Collision Analysis Earthquake Exposed Adjacent Structure Which Has Weak Storey Irregularities
3. Sayısal Uygulama
Poliginal 1 é o nome dado pela prefeitura de Vitória-ES para a área que corresponde a 8 Bairros/comunidades localizadas na região central da ilha de Vitória, são elas: Bairro da Penha, Bonfim Consolação, Engenharia, Floresta, Itararé, Jaburu e São Benedito. A junção dos 8 Bairros/Comunidades também é conhecida por “Território do Bem”.
As comunidades foram formadas há aproximadamente 40 anos, por meio da ocupação de morros de pedra da cidade de Vitória- ES, o que faz do território um local com áreas íngremes, acessos dificultados não só pela inclinação, mas também pela sinuosidade e estreiteza de muitas vias. O cenário visto no Morro mostra barracos e construções precárias dominando o ambiente (ver Figura 2), o que evidencia a pobreza e desigualdade social se comparada as construções a beira-mar da cidade.
Segundo estudo realizado pela Prefeitura de Vitória a Poligonal 1 possui uma área ocupada de aproximadamente 1.763.649 m², com cerca de 6950 domicílios com poucos e pequenos cômodos habitados em média por 4 habitantes. A mesma pesquisa indica que a renda média no território é de 1 a 3 salários mínimos, com alto índice de participação das mulheres na renda e na chefia das famílias e estima-se que dos 31.000 habitantes (cerca de 10% da população do município de Vitória-ES), 7.000 vivem abaixo da linha da pobreza. Quanto mais alto sobe-se nos morros percebe que os acessos as casas ficam mais difíceis e as habitações mais precárias.
As demandas educacionais no território são altas, pois existem mais procuras do que vagas nas escolas, além disso há muita repetência das crianças e adolescentes, que estão em situação de vulnerabilidade, expostos a violência do tráfico de drogas e policial, desestruturação das famílias, ausência de creches, unidades públicas de apoio e moradias em condições precárias. A situação na área da saúde também é precária, já que só existem duas Unidades de Saúde pública no território, e com relação ao lazer, cultura e esporte, também não há exceção, as opções existentes são precárias ou insuficientes.
Entre os anos de 2007 e 2008 foi realizada pelo Ateliê de Ideais (entidade gestora do Banco Bem) em aliança com Bem Maior (Fórum de Desenvolvimento Comunitário do Território do Bem), contando também com a parceria da Prefeitura de Vitória-ES, Universidade Federal do Espirito Santo (UFES) e outras organizações do município de Vitória-ES, uma pesquisa sobre a Poligonal 1, que resultou em um caderno publicado com os títulos “Saberes, Fazeres e Perfil dos Moradores do Território Bem” e “Plano Bem Maior do Território do Bem”. Com base neste material elaborado a partir da entrevista com 884 moradores do território, cada um representando uma pessoa e um domicilio, distribuídos entre as 8 comunidades (ver imagem 2), pode-se enumerar algumas características da área de estudo.
Figura 2: foto panorâmica de parte do Território do Bem, mostrando as ocupações de morro e a situação de algumas habitações.
Grande parte da população do território possui 1⁰ Grau incompleto, o que corresponde a quase 50% dos moradores, cerda de apenas 10% tem o 1⁰ Grau completo, 11% tem o 2⁰ Grau incompleto, 17% o 2⁰ Grau completo, 2% o 3⁰ Grau incompleto, 5% o 3⁰ Grau completo e 6% sem escolaridade. Segundo os índices da “Pesquisa: Saberes, Fazeres e Perfil dos Moradores do Território do Bem, 89% dos entrevistados, segundo a amostragem de 884 habitantes espalhados por todo o território da Poligonal 1, não estudam atualmente e apenas 11% estudam. Tais índices revelam as demandas educacionais do território já que são poucos moradores com 1⁰, 2⁰ e 3⁰ grau completo.
Com relação a renda das famílias dos entrevistados, a mesma pesquisa mostra que 43,9% possuem de 1 a 2 salários mínimos, 21,9% vivem com menos de 1 salário mínimo, 14,5% de 2 a 3 salários mínimos, 9,3% de 3 a 4 salários mínimos, 5,9% com mais de 4 salários mínimos
Figura 3: imagem retirada do caderno “Pesquisa: Saberes, Fazeres e Perfil dos Moradores do Território do Bem” mostrando em vista aérea as 8 comunidades do Território do Bem (delimitado com a linha vermelha).
e 4,5% não sabem. Sobre a renda dos moradores do território os itens que tem maior peso no orçamento familiar são respectivamente: a alimentação em primeiro lugar, muito à frente do seguinte, que é energia, depois gás, saúde, telefone, vestuário, moradia, água, educação, transporte e por último lazer.
Outro dado revelado pela pesquisa foi que a segunda atividade autônoma mais exercida pelos moradores do território é de pedreiro ou ajudante de obras, logo em seguida da doméstica/diarista, o que mostra o envolvimento de grande parte da população na cadeia da construção civil. Estes mesmos trabalhadores pedreiros são os responsáveis pela construção de suas próprias habitações e dos seus vizinhos.
A maioria das habitações do território são de alvenaria cerâmica furada, com estruturas e concreto armado, na maioria das vezes com pelo menos 2 pavimentos e quando a cobertura não é uma laje para um próximo pavimento são usados painéis de amianto ou fibrocimento como cobertura (ver imagem 3). A “Pesquisa: Saberes, Fazeres e Perfil dos Moradores do Território do Bem” indica que cerca de 91% dos casos das habitações do território são de alvenaria, seguido por 7% de habitações de tabuas de madeira e 2% de alvenaria e tábuas.
Figura 4: duas fotos tiradas pelo pesquisador com vistas diferentes para parte dos morros que compõe o território do bem, mostrando como as habitações são dispostas e suas imagens características.
Apesar da maioria das habitações serem de alvenaria e estrutura de concreto armada isso não significa que não sejam precárias.
Em meio a todo este cenário descrito há uma experiência notável, que vem revolucionando a Poligonal 1, é inclusive a razão desta também ser conhecida como “Território do Bem”, consequência da presença do Ateliê de Ideias com seus diversos núcleos de atuação no território, dentre eles o Banco Bem, objeto empírico desta pesquisa.