6. ARAŞTIRMAYA UYGULANAN ANALİZ YÖNTEMLERİ
6.2. Sınıflandırma ve Regresyon Ağacı (SRA) (CART) Algoritması
A professora Deise possui uma trajetória de vida muito peculiar.
As palavras a seguir trarão um perfil deste sujeito tão intrínseco ao seu universo escolar e ao Lugar que este pertence.
Deise mostrou-se figura central nas atividades observadas.
Era o sujeito principal do enredo de suas aulas. Todavia, era também dotada de sagacidade para, nos momentos necessários, caminhar em conjunto com outros sujeitos.
Uma figura fácil de localizar pelo seu porte e presença, Deise é uma professora de aproximadamente 1.70 metros de altura com cabelos claros e traz consigo um enorme carisma, sendo facilmente conhecida como a “mãe" de todo o grupo, por estar sempre trazendo diversos tipos de alimentos diferentes para a hora do lanche.
A conheci no ano de 2001 durante uma oficina piloto do projeto que foi, nos anos seguintes, desenvolvido. Desde o primeiro momento, ela se mostrou totalmente participativa e receptiva a idéias, sugestões, inovações e às pessoas em geral. Durante aquela primeira fase do projeto, já sabendo que iria trabalhar com ela, pensei em estabelecer um vinculo mais forte, o que não foi necessário, pois o próprio convívio trouxe a aproximação. Aproximação das mais agradáveis.
Nascida em 1962 e residente no município de Ipeúna desde então, Deise traz consigo mais de vinte anos de prática em ensino de Educação Infantil e Ensino Fundamental.
Começou seu trabalho docente em uma escola rural e depois na Escola Estadual Marcelo de Mesquita, onde foi funcionária contratada até ocorrer à municipalização em 1999, quando, através de concurso público, esta se tornou professora efetiva pelo município.
A respeito de seu ingresso na carreira docente, Deise diz: “A escola era estadual e eu me inscrevi nessa escola, então eu comecei como eventual”.
Entrou aos seis anos e meio na escola, em 1968, e seguiu seus estudos em Ipeúna até o término do ensino médio, quando foi buscar outra opção que fosse viável com as condições impostas por seu pai para continuar os estudos de que não se afastasse de casa. Portanto, Deise foi buscar um curso particular a distância de magistério na cidade de Ribeirão Preto, onde realizava uma prova mensal, ajustada ao pagamento da mensalidade. Não recebeu nenhum material durante o curso e nenhuma aula, se formando em três anos por este método.
Ela explicou que foi buscar a teoria quando começou a lecionar, ou seja, através de suas práticas e de vários cursos de capacitação que foi fazendo ao longo de sua carreira, pois a formação em magistério foi nula, apenas “simbólica”, como ela diz resumindo o curso e as provas que realizou.
Durante as observações de suas aulas notei que a professora fazia pouco uso de livros didáticos, utilizando-se somente de um para a disciplina de Português. Este fato pode denotar uma característica da trajetória escolar da professora, que diz não ter utilizado muitos livros didáticos como “[...] de 5ª a 8ª eu acho que não cheguei a usar nenhum, era matéria passada na lousa. Eu não me lembro porque usava muito pouco”.
Também não observei nenhum aluno lendo qualquer outro tipo de livro, talvez porque a biblioteca da escola não estivesse funcionando apesar de possuir uma sala própria. Sobre a biblioteca, Deise comentou:
“No momento ela está sendo ainda colocada em ordem, por causa da reforma da escola... então houve uma desorganização da biblioteca... então no momento nós não estamos levando os alunos até a biblioteca”.
Sabendo que uma biblioteca fechada realmente não é um incentivo a leitura, as observações sobre o tema pela professora mostram que esta não possuiu muito gosto pela mesma, como ela relatou em dois momentos:
“[...] olha eu lia mesmo quando tinha que apresentar algum trabalho, senão não lia... Agora, eu nunca gostei muito de ler, mas, de uns tempos para cá, eu to sentindo a necessidade disso, então eu to procurando estar buscando...
fazendo alguma leitura porque ultimamente a gente não tem feito muitos cursos de capacitação”.
Esta necessidade de busca por leituras pode ser fruto do curso universitário que Deise havia começado no fim daquele semestre. Sobre este curso Deise comenta: “Eu comecei o curso de graduação em pedagogia oferecido pela UNESP. É a pedagogia cidadã”. E, diz também, sobre os motivos que a levaram a realizar este curso: ...”Um dos motivos é pela lei, a LDB. A exigência agora de que tenha um curso superior e outro motivo é para capacitação mesmo. A gente estar procurando sempre melhorar”.
Vale lembrar que Deise, enquanto participante do projeto de pesquisa, deveria fazer diversas leituras de fundamentação e buscar inovações em suas atividades de ensino, por meio de fontes de seu interesse.
Trabalhando diariamente dez horas na escola, a professora lecionava para todas as turmas as disciplinas Educação Artística e, para a turma que observei as disciplinas de História e Geografia, sendo oficialmente responsável apenas por duas salas fazendo parte, as outras turmas, de um “arranjo” entre escola e professores.
Pude notar que Deise apreciava este “arranjo”, pois em suas considerações de aspectos que gostaria de mudar na escola ela explicou que gostaria de dividir mais as áreas trabalhadas pelos professores, fazendo com que estes não lecionassem tantas disciplinas, pois ela acha “que ele ia buscar mais sobre aquilo que ele tá trabalhando, do que essa coisa de ter que procurar Português. Matemática, História, Geografia...”.
