2.3. Polimerlerin Mekanik Özellikleri
2.3.2. Sürünme
Quando pensamos na mecânica da repressão e do controle da informação durante o regime é comum logo associarmos ao grupo de militares da “linha dura”, tidos como os responsáveis pelo fechamento e endurecimento da sociedade brasileira. Entretanto, como vimos, os primeiros anos do governo do general Humberto de Alencar Castello Branco foram decisivos para este processo, em 1967 ele passa o poder para o general Costa e Silva com todo o aparato censório e de repressão já estruturado. No máximo, coube ao seu sucessor e aos outros presidentes militares aperfeiçoá-los.
Então, aquela visão dualista que por muito tempo foi hegemônica para explicar a dinâmica político-militar do regime já não deve encontrar mais ressonância hoje em dia. Acreditar que durante a ditadura militar houve uma disputa de poder entre dois grupos, de um lado os “castelistas” (ou “esguianos”) e do outro a “linha dura” é não reconhecer, segundo Martins Filho, a pluralidade de posições e a complexidade de fatores de desunião e discórdia no próprio interior das Forças Armadas naquela época. Nem mesmo hoje se diria que estas correntes representavam o embate de duas visões no cerne das Forças Armandas: os liberais-internacionalistas (os “castelistas”) e os autoritários-nacionalistas (a “linha dura”). Pelo contrário, para o autor “é difícil falar de um grupo militar ‘liberal’ atuante no pós-64 brasileiro. [...] em suas práticas concretas, o grupo castelista revelou um nítido componente ‘duro’ complementado por um acentuado pragmatismo”, como apontamos anteriormente. Neste sentido, Martins Filho prefere acreditar que “o processo político-militar do pós-64 definia-se basicamente pelo conflito entre o ‘autoritarismo’ e o ‘pró-americanismo’ dos castelistas e as tendências ‘liberais’ ou ‘nacionalistas’ remanescentes nas Forças Armadas.”181
E encerrada esta polarização do final do governo Castello, podemos identificar no mínimo quatro grupos diferentes no interior das Forças Armadas: os castelistas, os albuquerquistas, a linha dura e os palacianos. Os albuquerquistas eram os militares que seguiam o ministro do interior, Affonso de Albuquerque Lima, homem de um nacionalismo militar mais articulado do que o dos “duros” e crítico dos aspectos centrais da política de desenvolvimento castelista; defendia enfaticamente o desenvolvimento regional de áreas como o Nordeste, o Centro-Oeste e a Amazônia, além de lutar por uma política autônoma no setor nuclear, que na época gerava grandes polêmicas. Já os palacianos eram aqueles militares que apoiavam o governo Costa e Silva.
Entretanto, para o autor, estas discordâncias no campo militar deveriam ser vistas como secundárias, uma vez que quando o assunto era defender “o movimento revolucionário de 31 de março de 1964” — como preferiam os militares denominar o golpe — e impedir qualquer rearticulação autônoma do campo político, os militares tratavam de reiterar a união de suas forças.182 Neste sentido, por mais que havia uma pluralidade de idéias nas Forças
Armadas, como demonstrou Martins Filho, é possível dizer também que havia um elemento de unidade dentro do regime militar: o autoritarismo ou o que os historiadores Maria Celina D’Araujo, Celso Castro e Gláucio Ary Dillon Soares chamaram de “utopia autoritária”.
Como um traço da cultura política dos militares, a “utopia autoritária” encontrava como tradução a repressão e a propaganda. A primeira, em uma perspectiva saneadora (“Operação Limpeza”) se encarregava de eliminar — e, como bem sabemos, não excitava — a oposição ao regime, em especial o “câncer do comunismo”; já a segunda, de visão pedagógica, tratava de “educar” o brasileiro nas normas e condutas sociais, ensinando-lhe os valores morais e cívicos aceitáveis para o regime e os militares no poder.183 A verdade é que
estas duas dimensões (a repressão e a propaganda) de uma sociedade organizada e vigiada, como desejavam os militares, somente revelam a crença da superioridade militar sobre os civis, afirma Carlos Fico. Assim, os militares acreditavam que era seu dever intervir no Estado para assegurar a ordem social a qualquer custo, encarregando-se de defender o “povo brasileiro” dos ataques à “moral e aos bons costumes.”
