Ainda no eixo que abordou os Recursos e Práticas da Educação a Distância, foi perguntado aos participantes quais recursos e procedimentos didáticos do curso que têm favorecido o desenvolvimento do aluno.
Na visão da P1, o material disponibilizado poderia ser melhorado com a inserção de vídeo-aulas produzidas pela própria instituição de ensino:
Acho que seria importante que as vídeo-aulas fossem do próprio curso, com os professores. Nós não temos, a gente acaba aproveitando os vídeos de internet, do YouTube. Acho que o próprio professor da disciplina, o próprio tutor poderiam fazer as vídeo-aulas para poder ficar mais próximo ao aluno, melhoraria (P1).
A P3 vai ao encontro do que foi dito pela P1 sobre as vídeo-aulas serem produzidas pela própria equipe, como colocado no subitem anterior, porém, ressaltou que os vídeos de
outras fontes, como os do YouTube7 são importantes e têm favorecido o desenvolvimento dos alunos.
Alguns (professores formadores) utilizam as aulas do YouTube e o MEC sugere que as aulas sejam todas preparadas pelo próprio pessoal do e-Tec Brasil, isso a gente tem pretensão para 2015, mas eu sou favorável a utilizar aulas do YouTube sim, (...) porque no momento, é o material que a gente tem disponível. Desde que o (professor) formador tenha o cuidado de usar esse material com qualidade, não tem o porquê não ser usado (P3).
A P3 acredita que uma ferramenta bastante importante para o desenvolvimento do aluno é o fórum de discussões, pois leva o aluno a dissertar sobre o conteúdo apresentado naquela disciplina, além do chat temático, ferramenta síncrona, onde o tutor virtual tem a possibilidade de sanar as dúvidas do aluno no momento em que elas são apresentadas, e enfatiza que esse é o momento em que os envolvidos tem de estar atentos às dúvidas que surgem para que haja a implementação do material disponibilizado ao aluno.
Quadro 12 – Ferramentas da plataforma virtual que têm contribuído para o desenvolvimento do aluno, na visão dos participantes em relação aos Recursos e Procedimentos que favorecem o desenvolvimento do aluno
Ferramentas (síncronas e assíncronas) Quantidade de participantes Participantes Fóruns 8 P1, P2, P3, P4, P5, P6, P8, P12, P14, P15 Envio de Trabalhos 6 P1, P2, P8, P11, P13, P15 Chats 5 P1, P2, P3, P6, P14, P15 Vídeo-aulas 8 P3, P4, P5, P7, P9, P10, P13, P15
Atividades com jogos 3 P4, P9, P15
De acordo com o exposto no quadro acima, pode-se perceber que, na visão dos participantes da pesquisa, os fóruns de discussão e as vídeo-aulas são as ferramentas disponibilizadas pela plataforma virtual de aprendizagem Moodle que mais têm contribuído para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos de EAD.
Para o P12 os fóruns são interessantes pois existe a possibilidade de construção de conhecimento coletivo.
Em relação aos fóruns acho que dá mais tempo pra gente pensar, pros alunos pensarem e ao mesmo tempo ele é interativo o aluno tem a semana inteira pra postar, ele posta de manhã eu respondo a noite, aí de manhã ele entra, posta de novo e a gente vai partilhando (P12).
Os fóruns são ferramentas assíncronas, ou seja, não são ferramentas de comunicação imediata. Para a maioria dos entrevistados essa é uma boa ferramenta, pois permite que tanto tutores quanto alunos tenham tempo para pesquisar e responder, podendo fomentar a discussão através dos comentários.
A disponibilização de vídeo-aulas também foi bastante retratada entre os participantes, sendo a escolha de 8 deles. P3 acredita que, apesar do MEC sugerir que as vídeo-aulas sejam produzidas pela própria instituição de ensino, o material encontrado no YouTube pode ser utilizado, desde que o professor formador tenha o cuidado de procurar vídeos com qualidade.
O P10 alertou sobre a existência de um estúdio de gravação no IFE para produção de vídeo-aulas para a EAD: “Existe o tal do estúdio, só que ninguém nunca usou. O estúdio está parado e ninguém usou” (P10).
