3. MATERYAL VE YÖNTEM
3.2 Metod
3.2.2. Büro çalıĢması
3.2.2.1. Süt ve Besi Sığırı iĢletmelerinde enerji girdi parametrelerinin
De posse d6s consider6ções desenvolvid6s 6té o presente, p6ss6remos 6 discutir sobre o p6pel fund6ment6l d6 dimensão tempor6l, ou históric6, do processo de produção e reprodução dos diferentes p6drões esp6ci6is, já que est6 dimensão t6mbém import6 à compreensão d6s especificid6des que revel6m e tr6duzem 6s contr6dições inerentes à existênci6 hum6n6, sobretudo em su6 f6se 6tu6l, ch6m6d6 de socied6de modern6.
Aqui, dest6c6mos o p6pel fund6ment6l d6 cid6de, lócus d6 concentr6ção d6 produção em tod6s 6s su6s especific6ções (soci6l, polític6, econômic6, cultur6l), n6 produção e 6rticul6ção entre diferentes esc6l6s esp6ci6is e tempor6is. P6r6 f6zer 6v6nç6r noss6s discussões, 6dmitimos 6 íntim6 rel6ção entre esp6ço e tempo.
Segundo Giddens (1991), o din6mismo d6 modernid6de deriv6, sobretudo,
[...] d6 sep6r6ção do tempo e do esp6ço e de su6 recombin6ção em form6s que permitem o ‘zone6mento’ tempo-esp6ci6l previsto d6 vid6 soci6l; do ‘desenc6ixe’ dos sistem6s soci6is (um fenômeno intim6mente vincul6do 6os f6tores envolvidos n6 sep6r6ção tempo-esp6ço); e d6 ‘orden6ção e reorden6ção reflexiv6’ d6s rel6ções soci6is à luz d6s contínu6s entr6d6s (inputs) de conhecimento 6fet6ndo 6s 6ções de indivíduos e grupos. (p. 25).
Vimos 6nteriormente, com b6se em Soj6 (1993), o qu6nto 6 sep6r6ção entre tempo e esp6ço dificultou p6r6 o desenvolvimento de um6 Geogr6fi6 6p6rt6d6 de interesses individu6is de certos grupos soci6is. No ent6nto, Giddens trás à ton6 um6 questão cruci6l p6r6 o entendimento d6 produção d6 esc6l6 geográfic6 e que nos permite f6zer 6s conexões necessári6s p6r6 6 compreensão sobre 6 produção e 6rticul6ção esc6l6r em diferentes níveis, 6 concepção de síntese de múltipl6s esc6l6s e o p6pel 6tribuído 6o esp6ço urb6no neste processo.
Assim, tempo e esp6ço se fundem n6 produção d6 esc6l6 d6s rel6ções soci6is cotidi6n6s. M6s não é só isso. T6mbém 6 produção d6 esc6l6 do com6ndo e do controle c6d6 vez m6is glob6liz6dos deve ser 6greg6d6 à est6 noção fund6ment6l de produção d6 esc6l6 no loc6l. E 6 cid6de é o lócus que congreg6 todo este conjunto. N6 cid6de podemos verific6r o poder e o din6mismo do processo de tot6liz6ção, t6l como exposto por Milton S6ntos, e o p6pel exercido pelo tempo e pelo esp6ço nest6 construção tot6liz6dor6.
Lefebvre (2001), 6o tr6t6r sobre 6s vincul6ções entre os processos de urb6niz6ção e industri6liz6ção, e 6 lut6 de cl6sses p6r6 com6nd6r polític6 e ideologic6mente este processo, lembr6 que “6 vid6 urb6n6 pressupõe encontros, confrontos d6s diferenç6s, conhecimentos e reconhecimentos recíprocos (inclusive no confronto ideológico e político) dos modos de viver, dos ‘p6drões’ que coexistem n6 Cid6de”. (p. 15).
Disso, depreende-se que o “6ss6lto” d6 cid6de pelo processo de industri6liz6ção não deve ser enc6r6do como um processo n6tur6l, sem intenções e vont6des individu6is ou de grupos inteiros. P6r6 Lefebvre (2001), num t6l processo,
Intervêm 6tiv6mente, volunt6ri6mente, cl6sses ou fr6ções de cl6sses dirigentes, que possuem o c6pit6l (os meios de produção) e que ger6m não 6pen6s o emprego econômico do c6pit6l e os investimentos produtivos, como t6mbém 6 socied6de inteir6, com um6 p6rte d6s riquez6s produzid6s n6 ‘cultur6’, n6 6rte, no conhecimento, n6 ideologi6. Ao l6do, ou 6ntes, di6nte dos grupos soci6is domin6ntes (cl6sses ou fr6ções de cl6sses), existe 6 cl6sse operári6: o prolet6ri6do, ele mesmo dividido em c6m6d6s, em grupos p6rci6is, em tendênci6s divers6s, segundo os r6mos d6 indústri6, 6s tr6dições loc6is e n6cion6is. (p. 14).
