IRKA ÖZGÜ AYIRICI ÖZELLĠKLERĠ
1.7. Genetik Karakterizasyon ÇalıĢmaları
1.7.1. Sığır Karakterizasyon ÇalıĢmaları
Dando continuidade a essa linha de argumentação, Kymlicka e Norman (2000) propõem que os governos desenvolvam uma nova forma de lidar com a presença de imigrantes em seu território, o que chamam de integração multicultural. Neste caso, almeja-se a formação de uma nova identidade nacional e a integração das pessoas com
24 Não abordaremos todas essas críticas por achar que não cabe nesse espaço, mas elas se focam, em
geral, sobre a simplificação que os movimentos sociais fazem da identidade de uma pessoa, ignorando assim as múltiplas possibilidades de identificação (CRENSHAW, 1991). Outra crítica e sobre o foco de alguns autores na falta de reconhecimento cultural de algumas identidades, esquecendo-se que, na maior parte das vezes, é preciso pensar não apenas em políticas de reconhecimento, mas também em políticas redistributivas (FRASER, 2000).
25 Keynesiano porque a questão fundamental discutida, dentro da moldura do Estado de Bem Estar Social
era como distribuir os recursos, por meio de um estado que provesse serviços e possibilitasse a redistribuição de recursos entre determinados membros. Westphaliano porque o Estado Nação, nascido do tratado de Westphalia (1698), é o local fundamental onde esse debate ocorre.
diferentes históricos étnico-culturais às instituições sociais e políticas. No entanto, não se deseja eliminar todos os traços de diversidade cultural, e se aceita a ideia de que identidades sócio-culturais são importantes, vão perdurar no tempo e precisam ser reconhecidas e acomodadas às instituições sociais do país receptor. A nova identidade formada deve transcender toda sociedade, permitindo não só que os grupos minoritários se reconheçam nela, mas que o grupo majoritário perceba que outras culturas também a formam.
A maior parte das críticas em torno das políticas multiculturais, como a integração multicultural, teme que ela seja incapaz de formar um sentimento de pertencimento, de solidariedade entre os cidadãos, tão necessário para dar unidade às sociedades e possibilitar Estados de bem estar social. Afinal, se não há solidariedade entre os cidadãos, será impossível que os cidadãos consigam pactuar por um governo que distribuirá os recursos coletados em serviços estatais na área de saúde, educação e serviços sociais (KYMLICKA; BANTING, 2006).
De fato, o desafio colocado para os governos dispostos a implementar políticas multiculturais é conseguir estabelecer objetivos comuns à sociedade – o que é sim fundamental – ao mesmo tempo em que conseguem respeitar a diversidade, especialmente quando lidam com aqueles que não compartilham desses mesmos objetivos, dentro de um ambiente que consiga salvaguardar os direitos fundamentais (KYMLICKA; BANTING, 2006, TAYLOR, 1992). Contudo, não se trata de uma questão simples. Parekh (2006) considera que muitos teóricos multiculturalistas, como Taylor (1992) ignoram que estabelecer essas metas é muito mais conflituoso e difícil do que parece, especialmente porque se corre o risco de julgar as culturas minoritárias a partir dos critérios da cultura majoritária, dos seus níveis de excelência. A forma de conseguir integrar essa diversidade social mantendo a coesão social ainda é uma das principais discussões teóricas e, em épocas de crise econômica, volta à tona26, afetando substancialmente o desenvolvimento de políticas públicas para a promoção da diversidade.
2.2.1 Políticas Públicas Multiculturais
26 Esse foi o argumento utilizado pelo Primeiro Ministro Britânico, David Cameron, em um discurso
proferido em um encontro da União Européia, em 5 de fevereiro de 2011. Para ele, as políticas multiculturais tinham solapado a união da comunidade inglesa, e que o Reino Unido precisava de uma identidade nacional mais forte. Fonte: www.bbc.co.uk/news/uk-politics-12371994
Atualmente o fenômeno migratório é um dos que tem mais alimentado a discussão sobre multiculturalismo e políticas públicas multiculturais. O crescimento da população migrante e a crise econômica mundial têm fomentado políticas cada vez mais restritivas. Em alguns países, pode-se observar o retrocesso de muitas políticas multiculturais, que já estavam sendo implementadas, e que deixaram de ser por falta de apoio político e social.
Os imigrantes, em geral, buscam se integrar à sociedade que os recebe27, mas esse não é um processo fácil. Ele pode ser facilitado quando os governos estão abertos a negociação de alguns termos dessa integração. Durante muito tempo os imigrantes tentaram renegociar esses termos sem obter sucesso, e se viram obrigados a assimilarem a cultura majoritária. As políticas assimilacionistas eram vistas como necessárias para garantir que os imigrantes se tornassem membros leais e produtivos da sociedade receptora (KYMLICKA, 2002).
