VERİNİN GİYDİRİLMESİ
3- Saldırı Yöntemleri
Decorrente de uma reorganização internacional nas funções do Estado, o constitucionalismo antiliberal seria um dos principais modelos teórico-conceitual entre as décadas de 1920-1930. O principal expoente desta modalidade de pensamento jurídico antiliberal foi Carl Schmitt (1888-1985).
O desenvolvimento de um constitucionalismo antiliberal, dentre outras possibilidades, poderia ser ligado ao descrédito das instituições representativas nas primeiras décadas do século XX. Na Alemanha, por exemplo, as contribuições de Schmitt também caminharam nesse sentido, posto que ele observava que o parlamento alemão não se encontrava nas condições ideais para exercer decisões de forma soberana, ou seja, sem influências e digressões, ou dos partidos políticos ou de outros setores – gerando, desta feita,
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na Constituição de Weimar, uma ―Constituição sem decisão‖ (BERCOVICI, 2004; SANTOS, 2006 e KÉRVEGAN, 2006).
No plano internacional, havia um reconhecimento generalizado das distorções praticadas pelo liberalismo no mundo. Nesse sentido,
Esta incapacidade do liberalismo de conduzir a dinâmica concreta da política a partir da tomada de decisão remete à crise do Estado liberal durante os anos 30 do século XX. Para Schmitt, o Estado burguês e suas instituições —condensadas numa Teoria Constitucional liberal— explicam, pelas suas características intrínsecas, esta incapacidade. Ante uma situação histórica de crise institucional, Schmitt figurou como o autor que já entendera sob que condições uma reforma constitucional poderia legitimar uma nova ordem política (SANTOS, 2006, p. 19).
Schmitt desenvolveria teorias sobre um Estado de exceção permanente que pudesse intervir nas relações do exercício da soberania de forma autônoma; capaz de exercer o poder ou autoridade com unidade política. Tais concepções refletiriam os postulados de sua doutrina antiliberal e autoritária, com uma reestruturação de um Estado forte em direção a um Estado total, onde ―o modelo de Estado soberano que desponta da obra de Schmitt se apóia, portanto, num Estado árbitro enquanto força que submete os conflitos sociais a sua regulação e cuja funcionalidade remete à pacificação através de decisão legitimada constitucionalmente‖ (SANTOS, 2006, p. 19).
A influência deste constitucionalismo antiliberal no Brasil, pelo menos no período que marcaria 1930 a 1934 não se aperfeiçoou a ponto de ser o modelo condutor na ANC de 1933. Pelo contrário, haveria uma reacomodação desta influência frente à realidade nacional, de modo que, se na Europa, o resultado foi um Estado totalitário, aparentemente, o resultado totalitário não corresponderia ao almejado pelas circunstâncias brasileiras.
Essas assimilações ficaram claras quando se vislumbrou as implicações ideológicas da formação do pensamento autoritário e do Estado corporativo apresentados por alguns autores nacionais, tais como Alberto Torres, Oliveira Vianna, Azevedo Amaral e Francisco Campos. O Estado autoritário e corporativo teria alcançado seu aperfeiçoamento através do constitucionalismo antiliberal em outro momento histórico específico, com a formação do Estado Novo, em 193754.
A alternativa para a reestruturação do constitucionalismo liberal praticado na Primeira República por um constitucionalismo antiliberal para a futura Constituição seria o
54Santos (2006, p. 218) afirmou que ―seguindo de perto o exemplo alemão, o Brasil construía, desde 1935, um conceito antiliberal de defesa do Estado centralizado no instituto do estado de emergência‖.
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instrumento hábil para promover as mudanças em curso. Notava-se, desde o início, que estas mudanças eram relativas às novas funções do Estado; ente este que deveria conduzir a retirada do país da crise institucional que passava.
A estrutura do constitucionalismo nos pactos antiliberais possibilitaria um Executivo forte e autônomo, sem a interferência direta dos Estados membros, postos que estes, nesse caso, ao terem sua autonomia diminuída, não promoveriam uma crise de governabilidade no sistema democrático brasileiro.
Institucionalizaria um Estado em que a figura de autoridade estaria claramente evidenciada na pessoa do Presidente da República. Alteraria a característica histórica da separação de poderes, tendo o chefe do Executivo o poder legítimo de legislar. Neste aspecto, uma onda de restrições aos direitos e liberdades individuais poderiam também ser lançados para que o objetivo final fosse atingido.
Essa procedimentalização também encontrava um rigor extremo para que o inimigo pudesse ser enfraquecido: as estruturas da liberal-democracia. Ademais, embora a experiência estrangeira tenha atacado literalmente as estruturas da liberal-democracia, no Brasil, o mesmo não se evidenciava.
Nas construções teóricas dessas possibilidades, a democracia seria resguardada do jugo totalitário e fascista observado em alguns países europeus. Teoricamente, o
[...] Estado antiliberal mantém intacta a distinção entre a esfera social, na qual o interesse público deve prevalecer, e a esfera privada, que o Estado deve proteger de qualquer interferência, por tratar-se de ‗esfera intangível de prerrogativas inalienáveis de cada ser humano‘ (SANTOS, 2006, p. 235).
Nesse mesmo sentido, acrescentaria o autor que ―o princípio da autoridade não deixa de reconhecer, portanto, a independência intelectual e cultural da sociedade, preservando a individualidade e a iniciativa, inclusive na esfera econômica‖ (SANTOS, 2006, p. 235).
No Brasil, a construção desta concepção de constitucionalismo antiliberal teve contribuição direta com Francisco Campos, autor da Constituição de 1937. Os principais pontos chaves para a matriz deste modelo decorreu da observação de que o parlamento no sistema liberal-democrático não teria a capacidade institucional de produzir eficiência normativa. Por outro lado, o descrédito apresentado por democracias de partidos também colaboraria na justificativa deste modelo de constitucionalismo antiliberal.
De fato, havia uma visão comum entre os interlocutores políticos e intelectuais da época sobre as constantes ―deturpações‖ que o liberalismo político e econômico tivera
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produzido na Primeira República. Desde a Revolução de 30, o Governo Provisório procurava estabelecer um novo arranjo institucional que pudesse impulsionar o país para além da prática oligárquico-federalista que até então caracterizava a política nacional.
Santos (2006, p. 220) observava que ―pretendia-se afastar o modelo político-jurídico liberal que informara a Constituição republicana de 1891, em face de uma realidade social e exigir um nova institucionalidade, completamente distinta das fontes originárias em que estivera fundada‖.
Assim, ao se estabelecer a nacionalização dos interesses sociais, centralizando e corporativizando o Estado, restabelecendo o fenômeno da autoridade na pessoa do Poder Executivo (ator habilitado para promover a unidade nacional) o constitucionalismo antiliberal seria a técnica ideal para a formatação de um arranjo institucional capaz de superar os dilemas produzidos pelo fenômeno liberal-oligárquico brasileiro.