Outra ferramenta apontada pelos participantes, seis deles, foi a de Envio de Trabalhos. Nesse caso, o aluno produz o trabalho em formato solicitado pelo professor formador, anexa-o na plataforma, por meio da ferramenta de envio e recebe feedbacks do tutor sobre seu desempenho.
O chat, ferramenta síncrona que permite comunicação em tempo real, foi a escolha de cinco participantes. Todos eles enxergam que o chat permite a maior interatividade entre professor e aluno, já que a troca de informações ocorre no mesmo tempo. Porém, alguns participantes em sua fala, apontaram que o chat pode não ser produtivo, como complementa o participante 12: “Não sou muito a favor do chat, porque eu acho o chat muito imediatista, os alunos vem com pressa de sair, muitos falando ao mesmo tempo, só um interlocutor, então eu acho difícil você conseguir estabelecer uma conversa que seja produtiva” (P12).
As atividades com jogos também foram outra ferramenta indicada pelos participantes (3 deles), como foi o caso do P9 que acredita que este tipo de atividade estimula a criatividade dos alunos.
Hack (2011) aponta que a oferta de ferramentas para as TICs tem aumentado consideravelmente nos últimos tempos, abrindo espaço para sua introdução dentro do processo de ensino-aprendizagem. A autora ressalta a visão de Peters (2001) de que esse material deve ser estruturado adequadamente, visando às necessidades cognitivas do aluno. O uso eficiente das diversas tecnologias e seus recursos no processo educativo deve ser discutido profundamente pela equipe que os produzirão.
A tecnologia precisa ajudar o aluno a desenvolver suas próprias estratégias de estudo, levando-o a conhecer sua estrutura e suas habilidades cognitivas, ou seja, como ele aprende melhor. A tecnologia deverá sempre ser um meio e não o fim do processo de construção de conhecimento a distância (HACK, 2011, p. 63).
Um segundo eixo trabalhado durante a pesquisa com os participantes da Equipe Técnica do curso abordou sobre os objetivos e o projeto pedagógico do Curso Técnico em Administração, na modalidade EAD, com a finalidade de se constatar se os profissionais estavam familiarizados com esse documento norteador.
4.2.2 Eixo 2 - Objetivos e Projeto Pedagógico do Curso Técnico em Administração EAD
Este eixo da pesquisa tratou sobre os Objetivos e o Projeto Pedagógico do Curso Técnico em Administração, na modalidade à distância, e visou analisar o contexto e as estratégias de ensino adotadas, por meio das TICs, junto à equipe técnica, em consonância com as diretrizes pedagógicas norteadoras do curso.
É valido ressaltar que essa pesquisadora teve acesso ao Projeto Pedagógico do Curso de Administração, publicado em novembro de 2007, quando aquele Instituto Federal de Educação ainda possuía o nome de Centro Federal, e os campi atrelados a ele eram somente unidades descentralizadas.
O projeto pedagógico foi criado para a unidade descentralizada da cidade de Sertãozinho, no interior do estado de São Paulo, sendo pensado em atender àquela demanda local, porém o curso acabou sendo gerenciado pela unidade de Caraguatatuba.
Um novo Projeto Pedagógico, com a realidade do campus Caraguatatuba estava previsto para ser implantado no segundo semestre de 2015, de acordo com a P3, que faz parte da coordenação do curso.
Ele (o curso) vai ter uma reengenharia. O novo (projeto pedagógico) já veio, já passou pelo Conselho Superior e veio para ser readequado, mas ele já tem uma pré- aprovação. A gente pretende (implantar) em 2015, mas provavelmente não será no primeiro semestre porque todo o material didático terá que ser reconstruído em cima dessa nova estrutura curricular (P3).
O eixo 2 foi levantado pois constatou-se a necessidade em saber se os atores da pesquisa conhecem e estão familiarizados com o projeto pedagógico e os objetivos do curso.
Para tanto, os participantes foram questionados sobre a diferença entre currículos e avaliação de cursos presencial e EAD, os objetivos principais do curso técnico em Administração na modalidade à distância e a maneira na qual consideram os resultados obtidos na avaliação do aluno como elementos de análise para a redefinição de conteúdos e estratégias de ensino.