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II. BÖLÜM: ABDÜLHAK ŞİNASİ HİSAR VE GEÇMİŞ ZAMAN

2.3. Geçmişe Dönüş

2.4.1. Mekân

O Facebook foi idealizado, em fevereiro de 2004, pelo norte-americano Mark Elliot Zuckerberg como uma rede social7

fechada, exclusivamente para estudantes da Universidade de Harvard, expandindo-se, em seguida, para outras universidades, colégios e, posteriormente, para o público em geral, sendo hoje o site de rede social que mais cresce, em relação a outros sites de relacionamento, como afirma (POWELL, 2010). Outros estudiosos que compartilham da mesma ideia, como por exemplo, Carvalho e Kramer (2013, p. 80 - 81) asseveram que

o Facebook é atualmente a mais popular rede de relacionamentos no Brasil. Ele congrega pessoas de diferentes idades, classes sociais, graus de instrução, embora, por forças sociais, essas diferenças continuem sendo perceptíveis pelos perfis dos usuários e pela rede que integram. [...] essa não foi a primeira rede social, mas tornou-se a mais atraente, com um maior número de recursos e possibilidades de interação [...].

Segundo Bento (2012), se o Facebook começou a fazer sucesso por ter sido inicialmente criado para entretenimento e lazer, dentro de uma conceituada universidade, podemos pensar no favorecimento que pode trazer, também, para o contexto das salas de aula. Nesse sentido, a autora ressalta que as ferramentas dessa rede permitem interações específicas que podem contribuir para o desenvolvimento de competências interculturais e da aprendizagem (BENTO, 2012).

Concordamos com essa posição e inferimos que o uso didático dos recursos disponíveis nessa rede pode contribuir para o envolvimento dos alunos em atividades educativas de uma forma agradável e, portanto, significativa. Algumas atividades disponíveis no Facebook podem ser exploradas com finalidades pedagógicas, tais como: a exibição de fotos, a divulgação de ideias, a filiação a grupos a partir de interesses comuns, a elaboração de textos coletivos, a organização de eventos e enquetes, dentre outras. Assim, como Freire (1996, p. 98), reconhecemos o “enorme potencial de estímulos e desafios à curiosidade que a tecnologia põe a serviço das crianças e dos adolescentes [...]”. Daí, a nossa opção pelo trabalho com a leitura do texto poético, servindo-nos desse suporte como uma alternativa para minimizar o nível de rejeição da turma por esse gênero textual.

7O termo rede social aqui se refere “à plataforma web onde as pessoas podem se conectar entre si” (POWELL, 2010, p. 7).

Dessa forma, utilizar o Facebook como ferramenta de disseminação do texto literário é uma possibilidade de colocar o aluno em contato com esse gênero textual, em virtude desse suporte tecnológico motivar a leitura que, nesse ambiente, está desvinculada de regras e conteúdos escolares, além de não ter fins avaliativos com atribuição de notas ou conceitos, o que geralmente acontece nas escolas. Essas leituras, no entanto, nem sempre são as mais adequadas para o desenvolvimento cognitivo dos estudantes, visto que leem livremente, muitas vezes, sem orientação ou sugestão de textos, a não ser de colegas ou amigos virtuais.

Essa realidade sugere que a escola perceba a necessidade de trabalhar com novas formas de ensino, uma vez que “o processo de mudança paradigmática atinge todas as instituições e em especial a educação e o ensino” (BEHRENS, 2013, p. 68). A autora ainda acrescenta que as pessoas precisam criar novos cenários de aprendizagem ao longo da vida (2013) e dentre estes, a internet com suas múltiplas funcionalidades, apresenta-se como um meio favorável ao desenvolvimento de práticas educativas significativas.

No entanto, alguns cuidados devem ser tomados quando pretendemos desenvolver atividades envolvendo as mídias digitais na sala de aula, como orientar os alunos quanto aos perigos a que eles estão expostos no ambiente virtual, tanto na qualidade das informações recebidas, quanto na linguagem que utilizam nas suas interações. Shepherd e Saliés (2013, p. 29) enfatizam a contribuição da linguística da internet, ora em desenvolvimento, no sentido de explicar sobre o funcionamento da linguagem mediada pelo meio digital, auxiliando os usuários a explorarem seus pontos fortes e evitarem os perigos que a internet proporciona. De acordo com as autoras “os perigos incluem ser „ambíguo‟, „mal-intencionado‟ ou „ofensivo‟”. Daí, a relevância da intervenção do professor, orientando os estudantes a utilizarem os conteúdos da internet sempre com um olhar crítico e com muita cautela, seja quando recebem informações oriundas das mais diferentes fontes ou quando tornam públicas suas ideias, através de postagens em correios eletrônicos, blogs, redes sociais e outros meios de divulgação on-line. Para evitar constrangimentos e ofensas procedentes de postagens mal- intencionadas deve prevalecer a ética e o respeito mútuo entre os interlocutores quando se relacionam em ambientes virtuais.

Nessa perspectiva, nossa proposta contemplou orientações sobre o uso do Facebook, através de discussões sobre a política de privacidade dessa rede social, etiqueta na internet, princípios de ética e outros itens de igual importância. Para as postagens de poesia selecionamos o material que foi utilizado pelos alunos, como livros, sites e outros suportes, apresentando-lhes várias opções para as publicações no grupo criado para esse fim. Dentre os livros sugeridos estão alguns da coleção Literatura em Minha Casa, disponibilizados na

Biblioteca escolar, além de livros de poetas como Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, João Pessoa Cavalcante, Antônio Francisco e outros.

Dentre os sites sugeridos para pesquisa de poemas destacamos: http://www.sobresites.com/poesia/index.htm, http://www.viniciusdemoraes.com.br/, http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/, http://www.recantodasletras.com.br/, http://www.escritas.org/, http://www.youtube.com/watch?v=v0takAm37Bk, além de outros sítios onde os alunos pesquisaram sobre a poesia, poetas e poemas musicados para a seleção de material para o grupo do Facebook.

A adequação do Facebook na disseminação do texto literário deve-se à popularização e recepção dessa rede social por parte dos leitores, em virtude da falta de hábito de ler poesia na escola, em especial em suporte impresso. Zanchetta Jr. (2012), ao discorrer sobre a leitura do texto impresso e do texto digital, comenta que 25% dos brasileiros são plenamente alfabetizados e/ou capazes de ler textos mais longos, como um romance ou uma poesia mais elaborada. Com base em pesquisas realizadas pelo Instituto Pró-Leitor – IPL (2012), o autor acrescenta que o número de leitores de livros impressos vem diminuindo e a base de leitores plenos no Brasil continua abaixo de 30%, enfatizando, ainda, a migração de leitores para suportes digitais.

No entanto, o autor (2012) alerta para o fato de que a leitura em tela está sujeita a distrações, o que reforça a necessidade de um planejamento cuidadoso, com objetivos bem definidos, quando utilizamos os meios digitais como suportes para atividades didáticas. Por isso, procuramos elaborar sequências didáticas, cujo propósito foi organizar nossa prática pedagógica.

Benzer Belgeler