Pode-se observar em alguns países abertura a termos mais justos de integração, especialmente para os imigrantes documentados28. Mesmo no caso dos imigrantes indocumentados29, em que o processo de integração é muito mais difícil, muitos países perceberam que políticas baseadas no retorno são irrealistas. Independente da forma como um imigrante entrou no país e das suas intenções iniciais, após certo período vivendo no país receptor, isso não faz diferença: para efeitos práticos, o país receptor é seu lar, e eles são de fato membros da sociedade e precisam alcançar algum tipo de integração (KYMLICKA, 2002).
27 Isso não quer dizer que esses imigrantes estão dispostos a abdicar de sua nacionalidade original. Muitas
pesquisas mostram que em geral eles querem conservar essa nacionalidade, e em muitos casos pretendem voltar a seus países no longo prazo. No entanto, eles não querem se isolar da sociedade receptora, não podendo usufruir de seus serviços. Em geral, a primeira geração de imigrantes convive mais dentro da comunidade étnica, mas freqüenta espaços públicos e quer que seus filhos – a segunda geração – se integre à nova sociedade (KYMLICKA, 2002).
28
Para os imigrantes indocumentados o processo de integração ainda é muito mais difícil, e em alguns casos não existem políticas voltadas para sua integração. Pelo contrário, as políticas se configuram de forma a forçar o retorno desses imigrantes, seja por deportação, seja negando direitos de cidadãos, seja reforçando mensagens sobre a necessidade de se retirarem. Itália, Alemanha e Suíça são exemplos de países com políticas nesse sentido, mas ultimamente muitos outros países do mundo têm adotado algumas medidas como estas, inclusive países tradicionalmente receptores de imigrantes como é o caso de alguns estados americanos.
29
Kymilcka utiliza a palavra Metics para falar sobre os imigrantes indocumentados. Criada por Walzer (1983) a palavra Metics identifica os imigrantes que, apesar de residirem há muito tempo em dada sociedade, são excluídos da pólis, ou seja, não têm acesso a seus direitos civis e políticos. Nesses casos, corre-se o risco de que sobrevivam à margem da sociedade, configurando uma espécie de subclasse étnica (KYMLICKA e NORMAN, 2000: 23).
Essa abertura se deu a partir do entendimento de que a integração é um processo difícil e demorado, e opera, em geral, de maneira intergeracional30. Os governos terão que tomar medidas31 nesta fase de transição para auxiliar os imigrantes nesse processo como, por exemplo, os serviços de tradução em postos de saúde, cortes e escolas. Além disso, os Estados receptores devem assegurar que as instituições em que os imigrantes se integrarão respeitem, reconheçam e possam acomodar a diversidade de identidades e práticas dos imigrantes.
De acordo com Kymlicka e Banting (2006), para que isso possa ser realizado, é necessário analisar as instituições sociais – escolas, leis, hospitais, cortes, mídia – para se compreender como suas regras ou símbolos podem trazer desvantagens aos imigrantes, formando barreiras de acesso e dificultado sua integração. Isso nos leva a duas questões, ambas inseridas no processo de implementação de políticas públicas: (1) as barreiras que podem existir ou procedimentos que dificultam a integração dos imigrantes na oferta de serviços públicos pela sociedade receptora; e (2) a forma de lidar com existência de diferenças na demanda dos serviços públicos – diferenças estas inerentes aos imigrantes - e a necessidade de políticas públicas que reconhecem essas diferenças e criem soluções para tornar esse processo de integração menos difícil. Discutiremos algumas dessas questões a seguir, no capítulo 3.
30 Em geral, o processo de integração tende a ocorrer na transição da primeira para a segunda geração de
imigrantes.
31 Essas medidas são em geral políticas que diferenciam. Mas seu objetivo final não é isolar esses grupos,
impedindo que se integrem à nova sociedade, mas facilitar o processo de integração. É importante fazer essa ressalva porque já houve casos, como na Alemanha, onde políticas de diferenciação tinham o objetivo de isolar a comunidade imigrante, no caso a comunidade Turca, visando sempre o seu retorno ao país de origem. Dessa forma, as crianças turcas tiveram que frequentar por muito tempo salas separadas das crianças alemãs, com professoras turcas. Por mais que tivessem a desculpa de políticas da diferença, que buscavam facilitar o aprendizado das crianças, elas tinham o objetivo de impedir sua integração à sociedade receptora (KYMLICKA, 2002).