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Sanal Makine Programı nı

3. YARDIMCI PROGRAMLAR

3.6. Sanal Makine Programı nı

Neste momento do trabalho, serão analisadas as representações de três alunos que nunca haviam tido contato com a língua inglesa até a 5ª série. Para iniciar, apresento as representações sobre a língua inglesa desses três participantes, a saber, as respostas que deram à questão acerca da utilidade da língua estrangeira para eles.

Nas palavras de Bernardo, Marlom e João, o inglês significa coisas positivas que se relacionam ao futuro e ao trabalho:

A importânsia do ingres e bom para o emprego (resposta ao 1º questionário do aluno Bernardo).

Eu gosto porque dá pra arrumar emprego (1ª entrevista com o aluno Marlom).

Dentre outras coisas que possa ajudar quando eu crescer no trabalho no futuro (3ª entrevista do aluno Marlom).

Que eu quero aprende Ingreis pra pode arruma um trabalho no futuro (3ª entrevista do aluno Marlom).

Os estudantes Bernardo e Marlom entendem que a língua inglesa seja importante apenas para obter um emprego. Com isso, esses estudantes expõem de forma clara a representação social que eles têm em relação à língua inglesa no que diz respeito ao mundo do trabalho, no qual eles sabem que, mais cedo ou mais tarde, estarão inseridos.

Esses alunos refletem as representações sociais que emergem do meio sócio-histórico cultural ao qual pertencem. No entanto, trata-se de um discurso de classe considerada dominada – e, novamente, baseio minhas interpretações na postura teórica de Moscovici (2005). Assim, parece que eles apenas repetem o discurso que presenciam cotidianamente no meio social ao qual pertencem, segundo o qual o idioma é fator positivo para

ascensão social àqueles que deles dependem para conseguirem um emprego, ou apenas como instrumento de manutenção material da vida.

A ideologia das superestruturas é subjetivada pelo indivíduo e vivenciada como visão de mundo, ou seja, como se dá o processo de representação social, que nada mais é do que a inscrição na subjetividade de todo o processo histórico do grupo no qual o indivíduo está inserido.

Na mesma linha de raciocínio, Lane (1989:40) afirma que é dentro deste contexto que devemos analisar como a ideologia, presente em atividades superestruturais da sociedade, se reproduz em nível individual, fazendo com que o indivíduo se torne consciente dos conflitos existentes no plano material.

Ainda sobre o termo “trabalho”, recorrente no discurso desses estudantes, nota-se que ambos se referem a esta palavra como sendo diferente da atuação em uma carreira profissional. Eles parecem entender que saber inglês significa uma oportunidade para arrumar emprego, como se o requisito principal para a aquisição de um trabalho fosse saber inglês e não um conjunto de conhecimentos. Assim, quando esses estudantes afirmam em seus discursos que a melhor forma para conseguir um emprego futuramente é saber inglês, isso ocorre porque a representação que possuem sobre a língua inglesa advém do meio social que freqüentam.

A linguagem é um produto histórico, produzido e mantido por um grupo social (Lane: 1989), datada historicamente. Portanto, analiso a fala dos alunos Bernardo e João como resultado de uma representação social. Os discursos desses alunos significam que, para eles, conseguir um emprego é sinônimo de conquistar a manutenção material da vida. Nesse caso, os acontecimentos e os fracassos que ocorrem com esses discentes são devidos às oportunidades que a sociedade lhes oferece. Diante dessa maneira de pensar, esses estudantes estão preocupados em manter a ordem da sociedade, apresentando, assim, conforme Moscovici (2005) explica, uma causalidade social.

Similar aos alunos Bernardo e Marlom, João também acredita que a língua inglesa é importante para o trabalho, embora deixe claro que sua escolha profissional se deva, em grande parte, à escolha profissional de sua irmã, dado que enxerga nela a satisfação pelo trabalho e o sucesso que almeja para si.

A minha profissão era ser tradutor de línguas ou trabalhar para exportações em outros países. (3ª entrevista do aluno João)

Em relação a esse enunciado, observo que o aluno João se expressa apresentando as vozes sociais pertencentes à realidade de outra pessoa. Nesse caso, sua irmã, conforme a entrevista dada à pesquisadora pelo aluno João:

A importância é que se eu tiver um trabalho de exportação pra outros países, eu vou precisar do inglês pra quando eu for viajar pros Estados Unidos pra fazer o meu trabalho (1ª Entrevista do aluno João).

