Nos estudos de Passos (2007), o currículo é visto como uma construção social, coletiva e política. Pensar em currículo, formação de professores e cultura, requer considerar a atual sociedade multicultural e as diferentes dimensões do currículo no contexto escolar e educacional. O debate em torno do currículo e dos saberes que o envolve é atual e pertinente, pois compreende as relações de poder e identidade, descritas e ocultas.
No tocante à formação de professores, é interessante questionar que saberes são selecionados para compor os currículos dos cursos de formação de professores e como o conhecimento presente na escola através de todas as dimensões do currículo tem contribuído para preservar as relações de poder. Nas palavras de Silva (2007), “o currículo nos produz”; é, pois, experiência e conhecimento que a escola seleciona e reproduz. Assim, somos produzidos culturalmente e socialmente, por meio desse movimento social da escola e da sociedade.
Para pensar o currículo e os objetivos educacionais, questiona-se “o que ensinar?” e “o que eles ou elas devem se tornar?”. Ao selecionar o que deve compor o currículo, busca-se um determinado tipo de homem „modelo‟ para a sociedade e, pensa-se em um currículo a ser (re) produzido através do “ensino” formal.
O currículo pode ser apresentado de forma escrita, oral, formal, real, oculto e é concebido em seu ambiente de efetivação, ou seja, no ambiente social, educacional, cultural e real, de construção social. A dimensão oculta do currículo envolve valores, atitudes, relações sociais. Produz e reproduz conhecimentos e experiências dos atores sociais, reproduz os interesses do sistema educacional, do modelo de sociedade, da cultura, dos interesses dominantes presentes nas instituições de formação e nas escolas. A dimensão escrita é representada pelos
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Este tópico se detém a aspectos introdutórios sobre o Currículo na formação de professores. Para aprofundamento sobre o tema, indicam-se os autores: Moreira (2001) e Moreira (org, 1995), Tyler (1977) e Sacristán (2000), dentre outros.
projetos políticos, materiais didáticos, de conteúdo e pelas matrizes curriculares. O currículo escolar é um reflexo da sociedade, é a união/seleção e (re)produção da sociedade que o produz.
Há diferentes teorias, concepções e dimensões de currículo. Ao falar de teorias, Silva (2007) aponta que as teorias do currículo são tradicionais, críticas e pós-críticas. As teorias tradicionais se caracterizam por serem neutras e desinteressadas, é o caso de apenas se ocupar em “o que ensinar?”; já as teorias criticas e\ pós-criticas, em oposição à tradicional, tem como questão central, além do “o que ensinar” o “por que”, o porquê de uma seleção e não de outra.
Sendo tradicional, crítico ou pós-critico, nenhum currículo é desinteressado. Visa primordialmente a conceber significados, valores e/ou firmar ideologias dominantes. De acordo com Passos (2007, p. 36),
O currículo é elaboração social, fundamentado em princípios e pressupostos sócio-políticos cuja seleção e organização ocorrem em meio a relações de poder, conflitos e disputas. Em suas diferentes dimensões (escrito, real, oculto), o currículo veicula visões de mundo, formas de se posicionar, valores e significados não passivamente transmitidos e assimilados, mas em permanente contestação.
Nessa conceituação de Passos, o currículo, como elaboração social, é fundamentado nos princípios políticos e sociais, é seleção e reflete as relações de poder e identidade. Seleção cuja dimensão é permeada de conflitos e disputas, pois toda seleção pressupõe escolha, feita a partir de critérios predefinidos, que incita disputa de relações e poder.
O que a discussão demonstra é que, cada vez mais, estamos rodeados de relações de poder e de campos de disputa, seja político, social, cultural ou ideológico, seja no sistema micro ou no macro. As relações de poder e identidade perpassam a escolha dos conteúdos e se manifestam em todos os ambientes educacionais.
É nesse sentido que se busca compreender as mudanças da nossa sociedade atual, a partir de um viés específico – a formação de professores em contextos sociais de mudanças (PERRENOUD, 1999) – e estudar os saberes que estão sendo vinculados à formação e à profissionalização dos que trabalham com educação, nos cursos de licenciatura, principalmente no de Pedagogia.
O processo de formação deve dotar os professores de conhecimentos, habilidades e atitudes para desenvolver profissionais reflexivos ou investigadores. Nesta linha, o eixo fundamental do currículo de formação do professor é o desenvolvimento da capacidade de refletir sobre a própria prática docente, com o objetivo de aprender a interpretar, compreender e refletir sobre a realidade social e a docência. (IMBERNÓN, 2000, p. 41-42)
Concordamos com o autor, acerca d a formação docente. Esta, deve ser deve capaz de desenvolver a capacidade de reflexão, inerente ao exercício da docência, refletir sobre a própria prática, interpretando-a.
Em termos breve, formar indica dar forma e/ou construir. O ofício do professor requer competências e habilidades específicas para o ato de ensinar.
Questiona-se aqui se é possível formar e/ou construir um professor nos espaços da academia, a partir da estrutura física, humana e curricular de que dispomos nas Universidades e Institutos. E, considerando os currículos dos cursos de formação, como se dá essa formação?
A lógica curricular do Curso de Pedagogia da FAEC permite que estes campos de atuação: Educação Infantil, Anos iniciais do Ensino Fundamental, Cursos de nível médio na modalidade normal, Prestação de serviço e apoio escolar em Gestão e outras áreas, modalidades de Educação de jovens e adultas, compartilhem o mesmo curso de formação profissional.
O desafio curricular é integra-las em estudos, atividades de aprofundamento, estágios, pesquisa e debate.
Essas questões ora apresentadas foram princípios da motivação deste estudo, em que discutiremos o papel da Pesquisa na Formação Docente.