• Sonuç bulunamadı

S ¨ UREKL˙I, YARI S ¨ UREKL˙I VE CS MOD ¨ ULLER 30

Das oito instituições de ensino selecionadas constatou-se que apenas três oferecem graduação em Jornalismo. São elas: Universidade Nova Lisboa, Universidade de Coimbra e a Escola Superior de Comunicação Social. As outras cinco oferecem a graduação em Comunicação Social.

A grade curricular do curso de Jornalismo da Universidade Nova Lisboa busca uma formação sólida em Ciências Humanas, Sociais e da Comunicação disponibilizando 21 disciplinas eletivas. As específicas, relacionadas ao Jornalismo, pertencem aos grupos das optativas condicionadas I e II e, dentre estas, os alunos devem cursar 5 disciplinas, sendo uma prática. Ao observar a proporção entre a oferta de disciplinas básicas e específicas, nota-se que há uma diferença grande, que se reflete no objetivo do primeiro ciclo, qual seja, formar um jornalista generalista com uma base teórica consistente.

O curso de Jornalismo da Universidade de Coimbra pertence a Faculdade de Letras, o que já é um diferencial frente aos outros cursos elencados acima. São doze unidades curriculares em Ciências Sociais, Humanas e da Comunicação, onze específicas em jornalismo (teóricas e práticas), uma disciplina transversal (selecionada pelo próprio aluno dentro do universo da universidade), quatro optativas (que podem ser condicionadas ou livres) e uma básica sobre a União Européia. Ao analisar a estrutura curricular consideraram-se dois grupos de disciplinas: o primeiro das básicas em Ciências da Comunicação, Sociais, Humanas e incluiu, também, a cadeira sobre a União Européia (por não ser específica); e o outro das específicas e optativas. Ao observar os dois grupos nota-se que o primeiro soma 13 unidades e o segundo 15, o que revela um equilíbrio na grade e o estudo do jornalismo atrelado às Ciências Sociais, Humanas e da Comunicação. É válido lembrar que a disciplina transversal não foi inserida em nenhum dos grupos, pois é uma opção do aluno selecionar o que quer cursar em um universo de áreas diferentes, distinguindo das optativas que são oferecidas pelo grupo de jornalismo. O curso de Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social oferece 21 disciplinas básicas em Ciências Sociais, Humanas e da Comunicação e 19 unidades curriculares específicas ao jornalismo entre eletivas e optativas. Entre as três instituições que oferecem o curso específico em jornalismo, o da Universidade de Coimbra prioriza mais disciplinas específicas do que generalistas, em seguida está a Escola Superior de Comunicação Social que oferta duas disciplinas básicas a mais que as específicas e, por

último, a Universidade Nova Lisboa que enfatiza mais a formação humana generalista. Contudo, as três amostras selecionadas que oferecem graduação em Jornalismo revelam que o curso está atrelado às Ciências Sociais, Humanas e da Comunicação, sendo elas as responsáveis pela formação teórica do futuro profissional. Suas especificidades são atribuídas em maior peso às disciplinas práticas e não teóricas. A Universidade de Coimbra inseriu, no grupo das eletivas, as disciplinas sobre a prática profissional em veículos distintos (radio, impresso, televisão, Internet) e o curso da Escola Superior de Comunicação Social transpôs as disciplinas correlatas a essas no grupo das optativas, atribuindo ao aluno o direcionamento do seu campo de trabalho almejado, já durante a graduação.

Os três cursos acima mencionados procuraram se adequar ao Processo de Bolonha, tanto no tempo de duração quanto na introdução de disciplinas específicas, optativas e mesmo transversal, como é o caso da Universidade de Coimbra. No entanto, eles ainda mantêm a concepção do início da formação dos cursos de jornalismo, de estruturarem uma grade curricular que prioriza a investigação no campo das Ciências Sociais e Humanas. Como mostrou-se neste capítulo, isto significa que as disciplinas são distribuídas em quatro áreas de saber: Ciências Sociais e Humanas; Ciências da Comunicação e da Linguagem; Estudos sobre os Meios; e Jornalismo. As instituições ainda não enfatizam um novo campo do saber transdisciplinar e especializado em jornalismo, tendo como referencial na discussão o número de disciplinas presentes nas três grades curriculares.

