4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA
4.1. Satureja Cinsine Ait Bazı Taksonların Karyolojik Bulguları
Quando se pergunta a alguém sobre alguma lembrança de sua escola, geralmente muitas pessoas se reportam a uma fotografia em especial, a tradicional Recordação Escolar.
Uma prática de registro que, segundo Fischer,260 ocorria em outros países, como na Argentina. Essas fotografias foram realizadas em demasia, segundo a autora, nos anos de 1950 a 1970.
A fotografia de recordação escolar realiza-se por diversas razões, dentre elas, atesta a inclusão do aluno no sistema educacional. Ainda, segundo Fischman,261 as razões mais óbvias
“son producir una imagen ‘memorable’ y generar dinero (para el fotógrafo y para la escuela)”.
A fotografia, como mercadoria, atinge também a educação.262 As classes escolares são
“anualmente fotografadas”263
para serem vendidas aos pais. Consequentemente, essas imagens ficam com os alunos, o que justifica a inexistência desses registros nos acervos das Escolas Governador Jorge Lacerda e Justino Alberto Tietboehl.
Porém, a Escola Marcílio Dias conta com algumas fotografias em seu arquivo, totalizando oito imagens, que datam de 1978. Pode-se creditar o fato de a escola possuir esses exemplares a quantia de Cr$ 20,00, que deveria ser paga ao estúdio fotográfico que realizava o serviço. Quantia a família dos alunos não possuía para adquirir a recordação. Como o material já havia sido produzido, acabou sendo deixado na escola, onde ficou guardado junto às demais fotografias até os dias de hoje.
As recordações escolares presentes nos arquivos da Escola Marcílio Dias seguem o padrão das fotografias que eram realizadas no restante do País, nas décadas de 50 a 70. Segundo Fischer,264 as imagens teriam as medidas de 18 x 25 cm, o que aproxima-se das medidas das recordações escolares identificadas, que possuem as medidas de 18,5 x 25 cm .
Quanto ao suporte material, o papel onde estão dispostas as fotografias é uma cartolina amarela e sobre ela, nas laterais, está escrito com cor azul a passagem “Recordação
Escolar”. Ainda consta o ano em que a imagem foi realizada e, abaixo, existe um espaço para
ser escrito o nome do aluno, do professor, da turma e da escola. Cabe resaltar que, em nenhuma recordação escolar, consta o nome ou qualquer identificação dos alunos fotografados (Figura 63 e 64).
260 FISCHER, Beatriz T. Daudt. O risco da imagem única: um estudo a partir de fotografias recorrentes de alunos dos anos iniciais. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED: EDUCAÇÃO E JUSTIÇA SOCIAL, 34., 2011, Natal, RN. Anais...Natal, 2011.
261 FISHMAN, Gustavo E. Aprendiendo a sonreír, aprendiendo a ser normal: reflexiones acerca del uso de fotos escolares como analizadores en la investigación educativa. In: DUSSEL, Inés; GUTIERREZ, Daniela. Educar la mirada: políticas y pedagogías de la imagen. Buenos Aires: Manantial; Flacso, OSDE, 2006. p. 248. 262
LEITE, Mirian Lifchitz Moreira. Retratos de família: imagem paradigmática no passado e no presente. In: SAMAIN, Eienne (org.). O Fotográfico. São Paulo: Ed. Hucitec/ Ed. Senac, 2005. p. 37.
263 Idem. 264
FISCHER, Beatriz T. Daudt. O risco da imagem única: um estudo a partir de fotografias recorrentes de alunos dos anos iniciais. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED: EDUCAÇÃO E JUSTIÇA SOCIAL, 34., 2011, Natal, RN. Anais...Natal, 2011.
No que concerne às fotografias, encontram-se cinco meninas e três meninos. Todas seguem um padrão no cenário, ou seja, bandeiras ao fundo, e, encima da mesa livros ordenadamente dispostos, ou seja, o “livro aberto tendo ao fundo a bandeira nacional”265 eram imprescindíveis para compor o cenário das recordações escolares. Todos os alunos portam na mão direita uma caneta, e simulam estar escrevendo. Segurar a caneta com a mão direita fazia parte da pose, mesmo aqueles alunos que eram canhotos deveriam ser fotografados representando-se como destros. Esta é uma prática recorrente durante boa-parte do século XX, que se manteve até meados dos anos 90. Por exemplo, a pesquisadora em questão é canhota, e, em sua tradicional recordação escolar, foi orientada a segurar a caneta com a mão direita, o resultado revelou-se em uma tensão no rosto da jovem criança. Ao não saber portar a caneta com a mão direita, esta deslocou sua atenção e preocupação em cumprir a tarefa solicitada e não se revelou tranquila na imagem. Nessas fotografias, os arquétipos produzidos conjugam uma padronização, o personagem (aluno) distingue-se; porém, ao compará-lo com demais fotografias acaba perdendo sua singularidade na cena que se torna homogênea.
Seguindo nas observações, o olhar mais atento a estas imagens revelou algo de surpreendente quanto às bandeiras. As bandeiras, que fazem parte do cenário de fundo dessas imagens são as bandeiras que contemplam o segundo plano do cenário. Convém lembrar que o período em que as fotografias foram realizadas, ou seja, em plena ditadura militar, a bandeira do Brasil não se fez presente, mas, a bandeira do Estado do Rio Grande do Sul e desenhada em cartolina branca, provavelmente pelos próprios alunos, a Bandeira do Estado do Rio de Janeiro. Justificou o uso desta bandeira o fato de seu patrono, Marcílio Dias, pois, era no Estado do Rio de Janeiro ter honrarias realizadas no Museu Naval.
265
SCHAPOCHINK, Nelson. Cartões-postais, álbuns de família e ícones da intimidade. In: SEVCENKO, Nicolau. História da Vida Privada no Brasil 3 República: da Belle Époque à era do rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p.484.
Figuras 63 e 64 – Recordação Escolar / Data: Ano de 1978
Autor: Desconhecido. Dimensões: 18,5 x 25 cm Fonte: Acervo da Escola Marcílio Dias.
No verso (Figura 65) da recordação estão descritas as indicações necessárias para os pais. Estas sugerem uma padronização do serviço realizado, visível nas pesquisas desenvolvidas por Fischer,266 pois as informações são as mesmas. Constam ainda indicações sobre o estúdio fotográfico que realizava o trabalho e, ao que tudo indica, esse estúdio não era da região de Torres/RS, pois não se encontrou nenhum registro de suas atividades neste período.
Figura 65 – Recordação escolar (verso) / Data: Ano de 1978
Autor: Desconhecido. Dimensões: 18,5 x 25 cm Fonte: Acervo da Escola Marcílio Dias.
Por volta dos anos 90 (séc. XX), a prática das recordações escolares perdeu ênfase nas escolas e, atualmente, não são mais realizadas nas escolas analisadas. De certa forma,
266
FISCHER, Beatriz T. Daudt. O risco da imagem única: um estudo a partir de fotografias recorrentes de alunos dos anos iniciais. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED: EDUCAÇÃO E JUSTIÇA SOCIAL, 34., 2011, Natal, RN. Anais...Natal, 2011.
essas fotografias que tinham o intuito de preservar a lembrança da escola, foram substituídas pelas fotografias realizadas para o Dia das Mães e dos Pais, em que um fotógrafo profissional é contratato pela escola e realiza o registro onde os alunos vestem-se com roupas diversificas, (não mais o uniforme escolar) e são posicionados junto a um cenário de paisagem (não mais as bandeiras).