Desta forma, segundo Carlos Fico,184 não basta caracterizarmos os militares que se
envolveram nos órgãos de repressão apenas como duros ou moderados, a própria comunidade de informações do regime, como o SNI (Serviço Nacional de Informações), Aerp (Assessoria Especial de Relações Públicas) e DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas), via necessidade na repressão, na censura, além do uso dos meios de comunicação social para a propaganda política do regime. O que é importante percebermos é que por mais que o regime apresentasse cisões internas, havia entre os militares um consenso: a tortura era
182 MARTINS FILHO, Op. cit, p.115-122.
183 Sobre a propaganda dos governos militares consultar FICO, Carlos. Reinventando o otimismo: ditadura,
propaganda e imaginário social no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 1997.
184 Segundo Carlos Fico, é importante efetuarmos uma análise conjunta de todos os “pilares básicos” da
repressão durante a ditadura militar: a polícia política, a espionagem, a censura da imprensa, a censura das diversões públicas, o julgamento sumário de supostos corruptos e a propaganda política. As seis instâncias que caracterizam a “utopia autoritária” do período, que para o autor, tal utopia não deve ser confundida com um ideologia sistematizada e unívoca, nem mesmo supra-valorizada em função da “doutrina da segurança nacional”. Pelo contrário, esta “utopia autoritária” se baseia em um discurso ético-moral que deita raízes na larga tradição do pensamento autoritário brasileiro. Para mais informações consultar FICO, Carlos. Além do
um “mal necessário”, como admitiu mais tarde o próprio presidente general Ernesto Geisel, considerado um “castelista” e moderado. Em entrevista aos historiadores Maria Celina D’Araújo e Celso Castro, Geisel é enfático ao afirmar que
Acho que a tortura em certos casos torna-se necessária, para obter confissões. Já contei que no tempo do governo Juscelino [Kubitschek] alguns oficiais, inclusive o Humberto de Melo, que mais tarde comandou o Exército de São Paulo, foram mandados à Inglaterra para conhecer as técnicas do serviço de informação contra-informação inglês. Entre o que aprenderam havia vários procedimentos sobre tortura. O inglês, no seu serviço secreto, realiza com discrição. E o nosso pessoal, inexperiente e extrovertido, faz abertamente. Não justifico a tortura, mas reconheço que há circunstâncias em que o indivíduo é impelido a praticar a tortura, para obter determinadas confissões e, assim, evitar um mal maior!185
Depoimentos como este somente revelam o quanto o autoritarismo estava impregnado entre os militares brasileiros, o quanto a repressão foi bem aceita na caserna para conter qualquer contra-discurso e ação dos opositores ao “movimento revolucionário”. Neste sentido, o regime militar, a começar pelo governo de Castello Branco, institucionalizou a tortura no país e criou no interior da sociedade civil a “cultura do terror”. Em outros termos, estava oficializado o terrorismo de Estado.
Além de ser uma forma eficiente de obter informações, a tortura é principalmente um método de controle político da sociedade em geral. Quando institucionalizada, a prática de tortura acaba por intimidar e inibir aqueles que têm conhecimento delas. Deste modo, durante o regime militar, a chegada da “Veraneio de cor escura” — como seria lembrado por perseguidos e torturados o veículo usado pelo pessoal do DOI-CODI — já era um sinal de terror, as pessoas ficavam amedrontadas por que sabiam que se fossem presas dificilmente retornariam dos porões. O medo levava à inércia, pois se sabia que qualquer participação política era associada ao risco de ser preso e torturado.
