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UZMANLIK DENEMESİ ÇÖZÜMLERİ Çözüm 1:

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o universo infantil é estudado normalmente a partir de pontos-de-vista epistêmicos como: a função dos meios de comunicação como produtores de conteúdo e gestores de negócios voltados ao público infantil; os efeitos cognitivos da exposição das crianças aos conteúdos veiculados nos meios de comunicação tradicionais, notadamente Televisão e Rádio; a linguagem midiática em relação com o desenvolvimento da linguagem infantil.

Uma das obras mais marcantes sobre o desenvolvimento cognitivo e imaginário das crianças foi escrita por Dorothy e Jerome Singer, intitulada The House of Make- Believe (Singer e Singer, 1990). Nela, os autores apontam diversas personalidades entre escritores e intelectuais, ressaltando a importância da infância de cada um deles como momento de consolidação do imaginário.

Presumimos que o começo dos jogos imaginativos é o precursor dos futuros pensamentos fantasiosos, e propomos que tal jogo tem características adaptativas particulares. Quando crianças se envolvem em jogos simbólicos elas estão praticando habilidades mentais que as

manterão mais tarde em bom lugar, assim como a prática da caminhada, equilíbrio ou da natação ajudam no desenvolvimento de habilidades motoras7 (Singer e Singer, 1990, p.22).

Os autores permeiam em seu texto diversos elementos essenciais ao desenvolvimento criativo entre as crianças. A abordagem behaviorista do texto não deixa de lado a importância das operações lúdicas como formação estrutural do imaginário. Com base em Jean Piaget, são delineados os três estágios principais das brincadeiras: a brincadeira prática, simbólica e jogos com regras. A forma mais básica de brincadeira prática é a imitação, o que envolve um “prazer funcional” da brincadeira. Aqui fica clara uma aproximação de Singer e Singer com as ideias de Caillois e Wulf, mas sem levar em conta aspectos mais aprofundados da mimese.

A brincadeira permite à criança o desenvolvimento da empatia, a capacidade para compreender outros pontos de vista. A ampla gama de emoções que uma criança experimenta e aprende nos primeiros meses de vida podem ser mais tarde utilizadas em jogos de imitação8

(Singer e Singer, 1990, p. 54).

Singer e Singer também apontam uma grande deficiência na quantidade de programas televisivos com propósitos realmente educativos. As exceções ficam por conta dos programas Sesame Street9 e Mister Roger’s Neighborhood10. O segundo ancorado pelo apresentador Fred Roger, cujo programa permaneceu mais de 40 anos no ar. Para ele, a televisão era um meio de grande potencial na divulgação de palavras de amor e afeto, mas infelizmente muito poucos a utilizavam com esse objetivo. Roger era criticado pela fala exageradamente suave e pela falta de dinamismo em suas performances televisivas, mas ainda assim era uma figura querida entre as crianças espectadoras.

No capítulo Television – Viewing and the Imagination, Singer e Singer dedicam um trecho à comparação entre a leitura, o Rádio e a Televisão no estimulo à imaginação, mapeando diversas pesquisas de impacto de programas audiovisuais entre

7 We assume that early imaginative play is a precursor of later fanciful thought, and we propose that such

play has particular adaptive features. When children engage in symbolic games they are practicing mental skills that will later stand them in good stead, just as practice in walking, balancing, or swimming aids the development of motor skills.

8 Play allows a child to develop empathy, the capacity for understanding another’s point of view. The

broad range of emotions a child experiences and learns to recognize in the early months of life may later on be utilized in games of pretend

9 No Brasil veiculado como Vila Sésamo.

10 O programa ficou no ar pela PBS até 2001, mas o portal infantil da emissora ainda mantem uma página

dedicada ao programa. Nela é possível encontrar jogos, vídeos, canções e páginas para colorir. Disponível em http://pbskids.org/rogers/. Acesso em jan. 2014.

as crianças. A preocupação de tais estudos é com a capacidade criativa que é gerada com a exposição das crianças aos conteúdos de Rádio e Televisão. Um dos principais estudos a esse respeito indica a seguinte conceituação para “imaginação criativa”:

Imaginação criativa é definida como a capacidade para gerar diferentes ideias originais ou não usuais. É um aspecto central do pensamento narrativo, que envolve narrativas, pensamentos imaginativos, cujos objetos não são verdade, mas “verossimilhança” ou “naturalidade” [...] o processo criativo envolve o potencial para a originalidade imaginativa, na qual existe um fluxo livre de ideias, imagens, e mini histórias, todas as facetas de processos divergentes, seguidas por uma avaliação da qualidade dessas ideias em um domínio de especialização11 (Valkenburg e Calvert, 2012, p.158).

