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Süt ve Süt Ürünleri Endüstrisi Atıksuyu Arıtımında Membran Proseslerin

BÖLÜM II KURUMSAL BİLGİ

2.10 Süt ve Süt Ürünleri Endüstrisi Atıksuyu Arıtımında Membran Proseslerin

Num erosos autores são unânim es em definir lesã o ver tebr o-medu la r (LVM )

com o sendo um quadro c línico que, segundo a nat ureza e especificidades dos factores

etiológic os a ssoc iados, produz alterações m otoras, se nsitivas e neuro -ve getativas

(Desert, 1980; Krause, 2001; Staas et al., 1992).

A história da avaliação e tratam ento deste tipo de lesões, que é longa no tem po e

extensa nas dificuldades, percorreu um a série de etapa s que tornaram possíve l um

aum ento progressivo e qualitativam ente valorizável da sobrevida (Fine, 1980; Ke nnedy,

1991; Laskiwski & M orse, 1993).

A m ais a ntiga docum entação disponível sobre LVM foi encontrada no papiro

cirúrgico de Edwin Sm ith, que se julga ter sido escrito entre 3000 e 2500 a.C. (Kakulas,

1999). O seu autor parece ter sido o m édico do Faraó, que descreve um sujeito com

“fractura do pescoço que estava paralisado em todas as suas extremidades, cuja função excretória era caracterizada pelo gotejamento constante, e cujos músculos definhavam” (Freed, 1984, p. 667). A prescrição terapêutica era sim ple s e concisa - “doença que não deve ser tratada” (Elsberg, 1931, citado por Freed, 1984, p. 667). Ate ndendo a que o mecanismo e sintomatologia da lesão eram mal compreendidos, esta ‘forma de tratamento’ foi adoptada durante séculos. Histórico é também o episódio ocorrido com o alm irante inglês Lord Nelson, que, após ter sido atingido na m edula por um a bal a

disparada a partir de um navio francês, durante a Batalha de Trafalgar, terá dito ao

A Lesã o Ver tebr o-M edula r 97

desapareceu” (citado por Vikhanski, 2001, p. 7). Este respondeu – “Meu Senhor, infelizm ente para o país, não se pode fazer nada por si” (p. 7), tendo Lord Nelson sobrevivido apenas m ais três horas.

Em bora progre ssivam ente tenham acontecido alguns avanços na abordagem das

lesões m edulares, designadam ente no que concerne aos procedim entos cirúrgicos , só o

aparecim ento de um elevado núm ero de sujeitos com LVM , consequente às bata lhas

travadas durante a I Guerra M undial, despertou um ine vitá vel interesse m édico perante

este tipo de lesõe s. Segundo Kuhn (1947, citado por Freed, 1984), 80% dos soldados

am ericanos que foram afectados por este quadro traum ático durante a prim eira Grande

Guerra m orreram antes de terem sido evacuados e, dos que o foram , apenas 10%

continuavam vivos decorrido um ano após a le são. A m aioria dos óbitos entre os

pacientes com LVM que sobreviviam à fase inicial eram provocados por patologia das

vias urinárias e por úlceras de decúbito, com plicações e stas que hoje são facilm ente

prevenida s ou controladas.

Com a II Guerra M undia l, tendo a tecnologia belic ista atingido um desa stroso

nível de destruição, verificou-se um ainda m aior acréscim o de LVM , levando ao

aparecim ento dum a consciência social crítica, defensora dos valores da condição

hum ana, que exigia um a m elhoria im ediata das condições assistencia is (Pinhe iro, 1994;

Seidel, 1982).

Desde entã o, a esperança m édia de vida dos sujeitos traum atizados vertebro -

-m edulares aum entou significa tivam ente (G ibson, 1992), facto para o qual m uito

contribuíram os trabalhos pioneiros de D. M unro nos Estados U nidos e de L. Guttm an

98 Sexua lida de M a sculina P ós -Lesã o Ver tebr o-M edula r

Alem anha Nazi, deixou claro que os m ecanism os lesionais produzem um a destruição do

tecido nervoso m edular, bem com o alterações vasculares na área afectada, tendo ainda

defendido que a evolução clínica deste quadro atravessa várias fases, com m anifestações

sintom atológicas diferenciada s, que exigem procedim entos terapê utic os específicos

(Guttm an, 1976). Os ensinam entos transm itidos por M unro e Guttm an aos profissiona is

de saúde contribuíram em larga escala para a elim inação de atitude s derrotista s, dando

lugar ao aparecim ento de program as de reabilitação activos e dinâm ic os.

