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Pelo que analisamos nas subseções 5.1.1, 5.1.2, 5.1.3 e 5.1.4, sobre estratégias utilizadas na retextualização de notícias publicadas em portais jornalísticos na internet, chegamos a alguns resultados preliminares, que serão fundamentais para nossas considerações apresentadas no capítulo 6 desta Tese. Esses resultados são provenientes da análise textual do processamento da informação, na comparação feita entre textos, o que serviu de fonte principal e a notícia. O estudo desse processamento de informação aconteceu a partir da análise de estratégias de retextualização utilizadas na construção de notícias.

As estratégias analisadas foram a eliminação, o acréscimo, a substituição e a reordenação. Embora realizando a análise sociorretórica do gênero somente no capítulo 6, pela análise das estratégias de retextualização supracitadas, já vimos que a diversidade de usos dos textos-fonte na webnotícia acontece, principalmente, para atender às características funcionais do gênero.

Quanto à estratégia de eliminação, o que acontece mais comumente está direcionado à regra do jornalismo de reduzir o volume de linguagem, através do resumo da informação presente na fonte da notícia, em que se aproveita somente o que é considerado de maior relevância. Nesse sentido, o estabelecimento do que seja de “maior relevância” é feito a partir do que pode causar maior impacto na sociedade, porque é de extrema importância que a notícia atraia a atenção dos leitores.

Juntamente com a eliminação de informações julgadas como desnecessárias, existe a eliminação de expressões ou palavras técnicas que visam à simplificação. Nesse caso, é

189 mantido o fundamento básico e inteligível da informação, e que pode ser entendido por pessoas de diferentes classes sociais e graus de escolaridade, por exemplo, e eliminadas palavras e expressões mais específicas de uma área do conhecimento que requerem, por exemplo, um saber especializado.

Quanto à estratégia de acréscimo, um dos principais fatores depreendidos a partir da análise de dados é que existe o acréscimo de informações que compõem, principalmente, o

lide da notícia e que dão precisão ao fato noticiado. Isso acontece, segundo o que já

destacamos, com base em Van Dijk (1990 [1988]), com a utilização de “figuras de precisão”, como a indicação de nomes próprios, papeis sociais, nomes de lugares, datas e horários específicos, que dão ao discurso jornalístico um efeito de verdade, a partir da suposta apresentação precisa dos fatos.

Outra característica é o acréscimo de palavras ou expressões que avaliam o fato ou às pessoas envolvidas neste, e que acontece, mais recorrentemente, acoplado a outras estratégias de retextualização, sobretudo, a de substituição. Já o acréscimo de informações oriundas de outros textos que não sejam o texto-fonte principal é utilizado para a complementação do que se diz. Essa informação pode aparecer com ou sem indicação da fonte, de modo que essa indicação costuma aparecer quando se trata de uma fonte idônea, como uma declaração ou um esclarecimento público de uma instituição ou autoridade competente.

A estratégia de substituição foi a que mostrou mais resultados depois das análises. Isso porque a substituição lexical de uma expressão por outra, na notícia, pode alterar o valor da informação veiculada no texto-fonte. Às vezes, a substituição se apoia num suposto conhecimento já divulgado e difundido socialmente sobre um determinado fato, o que autoriza o aparecimento de uma expressão no lugar de outra sem que haja um estranhamento por parte dos leitores. No caso que analisamos de substituição da expressão “um funcionário” por “o amigo”, apresentada no Quadro 17, vimos que existia uma avaliação implícita sobre o acontecimento noticiado.

Outro caso de substituição é a “adaptação”, que pode ser necessária de acordo com o texto-fonte principal da notícia. Como é característica desse gênero a utilização de um estilo de linguagem de acordo com a norma padrão da língua, há a substituição de expressões, por

190 exemplo, escritas de modo coloquial, para outras “equivalentes” na variedade padrão. Por outro lado, existe a substituição para adaptação a um “estilo de linguagem simples”, com substituição de termos ou expressões técnicas em detrimento de palavras ou expressões que possam ser compreensíveis e, desta forma, entendidas por todos.

Outro caso analisado nessa estratégia foi a substituição para dar “destaque ao papel social” mais relevante do indivíduo tratado na notícia, o que justifica, inclusive, a relevância social daquela notícia. Como analisamos, a “mesma” informação aparecendo em gêneros diferentes, o papel social que identifica uma pessoa envolvida num evento e que é relevante para a ação social realizada a partir de um gênero pode não ser em outra. A notícia, por exemplo, pode destacar o indivíduo a partir do que considera como mais representativo e que, portanto, tem relevância e alguma importância para a sociedade, como “o prefeito”, “o governador”, “o desembargador”, “o goleiro do Flamengo” etc.