T6lvez por isso tenh6mos nos dep6r6do com t6nt6s dificuld6des dur6nte o tr6b6lho de c6mpo – et6p6 cruci6l p6r6 o desenvolvimento de um tr6b6lho 6c6dêmico como este que vimos desenvolvendo – no sentido de obter inform6ções junto 6os industri6is de Ci6norte. Isto é 6ssim um6 vez que n6 6tu6lid6de, 6 inform6ção pode constituir-se em instrumento de domin6ção ou libert6ção, de exclusão ou de inclusão, pode g6r6ntir 6 coesão ou 6 dispersão no interior de um d6do grupo soci6l. Acredit6mos que est6 questão pode ser pens6d6 sob o viés dos encontros/confrontos inerentes 6os interesses individu6is e coletivos que m6rc6m 6 vid6 soci6l n6 cid6de.
De qu6lquer m6neir6, v6le dest6c6r 6 importânci6 d6 noção de divisão do tr6b6lho neste contexto, pois 6 cid6de modern6 congreg6 um6 p6rte subst6nci6l d6s rel6ções de poder que com6nd6m 6 divisão do tr6b6lho n6s socied6des 6tu6is. Mesmo qu6ndo se verific6 um processo de desconcentr6ção industri6l em gr6ndes metrópoles, é princip6lmente n6s metrópoles que fic6m os centros de com6ndo dos mec6nismos de produção, isto é, os escritórios d6s empres6s que, em últim6 medid6, com6nd6m o processo de divisão do tr6b6lho n6cion6l.
Aqui, deve ser dest6c6d6 um6 outr6 questão fund6ment6l referente à m6neir6 como ocorre 6 rel6ção entre determin6dos ritmos de tempo, isto é, d6s diferentes produções esc6l6res, e determin6d6s extensões e/ou distribuições no esp6ço, ou sej6, de 6cordo com 6s diferentes esc6l6s geográfic6s. Neste sentido, p6rtimos d6 concepção de que 6 construção do tempo e do esp6ço ocorre coletiv6mente, 6tr6vés d6 disput6 de poderes entre indivíduos e grupos de indivíduos, no contexto de um6 determin6d6 re6lid6de soci6l, num determin6do período e esp6ço d6do.
Vimos que o processo de produção e 6rticul6ção entre 6s diferentes esc6l6s esp6ci6is, deve ser pens6do com b6se n6 6tivid6de soci6l. C6be lembr6r que 6 problemátic6 d6
divisão soci6l e territori6l do tr6b6lho constitui um6 d6s princip6is dimensões d6 6tivid6de soci6l, um6 vez que determin6 su6 m6nutenção e 6 produção d6s condições p6r6 su6 reprodução.
Assim, t6mbém qu6ndo consider6mos 6 produção e 6rticul6ção entre diferentes esc6l6s geográfic6s 6s rel6ções entre tempo e esp6ço constituem um6 questão que se 6present6 em relevo. Isto porque, 6 produção d6 esc6l6 geográfic6 se dá 6tr6vés d6s 6tivid6des individu6is e coletiv6s, que ocorrem, num6 socied6de inserid6 em um tempo e esp6ço determin6dos. Cl6ro é que est6s rel6ções não ocorrem, de m6neir6 nenhum6, p6cific6mente, um6 vez que envolve interesses t6nto individu6is como coletivos.
Smith (2000), 6o tent6r org6niz6r um pens6mento m6is coerente sobre 6 6nálise d6 diferenç6 esp6ci6l, 6tr6vés do est6belecimento de 6lgum6s esc6l6s esp6ci6is, ress6lt6 que o esp6ço urb6no represent6 6 esfer6 diári6 do merc6do de tr6b6lho. P6r6 ele, 6 cid6de envolve 6 centr6liz6ção m6is el6bor6d6 dos recursos soci6is e de c6pit6l devot6dos à produção, 6o consumo e à 6dministr6ção soci6is.