Ao debruçarm o-nos sobre o conceito de L VM , im porta referir que este pode

assum ir diferentes especific idades, consoante o nível e a extensão da lesã o.

Genericam ente, um a lesão m edular ao nível cervical, originará um a tetr a ple gia,

ou seja, um a paralisia dos m em bros superiores, inferiores e tronco, enquanto um a lesão

nos segm entos dorsa is, lom bares ou sa grados será responsá v el por um quadro de

pa r a pleg ia, m anifesta atra vés da paralisia dos m em bros inferiores e de todo ou um a

parte do tronco (Freed, 1984).

Quanto à extensão da lesão, pode ocorrer um a secção m edular completa, havendo

um a paralisia e anestesia totais abaixo do n ível lesiona l, ou inc omp leta, provocando

um a parésia m ais ou m enos acentuada e problem as de se nsibilidade m ais ou m enos

evidentes.

Tendo em conta o nível da lesão, fala -se entã o em pa r a ple gia /tetr a p legia aquando

de lesõe s com ple tas, e de p a r a pa r é sia /tetr a p a r ésia a quando de lesões incom pletas.

A Lesã o Ver tebr o-M edula r 99

desencorajada, um a vez que descrevem as lesõe s incom pletas de um a form a im precisa

(M aynard et al., 1997).

Preocupada em hom ogeneizar a term inologia usada na avaliação das LVM , a

Amer ica n Sp ina l Injur y Associa tion (ASIA) dese nvolveu em 1982 a prim eira edição dos

Inter n a tiona l Sta nda r ds fo r Neur ologica l a nd F u nctiona l C la ssifica tion of Sp ina l C o r d Injur y, a qual tem sido alvo de sucessiva s actualizações, tendo a m ais recente ocorrido

em 1996.

De acordo com os responsáveis pela publicação desta últim a revisã o (M aynard et

al., 1997), as L VM continuam a ser divididas, de acordo com as suas características, em

tetraplegia/paraplegia e com pleta /inc om pleta, respectivam ente no que concerne ao nível

e extensão le sionais, acrescentando, no entanto, um a m aior precisão nos critérios

classificativos.

Deste m odo, a te traplegia é definida com o a perda ou dim inuição da função

m otora e/ou sensorial nos segm entos cervicais da espinal m edula, causada pela

destruição de elem entos neura is de ntro do canal m edular, resulta ndo num a alteração da

função nos m em bros superiores e inferiores, bem com o no tronco e órgãos pélvicos.

Segundo Freed (1984), é raro que um sujeito sobreviva a um a le são situada acim a do

quarto segm ento cervical, pois ocorrem dificuldades respiratórias significativas.

Por sua vez, a paraplegia é definida com o a perda ou dim inuição da função m otora

e/ou sensorial nos segm entos torácicos, lom bares ou sagrados da m edula espinal, em

virtude da destruição de elem entos neurais no interior do canal m edular. Na paraplegia a

100 Sexua lida de M a sculina P ós -Lesã o Ver tebr o-M edula r

o tronco, os m em bros inferiores e os órgãos pé lvic os podem e star funcionalm ente

com prom etidos.

O exam e neurológico constitui o procedim ento indispensáve l à avaliação da

LVM , possibilitando determ inar o n ível neu r o lóg ico – segmento mais caudal da medula

espina l em que a função sensorial e m otora se encontram m antidas de am bos os lados.

No entanto, tendo em conta a possibilidade da não c oinc idência entre o nível

sensorial e o níve l m otor, bem com o a de eventuais diferenças entre a m etade dire ita e

esquerda do corpo, im põe-se ainda a necessidade de realizar um teste de sensibilidade s e

um teste m uscular. O exam e sensorial é realizado em cada um dos 28 derm átom os

existe ntes em cada la do do c orpo, a través da sensibilidade ao toque ligeiro e à

com pressão com um alfinete, varia ndo num a escala de três pontos – ausência, alteração, ou sensibilidade norm al. Do m esm o m odo, o exam e m otor é efectuado num ponto chave

de cada um dos 10 m iótom os de cada m etade corporal, sendo a força m uscular

classificada num a escala de se is pontos, que varia entre a paralisia total e o m o vim ento

activo norm al (M aynard et al., 1997).

