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Experimental Results

M. KUNCAN/APJES 5-1 (2017) 15-22

5. Experimental Results

Os BCD são uma experiência recente, que iniciou há 15 anos em Fortaleza - CE e atualmente são mais de 100 bancos que compõe a Rede de Bancos Comunitários. Normalmente possuem linhas de crédito que operam com moeda Real e circulante local, sua gestão é necessariamente comunitária e voltada para o Desenvolvimento de seu Território de atuação, por essa razão pode-se afirmar que desempenham serviços públicos e comunitários.

O crescimento do número de iniciativas de Bancos Comunitários de Desenvolvimento indica sua importância para os territórios pobres, pois promove o Desenvolvimento Territorial por meio de diversas ações, como as culturais, ambientais, de saúde e educação, articulando e mobilizando seus territórios com mutirões de limpeza, separação e reciclagem de resíduos, encontros para processamento de questões relacionadas a uso de drogas, oficinas para educação econômica, financeira, de gestão de empreendimento para os comerciantes, e ações habitacionais, viabilizando o acesso ao financiamento habitacional e assessoramento gratuito a autoconstrução, trazendo melhorias habitacionais e fortalecendo a cadeia de produtos e serviços de seus territórios.

Quando se fala em Desenvolvimento, em alguns casos pode ser compreendido como sinônimo de crescimento, ou este crescimento como uma necessidade para o desenvolvimento, podendo ser associado à variação quantitativa do produto e da renda, assim como a alteração da qualidade do modo de vida, das estruturas e das instituições.

Ao longo da história, Desenvolvimento teve diferentes compreensões, como por exemplo: na década de 50 como Modernização, industrialização, exportação e pólos de desenvolvimentos setoriais; na década de 60 compreendia-se desenvolvimento como sendo Endógeno, fomentando o mercado interno; na década de 70 como Equacionamento das Necessidades Básicas, com políticas de erradicação da miséria e com um enfoque regional; na década de 80 como Ajuste Estrutural, privatizações, liberalização de mercados, cortes em subsídios públicos e controle da inflação; na primeira metade da década de 90 como Desenvolvimento Sustentável, que seria desenvolver economicamente junto a sustentabilidade; na segunda metade de 90 Governança Global, diretrizes do desenvolvimento sustentável por meio de tentativas de regulação internacional. (SIEDENBERG,2008)

Segundo Sidenberg (2008) desenvolver não deve estar associado apenas ao sentido de crescimento quantitativo do produto e da renda, mas compreendendo-o como a alteração qualitativa do modo de vida, das estruturas e das instituições, podendo associá-lo dessa forma a um desenvolvimento que extrapola a dimensão econômica e produtiva, considerando também as variações das condições de vida da população.

Da mesma forma que os conceitos de desenvolvimento variam os de território também, compreendido por Santos e Silveira (2001) como espaço da nação e espaço que possibilita o exercício de diferentes atores.

Já Boisier (2001) o vê de três formas: Território Natural, aquele com presença da natureza sem a interferência humana; Território Equipado, locais intervindos pelo humano, com instalações de sistemas de transporte, obras, estruturas para atividades produtivas, etc.; Território Organizado, com a existências da atividade humana, mas sobre tudo de uma comunidade que se reconhece e tem como referência seu próprio território, exercendo atividades político-administrativas definidas por meio das competências deste território.

Dentro desta última compreensão de Território, associando-a ao Desenvolvimento, no sentido de melhorias na qualidade do modo de vida, e não limitado à dimensão econômica e produtiva, constrói-se uma compreensão do que seria Desenvolvimento Territorial, focado nas particularidades de cada lugar, protagonizado pela população local, que se reconhece e tem como referência seu próprio território. É neste sentido que as iniciativas econômicas solidárias

promovem o desenvolvimento, com a população não somente capacitada na compreensão dos problemas locais, mas também como agentes do processo de desenvolvimento, tem-se o cidadão na condição de transformador do cenário urbano, econômico, social, político, ambiental e cultural. O exercício do cidadão em romper com as dificuldades e problemas, não só de se obter trabalho e renda justa, mas também em contribuir com a comunidade a que pertence, estabelecendo relações colaborativas, democráticas e buscando por meio de seu trabalho suprir as demandas do território, faz dele protagonista do Desenvolvimento Territorial.

Desenvolver o Território, por meio de iniciativas econômicas solidárias, é compreender o território como palco gerador de oportunidades, que se objetivam em trabalho e renda, relações em redes de parceria, sem verticalismos na operacionalização do desenvolvimento, buscando exercer processos cada vez mais democráticos, cooperativos e autogestionários, fazendo com que a própria população de um dato território seja a protagonista nesse processo de transformação, construindo a conscientização sobre os problemas do território e buscando solucioná-los.

Segundo o Termo de Referência da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES, 2012), Desenvolvimento Territorial é compreendido como:

(...) considera-se território o espaço físico, geograficamente definido com afinidades socioculturais, caracterizado por critérios multidimensionais tais como: o ambiente, a economia, a sociedade, a formação histórica e cultural, e as instituições políticas, e grupos sociais distintos que se relacionam interna e externamente por meio de processos que indicam identidade e coesão social, cultural e territorial. (...) significa, portanto, o desenvolvimento de todos os membros da comunidade de forma conjunta, unidos pela ajuda mútua e pela posse coletiva de meios essenciais de produção ou distribuição, respeitando os valores culturais e o patrimônio ecológico local. (SENAES, p.8, 2012)

Neste sentido, por meio da identificação das demandas existentes na comunidade que atua, os Bancos Comunitários podem fomentar atividades econômicas complementares às necessidades latentes no seu território.

Um exemplo do apoio dos Bancos Comunitários a incubação de novos empreendimentos econômicos solidários é a experiência do Banco Bem em Vitória-ES, que ao

identificar as demandas por alvenaria na construção, ampliação ou reforma de edifícios no território, apoia um empreendimento para produção de tijolos ecológicos e o tem como parceiro para o crédito habitacional. Esta é uma prática comum no crédito via Bancos Comunitários, o estímulo à compra no território com moeda social, ou até mesmo construindo acordos para priorizar os comércios e serviços do território de alcance da Moeda Social. Desta forma, os Créditos por meio de Bancos Comunitários estimulam não só um ciclo virtuoso de riquezas no território como também o surgimento de novos empreendimentos demandados pela comunidade.

No caso do Crédito Habitacional isso pode ocorrer por meio do estímulo a empreendimentos, econômicos solidários ou não, na cadeia da habitação. Como associar a aquisição de materiais de construção no crédito habitacional às lojas e depósitos de materiais de construção do território, ou até mesmo incentivar o surgimento de novos empreendimentos para comercialização de produtos e serviços na cadeia da habitação.

O crédito habitacional nos Bancos Comunitários de Desenvolvimento é um fenômeno ainda pouco estudado, é uma lacuna no conhecimento científico, o que se conhece sobre eles são apenas algumas experiências. Com base nelas, as relações dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento com o Desenvolvimento Territorial acontecem de diversas formas, mas em específico, por meio do crédito habitacional, ocorre o fortalecimento do comércio local na cadeia da habitação e nas melhorias habitacionais, principalmente quando associado a assessoria técnica à autoconstrução, como é o caso do Banco Bem em Vitória-ES.

1.7. Banco Bem: uma experiência de crédito habitacional e assessoramento técnico a

Benzer Belgeler