Entretanto, há quem acredite que a tortura era uma prática de alguns militares, em especial de baixa patente, que agiam contra a vontade de seus superiores cometendo excessos que não eram recomendados nos “manuais” para a obtenção de informações de presos políticos. Mas como isto seria possível? Carlos Fico nos chama a atenção para o fato de que a própria prática de tortura exigia toda uma estrutura que demandava equipamentos e
instalações permanentes nas unidades militares. Como os oficiais-generais não teriam conhecimento de modificações realizadas em suas unidades, como celas climatizadas, para submeter prisioneiros a baixas ou elevadas temperaturas, ou sonorizadas, para expor as vítimas a barulhos e gritos? Fato é que até a Justiça Militar tinha amplos conhecimentos do que acontecia nos porões. Portanto, a oficialização da tortura dava aos militares a independência para investigar, prender e torturar, confirma o autor.186
E esta suposta desobediência ao oficialato não combina com os militares. Segundo Oliveiros S. Ferreira, enquanto as instituições civis se orientam e se organizam em torno da idéia da legalidade, as instituições militares têm como princípio constitutivo a honra. O que pesa a um militar são aquelas condutas que podem levá-lo a ser considerado indigno do oficialato, pois uma atitude desonrosa de um oficial não possui os mesmos fundamentos de uma atitude agressiva cometida por um civil à moral de uma pessoa. Entre outras palavras, enquanto o civil fere os princípios de um único indivíduo, o militar fere os valores morais de um grupo, de uma corporação, de um corpus militar. Aqui o compromisso de honra do militar é com a Pátria, cabe-lhe não apenas defender os poderes e instituições constituídas, mas morrer pela Pátria.
É este sentimento patriótico do militar, este dever moral de colocar a sua vida à disposição da Pátria que faz o militar sentir-se diferente do civil, explica o autor. Neste caso, enquanto os civis integram grupos e instituições voluntariamente, podendo se afastar deles quando acreditarem mais oportuno, os militares estão ligados ao Estado por meio de vínculos morais e racionais, ou seja, o rompimento desta ligação, por qualquer natureza que seja o motivo, é interpretado como uma traição ao seu juramento de honra. Neste sentido, poderíamos dizer que a tortura era interpretada pelos militares como um dever de honra, já que se tratava de um ótimo mecanismo de controle da ordem social, garantindo ao Brasil uma proteção à ameaça de uma ideologia estranha (ou estrangeira). Portanto, as práticas de tortura não eram uma idéia autônoma de um ou outro militar, mas integravam todo o sistema de repressão operado pelo regime militar em nome da Pátria, uma vez que
O sentimento de honra, especialmente no meio militar, é contrário à autonomia e ao poder individuais enquanto princípios reitores da vida
coletiva, pois tem como ponto de referência não a busca de status definido pela riqueza, mas a ligação patética, emocional com a Pátria.187
E toda esta honra era condecorada. O Centro de Informações do Exército (CIE) concedia aos torturadores a Medalha do Pacificador tão cobiçada entre os oficiais. A medalha era um reconhecimento de atos de bravura ou de serviços relevantes prestados ao Exército. Somente em São Paulo, onde se concentrava o núcleo da tortura do regime, noventa medalhas foram concedidas em três anos.188
Talvez haja quem acredite no arrependimento de alguns torturadores, mas é fato que não foram forçados a nada, pelo contrário, a tortura não passou de uma materialização do caráter autoritário do nosso militar que, ainda hoje, não cansa de repetir que faria tudo de novo em nome da Pátria, uma vez que a repressão não passava de uma conseqüência da subversão. É o que pensa o general Leônidas Pires Gonçalves189 que afirma que “nós nunca
prendemos ninguém que não tivesse feito nada”. E o general ainda desafia:
[...] desafio agora alguém a provar que era inocente e que tenha sido torturado, ou que tenha sofrido qualquer restrição maior do que as técnicas nos prometiam, que era o isolamento. Porque todas as pessoas presas, ninguém era inocente. Ninguém era, todos eles tinham alguma coisa que estavam cometendo de errado.190
Até hoje, a maior ressonância da oficialização da tortura no país entre os militares é o depoimento do ex-tenente Marcelo Paixão de Araújo concedido ao jornalista Alexandre Oltramari e publicado na revista Veja de 09 de dezembro de 1998. Entre 1968 e 1971, Marcelo Paixão de Araújo foi tenente do 12º Regimento de Infantaria do Exército em Belo Horizonte, um dos três centros mais conhecidos de tortura da capital mineira durante a ditadura militar. Foi ele o primeiro agente da repressão a quebrar o silêncio sobre os porões em uma entrevista polêmica em que revelou o quanto era natural para o militar torturar os
187 FERREIRA, Oliveiros S. Vida e morte do partido fardado. São Paulo: Senac, 2000, p.25. 188 GASPARI, Elio. A ditadura escancarada. São Paulo: Cia das Letras, 2002, p.22.