No Brasil, encontramos no livro organizado por Kely Cristina Nogueira Souto, Marco Antônio de Souza e outros intitulado A infância na mídia, alguns exemplos de abordagens epistemológicas citados anteriormente. Destaca-se o trabalho de Maria Cristina Soares de Gouveia, com o artigo “Infantia: entre a anterioridade e a alteridade”. Nele, a autora busca raízes culturais na constituição das linguagens infantis, considerando a criança como sujeito da cultura que, ao mesmo tempo, se apropria e modifica a linguagem. Sob o signo da alteridade, Gouveia analisa as relações das crianças com os adultos, afirmando que tal fenômeno é herança profunda das culturas primitivas. A autora também aponta que o racionalismo moderno gerou uma crise na alteridade, que desembocou numa subvalorização dos indivíduos não pertencentes ao universo da potência racional e científica, como as crianças, mulheres, negros, pobres etc. A partir desse ponto, a pesquisa aponta para os desdobramentos políticos e sociais do conceito de infância até a contemporaneidade, seguido por uma análise da linguagem infantil, afirmando que

Definida pela ausência da fala, é na linguagem que a criança se faz sujeito. É através da linguagem que as experiências são subjetivadas, significadas e compartilhadas. A criança o faz a partir de um sistema de signos cuja objetividade impõe-se à experiência, ao mesmo tempo que a modela. (Gouveia in Souto, Souza e outros, 2009, p.24).

O artigo de Maria Cristina Gouveia permeia diversos aspectos da cultura infantil, passando pelo brincar e pelo sentido do lúdico e baseado nos trabalhos de

11 Creative imagination is defined as the capacity to generate many different novel or unusual ideas. It is a

central facet of narrative thinking, which entails story-like, imaginistic thinking, whose objects is not truth but “verisimilitude” or “lifelikeness” […] the creative processes involves the potential for imaginative novelty, in which there is a free flow of ideas, images, and mini stories, all facets of divergent processing, followed by an evaluation of the quality of these ideas within a domain of expertise

Schiller; também aborda a imitação como mecanismo de aprendizagem e desenvolvimento, além das questões de imaginação e estética. Em resumo, são questões que permeiam as reflexões propostas nesta tese. Por último, Gouveia aborda a questão do “grupo de pares”, o que retoma a questão da alteridade. Definido como grupos etários reunidos por semelhança social, os grupos de pares agem na interação da criança com seu ambiente. Em outras palavras:

A criança necessita do grupo para situar-se no mundo, estabelecendo uma relação diferenciada da que constrói com os adultos, com códigos próprios. Esse universo grupal infantil não é despido de regras, mas, ao contrário, é carregado de normas, leis e punições que não reproduzem o universo social adulto, mas o ressignificam e reconstroem. (Gouveia in Souto, Souza e outros, 2009, p.41).

Outro autor, também citado por Gouveia, é William Corsaro, que traz à discussão o conceito de grupos de pares, definindo-os como “um conjunto estável de atividades ou rotinas, artefatos, valores e preocupações que as crianças produzem e compartilham em interação com as demais” (Corsaro, 2011, p.128). O foco do autor está no lugar e na participação das crianças na produção e reprodução cultural e não na internalização privada de habilidades e conhecimentos adultos pelas crianças. Em outras palavras, é na rotina cultural, ou seja, na participação da criança como membro entre seus pares, que as crianças desempenham um papel ativo na produção de cultura. Em relação às mídias, Corsaro argumenta que é necessário compreender a negociação que existe entre crianças e adultos no acesso aos conteúdos infantis, notadamente no que diz respeito, por exemplo, ao papel dos personagens da marca Walt Disney na vida das crianças, tanto em relação aos pais quanto aos grupos de pares.

Adiante são apresentados três exemplos de pesquisas de comportamento infantil e que partem de premissas semelhantes a de Singer, se referindo à imaginação criativa através da capacidade de elaboração de proposições originais às histórias apresentadas em áudio e vídeo.

1.4 Afinal, o rádio é mais imaginativo que a TV?

Benzer Belgeler