Do total de 50 horas semanais de trabalho, 45 eram dedicadas aos alunos e cinco horas reservadas para o Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC) onde, segundo ela: “[...] é discutido os problemas que existem na escola ou até mesmo assim... desenvolver alguma atividade, como desenvolver...”.
Aliás, no desenvolvimento de atividades na escola, Deise se mostrou uma líder.
Quando comecei a acompanhar suas atividades, ela estava envolvida no chamado “Projeto Primavera”, que inicialmente seria apenas para as terceiras séries e depois foi estendido para todas as demais. Deise, além de inserir o tema nas atividades dos alunos, ainda coordenou uma festa para angariar fundos para a escola, que foi um sucesso, segundo suas palavras.
Líder é uma característica que cabe bem á professora Deise, bem como, inovadora, apesar de possuir um jeito tímido e discreto. Quando ainda era uma aluna essa característica já podia ser notada, diz:
“Sempre fui uma criança que gostava de participar de tudo sempre. Tinha amizade com todos. Além de participar da aula eu me envolvia com festinhas, comemorações... tanto na parte de participar de alguma coisa, como na organização.”
Deise foi vereadora do município em duas ocasiões e presidente da câmara de vereadores, sendo a primeira mulher a ocupar este cargo na cidade, mostrando que tem forte tendência à liderança. Este trabalho, juntamente com um período de um ano e meio em que trabalhou no laboratório de um laticínio, foram as únicas atividades que Deise desempenhou fora do ensino. Agora, como elucidado, Deise ocupa o cargo de Secretaria Municipal da Educação no município.
A escola de hoje, para Deise, é aberta para os pais, o que leva a perceber a preocupação dela com os pais dos alunos, pois, em diversos trechos da entrevista, a professora expressou suas considerações, quando, por exemplo, comenta sobre o aumento da responsabilidade da escola e dos professores para com as crianças, em muitas situações que só caberiam aos pais, já que, segunda ela: “eles acham que a responsabilidade é toda da escola”.
Outro aspecto que ela destacou junto a este tema foi sobre a importância da família. Para ela o trabalho na escola deve ser sempre realizado em conjunto com a família “porque daí vai ter mais uma troca, vai ter mais contato com os pais, então você ta tendo com os filhos deles aqui e eles também vão saber mais como agir com os filhos em casa”.
Esta participação dos pais na escola também é comentada quando aponta uma falha sua e de outros professores, nesta relação:
“[...] nunca a gente chama um pai aqui, fora de um dia assim... que já é normal reunião para fazer um elogio do filho. Então, o pai vem sabendo que vai ouvir crítica... muitas vezes ele não vem quando é solicitado, porque sabe que vai ouvir crítica.”
Acredita que quanto mais a escola estiver “aberta para a sociedade”, melhor seria para a mesma.
A relação da professora com a turma era agradável, mas ela salienta “ta misturando um pouco as coisas”, pois estaria faltando um pouco de limite na relação professor-aluno. Mas, como toda relação entre estas partes “às vezes você até fala alguma coisa pro aluno que você... depois que você falou... vê que não deveria ter falado”.
Essa relação permitia que Deise avaliasse seus alunos, posto que sua avaliação ocorresse “no dia-a-dia mesmo”. Contudo, Deise ainda se via obrigada a realizar uma “provinha” com os alunos para mostrar algum resultado aos pais.
Os alunos eram muito participativos em suas aulas, e para ela: “... as coisas parecem que caminham melhor”. Para tanto ela acredita na contribuição da pesquisa e das atividades que trouxeram os alunos para perto da realidade em que vivem.
Em suas considerações sobre a escola de antigamente, a professora disse que o maior problema seria: “... de o aluno não poder expor as idéias dele, ter que aceitar tudo do jeito que vinha e o professor falava”.
Deise via também a relação professor-aluno de um modo autoritário, pois: “... ele era o poderoso, o dono do saber. Jamais eu pensei um dia em achar que, mesmo sabendo aquilo que a professora falou não era certo, eu ter coragem de falar que eu pensava diferente...”.
Mas, de uma maneira geral, as relações da professora com seus ex-professores ocorreram de forma tranqüila, cabendo um destaque especial para o Padre Quirino, que foi professor da disciplina de Português para Deise durante o colegial (Ensino Médio) já que, segundo ela:
“Uma coisa que eu sempre comento é do padre Quirino. Que por ele ser uma pessoa muito boa a gente abusava um pouco da aula dele e hoje eu vejo que essas aulas até hoje me fazem falta. Que como ele deu aula muitos anos assim... seguidos, podia falar que a classe não acompanhava as aulas de português.”
Em seus registros sobre as atividades Deise também não abordava as aulas de Português, já que “[...] agora eu só faço registro das aulas de Geografia e História, por enquanto”. Um reflexo do projeto, uma vez que eram as disciplinas tratadas por ela ao utilizar o Atlas Municipal Escolar.
Essa prática de registros, solicitada pelo projeto, já era do domínio da professora, pois antes anotava somente a preparação das atividades, mas depois passou a anotar todo o processo da atividade.
Ainda utilizava seus registros antigos para, segundo ela, buscar coisas para trabalhar com seus alunos, mas somente das atividades em havia alcançado resultados satisfatórios, pois: “[...] coisa que eu vi que deu resultado, que eu achei que as atividades eram boas eu procuro tá usando”.