189 O general Leônidas Pires Gonçalves em 1964 era tenente-coronel, tendo sido de 1964 a 1966 adido militar
na Colômbia; em 1974 ocupou a chefia do Estado-Maior do I Exército e nessa função chefiou o Centro de Operações de Defesa Interna (CODI); mais tarde foi ministro do Exército do governo José Sarney.
190 GONÇALVES, Leônidas Pires. apud. DINES, Alberto; FERNANDES JR., Florestan; SALOMÃO, Nelma.
presos políticos a fim de “livrar o país do comunismo”. Tortura para ele era uma questão de preferência:
A primeira coisa era jogar o sujeito no meio de uma sala, tirar a roupa dele e começar a gritar para ele entregar o ponto (lugar marcado para encontros), os militantes do grupo. Era o primeiro estágio. Se ele resistisse, tinha um segundo estágio, que era, vamos dizer assim, mais porrada. Um dava tapa na cara. Outro, soco na boca do estômago. Um terceiro, soco no rim. Tudo para ver se ele falava. Se não falava, tinha dois caminhos. Dependia muito de quem aplicava a tortura. Eu gostava muito de aplicar a palmatória. É muito doloroso, mas faz o sujeito falar. Eu era muito bom na palmatória. [...] Você manda o sujeito abrir a mão. O pior é que, de tão desmoralizado, ele abre. Aí se aplicam dez, quinze bolos na mão dele com força. A mão fica roxa. Ele fala. A etapa seguinte era o famoso telefone das Forças Armadas. [...] É uma corrente de baixa amperagem e alta voltagem. [...] Mas não tem perigo de fazer mal. Eu gostava muito de ligar nas duas pontas dos dedos. Pode ligar numa mão e na orelha, mas sempre do mesmo lado do corpo. O sujeito fica arrasado. O que não se pode fazer é deixar a corrente passar pelo coração. Aí mata. [...] O último estágio em que cheguei foi o pau-de-arara com choque. Isso era para o queixo-duro, o cara que não abria nas etapas anteriores. Mas pau-de-arara é um negócio meio complicado. No Rio e em São Paulo gostavam mais de usar o pau-de-arara do que em Minas Gerais. Mas a gente usava, sim. O pau-de-arara não é vantagem. Primeiro, porque deixa marca. Depois, porque é trabalhoso. Tem de montar a estrutura. Em terceiro, é necessário tomar conta do indivíduo porque ele pode passar mal. Também tinha o afogamento. Você mete o preso dentro da água e tira. Quando ele vai respirar, coloca dentro de novo, e vai por aí afora. É como um caldo, como se faz na piscina. Era eficiente. Mas eu não gostava. Achava que o risco era muito alto. Afogamento não era a minha praia (risos). A geladeira, uma câmara fria em que se coloca o preso, não funcionava em Belo Horizonte. Era muito caro. O que tinha era o trivial caseiro. O menu mineiro.191
Mas o que tem a FEB e a FAB com tudo isto? Como já vimos, é sabido que o “Estado-Maior Revolucionário” responsável pelo golpe em 1964 era composto pelos principais oficiais da FEB e que a institucionalização da tortura e o fechamento do regime começou com o governo de um febiano, o general Castello Branco. No entanto, o que poucos sabem é que houve ex-combatentes que participaram ativamente nas atividades de repressão à esquerda armada e ao comunismo. E se a tortura representava uma séria ameaça à imagem das Forças Armadas, o que dizer à memória da FEB e de todos os veteranos brasileiros que combateram na Segunda Guerra Mundial?
191 Ver OLTRAMARI, Alexandre. Torturei uns trinta. Revista Veja. Disponível em
Até 1967 a repressão estava sob o comando do Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) e das polícias estaduais, vinculadas à Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP) que era encarregada de coordenar as atividades do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e sua versão estadual (DEOPS). No entanto, com o crescimento dos grupos de luta armada, os militares viram a necessidade de intensificar o combate. É verdade que havia entre os militares aqueles que julgavam indevido o Exército envolver-se em missões policiais, entretanto, frente a tudo isto e a partir de uma Diretriz para a Política de Segurança
Interna, expedida pela Presidência da República em junho de 1969, alguns militares
começaram a orquestrar um dispositivo que, mais tarde, serviria de modelo para todo o sistema repressivo do regime.