Para além da correcta determ inação do nível da le são, este conjunto de testes

perm ite ainda classificar a LVM com o com ple ta ou inc om pleta. Um a lesão m edular é

definida com o com ple ta, quando existe ausência de f unção m otora e sensorial no

segm ento m edular sa grado m ais baixo, se ndo incom pleta quando existe preservação de

funções m otoras e /ou sensoriais aba ixo do nível ne urológico lesiona l, inc luindo o

A Lesã o Ver tebr o-M edula r 101

A avaliação da com pletude ou incom ple tude da lesão reve la-se por vezes difíc il de

objectivar, existindo m esm o relatos sobre sujeitos cujo exam e neurológic o indicou um a

total perda da sensibilida de e das funções m otoras voluntárias aba ixo do nível da lesão,

nas quais, no entanto, ocorria transm issão electrofisiológica através do foc o da lesão

(Dim itrijevic, 1988). Segundo Kakulas (1999), a descoberta de que um grande núm ero

de doente s revela algum a continuidade da substância branca da espinal m edula reforça a

necessida de de proteger a m edula perante um a nova lesã o e aum enta a expectativa de se

conseguir pote ncializar as respostas das fibras nervosa s residua is, através de técnicas

interventivas que se encontram a ser investiga das actualm ente.

No âm bito da s lesões incom pletas, são referenciados c in co sín dr o mes clín icos

(M aynard et a l., 1997) – sínd r ome do centr o medula r, quando a lesão ocorre quase exclusivam ente na região cervical, provocando um déficit sensoria l e um a dim inuição

da força m uscular, que é m ais evidente nos m em bros superiores; sín dr o me de

Br own-Sé qua r d, resultante de um a hem isecção da m edula, responsável por um a perda

m otora e proprioceptiva hom olateral bem com o da se nsibilidade à dor e à tem peratura,

contralateral; sín dr o me medula r a n ter ior, quando a lesão afecta a área anterior da

m edula, acarretando um a perda variável da func ionalidade m otora e da sensibilida de à

dor e à tem peratura, m ante ndo-se preservada a propriocepção; síndr ome d o cone

medula r, característic o das lesões da regiã o sagrada e das raízes nervosas lom bares que

se encontram no interior do canal m edular, resulta ndo habitua lm ente em perda dos

reflexos nos m em bros inferiores, bexiga e intestinos; e sínd r ome da ca u da equ ina,

quando envolve um a lesão nas raíze s nervosas lom bo -sagradas, de ntro do cana l neural,

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sínd r ome med ula r poster ior, que é raro, caracterizando-se por um envolvim ento

lesional da área posterior, havendo preservação sensorial e m otora m as alterações na

propriocepção (Hayes, Hsieh, W olfe, Potter & Delaney, 2000).

Em bora a term inologia proposta pe la ASIA seja aquela que é m ais utilizada

internacionalm ente (Kirshblum , Groah, M cKinley, G ittler & Stiens, 2002), quer na

avaliação clínica quer em trabalhos de inve stigação, im porta referir que no longínquo

ano de 1969, Frankel e os seus colaboradores propuseram precisam ente a F r a nkel Sca le,

distinguindo os critérios de dia gnóstico de le são com ple ta e incom pleta e descrevendo

qualitativam ente os graus de funcionalidade pa ssíveis de se m anifestarem nesta últim a

condição.

Posteriorm ente, a própria ASIA, reconhecendo a validade do sistem a

classificativo proposto por Frankel, e atendendo a que este continuou a constituir um

instrum ento de trabalho em m últiplas unida des de reabilitação de sujeitos com L VM ,

introduziu-lhe m odificaçõe s, de form a a torná -lo m ais objectivo, passa ndo a designar-se

por Asia Impa ir men t Sca le (M aynard et al., 1997).

A term inar, saliente-se ainda que, de acordo com Duche sne e M ussen (1976), as

LVM podem a inda ser classificadas em flá c ida s e espá stica s. Geralm ente, na fase

inicia l da lesão, quer as tetraple gias quer as paraplegias sã o caracterizadas por um a

flacidez m uscular, acom panhada por abolição dos reflexos. Após várias sem anas,

algum as destas lesõe s tornam -se espásticas, ocorrendo contracções m usculares

involuntárias de grupos m usculares, em consequência do restabe lecim ento da actividade

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