2.1. MOTİVASYON KAVRAMI VE KURAMLARI
2.1.2. Motivasyon Kuramları
2.1.2.2. Süreç Kuramları
Estamos, agora, em procedimento de análise fenomenológica, para o qual
respostas lineares, sustentadas por uma lógica teórica, coerente, não nos satisfariam. “Se
seguíssemos uma lógica linear, haveria necessidade de conhecermos características do
investigado para poder investigá-lo. Seguindo-a, acabaríamos por penetrar em um
círculo vicioso, confundindo-se o “o quê” e o „como” (BICUDO, 2011, p.13). O
caminho para o “como” nos lança às vivências, essas, ao nosso olhar, se desdobram,
como em um movimento que se expande “de dentro para fora”, quer dizer, das
experiências vividas pelos sujeitos, expressas a nós, pesquisadores, ouvintes, intérpretes
em movimento de compreensão.
Sendo nossa meta compreender a atualização de um curso de Licenciatura em
Matemática à distância, vemo-nos inseridos em um círculo existencial hermenêutico, o
qual, conforme Bicudo
74“[...] nos coloca no movimento da compreensão do mundo e de
nós mesmos, caminhando em círculo, ainda que não repetindo as mesmas rotas, mas nos
abrindo ao horizonte da compreensão que sempre nos remete ao mundo percebido e
vivenciado com os nossos cossujeitos, enredados na trama da cultura, da comunidade e
da história”. Assim procedendo, penetramos no movimento hermenêutico de
compreensão do dito, assumindo a linguagem como expressão de compreensões e como
portadora de sentidos e significados, histórica e culturalmente, carregados pelas
palavras. Desse modo, não nos fechamos na visão objetiva da linguagem.
Para constituirmos o método ou o caminho para essa compreensão, seguimos a
orientação de Husserl. Para compreender o fenômeno, a Licenciatura em Matemática na
EaD, como fato, será posta em suspensão, em parênteses, ou seja, dirigimos nossas
atenções aos ditos pelos sujeitos e suspendemos os juízos proposicionais que explicam
esse fatos sobre essa Licenciatura. Suspendendo-os, eles não são destacados nem
desconsiderados; pois são importantes e constituem o entorno do focado.
Husserl nos diz que ao invés de uma dúvida universal, podemos fazer uma epoché
universal. Ao dizer: “Colocamos fora de ação a tese inerente à essência da orientação
natural, colocamos entre parênteses tudo o que é por ela abrangido no aspecto ôntico”,
Husserl (2002, p.81) também está nos orientando que aquilo que se coloca entre
81
parênteses é todo este mundo natural que está, constantemente, à nossa disposição,
enquanto efetividade.
Não se trata, entretanto, de uma negação deste mundo, como se estivéssemos em
uma posição sofista, “[...] não duvido da sua existência, como se fosse cético, mas
efetuo uma epoché „fenomenológica‟, que me impede totalmente de fazer qualquer juízo
sobre existência espaço-temporal” (HUSSERL, 2006, p.81). E, mais ainda, não
abandonaremos as efetividades descritas nas seções anteriores, quais sejam, o polo
físico, o projeto pedagógico, e outras, pois essas efetividades estão no fundo de
experiências.
Ao buscarmos apreender, diria Husserl, destacar, o que os entrevistados nos
descrevem, estamos voltados, atentivamente, para o que buscamos compreender. O
voltar-se para, segundo o filósofo, é modo particular de ato, é a “apreensão”,
“atenção”. Essas falas e nossas compreensões também aportam, em seu entorno, essas
efetividades, também percebidas, mas não nos ocupamos primordialmente delas, ou
seja, voltamos nossa atenção às possibilidades de clarificação e evidenciação do
indagado.
Nesse caminhar, efetuamos a operação leitura atenta das descrições, apresentadas
como textos escritos que expõem as falas dos sujeitos entrevistados, na sua linguagem.
São tantas leituras quantas solicitadas, para nos darmos conta de que, por esses textos,
ouçamos o que o entrevistado diz e que para nós faz sentido sobre o fenômeno que
buscamos compreender. Colocamos esses sentidos em evidência, destacados do todo,
sem desligá-lo desse todo, e considerados como Unidades de Sentido (US). Essas são
apreendidas, discriminadas espontaneamente quando, a nós que estamos atentos ao
interrogado, fica evidente o quê o entrevistado diz do fenômeno investigado.
Nesta pesquisa, serão destacadas as passagens significativas, às quais
chamaremos de Unidades de Sentido, por se mostrarem significativas (US) para nós.
