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Saygı Bölümü

3. İŞ YAZISI

3.2. Saygı Bölümü

Este relatório também é formado por 2 páginas datilografadas, mas que passou por correção e acréscimo de palavras. De forma direta, sem rodeios, começa informando que o movimento da Juventude Estudantil Católica em Olinda se fazia presente em 10 colégios da arquidiocese e não conseguiam, apesar dos pedidos, ampliar para outras instituições por não dispor de dirigentes.

Relata-se que as práticas das jecistas obedeceram o seguinte plano: 1) Organização de acampamentos;

2) Organização de manhãs de formação; 3) Organização de círculos e reuniões; 4) Realização de campanhas;

5) Realização de retiros;

Cada prática é descrita com detalhes.

No caso dos acampamentos, a Equipe Nacional é informada que foram realizados três, especificando a quem se destinavam, de que temas tratavam e quais resultados traziam.

Informa que o primeiro acampamento foi realizado no mês de fevereiro, na localidade de Rio Doce, destinado às dirigentes e as conselheiras, que durante três dias, fizeram estudos sobre o papel da dirigente; a dirigente como educadora de militantes; vida em equipe; e a dirigente em face da vida e dos problemas de seus militantes.

O segundo acampamento foi realizado na casa de férias de Pau D’Alho, tendo sido denominado de “acampamento de conquista”. A avaliação é que esse acampamento foi muito positivo para o movimento, uma vez que se conseguiu, a partir dele, atrair lideranças para o movimento.

Relata-se que o terceiro acampamento destinou-se a adjuntas, dirigentes e militantes, quando foram organizados dois grupos. O primeiro foi formado pelas adjuntas, e o segundo pelas dirigentes e militantes, para que cada grupo estudasse os assuntos que lhes interessavam a fim de programar as ações a serem desenvolvidas nos respectivos colégios.

Afirma-se que esse acampamento foi o primeiro para as adjuntas, tendo comparecido quatro religiosas, mas que todos contaram com a ajuda da propagandista e da Secretaria regional.

Observa-se que esses acampamentos, além de servir como estratégia para atrair lideranças, também se prestavam a orientar as militantes que já faziam parte do movimento, a fim de orientar-lhes as práticas para que fosse possível alcançar os objetivos do movimento e firmar os laços com a hierarquia, uma vez que se contava com o apoio desta para organizar tais eventos e a ela deveria responder com resultados.

No que diz respeito às manhãs de formação, relata-se que eram práticas realizadas mensalmente, abertas por uma missa, seguida por um café da manhã, exposição sobre algum assunto eleito para ser o tema do mês, a organização em círculos e a assembléia.

Previa-se que nessas manhãs, deveriam acontecer também reuniões mensais das adjuntas, mas que não tinha sido uma prática bem-sucedida, haja vista ter contato com um número reduzido de participantes.

Já as assembléias, informa-se, contavam com o apoio da maioria dos colégios que liberavam seus alunos, militantes ou não, a comparecerem. De modo que nesses momentos se reuniam tanto jecistas quanto simpatizantes, demonstrando ser um espaço importante para atrair novos membros para o movimento.

Os círculos de reuniões, por sua vez, segundo o relato, era uma prática que visava reunir, semanalmente, tanto as dirigentes jecistas com seus pares, quanto as jecistas com representantes da hierarquia da Igreja, quanto esta com as diretorias dos colégios. Observa-se, com isso, que a hierarquia eclesiástica, com essa prática, além de denotar o controle e a disciplina que as garotas deveriam ter para fazer parte do movimento, buscava também controlar as diretorias dos colégios, conformando todos aos seus interesses.

No que diz respeito às campanhas, o relatório dá conta do envolvimento com a publicação do jornal do movimento, Roteiro da Juventude, de circulação nacional e do envolvimento com a campanha denominada “Aproximação das famílias”.

A participação nesse tipo de campanha revela o quanto os jovens, dos mais diversos lugares, mantinham-se atrelados ao movimento nacional, pois eram envolvidos em campanhas em prol do jornal de circulação nacional mantido pela JECF. Além disso, como se pode observar em outros momentos deste trabalho, a participação em campanhas demonstra a realização do método ver-julgar-agir, para o qual a ação deveria buscar atingir pessoas e interesses gerais a fim de fazer das práticas jecistas exemplares e atrativas, ou seja, referência. Fazer das jecistas referência era a estratégia para se ter controlo sobre os demais.

