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4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

4.2. Satureja Cinsine Ait Bazı Taksonların İnhibitör Aktiviteleri

Por fim, a participação dos alunos em jogos obteve uma temática específica. Os registros fotográficos das atividades realizadas nas aulas de Educação Física ocorrem desde o princípio do século XX, lembrando que a prática de atividades físicas nas escolas responde a

uma demanda higienista na educação, e que esta concepção, de acordo com Guiraldelli, 270 foi recorrente no Brasil entre os anos de 1989 a 1930.271

Na década de 60, as atividades físicas passaram a ser concebidas como uma prática educativa, 272 sem, é claro, desconsiderar questões de saúde e disciplina, e que, com o regime militar adquiriram um expressivo caráter de competitividade.273 Para tanto, é preciso lembrar que a prática tornou-se obrigatória em escolas de ensino primário e médio, conforme o art. 22 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 4.024, de 1961.274

A incorporação das atividades das aulas de Educação Física são muito importantes, pois oferecem novas possibilidades de aprendizagem aos alunos, estimulando seus sentidos e processos cognitivos. Os jogos, segundo Paes e Balbino,275 são importantes no ensino de esportes, e seu uso na Educação Física atua como “um facilitador na educação de crianças e

jovens”.276

Os jogos realizados nas aulas de Educação Física são muito aguardados pelos alunos. Marques277 descreve que “há um grande interesse e motivação por parte dos alunos, pois o jogo faz parte da nossa cultura e do nosso dia-a-dia, ele é movimento, e sendo movimento trabalha com o corpo e representa valores sociais e culturais”.

Duas escolas apresentam imagens que correspondem a esta temática. Na Escola Marcílio Dias, duas fotografias foram realizadas no ano de 1977. A primeira, figura 71, buscou registrar um cabo de guerra humano, em que um grupo de alunos do sexo masculino disputava no jogo, e ao mesmo tempo atuavam em conjunto. A cooperação entre ambos era estimulada; um professor os motivava a gritar palavras de incentivo. Na segunda imagem (Figura 72), o registro efetuado não ocorreu na dita escola, mas sim, na quadra de esportes da Escola São Domingos, em que alunos de ambas as instituições participaram de uma competição que envolveu jogos de futebol e de vôlei. Nesta, foi possível perceber que muitos alunos de diversas idades assistiram aos jogos. A fotografia torna o registro importante, pois

270 GUIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. Educação física progressista: a pedagogia crítico-social dos conteúdos e a educação física brasileira. São Paulo: Loyola, 1991.

271 Idem. 272 Idem. 273

Idem.

274 Disponível em: <httt://www.6.senado.gov.br/legislação/ListaPublicacoes.action?id=102346>. Acesso em: 24 maio. 2013.

275

PAES, Roberto Rodrigues; BALBINO, Hermes Ferreira. A pedagogia do esporte e os jogos coletivos. In: ROSE JÚNIOR, Dante de; RÉ, Alessandro H. Nicolai. et al. Esporte e atividade física na infância e na adolescência: uma abordagem disciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2009. p. 73- 83.

276 Ibid., p. 77. 277

MARQUES, Marta Nascimento; KRUG, Hugo Norberto. O jogo como conteúdo da Educação Física Escolar. P@rtes (São Paulo). V.00 p. eletrônica. Julho de 2009. Disponível em:

permite constatar que alunos de uma escola pública utilizavam ambientes de uma escola particular. No registro que ocorreu em junho de 1977, a escola ainda não havia mudado de local, o que ocorreu meses depois; por isso, muitas vezes as escolas realizavam estas atividades, tendo em vista que, na Escola Marcílio Dias não existia quadra de esporte ou local apropriado para tanto. Quando esta transfere seu local, passa a fixar-se ao lado da Escola Justino Alberto Tietboehl, que possuía uma quadra de futebol e local apropriado para a prática de determinados esportes.

Figura 71 – Cabo de guerra / Data: Ano de 1977 Figura 72 – Jogos escolares / Data: Ano de 1977

Autor: Desconhecido. Autor: Desconhecido. Dimensões: 7 x 10 cm Dimensões: 7 x 10 cm

Fonte: Acervo da Escola Marcílio Dias. Fonte: Acervo da Escola Marcílio Dias.

As fotografias da Escola Justino Alberto Tietboehl evidenciaram, por meio de seis fotografias, os times de futebol compostos por alunos. Nas imagens, constam registros de 1965 e 1969. Nos primeiros, os alunos posam para o fotógrafo, na quadra de esportes, em frente à entrada principal do prédio da escola e do curso de Mecânica. No entanto, uma imagem não possui o mesmo plano de fundo, foi, na verdade, realizada na quadra de esportes da Escola São Domingos. Para tanto, é importante sublinhar que, naquele período, muitos jogos de futebol ocorriam entre essas escolas. Os times eram formados pelos alunos e, inclusive por professores. As disputas ocorriam em dias festivos, como no aniversário da Escola Justino Alberto Tietboehl, em 18 de junho, quando o dia estendia-se com comemorações e eram realizados jogos de voleibol, de futebol de salão e futebol de campo. Este, praticado no campo Torrense. Algumas formações de times da escola foram financiadas por comerciantes locais, dos quais receberam, por exemplo, o uniforme. Na figura 73, a insígnia Electro Club foi fixada nas camisetas do time. Na imagem ainda é possível observar que o professor responsável pelo time participou do registro. Isso denota que os jogos eram relevantes, como se vê nos registros de 1969 (Figura 74), onde ambos os times que