S6be-se que o urb6no estrutur6-se sobre um6 divisão conforme diferentes 6tivid6des e funções. No ent6nto, no c6so d6s cid6des n6 6tu6lid6de, um 6specto recorrente nos estudos do esp6ço urb6no, refere-se 6os diferentes usos d6 terr6 e su6 6loc6ção 6 diferentes esp6ços, sendo t6l processo medi6do pelo merc6do imobiliário, 6tr6vés de seu próprio sistem6 de 6luguéis. C6be 6 t6l processo 6 respons6bilid6de sobre 6 diferenci6ção esp6ci6l intern6 à cid6de.
Neste contexto, Smith (2000) 6n6lis6 que, no interior do esp6ço urb6no, 6 estrutur6 de 6luguéis, 6 polític6 do governo e 6s instituições fin6nceir6s priv6d6s cri6m um6 diferenci6ção do esp6ço residenci6l, em l6rg6 medid6, m6s não exclusiv6mente, por cl6sse e r6ç6, um6 diferenci6ção estrutur6l que é cultur6lmente tr6nsform6d6 num “mos6ico de encl6ves”.
P6r6 ele,
A distinção esp6ci6l m6is definitiv6 n6 cid6de c6pit6list6 6v6nç6d6 implicou 6 sep6r6ção do tr6b6lho d6 c6s6, precipit6ndo um6 geogr6fi6 urb6n6 m6rc6d6 pelo gênero, m6s com o surgimento do enobrecimento e d6 integr6ção dos subúrbios em déc6d6s recentes, junto com o ressurgimento do tr6b6lho em c6s6 e d6 porcent6gem crescente de mulheres que tr6b6lh6m for6 de c6s6”. (SMITH, 2000: p. 150-51).
Sobre este 6specto, Lefebvre (2001) escl6rece que estes processos reforç6m 6 intensid6de d6 vid6 urb6n6, e 6 própri6 cid6de, um6 vez que est6 p6ss6 6 congreg6r esp6ços diferentes e 6propri6dos p6r6 diferentes funções. P6r6 ele, 6 cid6de contemporâne6 constitui
produto de consumo de um6 6lt6 qu6lid6de p6r6 indivíduos e grupos de cl6sses soci6lmente diferenci6dos. Assim, 6 cid6de
sobrevive gr6ç6s 6 este duplo p6pel: lug6r de consumo e consumo do lug6r. [...], os 6ntigos centros entr6m de modo m6is completo n6 troc6 e no v6lor de troc6, não sem continu6r 6 ser v6lor de uso em r6zão dos esp6ços oferecidos p6r6 6tivid6des específic6s. Torn6m-se centros de consumo. (p. 12).
No ent6nto, o que se observ6 hoje é que o v6lor de troc6 prev6lece sobre o v6lor de uso. Com o crescimento notável de 6lgum6s cid6des – em detrimento d6 tot6l est6gn6ção de outr6s – refletindo o processo de centr6liz6ção do c6pit6l e o desenvolvimento e dispersão dos meios de tr6nsporte que permitem um6 crescente mobilid6de geográfic6, 6 cid6de p6ss6 6 ser o centro do “poder”.
Not6mos cl6r6mente 6 importânci6 d6 dimensão esp6ci6l neste conjunto de 6cepções. No ent6nto, um6 6nálise que não leve em cont6 o 6specto tempor6l dos processos estud6dos, corre o risco de c6ir em desuso, um6 vez que sep6r6 o esp6ço d6 dinâmic6 que lhe é inerente.
Dest6 form6, segundo H6esb6ert (2002: p. 110-111), temos que,
[...] mesmo 6s esc6l6s m6is ger6is do esp6ço e tempo, inserid6s num6 dimensão freqüentemente denomin6d6 de estrutur6l, 6brig6 sempre, em diferentes níveis de inter6ção, 6s esc6l6s loc6is de esp6ço e tempo (‘lug6res’ e 6contecimentos’), sem 6s qu6is 6quel6s não existiri6m.
Então, como nem todo f6to histórico corresponde 6 um6 esc6l6 territori6l explicit6mente determin6d6, não se pode impor 6 idéi6 de que 6o tempo breve correspond6 um6 re6lid6de restrit6 6o esp6ço loc6l e, vice-vers6, o esp6ço loc6l não constitui, necess6ri6mente, um território onde 6s mud6nç6s ocorrem muito r6pid6mente.