Pesquisadora: Significa que a coisa mais importante pra você aprender o inglês é porque você pode conseguir um emprego melhor e um emprego que utiliza a língua inglesa? Sim que nem a minha irmã (1ª Entrevista do aluno João). Pesquisadora: E a sua irmã trabalha em quê?

Exportação para outros países também (1º Entrevista do aluno João).

Percebi que nas falas deste aluno, há uma questão de causalidade pessoal, de acordo com a visão teórica apresentada por Moscovici (2005), segundo a qual, como vimos, o indivíduo é responsável por tudo o que lhe acontece, principalmente por seus fracassos.

Diante da situação em que João toma por referência sua irmã para fazer sua escolha profissional, percebo que os valores repassados para o

ambiente escolar, neste caso os de sua irmã, se mostram relevantes para sua carreira. Assim, a família funciona como matriz das escolhas e decisões do indivíduo em questão.

Ao se referirem sobre a importância que a língua inglesa tem para eles, os alunos entrevistados expressam preocupação com o futuro. Creio que este é um aspecto fundamental, e que não está separado do ser humano porque, justamente, é inerente a ele porque assim construiu seus valores. Os assuntos referentes ao trabalho são, dessa forma, bastante discutidos em diversos meios de comunicação. Sendo assim, o aluno, mesmo o pertencente à camada social menos favorecida, toma para si este ideário e começa a buscar sua inserção no mercado de trabalho.

Percebo no discurso desses alunos, então, a influência do meio social sobre a consciência dos indivíduos. Nesse sentido, Moscovici (2005:37) afirma que as representações sociais são partilhadas e penetram nos indivíduos, influenciando suas mentes. As representações são repensadas, recriadas e reapresentadas.

Outro aspecto que reflete a importância da língua inglesa para esses alunos foi percebido nas respostas dos discentes relacionadas às seguintes perguntas:

Que profissão você gostaria de exercer no futuro? Qual é a importância do inglês para essa profissão?

Dirigir avião (Resposta ao 3º questionário do aluno Marlom). Que quando eu for para outro país posso falar inglês (Resposta ao 3º questionário do aluno Marlom).

A minha profissão era ser tradutor de línguas ou trabalhar para exportações em outros países (Resposta à 3ª Entrevista do aluno João).

Em caso eu precisar traduzir para um americano ou se tiver trabalhando na profissão de policial pra traduzir um

terrorismo eu vou saber como falar, como traduzir (Resposta à 3ª Entrevista do aluno João).

Já o aluno Bernardo não encontra relevância da língua inglesa na profissão escolhida para exercer no futuro. No entanto, é importante ressaltar que Bernardo se contradiz, uma vez que havia relatado que considera a língua inglesa importante para o trabalho, embora responda no questionário que essa língua estrangeira não terá importância para sua escolha profissional, como se verifica a seguir:

Que profissão você gostaria de exercer no futuro?

Mecânico (Resposta ao 3º questionário do aluno Bernardo)

Qual é a importância do inglês para sua profissão?

Nenhuma (Resposta ao 3º questionário do aluno Bernardo)

Acredito que, nesse ponto, Bernardo não tenha avaliado ao certo a importância dessa língua estrangeira e talvez tenha respondido assim apenas porque escuta as pessoas falarem que o inglês é bom para o trabalho.

Na seqüência, também discutirei outras opiniões dos alunos Bernardo e João em relação à importância da língua inglesa citada por eles, segundo a qual a língua inglesa também é útil para viajar. Os excertos a seguir ilustram tal percepção:

Também é muito importante pa se em ota cidade/ ce sabe (1ª entrevista do aluno Bernardo).

Ah, eu queria aprende mais pra sim, quando eu for pra outro lugar, assim, eu saber, não ficar com dificuldade (3ª entrevista do aluno Bernardo).

Que quando eu for pra outros país posso falar inglês (3a Entrevista do aluno João).