O último caso de substituição que destacamos é acerca da criação do efeito de distanciamento do locutor sobre o que noticia. Para isso, são feitas adaptações na transformação da informação presente no texto-fonte, para que a mesma apareça na notícia sempre sendo tratada de forma “impessoal”, em 3ª pessoa, dando ao discurso um efeito retórico de objetividade na apresentação dos fatos.

A quarta e última estratégia analisada foi a reorganização tópica da informação, que, como já dissemos, na notícia, acontece pelo destaque que é dado à informação julgada como principal ou de maior importância. Isso está relacionado ao que conhecemos como critério de relevância no jornalismo, onde as informações mais importantes aparecem primeiro, normalmente seguindo numa sequência decrescente de relevância ao longo do texto. No entanto, como vimos, o que é considerado de maior importância é julgado pelo impacto social que a informação pode ter ao ser divulgada, no sentido de atrair a atenção de um grande número de leitores.

Isso acontece pelo destaque da informação considerada de maior relevância logo na manchete da notícia. Essa informação, normalmente, é contextualizada já no primeiro parágrafo, em que o lide apresenta resumidamente os principais dados em relação ao evento ou fato tratado. Numa comparação com os textos-fonte, vemos claramente uma alteração na

191 ordem das informações, que são reorganizadas na notícia para atenderem a um dos objetivos da nova situação comunicativa, cujas “mesmas” informações aparecem para a realização de novos propósitos comunicativos.

Vemos, no Quadro 26, uma sistematização dos principais resultados a que chegamos a partir do que foi analisado até aqui:

Quadro 26: Sistematização dos resultados da análise das estratégias de retextualização na webnotícia ESTRATÉGIAS DE RETEXTUALIZAÇÃO NA WEBNOTÍCIA

Eliminação - redução do volume de linguagem, com supressão de informações julgadas desnecessárias;

- simplificação da informação, com supressão de palavras ou expressões técnicas.

Acréscimo - indicação de “figuras de precisão”, como espaço, tempo, nomes próprios etc.;

- avaliações, julgamentos e/ou pontos de vista;

- informações de outros textos-fonte, com e sem identificação de autoria.

Substituição - mudança no valor da informação do texto-fonte; - adaptação à norma padrão;

- uso de expressões de conhecimento geral para simplificação do conteúdo;

- destaque no papel social de maior relevância do indivíduo; - efeito de distanciamento, com o uso da 3ª pessoa.

Reorganização - critério de relevância do jornalismo, com destaque na “informação principal”.

Pelos resultados das análises das estratégias apresentados no Quadro 26, entendemos que a palavra que define o processo de retextualização na webnotícia é, de fato, transformação, mas a transformação para adaptação. Na Figura 9, visualizamos essa nossa afirmação, a fim de ratificarmos o papel preponderante do gênero nesse processo de adaptação de informação, no sentido de que a “mesma informação”, aparecendo no texto- fonte e no retextualizado, é apresentada de forma diferente porque está vinculada à realização de propósitos comunicativos específicos do gênero:

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Figura 9: Processo de retextualização na webnotícia

Para alcançar o seu objetivo com a comunicação, o sujeito escolhe um gênero que recorrentemente é utilizado para atender a objetivos ou propósitos similares. Na construção da notícia, que normalmente se baseia em outros textos-fonte, as informações são processadas, como vimos neste capítulo 5, sendo que esse processamento está relacionado às características formais e estilísticas do gênero. Daí a necessidade de complementação da análise das estratégias de retextualização, que é de âmbito textual, com a análise do gênero em questão, a notícia. Isso mostrará resultados acerca da produção de textos, mas de textos que participam de gêneros.

Cada gênero possui regularidades que podem estar diretamente relacionadas ao propósito ou objetivo da comunicação. Logo, mudanças que percebemos entre a apresentação de uma “mesma” informação em textos que participam de gêneros diferentes podem ser melhor explicadas se atentarmos para isto: que os gêneros são diferentes porque realizam ações retóricas diferentes. Nesse caso, a informação é transformada para atender tanto à intenção individual do sujeito como ao propósito comunicativo do gênero escolhido.

193 Nesse sentido é que propomos o capítulo 6, no qual fazemos uma análise sociorretórica da webnotícia e explicamos mais detalhadamente as transformações que acontecem na passagem da informação do texto-fonte para esse gênero. Assim, entenderemos o processo de construção da webnotícia, em que o sujeito se apropria de informações de um ou mais textos-fonte, do ponto de vista do funcionamento social do gênero.

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6. O PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO NA WEBNOTÍCIA A