Significativas porque se destacam no texto, em termos do seu contexto e da pergunta
norteadora da pesquisa. Com essas US, avançamos em nosso movimento de
compreensão hermenêutica e, pela linguagem escrita, inserimos algumas anotações,
quando necessárias ao esclarecimento solicitadas para alguns termos ou para algumas
expressões. Esse o sentido do enxerto hermenêutico, pelo qual entendemos abrir
compreensões, como autores e como leitores do expresso, do que queremos expressar.
Para nós, coadunando com Ricoeur (1989), o movimento de compreensão se dá
enlaçado ao de interpretação. Entendemos esse enlace, abarcando o compreendido, o
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que se compreende e os modos pelos quais as compreensões se tornam possíveis.
Assim, os movimentos de objetivação e de subjetivação se comunicam; se
interpenetram experiência interpretar/compreender.
Nesse processo, atentando-nos à problemática posta, a atualização de uma
licenciatura em matemática à distância e, caminhando em direção ao seu
esclarecimento, o movimento da epoché vai se realizando. A pesquisa, por ser
fenomenológica, ocorre por reduções sucessivas
.A epoché é um movimento em que o pesquisador deixa em suspensão e sob
atenção suas crenças e conceitos prévios, no sentido de não tomá-los como pressupostos
de sua análise. É preciso que fique atento ao que se mostra, buscando “ver”, em aspas;
pois, fenomenologicamente, traz junto o compreender e o interpretar prévios.
Salientamos que não se trata de descartar nossas concepções, pois isso não seria
possível, mas de estarmos atentos ao modo de como se tornam presentes na
compreensão do fenômeno. Autores estudados e respectivos textos devem sim ser
conhecidos, mas sempre como co-presentes à pesquisa, e que podem ou não fazer
sentido em termos da interrogação, da postura assumida e do mote que impulsiona a
investigação. Portanto, não são tomados como um quadro teórico que sustente as
análises.
Essas Unidades de Sentido são trabalhadas, reunidas em sentidos expressos ao
pesquisador que as interpreta, buscando compreender o fenômeno, articulando a
passagem da fala comum, cotidiana em linguagem contextualizada à região de inquérito
daquele, “mediante um procedimento de análise dos significados de palavras, de
reflexão sobre o dito e de variação imaginativa
75” (BICUDO, 2011, p.58).
Com essas reuniões de Unidades de Sentido, procedemos à Síntese de Unidades
de Significados (USg) expressas em linguagem que, embora tenha uma forma simbólica,
nos remeta à abertura de compreensões e indicam constituintes da estrutura do
fenômeno. As análises assim efetuadas permitem que o pesquisador reescreva as
unidades evidenciadas e analisadas e, mediante reduções fenomenológicas sucessivas,
articule os invariantes do fenômeno.
75
Conforme nota da autora, Variação Imaginativa é um recurso para procedermos às variações possíveis
de situações em que o fenômeno se mostra, tendo como alvo o insight da generalidade ou da ideia
essencial ou do eidos do investigado.
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Esses invariantes são retomados e, mediante novo trabalho de interpretação, são
explicitados os significados compreendidos à luz da interrogação condutora da
investigação.
As Unidades de Significados, no desenvolvimento da análise, são articuladas em
com outras ideias, constituindo outras mais abrangentes e definindo categorias abertas
dos sentidos e significados que escorregam em laços de sentidos que se amarram
76.
Essas categorias, vistas como grandes convergências serão expostas em uma
configuração de rede, que chamamos de Rede de Significados, interpretando os núcleos
de convergência, passando, então, ao momento seguinte, a uma metacompreensão da
pesquisa efetuada e apontando possibilidades para a compreensão e efetivação de
projetos de cursos de formação de professores de matemática.
Esse caminho é constituído, detalhando modos possíveis de efetuar esse
movimento. Martins e Bicudo (1989) o organiza por dois movimentos de análise das
descrições: a análise ideográfica e análise nomotética. A Ideográfica é efetuada no
percurso: Leituras sucessivas das transcrições, destaques de Unidades de Sentido (US)
nessas transcrições, discurso articulado do pesquisador elaboração de Unidades de
Significado (USg) em nosso caso, O que é dito.
Seguindo o processo de redução, as ideias abrangentes são articuladas em outras
mais abrangentes, efetuando outros movimentos de redução, a análise nomotética,
transcendendo o aspecto individual da análise ideográfica, caminhando em direção a
grandes convergências, as categorias abertas
77, impulsionadoras de nossas compreensões
acerca do investigado, buscando explicitar o que compreendemos do interrogado, do
investigado.
Importante esclarecer que o movimento de redução, em fenomenologia, não diz de
uma simplificação em que mediante resumo de ideias se expõe, resumidamente, de
modo simplificado, uma conclusão, por exemplo, mas, ao contrário, trata-se de um
movimento do pensar em que se expõe, paulatinamente, mediante articulações de ideias,
76
Nessa perspectiva fenomenológica de conduzir a pesquisa, as categorias são chamadas abertas em
contraposição às categorias como concebidas, aristotelicamente, que definem o ser, ontologicamente.