Tanto Bernardo quanto João declaram que desejam saber inglês para que possam viajar a outros países. Sinais de reformulação de frase (“/”) ou de permissão para se subentender o não-dito (“ce sabe”), ou ainda marcadores conversacionais como “assim”, são elementos que permitem que se compreenda que, embora eles mesmos não compreendam a complexidade de argumentos que se podem construir para justificar o uso do inglês, eles possuem a consciência de que existe uma real necessidade – seja porque os adultos assim o digam entre si, seja porque os adultos lhes digam que isso é esperado deles. De qualquer forma, uma ou outra resposta atenta para o aspecto pragmático da relevância do aprendizado, reduzindo a amplitude de argumentos à finalidade tecnicista de usar a língua como ferramenta de comunicação. Em momento algum os alunos dizem que desejam saber inglês porque procuram compreender melhor essa língua desconhecida, conhecer essa cultura. Isso significa que eles não entendem a gama de possibilidades de conhecimento e de aquisição de cultura que saber uma língua pode proporcionar. Eles vivem a realidade dessa diversidade lingüística e cultural, mas não conseguem apreendê-la de forma consciente e ligada com aquilo que eles aprendem em sala de aula. Dito de outro modo, eles sabem que o inglês deve ser aprendido, mas não sabem qual será a utilidade disso em suas vidas, e não se dão conta de que o mundo à sua volta – até mesmo nas pequenas expressões e propagandas – lidam com a realidade da língua estrangeira, e principalmente do inglês.

Uma possível explicação para os discursos desses alunos é o fato de ser a primeira vez que estão sendo envolvidos em um trabalho sobre o que significa a língua inglesa para eles. Por isso, valem-se do discurso das pessoas que circulam em seus meios sociais, ou pessoas que têm como referência, fazendo uso da fala do outro sem que de fato de apropriem de seu conteúdo discursivo.

A representação referente à forma como as aulas foram conduzidas e ao conteúdo dessas mesmas aulas pode ser ilustrada nos seguintes excertos:

Eu gostaria que fose com mais jogos e mais brincadera. (1º questionário do aluno Bernardo)

O estudante acredita que aprender inglês de forma lúdica contribui para a aprendizagem. Isso pode ser visto, por exemplo, quando a professora pergunta aos alunos participantes como gostariam que fossem as aulas de língua inglesa. Nos excertos a seguir, veremos como os alunos apresentam suas opiniões:

Pesquisadora: Bernardo, que atividades foram trabalhadas, nas aulas de inglês, do início do ano até agora, de que você mais gostou? E por que você gostou?

Bernardo: Eu gostei dos jogos porque ganha muitos prêmio. Pesquisadora: Só os prêmios você se interessou? O que foi pedido, as atividades que eram pra ser feitas você não gostava?

Bernardo: Sim, eu gostava, mas só que eu ...dava...pá...eu...eu memorizei também algumas palavras em inglês e aprendi” (1ª entrevista do aluno Bernardo).

As respostas expressas pelo aluno dizem respeito à satisfação que ele possui pela utilização de jogos em sala de aula. Porém, particularmente com respeito aos dois excertos abaixo, esse aluno refere-se aos jogos como um instrumento que irá facilitar sua aprendizagem, pois, como ele mesmo disse, a utilização dos jogos possibilita uma aprendizagem mais proveitosa da língua inglesa.

Ela deveria ter dado mais jogos para nóis aprende a se divertir mais (2ª entrevista do aluno Bernardo)

Porque os jogos são mais pá mim, daí eu aprendo mais (3ª entrevista do aluno Bernardo).

Nesse caso, a representação existente nesse discurso, com relação ao ensino-aprendizagem de língua inglesa, é aquela segundo a qual os jogos servem de facilitadores para o processo de aprender inglês. Em outras palavras, eles são mediadores da aprendizagem (Vigotsky, 2007), cabendo aqui ressaltar também as considerações feitas por Bernardo, para quem os jogos representam momentos de alegria e descontração em contexto de ensino-aprendizagem.

Semelhante à visão de Bernardo, o estudante João expressa seu gosto por jogos e acredita que eles facilitam sua aprendizagem da língua inglesa. Quando questionado sobre como gostaria que fossem as aulas de língua inglesa, ele respondeu:

Com jogos sobre a matéria que vai passar (Resposta ao 1º questionário do aluno Marlom)

A ponderação feita por Marlom sugere que, antes de explicar a matéria, seria melhor a professora introduzir o conteúdo por meio de jogos. Essa reflexão do aluno salienta que a forma lúdica pode ser instrumento facilitador, devendo anteceder a explicação da matéria. O aluno João também apresenta a idéia de se utilizar os jogos no ensino-aprendizagem de língua inglesa. Suas palavras revelam tal posicionamento:

A era para ela ter dado mais jogos e traduzões de texto (resposta ao 2º questionário João).

