- Conservação do solo: As práticas de métodos mecânicos, tais como uso de barreiras e plantio em curva de nível é de grande importância para a conservação dos solos.
Verificou-se que não há preocupação entre os grupos quanto à preservação, por isso os valores foram de 62,9% entre os não produtores de mamona e de 61,5% entre os produtores de mamona. Somente 37,1% dos não produtores utilizam práticas mecânicas contra 38,5% dos produtores de mamona (Figura 27). Através dos resultados dos testes de hipóteses (tabela 03), verifica-se que houve diferença significativa entre os dois grupos, pois o valor do sig foi de 0,036.
Tabela 03 - Diferença entre grupos de produtores e não produtores de mamona e resultados dos testes de hipóteses para os indicadores do IA
Indicadores Teste Estatística do Teste Sig*
Método de conservação do solo Qui-Quadrado 4,378 0,036
Método de controle de pragas Qui-Quadrado 22,486 0,000
Uso do fogo Mann- Whitney-U 636,500 0,541
Método para evitar a degradação do solo Qui-Quadrado 2,000 0,157
Realiza adubação do solo Qui-Quadrado 3,459 0,063
*Nível de significância a 5%
FIGURA 27 – Distribuição dos produtores e não produtores de mamona em relação ao método de conservação do solo
- Método de controle de pragas: Verifica-se que os produtores de mamona são os que mais utilizam agrotóxicos, com 53,8% contra 48,6% dos não produtores de mamona. Quanto a não utilização de nenhum método, os não produtores de mamona são de 45,7% e os produtores de mamona são de 35,9%. Poucos são os que usam métodos naturais ou biológicos, sendo 5,7% e 10,3% respectivamente entre não produtores e produtores de
mamona (Figura 28). Os resultados dos testes de hipóteses (tabela 03) mostram que as diferenças entre os dois grupos são significativas, pois o valor do sig foi de 0,000.
- Uso de fogo em atividades agropecuárias: O maior percentual encontrado foi os do que utilizam este método esporadicamente, sendo esta distribuição de 80,0% entre os não produtores de mamona contra 59,0% entre os produtores de mamona. Os produtores de mamona são o grupo que mais se utilizam o fogo com 17,9% contra 2,9% dos não produtores de mamona. Quanto aos que não utilizam o fogo esta proporção é de 17,1% entre os não produtores contra 23,1% dos produtores de mamona (Figura 29). A partir dos resultados dos testes de hipóteses (tabela 03), observa-se que não houve diferença significativa entre os dois grupos, pois o valor do sig foi de 0,541.
FIGURA 28 – Distribuição dos produtores e não produtores de mamona em relação ao método de controle de pragas
- Área de reserva nativa: Todos os participantes (não produtores e produtores de mamona) afirmaram que existe área de mata nativa nos assentamentos. A legislação ambiental exige que 20% da área de cada assentamento seja destinada para reserva nativa, no entanto, a quantificação não foi avaliada.
- Prática para evitar degradação do solo: Um percentual de 61,8% dos não produtores afirmou não praticar métodos contra degradação do solo e 55,35% dos produtores de mamona também não realizam este procedimento. Entre os que realizam alguma prática, este valor foi de 38,2% entre os não produtores e de 44,7% entre os produtores de mamona (Figura 30). Com base nos resultados dos testes de hipóteses (tabela 03), constata-se que não houve diferença significativa entre os dois grupos, pois o valor do sig foi de 0,157.
FIGURA 29 – Distribuição dos produtores e não produtores em relação à utilização do fogo nas atividades agropecuárias
FIGURA 30 – Distribuição dos produtores e não produtores de mamona em relação ao método para evitar a degradação do solo
- Uso de adubos: O uso de adubação natural é relevante, pois a falta de sua
aplicação compromete a reposição dos nutrientes e empobrece progressivamente o solo. A maioria dos agricultores não usa a adubação natural nas áreas cultivadas. Os assentados que realizam a adubação correspondem a 31,4% de não produtores e 46,2% dos produtores de mamona (Figura 31). Verifica-se que os resultados dos testes de hipóteses (tabela 03), não houve diferença significativa entre os dois grupos, já que o valor do sig foi de 0,642.
- Método de irrigação: Tanto o grupo de não produtores como de produtores de mamona afirmaram que não utilizam nenhum método de irrigação na atividade agrícola. Todos os assentados utilizam agricultura de sequeiro (100%), dependendo somente da água da chuva para o desenvolvimento das culturas. Dessa forma, o plantio é realizado de fevereiro a março e a colheita de maio a junho. No entanto, a colheita da mamona ocorre após este período, pois é necessário um tempo mais prolongado para o amadurecimento das bagas.
FIGURA 31 – Distribuição dos produtores e não produtores em relação à realização de adubação natural no solo
4.3.2 Contribuição dos indicadores na formação do Índice Ambiental e resultados do IA
Quanto a contribuição de cada indicador na formação do Índice Ambiental, verificou-se a partir do cálculo que o indicador 4 (Existência de área de reserva), teve uma maior contribuição com 33,25%. Em segundo ficou o indicador 3 (utilização de fogo) com 24,04%. Em terceiro lugar ficaram os indicadores 5 (prática para evitar degradação) e 7 ( realização de adubação), ambos com 13,48%. Em quarto ficou o indicador 2 ( método de controle de pragas), com 9,43% e o indicador 1 ( método de conservação do solo) foi o que menos contribuiu com 6,29%. O indicador 6 ( método de irrigação) não contribuiu, ficando com 0%.
Com a análise dos indicadores ambientais, foi aplicada a fórmula do Índice Ambiental. Diferente dos outros índices estudados, o Índice Ambiental apresentou baixo nível, pois o resultado foi de 0,42. Este baixo valor foi verificado porque as maiores
proporções dos assentados têm tradição no uso do fogo nas atividades agropecuárias, não realizam adubação, não executam práticas conservacionistas do solo nem usam métodos para evitar a degradação do solo, faltando, neste sentido, orientação técnica dos órgãos vinculados ao apoio agropecuário.
4.4 Análise dos Indicadores Econômicos
Com base nos indicadores do Índice Econômico foram executados os testes de hipóteses para comparação dos grupos de produtores e não produtores de mamona. A partir da tabela 04 indicam que onde sig foi menor do que 0,05 não houve diferença significativa entre os grupos e onde foi maior do que 0,05 houve diferença.
Tabela 04 - Diferença entre grupos de produtores e não produtores de mamona e resultados dos testes de hipóteses para os indicadores do INE
Indicadores Teste Estatística do Teste Sig*
Renda familiar mensal Mann- Whitney-U 596,500 0,254
Custo com manutenção da casa Mann- Whitney-U 326,000 0,00
Vende mamona e trouxe melhoria Mann- Whitney-U 0,000 0,000
Vende o alimento produzido na atividade agropecuária Mann- Whitney-U 403,000 0,001
Compra outros produtos não alimentícios Qui-Quadrado 31,135 0,00
Recebe apoio financeiro do governo Qui-Quadrado 38,479 0,000
*Nível de significância a 5%
Não foi realizado teste para o indicador compra de produtos alimentícios fora do assentamento.