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Adres Bölümü

1. RESMİ YAZILARIN DERECE BÖLÜMLERİ

1.9. Adres Bölümü

Esse relatório é constituído de duas folhas datilografadas. É iniciado com uma prece em agradecimento pelo término do ano e pela glória conseguida pela JECF em Fortaleza. Ao iniciar a descrição do trabalho da JECF, apontam que a militância no movimento seria como uma escola de preparação para o apostolado, por preparar os militantes da Ação Católica.

Por esse relatório, observa-se uma referência explícita à relação hierárquica que a JECF mantinha com a Ação Católica, ou seja, o reconhecimento por parte das militantes de seus superiores, bem como do projeto que defendiam com a prática que realizavam.

As dirigentes de Fortaleza comunicam à Equipe Nacional que, por falta de dirigentes, o movimento não conseguiu formar novos grupos em novos colégios, continuando, no ano de 1946, a atuar nos mesmos nove colégios do ano anterior, a saber:

1.Ginásio Nossa Senhora do Sagrado Coração; 2.Colégio da Imaculada Conceição;

3.Escola Normal Justiniano de Serpa; 4.Ginásio Santa Cecília;

5.Ginásio Santa Isabel;

6.Colégio Juvenal de Carvalho; 7.Ginásio Lourenço Filho; 8.Colégio São José;

Como se pode perceber, pela relação desses colégios, a atuação das jecistas não se restringia às escolas confessionais, embora fosse sua presença nesses espaços fosse marcante em escolas católicas; a JECF também se fazia presente em instituições leigas, a exemplo do Ginásio Lourenço Filho.

Após relatar em que instituições as jecistas se faziam presentes, é informado que, em Fortaleza, naquele ano, o movimento jecista contava com a participação de 163 jecistas efetivas e 167 estagiárias (em formação)24, o que, segundo se relata, era um número muito reduzido.

Essa declaração permite avaliar que as pretensões da prática da JECF não eram poucas, haja vista tentar ampliar o quanto mais o número de militantes. Vê-se que o número, apesar de expressivo, era considerado insatisfatório para a dirigente, que, com isso, alinhava- se à proposta da Equipe Nacional de ser preciso colocar-se sempre em luta, pois sempre seria preciso ter sob o domínio da Igreja mais e mais pessoas.

No entanto, no relatório, consta a avaliação das causas que teriam impedido que o movimento jecista de Fortaleza se ampliasse.

O selecionamento da JEC, exigindo muita prudência por parte das dirigentes na recepção de novas sócias, a dificuldade de abraçarem as estudantes, na fase das ilusões da vida, as renúncias que a Ação Católica pede e a falta de apoio e de boa vontade por parte da diretoria e professorado de alguns colégios. (Relatório de atividades de Fortaleza, 1946, p. 1).

Por essas declarações, observa-se que as jecistas reconheciam estar no processo de aproximação das colegas uma das dificuldades para que não se conseguisse fazer crescer quantitativamente o movimento. Essa observação justifica as orientações analisadas do caderno destinado às dirigentes, nas quais se explicitava grande preocupação com esse momento, porque se sabia decisivo no processo de conquista de adeptos.

Além disso, percebe-se que as práticas das jecistas não tinham o apoio dos professores e da direção de alguns colégios, apesar de elas investirem na constituição da imagem de serem a representação da caridade, da disciplina e da solidariedade. A resistência declarada sugere que, em algumas instituições, não eram vistas como positivas as práticas da juventude católica, ou seja, que a representação positiva das jecistas não convencia a todos. Talvez, a

24 Khoury (1998) informa que, para passar de jecista estagiária à efetiva, seria preciso passar por um período de

indicação de que as exigências da Ação Católica em relação às jovens era exegerada, fosse uma das razões para essa representação negativa da atuação da JECF. Esse também pode ser um indício da insistência, no Caderno de formação, de que as meninas não deveriam viver somente em função do trabalho jecista e “manter sua própria vida”.

São relatadas também as práticas que as jecistas realizaram ao longo do ano em todos os núcleos (colégios): sessões semanais ou quinzenais em forma de “círculos de estudos”, orientados por uma dirigente, aulas de formação dadas por uma adjunta técnica, reuniões para organização de relatórios, presididas por um assistente eclesiástico, e reuniões de atividades, das quais, de acordo com as oportunidades, partiam campanhas para o exercício do apostolado.

Percebe-se, com isso, que as práticas da JECF deveriam ser conseqüência de uma organização sistemática. Nessa organização, o que se percebe é o interesse de informar à Equipe Nacional que buscavam cumprir as orientações destinadas às dirigentes (analisadas no capítulo III).