Entre as práticas relatadas no relatório estava ainda a realização de um retiro espiritual, destinado às alunas do Instituto de Educação e Escola Normal Pinto Junior, que contou com a colaboração de dois padres.

Embora não haja qualquer menção da programação do retiro, verifica-se que a escolha do público alvo não era gratuita, pois, ao aproximar as normalistas do movimento, envolvendo-as nas prática do retiro, podia-se ter uma forte aliada para inculcar os valores católicos nas gerações futuras, pois se estava diante das futuras professoras da mocidade. E, assim, exerceriam controle também sobre esta.

A avaliação do retiro foi tão positiva que se descreve como conseqüência dele a instituição do movimento denominado “S.O.S”, a pedido das normalistas que solicitaram uma

assistência mais permanente. Com isso, além de exercer uma influência mais expressiva sobre as normalistas, poderiam cooptar novas militantes para a JECF.

A preocupação com a mocidade é evidenciada no relatório ao descrever as práticas voltadas para a pré-JEC (alunos da escola primária, com idade inferior a 12 anos), das quais não conseguiram alcançar os objetivos pretendidos:

1. foram realizada apenas três manhãs de formação; 2. poucos colégios realizaram as “tardes de amizade”;

3. cursos para a pré-JEC foram interrompidos por pouca freqüência; 4. falta de dirigentes dedicados à pré-JEC.

Por essa descrição, verifica-se que as dirigentes, além de informar à Equipe Nacional sobre as práticas realizadas, informa também acerca dos pontos críticos do movimento, mapeando os espaços em seria necessário investimento intenso no próximo ano.

Nesse relatório, no entanto, a realização de uma prática chama a atenção, especialmente a escolhida para concluir o documento: a realização do “tríduo da leitura”. Percebe-se que a denominação do evento de nada tem de ingênua, uma vez que além de ser um evento de três dias, faz referência à Trindade Santa, difundida pela Igreja.

Nesse evento, as jecistas, além criarem uma oportunidade para a conquista de novas lideranças, fizeram uso da estratégia da distribuição de prêmios às estudantes que mais se distinguiram “na coleta de livros maus para a ‘Biblioteca do Diabo’”. Após recolher esses livros proibidos, foi feita uma fogueira no pátio do Colégio, na qual todos foram queimados. Assim, o tríduo era marcado com uma prática que visava criar a representação da limpeza, da instituição da pureza, de purgar as mentes das jovens e o mundo do pecado.

Embora não haja, no relatório, informações sobre o que respaldava essa prática, percebe-se que ela mantinha relação com o combate da Igreja aos livros considerados perniciosos, para o que elaborou o Index Librorum Prohibitorum28 ("Índice dos Livros Proibidos" ou "Lista dos Livros Proibidos"), na qual eram apontadas as publicações que a Igreja Católica julgava perniciosas. E, pelo que se pode observar pela prática relatada, as

28 A trigésima segunda edição do índice foi publicada em 1948. Nela estavam 4.000 títulos censurados pela

Igreja Católica. As razões para a censura eram várias, desde acusação de heresia, à avaliação de pregar a deficiência moral, a existência de sexualidade explícita ou incorreção política. Cabia à congregação ou ao papa definir os títulos a serem censurados. O índice foi abolido apenas em 1966 com o Papa Paulo VI. (http://pt.wikipedia.org, 15 de fevereiro de 2007).

jecistas eram utilizadas como instrumento na defesa dos interesses da Igreja. Práticas que lembram a Santa Inquisição e o nazi-facismo.

Para concluir, o relatório apresenta a expansão do movimento no período: atuação em mais dois colégios, sendo que um deles era religioso e o outro era leigo.

Por esse relato, verifica-se que as práticas das jecistas, além de visar atender as orientações da Equipe Nacional, mostravam-se alinhadas com os interesses da Igreja, interesses que, embora ditos em nome da defesa do bem e da fé, revelam um projeto de poder, para o qual quaisquer práticas que fugissem ao controle ou que pudessem provocar questionamentos, deveriam ser duramente combatidas.

Benzer Belgeler