Tendo em mente, com b6se em Giddens (1991) 6 rel6ção existente entre o “lug6r” e 6 loc6lid6de, ress6lt6-se que o 6dvento d6 modernid6de,
[...] 6rr6nc6 crescentemente o esp6ço do tempo foment6ndo rel6ções entre outros ‘6usentes’, loc6lmente dist6ntes de qu6lquer situ6ção d6d6 ou inter6ção f6ce 6 f6ce. Em condições de modernid6de, o lug6r se torn6 c6d6 vez m6is ‘f6nt6sm6górico’: isto é, os loc6is são complet6mente penetr6dos e mold6dos em termos de influênci6s soci6is bem dist6ntes deles. (p.27).
Isto signific6 dizer, por um l6do, que 6quilo que estrutur6 o loc6l não é somente o que está presente n6 form6 como este se 6present6, pois est6 form6 visível ocult6 6s rel6ções m6ntid6s com outr6s esc6l6s, e que determin6m su6 n6turez6. Por outro l6do, é just6mente porque o loc6l t6mbém é soci6l e dinâmico, e c6p6z de responder 6os estímulos vindos “de for6”, que este possui certo sentido de glob6l. (MASSEY, 2000).
De qu6lquer m6neir6, o que se verific6 6tu6lmente, é que com o desenvolvimento científico e, sobretudo, tecnológico, p6ss6mos por um período ch6m6do de compressão do tempo-esp6ço, em que, com 6 velocid6de do nosso tempo, o esp6ço loc6l p6ssou 6 condens6r em si c6r6cterístic6s de todo o mundo, sendo que 6s áre6s urb6n6s d6s gr6ndes cid6des constituem os loc6is privilegi6dos em rel6ção à multiplicid6de de tempos e velocid6des que represent6m tod6 6 diversid6de de ritmos n6s tr6nsform6ções no nível mundi6l (HAESBAERT, 2002: p. 111).
P6r6 M6ssey (2000), 6 compressão de tempo-esp6ço precis6 de diferenci6ção soci6l. P6r6 el6, não se tr6t6 6pen6s de um6 questão mor6l ou polític6 que envolve desigu6ld6de, m6s t6mbém de um6 questão conceitu6l. E v6i 6lém, 6o 6dmitir que por trás deste movimento está um processo que ch6m6 de “geometri6 do poder” d6 compressão de tempo-esp6ço, um6 vez que diferentes grupos soci6is e diferentes indivíduos posicion6m-se de m6neir6s distint6s em rel6ção à mobilid6de diferenci6d6 que m6rc6 6s socied6des 6tu6is.
P6r6 est6 mesm6 pesquis6dor6, 6lgum6s pesso6s ou grupos respons6biliz6m-se m6is do que outr6s pel6 mobilid6de. Enqu6nto 6lgum6s dão início 6os fluxos e movimentos, outr6s não, enqu6nto 6lgum6s fic6m m6is em su6 extremid6de receptor6, 6lgum6s são efetiv6mente 6prision6d6s por el6. Assim,
não se tr6t6 simplesmente de um6 questão de distribuição desigu6l, de que 6lgum6s pesso6s movimentem-se m6is do que outr6s e que 6lguns tenh6m m6is controle do que outros. Tr6t6-se do f6to de que 6 mobilid6de e controle de 6lguns grupos podem 6tiv6mente enfr6quecer outr6s pesso6s. A mobilid6de diferenci6l pode enfr6quecer 6 influênci6 dos já enfr6quecidos. A compressão de tempo-esp6ço de 6lguns grupos pode sol6p6r o poder de outros. (MASSEY, 2000: p. 1:0).
Aqui devemos dest6c6r 6 questão existente sobre o esp6ço urb6no, e o modo como se rel6cion6 com 6s tr6nsform6ções e 6 difusão de nov6s tecnologi6s, sobretudo 6quel6s que envolvem 6 comunic6ção e os tr6nsportes, sendo que 6mb6s lig6m-se profund6mente à 6celer6ção dos fluxos.
Nest6 perspectiv6, podemos 6bstr6ir que, d6 mesm6 m6neir6 como 6s nov6s tecnologi6s proporcion6m um6 m6ior fluidez e r6pidez n6 dispersão de nov6s tecnologi6s e
novos p6drões de org6niz6ção d6 produção, t6mbém 6 respost6 d6s forç6s contrári6s 6 est6 dispersão se dá em velocid6des c6d6 vez m6iores.
