4.1. Ergenlerin Besin Seçimi Belirleyicilerine İlişkin Nitel Analizler
4.1.4. Yeme Alışkanlıkları
4.1.4.2. Yeme Sıklığı
Pablo GENTILI (1998) é mais um autor que se interessa pela discussão aqui levantada. Sua tese é de que as reviravoltas do “mundo produtivo”, a nova etapa da acumulação capitalista atingem em cheio a função da escola, no sentido de que agora ela não mais formaria para o emprego, mas para o desemprego. Para GENTILI,
“na atual conjuntura do desenvolvimento capitalista tem se produzido um deslocamento da ênfase na função da escola como âmbito de formação para o emprego (promessa que justificou, em parte, a expansão dos sistemas educacionais durante o século XX) para uma nem sempre declarada ênfase no papel que a mesma deve desempenhar na formação para o desemprego.” (GENTILI, 1998: 78).
GENTILI é mais um autor para quem o problema atual da educação refere-se a uma transição entre dois momentos distintos: um, em que havia uma situação de expansão capitalista, à qual correspondia uma situação igualmente favorável no campo da educação; e outro, o período de crise, em que há uma profunda inversão dos indicadores econômicos, o que atinge a “prosperidade” da educação. Esses dois momentos correspondem em GENTILI, respectivamente, ao momento de afirmação da promessa integradora, digamos assim, e ao momento da desintegração da promessa integradora.
O caráter integrador da escola se apresenta em quatro sentidos: o da esfera civil, da política, da integração social e das relações econômicas sendo que, no entendimento de GENTILI, de um ponto de vista cronológico, “a natureza integradora da escola na dimensão econômica foi a última a ser destacada.” (GENTILI, 1998: 79). A tal promessa integradora, segundo GENTILI, é parte do imaginário do liberalismo e conheceu seu apogeu no Pós-Segunda Guerra entre 1950 e 1973.
Foi então a crise que se abateu sobre a economia capitalista em nível mundial que realizou a desintegração da promessa integradora. A ruptura com as condições econômicas outrora existentes de altas taxas de crescimento, de planejamento econômico, de quase pleno emprego - muito embora isto tenha composto um quadro de
realidade circunscrito aos países desenvolvidos - foi essa ruptura que operou a desintegração daquela promessa.
Para GENTILI, foi naquele período de expansão que se estabeleceu com força o caráter integrador da escolaridade do ponto de vista econômico. Por um lado, a realidade do pleno emprego apoiava-se em três condições: a forte presença do Estado de bem-estar no planejamento, administração e modernização econômica; no fabuloso desenvolvimento tecnológico; e no aumento dos índices de escolaridade da população.
Por outro lado, a educação era necessária tanto para o mercado de trabalho, na medida da qualificação de mão-de-obra; quanto para o Estado, como gerenciador do desenvolvimento; para as empresas, que precisavam da mão-de-obra qualificada; conseqüentemente para as próprias instituições escolares, sindicatos e indivíduos em geral na medida em que a educação significava melhorar as condições de vida e trabalho.
Foi neste período de 1950 a 1973 que se deu, real e efetivamente, a prosperidade da educação, “Nesse contexto, a desconfiança sobre o caráter integrador da escola pareceria, no mínimo, uma excentricidade intelectual.” (GENTILI, 1998: 85).
A partir de 1973, terá início uma nova fase do desenvolvimento capitalista, marcado por altas taxas de inflação acompanhadas por queda dos índices de crescimento (estagflação), e crescimento do desemprego, como elemento constituidor dessa nova fase de desenvolvimento. Conseqüentemente, para GENTILI,
“A desintegração da promessa integradora da escolaridade no campo econômico deve ser entendida, em parte, como produto dessa dinâmica que começou a regular o desenvolvimento da economia-mundo capitalista nas décadas que antecederam a virada do Breve Século XX.” (GENTILI, 1998: 89).
Desse modo, a educação, que se desenvolvia em função de uma conjuntura econômica e social bastante ampla, cujos interesses situavam-se na esfera do público, sofria sua guinada na direção do privado: “Nesse marco neoliberal produziu-se a citada privatização da função econômica atribuída à escola, uma das dimensões centrais que definem a própria desintegração do direito à educação.” (GENTILI, 1998: 89).
O aspecto central da reviravolta ocorrida na educação, no entendimento de GENTILI, foi a “privatização da promessa integradora”, que consiste na passagem da
“lógica da integração em função de necessidades e demandas de caráter coletivo (a economia nacional, a competitividade das empresas, a riqueza social, etc.), a uma lógica econômica estritamente privada e guiada pela ênfase nas capacidades e competências que cada pessoa deve adquirir no mercado educacional para atingir uma melhor posição no mercado de trabalho.” (GENTILI, 1998: 81).
Desta feita, a educação se organizará em face de um novo conceito, o da “empregabilidade”, num contexto em que o mercado de trabalho afunilado se apresenta como uma esfera que se autoregula, ou simplesmente se desregula, em oposição ao período em que planejamento e regulação eram tarefa do Estado; e, portanto, não há mais qualquer preocupação com demandas ou interesses públicos. Está, pois, na esfera privada o desenvolvimento das capacidades e competências e a aptidão para a competitividade, para a disputa de um posto de trabalho: formação flexível para uma produção flexível e volátil.
No artigo que publicara em Pedagogia da exclusão, GENTILI analisa o mesmo processo destacando outros elementos, como a ofensiva neoliberal nos planos ideológico e cultural.
“Vamos sustentar que a ofensiva neoliberal contra a escola pública se veicula através de um conjunto medianamente regular e estável de medidas políticas de caráter dualizante e, ao mesmo tempo, através de uma série de estratégias culturais dirigidas a quebrar a lógica do sentido sobre o qual esta escola (ou projeto de escola) adquire legibilidade para as maiorias. Nossa hipótese é a de que os regimes neoliberais atribuem a esta última dimensão mais ênfase do que - em geral - se reconhece nas análises críticas. Isto é, o neoliberalismo só consegue impor suas políticas antidemocráticas na medida em que consegue desintegrar culturalmente a possibilidade mesma de existência do direito à educação (como direito social) e de um aparato institucional que tenda a garantir a concretização de tal direito: a escola pública.” (GENTILI, 1995: 229- 230).
A tentativa de GENTILI é justamente de chamar a atenção para o fato de que o neoliberalismo não é um processo apenas econômico e político mas, acima de tudo, uma ofensiva de caráter abrangente que, para lograr êxito na imposição das medidas austeras e anti-sociais precisa, antes de mais nada, de uma forte atuação nos campos ideológico e cultural. No entender do autor,
“o neoliberalismo expressa uma saída política, econômica, jurídica, e cultural específica para crise hegemônica que começa a atravessar a economia do mundo capitalista como produto do esgotamento do regime
de acumulação fordista iniciado a partir do fim dos anos 60 e começo dos 70.” (GENTILI, 1995: 230).