Nessa resposta de João, o estudante aponta a importância de se promover mais jogos e traduções de texto. Essa idéia pode ser percebida no início da frase: ... era para ela ter dado... .

Em se tratando desse mesmo tipo de representação, observo que o termo “vocabulário” também é muito citado por esses três participantes.

Entretanto, acredito que quando se referem ao termo mencionado, pensam que a aprendizagem de uma língua estrangeira deve ser feita pela memorização de palavras descontextualizadas. Dessa forma, mesmo que eles não tenham consciência de tal fato, aprender uma língua se associa a atividades mecânicas como memorizar.

Nos excertos das entrevistas e respostas aos questionários abaixo, veremos como o aluno Bernardo estabelece sua opinião em relação ao vocabulário:

Bom eu odeio ingres porque eu não sei meuma palavra engres (Resposta ao 1º questionário do aluno Bernardo). Eu não gostaria de estuda as palavras engres (Resposta ao 1º questionário do aluno Bernardo).

Bom eu sei algumas, que cachorro, que gato é cat e cachorro é dog.

Pesquisadora: Como você estuda na sua casa?

Eu tento eu estudo aí depois eu tampo a palavra pá vê e falu pá vê se tá certo.

Eu não gostaria de estudar as palavras porque são muito chatas (1º entrevista do aluno Bernardo).

O aluno não enxerga a língua inglesa como algo familiar e tampouco como algo que desperta essa busca pelo conhecimento que existe ao seu redor e, assim, saber inglês significa repetir e decorar palavras descontextualizadas. Não quero de modo algum significar, aqui, que seu contexto seja fonte rica e inesgotável de construção do seu conhecimento, mas para o estágio de aprendizado em que se encontra, aliar o estudo ao contexto e às palavras que vê e ouve no dia-a-dia seria certamente proveitoso e muito mais interessante do ponto de vista de representação social e de significação para o aluno. É importante, pois, resgatar o conhecimento de mundo desse estudante, não como forma de proporcionar

a visão utilitarista que os alunos comumente têm da disciplina, mas como preciosa fonte de construção de conhecimento e de troca de experiências.

Bernardo revela desagrado em relação à necessidade de aprender a língua inglesa. Entendo, porém, que ele demonstra tal sentimento porque considera que só irá aprender uma língua estrangeira se memorizar as palavras. Isso fica evidenciado nos dados anteriormente citados. Somando- se a isto, esse aluno é bastante eloqüente ao afirmar sua opinião sobre aprender palavras isoladas de um contexto. Cabe destacar que concordo com suas afirmações, uma vez que aprender uma língua estrangeira com o intuito principal de saber palavras “soltas” se torna cansativo e desgastante. Ao contrário, aprender uma língua estrangeira significa lidar de forma dinâmica e construtiva com várias habilidades lingüísticas e da cultura. Significa, como explica Celani (2003), ajudar o aluno a se autoperceber como cidadão participativo de seu processo de ensino-aprendizagem não de uma língua estrangeira em particular, mas de todo um processo educacional que visa à sua formação completa, e não à simples aprendizagem das quatro habilidades lingüísticas.

As falas de Bernardo mostram, como pude ver, seu desagrado em relação à língua inglesa, pois o estudante não encontra aspectos familiares deste idioma no seu conhecimento. Como resultado da não-familiaridade com essa língua, o aluno não realiza a ancoragem. Por “ancoragem” Moscovici (2005) entende:

[...] é um processo que transforma algo estranho e perturbador, que nos intriga, em nosso sistema particular de categorias e o compara com um paradigma de uma categoria que nós pensamos ser apropriada [...] ancorar é, pois, classificar e dar nome a alguma coisa (MOSCOVICI, 2005: 61).