Com relação ao segundo ciclo, das oito instituições, sete oferecem o mestrado em Jornalismo e apenas uma oferece em outra área: Relações Públicas e Marketing e Publicidade. Dentre as sete, quatro instituições de ensino (Escola Superior de Comunicação Social, Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade da Beira Interior e a Universidade Fernando Pessoa) estruturaram o segundo ciclo priorizando formar um profissional mais especializado em jornalismo, apto a atuar em um mercado de trabalho diversificado, considerando a sua formação teórica ou prática. Três instituições que oferecem a pós-graduação, (ciclo dois) referente ao grau de mestre (Universidade Nova Lisboa, Universidade do Minho e Universidade de Coimbra) buscam especializar o aluno em jornalismo com um olhar mais generalista da profissão e oferecem um conteúdo teórico no campo do saber da comunicação, aprofundando o estudo dos meios, bem como, teorias do jornalismo. O segundo ciclo oferecido pela Universidade de Coimbra equilibra estes três campos de investigação: comunicação,

estudo dos meios e jornalismo, compondo um perfil generalista e especialista. Cabe ao aluno escolher sua opção.

Quanto ao terceiro ciclo, apenas duas instituições de ensino oferecem na área de comunicação: a Universidade Fernando Pessoa, em Ciência da Informação com a especialidade em Jornalismo e linhas de pesquisa específicas; e a Universidade da Beira Interior em Ciência da Comunicação, com disciplinas básicas e uma em Jornalismo. O doutorado, por ter a finalidade de formar pesquisadores, proporciona mais liberdade ao aluno para definir seu objeto de estudo, desde que se enquadre nas linhas de pesquisa oferecidas. São poucas disciplinas a serem cursadas, pois o foco principal é a relevância da investigação para a sociedade, sua contribuição para o desenvolvimento, bem como, a viabilidade da metodologia a ser aplicada e a utilização de um referencial teórico adequado à linha de pesquisa. É válido ressaltar que embora o terceiro ciclo tenha sido mencionado nesta discussão, o propósito foi apenas de ilustrar que, das oito instituições analisadas, apenas duas oferecem o terceiro ciclo, compondo assim, o modelo proposto pelo Processo de Bolonha de estruturar o currículo em graduação e pós-graduação, obedecendo a uma hierarquia de estreitar o conhecimento em uma determinada área, formando profissionais mais especializados.

A análise da estrutura curricular das oito instituições portuguesas mostrou, neste primeiro olhar, que as Ciências Sociais, Humanas e da Comunicação são fundamentais na formação do jornalista, sem descartar o saber em Jornalismo, mas não tendo esse foco como primordial ou exclusivo. As diversidades existentes no mercado de trabalho referente aos diferentes tipos de veículos, funções do jornalista ou mesmo área de atuação, não estão espelhadas nas grades apresentadas de forma unânime ou em sua totalidade. Elas aparecem sim, principalmente nos três cursos específicos em Jornalismo, mas não em sua complexidade. O segundo ciclo das sete instituições apontadas acima busca especializar o pós-graduando em jornalismo, mas também pondera as áreas do saber na sua formação. Isto indica que predomina até o momento uma formação teórica sólida e generalista, para tornar o jornalista apto a atuar no mercado. As instituições de ensino que oferecem os três ciclos se aproximam do modelo proposto pelo Processo de Bolonha. As que oferecem até o segundo ciclo estão seguindo a mesma tendência, o que tem provocado uma alteração nas estruturas curriculares. Apresentam, como diretriz, a formação de profissionais especialistas, incluindo cadeiras que tratam das instituições européias, língua estrangeira, ou formação humanística envolvendo questões européias. Isto remete ao fato das instituições estarem

informando, em suas apresentações eletrônicas na World Wide Webs, que estão em processo de adequação ao Processo de Bolonha, o que significa que ainda estão passando por transformações e que um novo paradigma está sendo construído, não só nos cursos de jornalismo. Em Portugal, em especial, encontra-se um movimento, ainda tímido, de modificar a concepção de formação do jornalista e de reconhecer os conhecimentos necessários a esse profissional para atuar no mercado europeu e globalizado.

Benzer Belgeler