Categorias são, segundo Husserl, grandes regiões, não apriorísticas, de generalizações (MARTINS e
BICUDO, 1989, p. 80-81).
77
Não se tem, a priori, um quadro de categorias de como se deve interpretar o relatado, mas há que se
ficar atento ao rigor para não se cair prisioneiro do “achismo”, pontificando-se sobre o que ali está dito a
partir de visões particulares, quer sejam do próprio investigador, quer sejam de autores estudados. Porém,
deve-se adentrar pelos meandros das possibilidades do dito no dizer, buscando-se sentidos transportados
tradicionalmente pela palavra, no próprio texto da descrição e do seu contexto, e investigar-se outras
características que se mostrarem relevantes ao pesquisador da perspectiva da interrogação formulada.
(BICUDO, 2012, p.18)
77.
84
a complexidade de sentidos e de significados que se entrelaçam em ideias cada vez mais
abrangentes
78.
Para Husserl, a redução fenomenológica é necessária, “[...] a fim de alcançar
aquela vida de consciência, aquele eu a partir do qual nos será possível levantar
questões transcendentais, enquanto questões sobre a possibilidade do conhecimento
transcendente.” (HUSSERL, 2013, p.31). Por Redução, entendemos uma possibilidade
de recondução, de reviver o experienciado, um caminho que nos possibilita
empreendermo-nos às evidências de características essenciais do fenômeno indagado.
Importante destacarmos que, nesse movimento, a descrição, ou seja, os relatos dos
entrevistados e o que expressam pela transcrição, torna-se texto escrito e, portanto, uma
obra. Esta, conforme Ricoeur (1978), desagrega-se da intenção do autor, e se põe aberta,
autônoma, disposta a análises e interpretação/compreensão. Falamos, portanto, de uma
hermenêutica, atentos à polissemia das palavras, reveladoras de sentidos múltiplos.
Convergindo as ideias nucleares desta seção, entendemos, conforme Bicudo
(2011), a descrição sendo o que descreve, mostra o ocorrido como percebido, sem trazer
julgamentos interpretativos, pois se trata do dito pelos sujeitos que vivenciam as
experiências, relatando-as em suas nuanças.
No movimento de análise deste trabalho, impulsionados pela indagação de
pesquisa, retomamos esses ditos pelos sujeitos, em texto escrito, destacamos as US e
avançamos em nossa investigação. Fazemos os enxertos hermenêuticos apropriados e,
com o propósito de explicitar o que denominamos O que é dito, expomos nossas
interpretações/compreensões. Assim, avançamos às apresentações das unidades de
significado (USg), em palavras ou expressões, potentes no sentido em que são
portadoras de ideias nucleares abrangentes, que nos dizem de um perfil do fenômeno
investigado. Essas ideias, intencionalmente, reunidas em ideias mais abrangentes, as
Categorias abertas, abrem-nos à descrição de nossas compreensões acerca do
investigado. No capítulo seguinte, apresentamos os entrevistados – coordenadores,
alunos, professores e tutores - , as descrições e os movimentos de análise.
85
CAPÍTULO V
CONSTRUÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
[...] a palavra de outrem não somente desperta
em mim pensamentos já formados, mas ainda me
arrasta num movimento de pensamento de que eu
não teria sido capaz sozinho, e me abre
finalmente a significações estranhas. É preciso
então aqui que eu admita que não vivo somente
meu próprio pensamento mas que, no exercício
da palavra, eu me torne aquele que escuto
(MERLEAU-PONTY, 1969, p.128).
Neste capítulo, expomos o modo pelo qual construímos os dados analisados, bojo
de nossa investigação. Afirmamos que “construímos os dados”, pois nós não os
“achamos” como se fossem objetivamente dados, prontos para serem “apanhados” e
analisados, mas são construídos no movimento de buscar as indicações do fenômeno
focado, na descrição dos sujeitos que o vivenciam. Estes são o que denominamos
sujeitos significativos.
Apresentaremos os sujeitos significativos, as descrições das vivências dessas
pessoas que ocupam posições e desempenham papéis no curso investigado e os
movimentos de redução fenomenológica que nos conduziram às ideias nucleares
abrangentes.
Consideramos a epígrafe citada, importante e significativa. Adentrando aos seus
sentidos e significados, a mesma nos abre compreensões nos caminhos em que
tornamos o pensamento articulador da presente pesquisa. Esse caminhar, conforme
entendemos, tem seus primeiros passos, desde o momento em que o pesquisador deu-se
conta de sua perplexidade e se expande, prosseguindo à constituição da indagação, os
primeiros movimentos quando líamos, interpretávamos/compreendíamos pesquisas
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