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3. GENEL JEOLOJİ

4.5 Q Sınıflama Sistemi

Nesse grupo temático foram agrupadas as diferentes formas de violência vivenciadas pelos usuários do serviço. Em si, a temática da violência já poderia ser analisada como conteúdo que provoca grande sofrimento, o que já justificaria a presença e o estudo aprofundado quando se trata da demanda em saúde mental. Entretanto, nos casos em estudo, identificou-se a coexistência de questões que acabam por problematizar ainda mais a reflexão em pauta: violência doméstica contra a mulher idosa; violência doméstica contra a mulher portadora de necessidades especiais; violência doméstica contra a mulher portadora de transtorno mental; violência em situação de rua contra a mulher portadora de transtornos mentais; violência doméstica provocada por mulher portadora de transtorno mental e usuária de drogas; e violência doméstica provocada por homem portador de transtorno mental.

Existência na condição de agressor doméstico

A ênfase recai em situações em que a pessoa que apresenta demanda de saúde mental é descrita como tendo comportamentos violentos contra familiares em ambientes domésticos. São descritas violências físicas e psicológicas:

“E quando ela tá surtada, se tiver que matar um ela mata. Ela perde a noção do perigo. E começou a ficar complicado porque o Conselho Tutelar me dava aquela guarda provisória. E o quê que ela fazia? Pegava os filhos pra almoçar de manhã e usava o dinheiro pra comprar droga. Ela tentou por várias vezes me matar. Meu neto não aceitava ela como mãe, não. Ele fala, você é minha mãe! Porque ela me agredia fisicamente, verbalmente, sem condições” (Socorro – Linda).

“Um dos vizinhos lá, disse que ele batia no meu pai durante os surtos e nesse período o meu pai não pediu ajuda pra gente, não sei se ele se sentia constrangido por tudo o que tinha acontecido, né! Então meu pai nunca pediu ajuda pra gente, nunca contou nada. E os vizinhos falavam assim que ele batia, que ele falava que se meu pai não desse, ah, sei lá, o que ele queria, ele batia no meu pai, entendeu? Meu pai chegou a apanhar muito dele. Mas eu fico assim boba de ver, porque ele é assim, baixinho, magrinho; meu pai grandão, forte, se deixar bater, entendeu? No mínimo ia empurrar ele, fazer alguma coisa, sei lá, não sei. Segundo o pessoal lá, ele ficava violento de quebrar as coisas, às vezes de jogar as coisas, entendeu?” (Irma – Getúlio).

“A verbal, sem comentários, é pesadíssima. A primeira vez que ela me agrediu fisicamente foi muito triste! Não foi uma vez só, foram várias. Eu trabalho muito isso no meu psíquico, porque é a pior dor que uma mãe pode sentir. Sem comentário. É o pior! Te dá uma sensação de impotência tão grande que se você não tiver a cabeça boa, você comete uma besteira que você se arrepende pro resto da vida. Porque na hora eu só pensei em matar, mas Deus teve compaixão de mim, porque não era da minha índole. É assim, eu procuro não discutir muito com ela, porque assim, ela é uma criatura que discute muito. Aí ela, o que ela tem, ela taca. Aí é difícil pra você suportar isso” (Socorro – Linda).

Existência na condição de vítima de violência doméstica

Relatos de manifestações violentas nas quais as pessoas com demandas de saúde mental vivenciam a condição de vítimas em ambiente doméstico.

Violência física:

“A gente nunca ficou bem. Sempre brigando, ele me batia, saía de casa e depois voltava, não comprava as coisas. Por exemplo, na minha gravidez ele não comprava alimento, ficava sem comer. Fiquei com anemia. [...] Aí ele me machucou, cortou meu pescoço, machucou meu pescoço, apertou o meu pescoço e me machucou” (Maria da Penha).

“Meus irmãos sempre fizeram de tudo pra me prejudicar. Eles me xingavam, me batiam também. Teve uma vez que o meu irmão deu bastante pancada na minha cabeça, que eu fiz um boletim de ocorrência. [...] Ela (mãe) me deu um soco que meu rosto ficou inchado [...]. Ela sempre foi dessas pessoas que tá com raiva e quebra as coisas, bate porta, grita, xinga. Ela já me agrediu várias vezes” (Maria da Penha).

