolução da câmara fica marcado prazo de 90 dias para os proprietários dos seguintes portos do Rio das Velhas: (Pau Furado, Fundão e Porto da Lona), consertarem seus barcos existentes, ou construírem outros, a poder satisfazer as necessidades públicas sem perigo de vida para os transeuntes [...] (pág. 77).

Atendo-nos, a princípio, à data do oficio, 28 de abril de 1892, e posteriormente à latente preocupação da Câmara Municipal com o estado de conservação das embarcações, no transporte de mercadorias e pessoas, consideramos ser bem provável que estes portos já existissem, em uma data bem anterior à da publicação do referido ofício. Se as embarcações já estavam precisando de manutenção, por estarem colocando em risco a vida das pessoas, com certeza seria necessário um período relativamente longo para que elas tivessem chegado a esse ponto de deterioração.

Dos portos existentes no Rio Araguari, no município de mesmo nome, destacavam-se os do Fundão, do Lona e o do Pau-Furado. O do Fundão e do Lona faziam o transporte de mercadorias e de passageiros na direção de São Pedro do Uberabinha, atual Uberlândia, enquanto que o do Pau-Furado, na direção de Uberaba. Esses portos estavam todos localizados em propriedade particular. Para utilizá-los era necessário uma paga, que quando não pudesse ser em dinheiro poderia ser em mercadoria.

Além dos portos fluviais, a instalação do transporte ferroviário foi um fato importante para o desenvolvimento de Araguari. Apesar de a inauguração oficial do primeiro trecho de ferrovia ter ocorrido somente em 24 de fevereiro de 1913, já em 1896 havia sido inaugurada a primeira estação ferroviária de Araguari, localizada na região central da cidade. No Fundão, a inauguração da estação ferroviária Stevenson, no ano de 1937, mudou a rotina dos que ali viviam.

O uso da estação ferroviária ia além da sua utilização para fazer o transporte de passageiros e mercadorias. O Sr. Diniz Farina nasceu e foi criado no Fundão; segundo ele, era comum o pessoal do Fundão ir “jogar bola lá na estação, porque tinha um time lá na Stevenson, então nóis jogava bola lá5”. Além do campo de futebol, a Stevenson tinha uma escola comunitária e um bar, anexo a ela. Com isso, o trânsito de pessoas das fazendas do Fundão para a estação era diário, e nem nos fins de semana esse fluxo se interrompia, pois lá também eram oferecidas possibilidades para a prática do lazer, coisa rara para quem tinha uma vida tão difícil, no campo.

A ferrovia pertencia à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, e a inauguração do trecho no município de Araguari, com a conseqüente construção e inauguração das estações

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Entrevista concedida pelo Sr. Diniz Farina no mês de abril de 2005.

FIGURA 3 – Ruínas da Estação Ferroviária Stevenson, tombada pelo Patrimônio Histório do Município de Araguari – MG, localizada nas terras do Sr. Masaaki Mitasutake, próxima à BR 050, entre as cidades de Araguari (MG) e Uberlândia (MG), na comunidade do Fundão. Autor: SANTOS, Rosselvelt José (2004).

ferroviárias, trouxe um número grande de funcionários da referida companhia que, mesmo depois de terminadas as obras, ali se estabeleceram. Dentre estes que se estabeleceram, alguns foram personalidades destacadas dentro da comunidade rural do Fundão, os quais, trabalhando e morando na Stevenson, inseriram-se na vida comunitária, participando ativamente na preparação e organização dos eventos festivo-religiosos. Um exemplo disto é a família Farina; segundo o Sr. Diniz Farina, seu pai:

veio pra cá em 1923, mas só comprou terra lá em 1955...não tá errado, não foi não. Eu nasci no dia 06 de janeiro de 1925, no dia de Santos Reis [...] meu pai comprou lá eu tinha uns 15 anos. Quer dizer que [...] foi de 1945 pra trás. Eu casei em 1952, e nois já tinha a fazendinha lá, o sítio lá [...] Papai chegou no Brasil tinha quinze anos a mamãe trêis. Papai veio pra Araguari pela Mogiana. Papai era feitor lá da turma. Ele ajudou construir a Stevenson. Ele ajudou a fazer a estrada de ferro até aqui. Ele veio como empregado da Mogiana. Aí ele ficou por aqui. Papai trabalhou 33 anos na Mogiana (Informação verbal) 6.

Descendente de imigrantes italianos, o senhor Ricardo Farina, pai do entrevistado, veio para o Brasil com sua família (pai, mãe e dois irmãos) no ano de 1888, com a finalidade de trabalhar nas lavouras de café do estado de São Paulo. Contudo, no ano de 1923, já empregado na Companhia Estrada de Ferro da Mogiana, foi enviado para Araguari, com a finalidade de trabalhar na implantação da estrada de ferro e na construção das estações. Em Araguari morou, inicialmente, nas casas feitas pela própria companhia Mogiana, nos arredores da estação Stevenson. De acordo com escritura, lavrada em cartório, a família Farina comprou a fazenda Fundão do Sr. João Esteves Sodado, conhecido também por Joãozinho Português, no ano de 1937, ou seja, no mesmo ano de inauguração da estação Stevenson. O patriarca Ricardo Farina, inicialmente, dividiu seu tempo entre o trabalho na estação e o trabalho na fazenda. A família ficou numerosa, ao todo eram quinze filhos, e aos mais velhos cabia a incumbência de cuidar da fazenda.

O exemplo da família Farina ilustra bem a importância da vinda dos trilhos para a região. O próprio João Esteves Sodado, que vendeu a propriedade para o Sr. Ricardo Farina,

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embora não tivesse filhos, fixou-se no Fundão com a esposa e contribuiu para a construção da história do lugar.

Podemos dizer, então, que a partir da década de 1890, os imigrantes trabalhadores da Companhia Mogiana foram, nesse período histórico, parcialmente responsáveis pelo fluxo populacional mais relevante no município, contribuindo para o processo de ocupação da comunidade rural do Fundão.

O aumento do fluxo de pessoas e de mercadorias na região, seja por meio dos portos fluviais no Rio Araguari, seja pela instalação da ferrovia, não eliminou a utilização dos carros de boi. Nesses carros, que eram puxados por até quatro bois, transportava-se de tudo. Neles as pessoas eram transportadas para participar das festas comunitárias e para irem à cidade. Os produtos que eram feitos no campo e que abasteciam a cidade também eram por eles transportados, como, por exemplo, o arroz, o leite e os tijolos de argila. Tudo isso tinha como destino, sobretudo, as cidades de Araguari e Uberlândia.

Nesse período, que vai do final século XIX até início do século XX, um clima de euforia começava então a ser percebido no Fundão. A instalação de uma relativa infra- estrutura de transporte, ligando Araguari às regiões portuárias de São Paulo e Rio de Janeiro e também ao interior do Brasil, deu um novo ânimo à economia araguarina. Na comunidade do Fundão, as fazendas produtoras de arroz e as olarias começavam a empregar várias pessoas que, se já não viviam no Fundão, para lá iam, com o objetivo de garantir a sua subsistência e reprodução social, enquanto trabalhadores rurais e proletários oleiros.