Ou sej6, 6 c6p6cid6de de org6niz6ção de grupos loc6is, quer sej6 p6r6 col6bor6r, quer sej6 p6r6 se opor às determin6ções vind6s de instituições superiores e muit6s vezes dist6ntes d6 re6lid6de soci6l loc6l, 6ument6 n6 mesm6 proporção em que t6is grupos ou indivíduos p6ss6m 6 utiliz6r os mesmos 6rtifícios utiliz6dos pelos outros grupos, os que com6nd6m 6s tr6nsform6ções. Podemos pens6r, 6ind6, que 6 eficáci6 de su6 6ção frente 6os grupos hegemônicos, que com6nd6m 6 vid6 soci6l, econômic6, polític6 e cultur6l glob6l, está just6mente em su6 c6p6cid6de de se 6dequ6r às nov6s form6s que se 6present6m e tr6nsform6m 6 re6lid6de 6 su6 volt6, utiliz6ndo-6s em benefício próprio ou do grupo do qu6l f6z p6rte.
Acredit6mos que est6 re6lid6de não deve ser pens6d6 únic6 e exclusiv6mente p6r6 o esp6ço urb6no d6s gr6ndes metrópoles, um6 vez que 6 dinâmic6 polític6, econômic6 e cultur6l glob6l influi sobre 6s tr6nsform6ções soci6is nos esp6ços loc6is.
Como exemplo de mec6nismo que pode ser pens6do no contexto d6 cri6ção e 6rticul6ção entre diferentes esc6l6s esp6ci6is, tomemos o c6so d6s telecomunic6ções, em que o componente esp6ci6l se 6present6 em relevo. Isto é 6ssim, à medid6 que el6s possuem o dom de percorrer e subjug6r todos os territórios e p6is6gens, lig6ndo esp6ços 6té então consider6dos isol6dos 6os lug6res que constituem os centros de excelênci6 em termos de modernid6de científic6 e tecnológic6, 6tr6vés dos fluxos que se est6belecem.
As telecomunic6ções e 6s tecnologi6s que 6s 6comp6nh6m constituem import6nte instrumento p6r6 6 institucion6liz6ção d6s tr6nsform6ções que 6fet6m diret6mente um6 d6d6 org6niz6ção soci6l loc6l, 6o mesmo tempo em que pode vir 6 ser import6nte instrumento n6 tr6nsform6ção de um6 d6d6 re6lid6de soci6l de 6cordo com 6s necessid6des loc6is. Este é um f6to b6st6nte recorrente no interior do esp6ço urb6no d6s cid6des.
Como exemplos deste processo, podemos lembr6r o surgimento de org6niz6ções não-govern6ment6is – que vis6m g6r6ntir os direitos de existênci6 e m6nutenção de grupos de excluídos, t6nto de seres hum6nos como do próprio meio 6mbiente; org6niz6ções loc6is, como 6s 6ssoci6ções de b6irro – que lut6m p6r6 g6r6ntir 6s condições de infr6-estrutur6 mínim6 p6r6 6 reprodução d6 comunid6de loc6l; 6 cri6ção de cooper6tiv6s de pequenos comerci6ntes loc6is – como 6ltern6tiv6 p6r6 f6zer frente à concorrênci6 dos gr6ndes supermerc6dos; ou 6ind6 6 org6niz6ção de um6 p6rcel6 de empresários de determin6do r6mo industri6l, 6tr6vés de sindic6tos cri6dos exclusiv6mente p6r6 defender su6s c6us6s junto 6o poder público e fort6lecer o grupo frente à concorrênci6 com outros loc6is. E tudo isso pode ser encontr6do n6 cid6de, contr6dição inerente 6o esp6ço urb6no.
D6 mesm6 m6neir6 que 6 difusão tecnológic6, t6mbém 6 velocid6de possui um6 dimensão esp6ci6l, já que 6 su6 própri6 percepção 6dmite cert6 descontinuid6de, que se 6present6 distribuíd6 esp6ci6lmente (GAETA, 1999).
P6r6 Giddens (1991, p. 15), 6s c6r6cterístic6s que nos permitem identific6r 6s descontinuid6des que sep6r6m 6s instituições modern6s d6s ordens soci6is tr6dicion6is, são: o ritmo das mudanças, que n6 modernid6de se 6cirr6m; o escopo da mudança, pois conforme diferentes áre6s do globo são post6s em interconexão, ond6s de tr6nsform6ção soci6l penetr6m 6tr6vés de virtu6lmente tod6 6 superfície d6 Terr6; a natureza intrínseca das instituições modernas, pois 6lgum6s form6s soci6is modern6s não se encontr6m em períodos históricos 6nteriores, como é o c6so d6s cid6des d6 6tu6lid6de e do din6mismo que 6s 6comp6nh6m.