De uma iniciativa conjunta do general José Canavarro Pereira, comandante do II Exército, em São Paulo, e da Secretaria de Segurança Pública do Governo Roberto de Abreu Sodré nascia naquele ano a Operação Bandeirantes (Oban). Como se tratava de um dispositivo extralegal, no seu início a Oban funcionou com o auxílio financeiro que vinha de duas fontes: do desvio de recursos de outros órgãos estatais e do apoio irrestrito de indústria nacionais e multinacionais que acreditavam na causa anticomunista. Aqui, os interesses empresariais passavam pela questão da Segurança Nacional. Era comum, aos finais das reuniões da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), os empresários “passarem o quepe” para a arrecadação de fundos. E qualquer tipo de ajuda era bem-vinda. “A Ford e a Volkswagen forneciam carros, a Ultragás emprestava caminhões, e a Supergel abastecia a carceragem da rua Tutóia com refeições congeladas.”192
Com a Oban o regime militar centralizou as atividades repressivas. Qualquer preso político ou suspeito de atividades subversivas deveria ser encaminhado para lá. Criava-se, então, um corpo de polícia dentro do Exército que contava com oficiais e subalternos das três Armas e da Força Pública de São Paulo, além de delegados, investigadores e pessoal burocrático da Secretaria de Segurança. Instalada nas dependências de uma delegacia desocupada, o 36º Distrito Policial, a Oban tornava a rua Tutóia, em São Paulo, o endereço do centro de tortura mais famoso do Brasil, como nos conta Jacob Gorender.
Segundo Gorender, o sucesso da Oban foi tão grande que a experiência-piloto de São Paulo foi levada para outros Estados e, em setembro de 1970, por meio de decreto do presidente Médici, ela passou a integrar legalmente o aparato repressivo do regime militar sob a denominação de DOI/CODI II (Destacamento de Operações de Informações/Centro de
Operações de Defesa Interna do II Exército). A partir daí, o DOI/CODI começou a ser implantado oficialmente no Rio de Janeiro, Recife, Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza e Belém.193
E quando o general José Canavarro Pereira assume o comando do II Exército em São Paulo, em maio de 1968, é um febiano que irá ocupar a chefia do seu Estado-Maior, o general Ernani Ayrosa da Silva.194 Condecorado duas vezes por bravura pela sua participação na
Segunda Guerra Mundial, Ayrosa ajudou a formular e colocar em prática a Oban, uma resposta àquele tempo conturbado que levava às ruas estudantes, intelectuais e artistas para conclamarem mudanças no país e o fim da ditadura militar.
Então, desde a sua chegada a São Paulo, o ex-combatente da FEB procurou os mecanismos mais adequados para enfrentar o “terrorismo” que assombrava a capital, que naquele primeiro semestre de 1968 presenciava assaltos a bancos, seqüestros e invasões e saques a quartéis. Foi o decreto do AI-5 que deu a Ayrosa e aos militares os instrumentos necessários, “dentro da lei”, para providenciarem uma resposta urgente aos “atos terroristas” dos comunistas. Assim, um plano de combate à subversão estava em andamento até que um assalto a um Quartel da Polícia Militar, provocando a morte de uma sentinela e resultando no roubo de 119 fuzis, foi o estopim para que Ayrosa, como Chefe do Estado-Maior do II Exército, intensificasse o controle e a coordenação da segurança em São Paulo, criando a Operação Bandeirantes, que o general relembraria mais tarde em 1985 como o maior sucesso do regime no que diz respeito ao combate à “contra-revolução”:
Os resultados atingidos foram excepcionais. Os assaltos a bancos foram diminuindo até a ausência total, da mesma forma que terminaram os assaltos aos quartéis e os seqüestros de autoridades. O êxito da OBAN foi tão evidente que o Ministro do Exército determinou o emprego de sua