Com base nesse aspecto, entendo que Bernardo não ancora a língua inglesa porque não percebe semelhança entre qualquer elemento dela com

com o que ele conhece relacionado à comunicação e, assim, ele coloca esta língua estrangeira à distância, porque a considera algo fora de sua experiência e do que tem como modelo de comunicação. Conforme sinalizei, esse estudante não ancora a língua inglesa, particulariza-a, tornando-a fora do seu padrão de comunicação e, conseqüentemente, não objetiva essa língua estrangeira. O propósito do mecanismo da objetivação é “transformar algo abstrato em algo quase concreto, transferir o que está na mente em algo que exista no mundo físico” (Moscovici: 2005: 61).

Da mesma forma, o aluno Marlom também apresenta em seus discursos as mesmas representações sobre aprendizagem de inglês:

Eu gosto de vocabulário e texto (3º questionário do aluno Marlom).

Eu pego, leio a palavra, depois eu tampo pá ver se tá certo (3º entrevista do aluno Marlom).

Assim, as palavras, assim eu memorizo (3º entrevista do aluno Marlom).

Ainda com intuito de analisar as representações desses três alunos que não tiveram contato com a língua inglesa, percebi que as representações sobre o ensino-aprendizagem de inglês estão implícitas nas repostas dadas pelos alunos nas seguintes questões:

Que atividades foram trabalhadas nas aulas de inglês do início do ano até agora que você mais gostou? Por que você gostou?

Você gostou das atividades utilizadas pela professora em sala de aula, tais como texto e compreensão de texto, jogos? Porquê?

Sim. Porque é muito legal (Resposta ao 2º questionário do aluno Bernardo).

Eu gostei dos jogos porque ganha prêmios (Resposta da 1ª Entrevista do aluno Bernardo).

Sim. Por quê nos ajuda para muitos tipos de traduzão (Resposta ao 2º questionário do aluno João).

Traduções de texto, pois me ajuda muito como eu disse (Resposta ao 1º questionário do aluno João).

Reescrever frutas inglês, Porque é bom pra mim (Resposta ao 1º questionário do aluno Marlom).

Sim porque é legal (Resposta ao 2º questionário do aluno Marlom).

Ao observar as respostas dos três alunos, notei que apresentam diferenças em seus relatos. Bernardo considera que os jogos são legais porque ganhava prêmios, embora não fossem, como declaro aqui, exatamente prêmios que os alunos ganhavam, mas pequenas lembranças, tais como doces, pirulitos e balas. Além disso, todos os alunos ganhavam e não apenas os ganhadores dos jogos. A única diferença é que os participantes do time vencedor tinham a preferência de escolher o doce favorito, como, por exemplo, o sabor do pirulito de que mais gostavam. Diante da resposta de Bernardo, constatei, então, que as lembranças oferecidas aos alunos após a atividade lúdica eram mais positivamente marcantes se comparadas às das aulas em que não havia jogos e dinâmicas em grupo.

Os alunos João e Marlom tiveram, no entanto, respostas mais condizentes com o contexto de ensino-aprendizagem. Ao relatar que as traduções são importantes para ele e o ajudam muito, João dá a entender que tal atividade de ensino o auxilia na aprendizagem de uma língua estrangeira – nesse caso, a língua inglesa. Marlom também apresenta respostas mais diretas às perguntas ao afirmar que reescrever o nome das frutas em inglês o ajuda.

Com relação ao processo de aprendizagem desses discentes, notei que ainda que traduzir e reescrever o nome de algo apreendido não seja a

melhor maneira de se apreender uma língua estrangeira, estas são as formas encontradas por João e Marlom para aprender a língua inglesa e, conforme suas opiniões expressas nas entrevistas e questionários, elas são as formas utilizadas por eles e que os auxiliam na aprendizagem.

As diversas formas eleitas pelos alunos como preferidas para que aprendam a língua inglesa (modos diferentes de estudo de vocabulário, além de jogos de perguntas e respostas) torna claro o fato de que as representações que eles possuem sobre o processo de ensino- aprendizagem da língua estrangeira diferem de acordo com o contexto do qual o aluno advém e, por este mesmo motivo, exigem respostas mais detalhadas a estas idiossincrasias. Falo, em especial, do fato de que uma experiência anterior com a língua, ou o contexto social e econômico do qual cada aluno vem, incluindo-se aí as posições ocupadas por seus familiares no trabalho, os seus próprios passatempos, e os seus interesses no âmbito educacional, são fatores determinantes para o tipo de representação que

Benzer Belgeler