III. BÖLÜM: ABDÜLHAK ŞİNASİ HİSAR: GEÇMİŞ ZAMANIN PEŞİNDE
3.1. Sanatsal Bir Kaynak Olarak Çocukluk
A investigação a que nos propusemos realizar insere-se no domínio da Linguística Aplicada (LA), uma vez que o seu objeto de estudo concentra-se em atividades docentes e discentes relacionadas à leitura no ambiente escolar, com ênfase no gênero textual literário. Os estudos envolvendo o uso da língua, em especial as teorias cognitivas sobre compreensão referentes ao domínio da leitura, apesar de não serem recentes, continuam atuais e pertinentes ao trabalho em sala de aula, conforme destaca (KLEIMAN, 2013). Isso vem despertando o interesse dos pesquisadores em virtude de sua relevância no contexto educacional, por ser a leitura uma condição essencial para o desenvolvimento integral do cidadão.
Há décadas presenciamos o declínio das competências e habilidades leitoras dos estudantes, com destaque especial para aqueles que frequentam as escolas públicas, além do crescente desinteresse por atividades que envolvem a leitura. A busca por soluções para esse problema tem levado pesquisadores e estudiosos a investigarem as causas desse fracasso, com o intuito de apontarem sugestões para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem. Cunha (1983, p. 9) afirma que
Todos os educadores reclamam muito, atualmente, contra o crescente desinteresse dos estudantes de todos os graus de leitura. Muitas e diferentes razões são apontadas para o fato: descuido familiar, decadência do ensino, excesso de facilidades na vida escolar, apelos sociais com muitas formas de diversão etc.
Dialogando com essa autora, Silveira (2005) esclarece que há um consenso sobre a existência de uma crise de leitura, havendo a possiblidade de a escola, com suas práticas autoritárias e desrespeitosas ao gosto dos alunos, ser responsável pelo surgimento dessa crise. E, falando sobre a prática de leitura nas escolas, Geraldi (2009, p. 90) argumenta que “na escola não se leem textos, fazem-se exercícios de interpretação e análise de textos. E isso nada mais é que simular leituras”.
A metodologia que utilizamos seguiu as orientações da pesquisa-ação, numa perspectiva de abordagem qualitativa. Os instrumentais de investigação incluíram questionários, entrevistas, observações e anotações de campo. As intervenções pedagógicas foram realizadas a partir de uma sequência didática que orientou a leitura e a compreensão das poesias publicadas no Facebook.
A pesquisa-ação é definida por Dionne (2007, p. 68) “como prática que associa pesquisadores e atores em uma mesma estratégia de ação para modificar uma dada situação identificada”. Essa metodologia mostrou-se pertinente para o desenvolvimento deste trabalho em virtude da constatação de um problema relacionado à leitura na turma, que foi tomada como objeto da investigação, tornando-se necessária uma intervenção para minimizar as dificuldades, além de envolver a participação da pesquisadora e dos sujeitos envolvidos.
A autora esclarece que a pesquisa-ação com finalidade explicativa, valoriza a geração de conhecimentos e com finalidade transformadora, prioriza a eficácia da ação (DIONNE, 2007). Assim, trabalhamos na perspectiva da pesquisa ação com ênfase na abordagem qualitativa, uma vez que a pesquisa proporcionou a geração de conhecimentos a partir das informações dos sujeitos, bem como das observações realizadas em sala de aula. E, a partir da necessidade constatada, organizamos a intervenção pedagógica com vistas à transformação dessa realidade para, em seguida, comprovar a eficácia das ações didáticas empreendidas.
Também favorável à pesquisa-ação, Thiollent (2011, p. 20) conceitua-a como “um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes [...] estão envolvidos de modo cooperativo”. A cooperação entre a pesquisadora e os participantes constituiu-se um fator relevante, tendo em vista a natureza interativa que caracterizou nossa proposta de intervenção pedagógica.
Quanto à abordagem qualitativa, apropriamo-nos das orientações de Denzin e Lincoln (2006) que afirmam tratar-se de “uma atividade situada que localiza o pesquisador no mundo, e consiste em um conjunto de práticas materiais e introspectivas que dão visibilidade ao mundo”. Essa abordagem pareceu-nos adequada por se tratar de um estudo realizado no ambiente escolar, facilitando a atuação da pesquisadora, a captação de dados, em virtude de estar situado na sua vivência cotidiana.
Para a coleta de dados, um dos instrumentos utilizados foi a entrevista, técnica bastante empregada nas pesquisas das ciências sociais pela relevância que tem para os estudos científicos. Lüdke e André (1986, p. 34) apontam como principal vantagem dessa técnica o fato de ela permitir “a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos”.
Optamos pelas entrevistas semiestruturadas em virtude da sua flexibilidade, permitindo a inserção de novas questões, caso fossem necessárias, de acordo com as colocações dos respondentes. Nesse tipo de entrevista, segundo a autora (1996), não há
rigidez na ordem das questões, tendo em vista que a fala do entrevistado apoia-se nas informações que ele detém sobre o tema proposto, e esse é o principal objetivo da entrevista.
Moreira (2002, p. 54) define a entrevista como “uma conversa entre duas ou mais pessoas com um propósito específico em mente”. No caso das entrevistas que preparamos para a coleta de dados, o propósito era obter informações a respeito do uso do Facebook pelos alunos, a fim de detectar as condições necessárias para a elaboração da proposta didática mediante o uso dessa rede social. Para tanto, a turma deveria participar dessa rede social, ter acesso à internet garantido pela escola, nos momentos das intervenções, além do acesso a computadores ou similares para a realização das ações.
Além dessa técnica, utilizamos as observações de campo, com base em Denzin e Lincoln (2006, p. 37), quando afirmam que “um texto de campo [...] consiste em observações [...] e em documentos provenientes do campo” produzidos pelo pesquisador a partir de suas anotações. Esse texto, inicialmente, produzido na tentativa de compreender a realidade observada, dá origem à produção científica. Nessa perspectiva, organizamos o registro das informações, obtidas durante as observações, em forma de Diários de Campo da Pesquisadora, doravante DCP. Após cada observação, os registros eram transferidos para um documentos do word, em virtude da praticidade de manuseio das informações no momento das análises.
Ao utilizarmos a observação como um instrumento de investigação, devemos tomar algumas medidas que assegurem o controle e sistematização da pesquisa a fim de garantir a obtenção de dados relevantes, evitando-se o acúmulo de informações desnecessárias ou pouco significativas. Para isso, é imprescindível que o pesquisador esteja preparado e faça um planejamento cuidadoso, conforme advertem Lüdke e André (1986). As autoras orientam que
Planejar a observação significa determinar com antecedência o quê e como observar. [...] Definindo-se claramente o foco da investigação e sua configuração espaço-temporal, ficam mais ou menos evidentes quais os aspectos do problema serão cobertos pela observação e qual a melhor forma de captá-los. Cabem ainda nessa etapa as decisões mais específicas sobre o grau de participação do observador, a duração das observações, etc. (LÜDKE E ANDRÉ, 1986, p. 25 - 26).
De acordo com essas orientações, procedemos ao planejamento do roteiro para as entrevistas e observações, em consonância com os objetivos da pesquisa, que originaram questionamentos sobre a pertinência do local para a realização da pesquisa e da aplicação de
uma intervenção pedagógica sobre o uso didático do Facebook. Para tanto, incluímos questões referentes ao uso dessa plataforma pelos estudantes, interrogamos sobre a importância que eles atribuíam a essa rede social, além de indagarmos se estavam informados sobre os perigos da internet e, quais eram os seus objetivos quando se cadastraram no Facebook.