disputaram uma partida foram fotografados. Nas fotografias foi possível notar que as arquibancadas que existiam em frente à quadra de futebol estavam lotadas. Porém, não se conseguiu identificar nenhuma menina presente entre os espectadores, elas estão no outro lado, em frente à escola, em bancos improvisados e cadeiras das salas de aula. Além dessas observações, é possível constatar que os dois times tinham entre seus jogadores um aluno negro e os demais eram compostos por alunos caucasianos; a presença de jogadores negros só foi registrada em 1969; as fotografias em maior número correspondentes ao ano de 1965 não continham jogadores negros. Quanto a esta questão, ao questionar-se para ex-alunos desta escola sobre a presença de alunos negros em jogos, a informação obtida foi a de que a presença de alunos negros na instituição era reduzida; assim, a participação destes em registros fotográficos tornou-se pequena.

Figura 73 – Jogo de futebol / Data: Ano de 1965 Figura 74 – Jogo de futebol / Data: Ano de 1969

Autor: Desconhecido. Autor: Desconhecido. Dimensões: 9 x 14 cm Dimensões: 8,5 x 14 cm

Fonte: Acervo da Escola Justino Alberto Tietboehl. Fonte: Acervo da Escola Justino Alberto Tietboehl.

Constata-se que, apesar da prática de jogos ser atualmente considerada espaço onde a socialização e o desenvolvimento cultural dos alunos são aplicados, em outros tempos ocorria uma socialização mais amena. Às meninas não correspondia a prática do futebol, ou atividades mais intensas, praticavam exercícios mais leves, como ginástica, que era vista como mais adequadas ao corpo feminino.

Por meio das temáticas visuais identificadas acima, foi possível constatar que o registro fotográfico nas escolas analisadas foi deveras diversificado, e que diz muito a respeito da história, das memórias e das escolhas iconográficas. No próximo capítulo serão trabalhadas as fotografias que foram identificas na temática Desfiles Cívicos, que se apresentou com superioridade numérica entre as demais.

4 DESFILES CÍVICOS NAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES DE TORRES/RS

Não há sociedade sem ritos, aqui entendidos como condutas corporais mais ou menos estereotipadas, às vezes codificadas e institucionalizadas, que exigem um tempo, um espaço cênico e um tipo de actores: Deus (ou os antepassados), os oficiantes e os fiéis participantes do espetáculo.278

Os desfiles cívicos das escolas do Município de Torres/RS aproximam-se dos componentes elencados por Catroga, ao trabalhar com a constituição da prática dos Ritos Cívicos. Nesse sentido, cria-se uma identidade nacional, que se afirmou ao longo dos anos na sociedade torrense. Registrada por meio de fotografias, essa prática se consolida no imaginário popular, dando legitimidade aos atores sociais nelas inseridos.

Neste capítulo, desenvolve-se uma análise sobre as fotografias que foram encontradas nos arquivos fotográficos guardados pelas instituições de ensino já referidas, previamente classificadas na temática visual de Desfiles Cívicos. Para tanto, algumas considerações são realizadas acerca da construção dos ritos cívicos. Após, desenvolvem-se alguns aspectos sobre o ensino cívico no País, sobretudo durante a ditadura militar, tendo em vista que a pesquisa evidenciou um número maior de imagens naquele período. Por fim, é realizada análise sobre as fotografias dos desfiles cívicos e, ainda, buscaram-se nos acervos atuais das escolas imagens correspondentes a esta temática visual; aí estabeleceu-se um diálogo entre essas fotografias e as imagens de cinquenta e quarenta anos atrás.

4.1 A CRIAÇÃO DOS RITOS CÍVICOS

Inicialmente, cabe destacar que o papel dos ritos é recordar, tornando-se um ato comemorativo. Mas é preciso atentar para o fato de que estes dois termos distinguem-se: enquanto o primeiro, trata de um ato individual, o segundo é “manifestação de alteridade, é re-cordare com”,279 trata-se de um ato coletivo, pois “comemorar é sair da autarcia do sujeito [...] e integrar o eu na linguagem comum das práticas simbólicas e comunicativas”.280

Portanto, os termos recordação e comemoração distinguem-se. Ankersmit,281 ao retomar a origem dessas palavras na língua inglesa, identifica que a primeira, “remembrance”,

278

CATROGA, Fernando. O céu da memória: cemitério romântico e culto cívico em Portugal (1756-1911). Coimbra: Minerva, 1999. p. 11.

279 Ibid,. p. 22. 280

CATROGA, Fernando. Memória, história e historiografia. Coimbra: Quarteto, 2001. p. 25.

281 ANKERSMIT, F. R. Commemoration and national identity. Textos de História: memória, identidade e historiografia. Brasília: UNB, v.10, n.1-2, 2002. p.15-39.

Benzer Belgeler