M6nuel C6stells (1999) propõe 6 hipótese de que o esp6ço org6niz6 o tempo n6 socied6de em rede, pois “t6nto o esp6ço como o tempo estão sendo tr6nsform6dos sob o efeito combin6do do p6r6digm6 d6 tecnologi6 d6 inform6ção e d6s form6s e processos soci6is induzidos pelo processo 6tu6l de tr6nsform6ção históric6, [...]” (p. 403).
Isto nos lev6 6 6dmitir que, à 6celer6ção corresponde t6mbém um 6umento e 6celer6ção d6 difusão de determin6d6s form6s, conteúdos e processos que compõem o urb6no. Disso depreende-se que, d6 mesm6 m6neir6 como 6 velocid6de se impõe 6o estático, o glob6l se impõe 6o loc6l – não de m6neir6 p6cífic6 –, mesmo que isto, por enqu6nto, não constitu6 um6 regr6 homogêne6 por todo o globo. Isto ocorre, n6 medid6 em que 6lguns esp6ços, 6o mesmo tempo em que estão, de f6to, m6rgin6liz6dos em rel6ção 6 t6l lógic6 – é p6r6 confirm6r este f6to que vários 6utores se debruç6m sobre 6 problemátic6 do desenvolvimento desigu6l, su6s determin6ções e deriv6ções – encontr6m-se virtu6lmente integr6dos segundo 6 mesm6 lógic6 que 6comp6nh6 esse movimento6.
G6et6 (1999, p. 10:), 6o tr6t6r do esp6ço urb6no como difusão tecnológic6, 6n6lis6 que “um dos 6spectos import6ntes d6 tecnologi6 n6 su6 rel6ção com o urb6no é 6 cri6ção de pré-mold6dos e de form6s inteir6s prototípic6s. Isto revolucion6 6 construção d6s cid6des. Revolucion6, p6droniz6 e 6celer6”. O mesmo 6utor (p. 10:) 6dmite 6ind6 que 6 tecnologi6 t6mbém comport6 um6 questão de “6umento de esc6l6”, o que exige um6 m6ior 6bstr6ção, no sentido de “perd6 de det6lhes”.
Observ6mos que 6 questão d6 dispersão d6s form6s esp6ci6is tom6 p6r6 si um novo signific6do, em que o loc6l entr6 const6ntemente em um6 nov6 dinâmic6 tr6nsform6dor6 b6se6d6 n6 6celer6ção que o próprio desenvolvimento tecnológico tr6z. Assim,
6 P6r6 um6 6bord6gem m6is escl6recedor6 sobre 6lguns processos envolvidos n6 dinâmic6 que m6rc6 6s socied6des no
P6ss6 6 ser 6ceitável no esp6ço, e mesmo desejável, 6 descontinuid6de. A p6ss6gem 6brupt6 de referênci6s form6is no esp6ço, unid6s ou tromb6d6s pel6 velocid6de, f6z p6rte do cotidi6no. Dess6 m6neir6, 6s nov6s form6s [que se 6present6m no urb6no] não tem necessári6 continuid6de com o entorno. (GAETA, 1999: p. 110).
E est6 é um6 lógic6 que extr6pol6 6s determin6ções sobre 6s form6s urb6n6s, isto é, o construído, o estático. Influi t6mbém sobre seus conteúdos e 6s instituições – sobretudo polític6s e econômic6s – que 6comp6nh6m 6 inter-rel6ção form6/conteúdo. É neste contexto que 6 cid6de 6p6rece como um6 d6s princip6is esc6l6s geográfic6s, um6 vez que congreg6 6 lut6 de e entre diferentes grupos soci6is – mesmo qu6ndo 6lguns deles torn6m-se prisioneiros d6 cid6de, 6o p6sso que outros constroem su6 mobilid6de 6tr6vés do 6prision6mento esp6ci6l dos primeiros.
Então, podemos dizer que ess6s nov6s form6s (e su6s instituições) que 6comp6nh6m o processo de estrutur6ção/reestrutur6ção do esp6ço urb6no, t6mbém são cri6d6s tendo em vist6 este 6specto, qu6l sej6 6 problemátic6 que envolve 6 dissolução do tempo e d6s referênci6s 6o entorno.
Or6, se o loc6l deix6 de ser 6 referênci6, o que ocorre é um6 cert6 dissolução do esp6ço que lhe é imedi6to, de modo que o indivíduo p6ss6 6 enxerg6r certos equip6mentos como