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S‹GORTA KOM‹SYON G‹DER S‹GORTA KOM‹SYON G‹DER

II- S‹GORTA fi‹RKETLER‹ ‹LE S‹GORTA ACENLELER‹

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que estão mais propensos ao uso de drogas pessoas:

sem informações adequadas sobre os efeitos das drogas; com uma saúde deficiente;

insatisfeitas com sua qualidade de vida;

com personalidade vulnerável ou com problemas de integração social; com fácil acesso às drogas.177

Esses pontos apresentados pela OMS sobre o perfil das pessoas que estão mais propensas a consumirem drogas encaixam-se de certo modo no que temos hoje em relação aos usuários de drogas no universo das populações rurais do estado de São Paulo. Quer dizer: ausência de esclarecimentos necessários em relação ao uso de drogas por parte das autoridades de saúde pública; a saúde de muitos trabalhadores encontra-se comprometida em função da má alimentação e grande desgaste físico no trabalho, não repondo as vitaminas e sais minerais necessários ao corpo humano; insatisfação com o trabalho em função da exploração da mão-de-obra, sem acesso a terra e a produção que ela provém; problemas de integração nos diferentes grupos sociais, principalmente nas áreas urbanas, provenientes dos estigmas que trazem historicamente; e a grande facilidade de acesso à droga, pois, de acordo com a matéria de jornal que integra esta pesquisa, a rota do tráfico de drogas, denominada “rota

caipira”, atua nos muitos canaviais, pela falta de fiscalização das autoridades

competentes e facilidade na distribuição das drogas para todo o estado de São Paulo. Sabe-se também que o cultivo de drogas como a maconha é realizado em muitas terras de produtores na base da coação. São obrigados, pela rede do tráfico de drogas, em troca de não sofrerem represálias e atentados contra sua vida e de sua família. Diante dessas dificuldades, parece ser impossível trabalhar ações preventivas ao uso de drogas no campo, mas o pouco que podemos fazer muitas vezes pode significar grande diferença na vida dessas populações, esquecidas há muito tempo pelas autoridades públicas.

Em primeiro lugar, é necessário diluir a idéia, nessas comunidades que vivenciam esse problema, de que existem “receitas ou modelos prontos” no tratamento da dependência física e psicológica de drogas.

Antes de realizar qualquer tipo de prevenção em qualquer grupo ou comunidade, é necessário conhecer a população, suas necessidades, organização, valores, normas, etc. A partir desse conhecimento, dessa interação, é que se poderá fazer uma avaliação de suas necessidades e problemas mais freqüentes. Esse diagnóstico contribuirá para a escolha do tipo de prevenção (primária, secundária ou terciária) que deve ser trabalhado na comunidade em questão, envolvendo os diversos profissionais que atuam nas áreas da saúde e social, bem como toda a comunidade, estimulando a participação dos vários segmentos que a integram, como associações de bairro, sindicatos, igrejas, escolas, redes de saúde, etc., aproveitando o auxílio dessas estruturas nas estratégias a serem desenvolvidas. É importante, também, desfazer idéias distorcidas que esses próprios segmentos possam ter em relação as drogas, contribuindo na tentativa de livrar os usuários de uma dada comunidade dos estigmas impostos pela sociedade.

Esse procedimento auxilia também para que a família do usuário aproxime-se desses programas, compreenda os vários aspectos que envolvem a dependência das drogas, fazendo com que seus parentes livrem-se o mais rápido possível delas.

Esses procedimentos mencionados vão ao encontro do que os fenomenólogos que atuam na área da saúde consideram a respeito da cura em que a base está nos

“valores, símbolos e sistemas de significados compartilhados nos seus grupos de

referência.”178 Esses grupos de referência irão proteger os indivíduos contra as

“grandes estruturas impessoais e anônimas”179 em que Schutz comenta, eles se

tornam um número. Advogam portanto uma reforma do sistema de saúde que leve em conta os valores culturais dos grupos, seus mediadores (os pequenos grupos) e seus

ecossistemas.”180

Desse modo, desenvolve-se uma visão holística a respeito da concepção do binômio saúde/doença, alinhada nos seguintes pontos:

178 Mynaio, M.C. de Souza, O Desafio do Conhecimento - Pesquisa Qualitativa em Saúde. Ed. Hucitec – Abrasco, 1999, pg. 61. 179 Idem, pg.61.

a) “a saúde tem que ser pensada como um bem-estar integral: físico, mental, social e espiritual;

b) os indivíduos devem assumir uma responsabilidade inalienável

frente às questões de sua saúde;

c) as práticas da medicina holística devem ajudar as pessoas a

desenvolver atitudes, disposições, hábitos e prática que promovam seu bem-estar integral;

d) o sistema de saúde deve ser reorientado para tratar das causas

ambientais, comportamentais e sociais que provocam a doença;

e) as pessoas devem se voltar para a harmonia com a natureza,

utilizar práticas e meios naturais de tratamento.”181

Os resultados concretos, a partir das concepções fenomenológicas sobre a área da saúde, têm demonstrado:

f) “um questionamento sobre o papel do Estado e das grandes

instituições médicas;

g) incremento dos pequenos grupos privados e voluntários

referentes à questão da saúde;

h) reconhecimento de modalidades alternativas de expressão e de

tratamento de saúde;

i) aparecimento de novas formas institucionalizadas de saúde

pública combinadas com associações voluntárias; atenção primária; autocuidado; uso da medicina tradicional; participação comunitária; educação e saúde vinculadas à

pesquisa-ação.”182

181 Mynaio, M.C. de Souza, O Desafio do Conhecimento - Pesquisa Qualitativa em Saúde. Ed. Hucitec – Abrasco, 1999, pg. 62. 182 Idem, pg. 62.

Enfim, as idéias expressas em relação às perspectivas de prevenção ao abuso de drogas, fenômeno que pode ocorrer em diversos grupos e comunidades que integram nossa sociedade, poderão servir de tentativa para abrir a discussão e criar subsídios não apenas para a realização de ações preventivas, mas também alternativas mais sensíveis nos aspectos curativos que envolvem a presente questão.