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Há uma substancial literatura sobre o tema, já que ele está muito longe de ser

dos mais novos, não obstante o recente crescimento de estudos a seu respeito. As

modificações no ambiente global, tais como a abertura comercial da Europa

Oriental, a formação mais madura dos blocos econômicos, a liberalização das

políticas comerciais dos países em desenvolvimento e a inserção da China na OMC

(Organização Mundial do Comércio) desafiaram as universidades e institutos de

pesquisa a empreenderem estudos que respondam aos imperativos

contemporâneos.

Entre as muitas linhas de pensamento, um grande número de trabalhos tem

investigado as implicações do modelo de Heckscher-Ohlin (CAVES e JONES, 1985)

e outros de internacionalização empresarial baseados nas teorias das Vantagens

Competitivas entre as nações (PORTER, 1990). Esta corrente compreende que

existem diferenças significativas entre as empresas provenientes de diferentes

países e que as organizações que utilizam as vantagens comparativas de suas

nações de origem em sua linha de produtos e diretrizes estratégicas têm maior

probabilidade de obterem sucesso.

O trabalho de Sethi e Elango (1999) examina esta proposição de que existem

diferenças significativas de perfil exportador entre as empresas originárias de países

diferentes. A noção de vantagem comparativa entre nações, não obstante bem

enfatizada pela literatura clássica sobre Economia, foi recentemente retomada na

Competitiva das empresas pode derivar, na arena internacional, de quatro fatores

fundamentais: (1) Condições da Demanda, (2) Estratégias adotadas, (3) Condições

das indústrias relacionadas e (4) Infra-estrutura local.

O trabalho de Hymer e Caves (1985), entre outros, busca a compreensão do

papel das multinacionais na transferência de know-how entre as unidades

estratégicas de negócios. Nesta linha de estudos, mais ligada aos aspectos

organizacionais do que mercadológicos, discutem-se as estruturas mais condizentes

para levar a cabo uma empresa multinacional. A teoria sobre Estratégia lato sensu,

possui algumas contribuições ao descrever a necessidade de sinergia entre as

unidades empresariais diferentes, notadamente aquelas situadas em outras nações.

Ainda sobre esta maneira de pensar a internacionalização de empresas, vale citar

os escritos da área de Recursos Humanos e Cultura Organizacional que ressaltam

as características interculturais existentes nas atividades de tal natureza (LI, 1983;

ROSENTEIN e RASHEED, 1993; LENWAY e MURHA, 1994).

Outra linha de trabalhos acadêmicos bastante pujante refere-se aos estudos

sobre o ciclo de vida da internacionalização. Tais análises demonstram, entre outras

conclusões, que existem etapas a serem seguidas a fim de efetivar o sucesso nos

empreendimentos empresariais além-fronteiras. Esta corrente de autores (VERNON,

1966; CAVUSGIL, 1980; REID, 1981; JOHANSON e VAHLE, 1990), chamada de

processualista, defende um processo de aprendizado em estágios que se inicia pela

exportação indireta e culmina na instalação de plantas industrias no exterior (ver

As etapas a serem seguidas e sua ordem dependem de cada autor, mas o

pressuposto básico é o mesmo: é preciso que as empresas evoluam sua

participação internacional através da aquisição crescente de conhecimento, controle

e, concomitantemente, a assunção de mais risco (SACRAMENTO, et al. 2003).

Ainda discutindo a escola processualista, é imprescindível citar o trabalho do

grupo da Uppsala Business School, em especial Johanson e Vahle (1990). Este

trabalho, que por ser especialmente contributivo levou o nome de modelo de

Uppsala, foi um dos primeiros esforços no entendimento dos estágios do ciclo de internacionalização de uma empresa. Uma das argumentações mais comumente

encontradas nos textos desta escola é que, durante a materialização das operações

internacionais, freqüentemente, as empresas encontram oportunidades e ameaças

não previstas (QUINN,1988). Como conseqüência, devem tomar cuidado e

empreender as operações externas em estágios.