Violência física e psicológica:

“Ele me deu revolvada na cabeça, não tinha paz. Ele batia na mulher, quebrou os dente dela. Ele queimou ela (irmã) com ferro, ficou o ferro direitinho aqui (aponta o braço). Fala que ela é louca, retardada, que eu sou louca, que o pai é aleijado. O veio daquele jeito, ele pegava o veio e jogava. Nossa!! Ele não anda!! E ele colocou um rato no quarto dela (irmã), um ratão dentro do guarda roupa, tá tudo quebrado lá, quebrou pra matar o rato, e até hoje não consegui ainda arrumar o guarda-roupa. Tadinha, na vez de melhorar, ela piorava” (Maria das Dores).

“Quebrava a casa inteira, quebrou as portas, o quarto, quebrou tudo. No quarto não tem nada. Quebrou tudo, quebra a casa inteira. Ele queria ficar com a casa e internar eu!! Se a polícia não tirasse ele, nós já tava era tudo morto!” (Cristal).

Violência física, psicológica e patrimonial:

“Ele queria, quer ficar com a casa, por causa de uma casa quer ser tutor dela, mas ela não recebe dinheiro, não recebe pensão, recebeu seis meses e foi cortado. E ele, o que fazia? Batia em mim, batia nela, batia no pai. Era chute. Vixe, quantas vezes eu apanhei dele. Chutava tudo, polícia toda semana!!” (Maria das Dores).

“Eu não entendo o porquê, ela tava bem, ela tava trabalhando, por que que tiraram a casa dela? Por que que fizeram parar de tomar o remédio pra ela voltar pra rua, pra ela virar mendinga? Por que que comeram o dinheiro dela? Se não tava cuidando dela, por que que foram mexer no dinheiro dela? Deixasse lá o dinheiro dela. Se o governo comesse, que comesse. O filho dela não veio procurar ela? Esse dinheiro deveria tá lá, pra ele recorrer, pegar esse dinheiro de volta e comprar uma casinha pra ela. Agora não, não tem mais esse dinheiro. Os irmão dela comeu o dinheiro dela, deu fim nas casas dela, deu fim na filhinha dela. Agora porque ela tá na situação que ela tá eles ficam jogando ela no lixo? Não admito! Não admito isso!” (Cleonice – Elisa).

“O juiz não tá com ela 48 horas! A defensora pública não tá com ela 48 hora! Ela na mente da gente pedindo pra vê a filha, que eu quero vê a minha filha. Ela vê os outro na rua com criança, ela vai pra cima, o povo acha que ela vai atacar, ela não vai atacar, ela só quer ver, aí ela olha, ah não, essa não é a minha. Eles não sabe o que é todo dia você ouvir de uma pessoa a mesma coisa, a pessoa dormindo acorda gritando que tá ouvindo a nenê chorar, a pessoa não sabe o que significa isso. Eles nunca passaram por isso!” (Cleonice - Elisa).

Existência na condição de vítima de violência em situação de rua

Relatos nos quais foram evidenciadas vivências de violência em situação de rua, em que pessoas com demandas de saúde mental estavam em condição de vítimas:

“Porque ela já tem trauma. Ela tem bastante trauma. Ela sofreu muito na rua. Os outros jogava água nela, xingava ela. Se você fala em polícia ou se você fala em ir no Hospital, ela tem bastante trauma (…). Ela tinha casa, e os irmãos dela tirou tudo isso dela, vendeu a casa dela, ela conseguiu um barraco, vendeu. O benefício dela a gente não sabe quem tirava. Ela morava na rua. E, o ano passado, nasceu uma menina e deixou ela mais louca ainda. E tiraram a menina dela” (Cleonice-Elisa).

“Também depois parece que alguém estuprou ela debaixo do pontilhão. Então são muitas dores juntas. Mas aí eu não posso precisar o que é verdade e o que não é. Existia a mania de perseguição, então...” (Socorro – Linda).

Benzer Belgeler