Entre as ações empreendidas pela JECF-Fortaleza, no ano de 1946, são destacadas: “a catequese, o auxílio espiritual e material à O.V.S25. e as missões e campanhas anti- comunista”.

Pelo relato dessas ações, verifica-se que a JECF, além de apontar para as práticas que defendia, explicitava também o inimigo a ser combatido, aqueles a quem se precisava se contrapor, para cuja empreitada se precisava de aliados.

Informa-se, ainda, no relatório como as equipes da JEC em Fortaleza comemoraram o Dia da JEC, em 22 de setembro. Segundo o relatório, as festividades contaram com a presença de todas as jecistas da região, quando foram realizados: “círculos de estudo para grupos separados de acordo com os cursos, visando assuntos de interesse geral – “Jecista em férias”, e uma parte recreativa preenchida por jogos, corais, declamações e sorteios, tudo se referindo ao ideal da A.C.” (Relatório de atividades de Fortaleza, 1946, p. 1).

Esse relato explicita, mais uma vez, que as práticas realizadas pelas jecistas visavam cumprir as orientações destinadas às dirigentes (analisadas no capítulo III), pelas quais as práticas precisavam atrair os participantes. Para tanto, vê-se que a opção do grupo de Fortaleza foi realizar, além de jogos, corais, sorteios. No entanto, fazia-se necessário deixar

claro à Equipe Nacional que, ao realizar práticas que não se mostravam diretamente ligadas às práticas eclesiásticas, que se estava cumprindo o ideal da Ação Católica. Era esse ideal que se dava a ver no encerramento da atividade e, assim, estabelecia-se um elo de ligação entre as outras práticas realizadas durante o dia, ao informar que “com as bênçãos do Santíssimo e distribuição de um programa de vida para a jecista encerrou-se esse dia, cujas gratas recordações devem perdurar na mente de toda JEC de Fortaleza.” (Relatório de atividades de Fortaleza, 1946, p. 1).

Não se pode afirmar, ao certo, o que seria esse “programa de vida”, pois, em todos os documentos analisados nesta pesquisa não foi encontrado nenhum “programa de vida”, mas é possível supor que o “programa de vida” de uma jecista deveria dar conta das práticas para viver em apostolado, como ter uma vida exemplar, praticar os sacramentos, aceitar e obedecer aos estatutos da JECF e à hierarquia. Ou seja, deveriam trazer informações que mostrassem para a jecistas que ela precisava ter uma vida de dedicação e renúncia em prol do movimento.

Ao final do relatório, é destacada a atuação das jecistas do Colégio Imaculada Conceição, por terem desenvolvido, ao longo do ano, uma série de campanhas voltadas às orientações destinadas às dirigentes, ou seja, que respondiam à terceira parte do método ver- julgar-agir, e explicitava que se estava colocando em prática as reflexões das duas primeiras partes.

Observa-se que, ao destacar a atuação de um grupo de jecistas, estabelecia-se um ranking entre os grupos, que poderia, tanto servir de estímulos aos outros grupos, que poderiam tomar as ações como modelos, quanto para demonstrar uma prática liberal de estabelecer concorrência entre os membros do movimento.

Observa-se, assim, que, por esse relatório, uma série de práticas podem ser flagradas, práticas que apontam para o cumprimento das orientações dadas pela Equipe Nacional às dirigentes.

É preciso, no entanto, fazer a crítica dessa fonte, pois como se tratava de um documento enviado à Equipe Nacional, pode ser que se por acaso tivesse acontecido alguma prática não prevista nas orientações elas não ganhariam destaque.

De qualquer modo, ao analisar esse tipo de documento, é possível perceber, como no caso do relatório analisado, que práticas as jovens tinham dificuldades de realizar e por que essas dificuldades existiam. Essa advertência também serve para análise dos relatórios seguintes.

Por esse relatório, também é possível levantar indícios das situações que nortearam a produção do Caderno de orientações: as dificuldades de aproximação e cooptação de novas jecistas, a necessidade de alteração das representações negativas da jecistas, a necessidade de reapresentar o trabalho das militantes como saudável, normal e divertido. Percebe-se que tanto as práticas missivistas, quanto a de relatórios tinham função fundamental nas relações mantidas entre a Equipe Nacional e os grupo regionais: as práticas de documentar a ação serviam, não só para controlar a ação das jecistas, mas para reordenar as estratégias do próprio movimento, adequando-o às condições do meio social para garantir sua eficácia26.

Benzer Belgeler