Para Porter (1986), há uma excessiva ênfase nesta perspectiva evolucionista

(ou processualista) da Internacionalização. Embora a literatura traga, sob a

influência desta escola, alguns bons guias sobre como incrementalmente decidir de

que forma adentrar-se na atividade internacional, pouco se tem pesquisado sobre o

como efetivar Estratégias Internacionais. Dito de outro modo, a bibliografia “foca

mais em como se tornar uma empresa multinacional do que em como ser uma”

(PORTER, 1986:10).

Por fim, no que tange aos pensamentos conceituais sobre Internacionalização

de empresas, nota-se a crescente presença de especializações nas áreas

Marketing Internacional, Finanças Internacionais, Logística Internacional etc. Trata-

se da clara visão de que a globalização tem exigido das empresas um novo perfil de

administração, tanto no nível estratégico, como aprofundado aqui, como no tático e

operacional.

Em termos de estudos empíricos, os artigos publicados sobre

Internacionalização e sobre a atividade exportadora em especial têm se concentrado

em duas linhas aparentemente conflitantes. A primeira foca as diferenças existentes

entre as empresas que exportam e as não-exportadoras (CAVUSGIL e NEVIN,

1981; BURTON e SCHLEGELMILCH, 1987). A premissa desta corrente de estudos

é a de que a própria atividade exportadora signifique per se um indicador de

sucesso nos negócios (AABY e SLATER, 1989). Assim, o valor deste grupo de

estudos no sentido de trazer indicativas para as empresas sobre como efetivar

estratégias de exportação é bastante reduzido (KATSIKEAS, DENG e WORTZEL,

1997).

A segunda linha de trabalhos empíricos sobre o tema aqui discutido enfatiza as

características existentes no grupo de empresas que já exportam. Neste contexto,

há uma substancial bibliografia que se concentra nos efeitos dos vários fatores –

internos e externos – que determinam o desempenho das atividades internacionais

das empresas. Exemplos sobre boas contribuições pertencentes a esta corrente

são: Madsen (1989), Walters e Samiee (1990), Beamish et al. (1993), entre outros.

Cabe ressaltar, neste momento, que o estudo ora apresentado visa a se

campo refere-se ao conceito de Prontidão para Exportar das Indústrias Paulistas,

produtoras de bens exportáveis10.

A discussão precedente visou mapear, ainda que de maneira bastante

introdutória, dado que não é a pretensão deste trabalho configurar como conceitual,

o estado da arte sobre o tema Internacionalização de empresas. Esta literatura,

como pode se esperar, não é completa nem perfeita. Muitas são as criticas

imputadas às contribuições teóricas sobre esta temática.

Por exemplo, Zou e Stan (1998: 342) afirmam fortemente que:

“... um claro problema das teorias sobre desempenho em exportação é a multiplicidade de fatores e variáveis propostas pelos pesquisadores no intuito de compreender os resultados das exportações, a excessiva quantidade de formas através das quais estes fatores são medidos e a ausência de uma estrutura conceitual consagrada...”.

Ao estudar a literatura de maneira atenta, percebe-se, inclusive, que as críticas

de Zou e Stan são recorrentes. Ainda em 1992, em artigo publicado em uma edição

especial do Journal of International Marketing, Aulakh e Kotabe indicam que

“embora a área tenha tido significativa evolução ao longo da década de 1980 (...) uma conclusão de nosso estudo é que a teoria sobre marketing internacional está fragmentada e apresenta-se como unicamente exploratória, sem, portanto, possuir uma estrutura conceitual consagrada...”. (1992:5)

10

Com esta citação se encerra a rápida avaliação a respeito do estado da arte e

das deficiências da literatura sobre Internacionalização de Empresas e Exportação.

Como foi visto, este estudo se justifica de maneira bastante clara ao utilizar-se de

um instrumento de trabalho consagrado e ao empreender uma análise empírica em

um contexto ainda não suficientemente explorado.

O próximo item procura descrever alguns pontos sobre a literatura sobre

Estratégia Empresarial. O anseio desta parte é situar o leitor em um tema que

permeia toda a discussão presente nesta dissertação. Sem debater as Estratégias

em geral, não seria possível descrever as Estratégias de Internacionalização.

Benzer Belgeler