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As orientações para os procedimentos finais ressaltam que cada setor de estudos presente no edital – o qual agrega mais de uma disciplina – representa um concurso, e de cada concurso é exigida uma ata.

Na maioria dos departamentos envolvidos nesta pesquisa, percebem-se seriedade e organização das atas e documentos que registram os acontecimentos e seus resultados, sendo elaboradas as seguintes atas para cada concurso: Instalação da Comissão Julgadora; Julgamento de Títulos; Sorteio dos Pontos e Realização da Prova Escrita; Sorteio do Ponto da Prova Didática; Sorteio da Ordem de Apresentação da Prova Didática e Realização desta; Encerramento dos Trabalhos. A estas atas são acrescidos os documentos: Anexo/Resultado Final; e Quadro de Notas.

Conforme percebido das leituras e relatos oriundos dos departamentos, mesmo com base na nova Resolução não houve mudança na redação nas atas, predominando o já usual estilo quantitativo como característica básica, informando: legislação nacional e institucional que orienta e resguarda o concurso; nomes completos dos candidatos participantes do processo seletivo, além da Comissão Julgadora e demais profissionais envolvidos; comparecimento ou não dos candidatos; dia, local e hora em que iniciou e concluiu cada uma das etapas avaliativas, desde a conferência dos documentos no ato da inscrição até a presença em cada uma das provas; notas e médias conferidas pela Comissão Julgadora.

Analisando comparativamente as atas de dois concursos de um mesmo departamento, sendo um realizado em 2005 e o outro em 2006, obedecendo às respectivas resoluções vigentes, percebeu-se como diferença apenas o fato de que no último foram sorteados três pontos para a prova escrita.

Durante essa análise documental, esperava-se que pelo menos no relato final, ou seja, na Ata de Encerramento dos Trabalhos, fosse possível perceber alguma diferenciação de detalhamentos; no entanto, evidenciou-se que os textos das atas dos dois concursos efetivamente demonstram a continuidade de um mesmo modelo de relato de concurso ou de ata, nem mesmo mencionando algo a respeito de médias e indicações, conforme citado literalmente a seguir:

A Comissão Julgadora, de acordo com os termos do Art. 7º da Resolução Nº55/92 – CEPE, e tomando por base as notas atribuídas aos candidatos, considera o candidato (...) apto para o preenchimento da única vaga de Professor Adjunto, Setor de Estudo (...), do Departamento (...), do Centro (...), da Universidade Federal do Ceará, seguindo-se na sequência de notas o candidato (...) em segundo lugar. Os candidatos (...) não foram aprovados. Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a reunião (...). (Ata de Encerramento dos Trabalhos / Concurso, 2005).

A Comissão Julgadora, de acordo com os termos da Resolução Nº06/2006 – CEPE, e, tomando por base as notas atribuídas aos candidatos, considera a candidata (...) apta para o preenchimento da única vaga de Professor Adjunto, Setor de Estudo (...), do Departamento (...), do Centro (...), da Universidade Federal do Ceará, seguindo-se na sequência de notas, os candidatos (...) em segundo, (...) em terceiro e (...) em quarto lugar, respectivamente. Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a reunião (...). (Ata de Encerramento dos Trabalhos / Concurso, 2006).

A elaboração das atas continua sendo sucinta, objetiva e tendenciosamente quantitativa ou numérica, não explicitando informações e comentários possíveis de análise da prova escrita ou sobre o resultado da aula. Então, quando indagado sobre o nível de detalhamento das atas, se existem informações mais consistentes sobre a avaliação realizada nos diversos momentos do concurso, as falas dizem:

Não, só a nota. Nota do currículo, nota da prova didática e da prova escrita. (DirC/F).

Não faz análise nenhuma, só faz comentar, só divulgar, praticamente divulgar e dizer o que aconteceu, assim: foi iniciada tal hora, com a presença dos candidatos tais, foi sorteado ponto tal, não comentando a respeito de outros aspectos. Não avalia não, não faz avaliação nenhuma

não, simplesmente o que aparecem são as notas. (ChDpto).

Formalmente, a Universidade não exige que haja esse elo entre a avaliação realizada pela Comissão Julgadora e o trabalho de formação contínua a ser efetivado junto aos professores; talvez seja até esse um dos motivos pelos quais a denominação é Julgadora e não Avaliadora.

Embora a legislação não solicite esse tipo de análise avaliativa, algumas poucas iniciativas já são efetivadas nesse sentido, conquanto em seleção para professor substituto, como no seguinte exemplo:

Na semana passada eu participei de um concurso para professor substituto, mas substituto, na verdade é bem mais simples. E dos candidatos, o que ganhou, ele deu uma aula razoável, mas cometeu alguns pecados e a comissão fez essa ressalva, porque o professor daquela disciplina, ele tá com problema de saúde, vai se ausentar e o professor substituto vai passar, terminar o semestre. Mas ele ficou incumbido de inicialmente chamar o que foi aprovado e dar uns conselhos a ele: “Você pecou nisso, nisso, e nisso”. No momento não, né? Mas disse: eu vou chamar o rapaz que passou e vou falar onde ele pecou: problema de letra, muito pequenininha e é também muito rápido. Aí eu achei interessante, porque se a gente pudesse fazer isso

também com professores efetivos, né? (DirC/F).

Alguns departamentos tentam estabelecer essa atitude formativa após o ingresso do professor, ainda que relatem que não conseguem muito êxito pela necessidade de maior apoio institucional. Embora sua legitimidade seja inquestionável, é uma iniciativa sem amparo legal, o que dificulta o envolvimento dos docentes.

Inclusive, pode-se ressaltar que uma das facilidades para se efetivar essa ação é justamente o fato de que quem seleciona o novo professor é a mesma equipe – excluindo os convidados – que conviverá e poderá compartilhar experiências adquiridas, que poderão fazer parte de programas de apoio e formação docente aos admitidos.

Ressaltam, entretanto, que em decorrência dos momentos de avaliação presentes no concurso, não existe articulação entre o julgamento final que a

banca faz do candidato e posterior orientação situada nas possíveis dificuldades identificadas durante o processo.

Acreditam que pelo próprio fato de ingressar sem a exigência dessa formação na sua área específica do ensino superior, muitos dos novos professores efetivos apresentam limitações, pelo menos nas competências docentes.

A elaboração de atas mais detalhadas qualitativamente seria instrumento importante pelo fato de se considerar que o concurso é um momento primordial para o início da avaliação docente, para acompanhamento e suporte ao novo professor, inclusive oferecendo elementos fundamentais para sua formação docente para o ensino superior na Instituição.

Os entrevistados confessam, então, que, no caso do professor efetivo, o trabalho da banca termina justamente na assinatura da ata.

Haja vista, então, os propósitos desta pesquisa, e ao conhecer as orientações legais e a realidade sobre os concursos, conclui-se que: a formação docente para a educação superior não é exigida como um dos critérios avaliativos para ingresso na Instituição, embora se reconheçam seu valor e sua importância; o concurso e, consequentemente, o ingresso docente na Instituição não é compreendido como primeiro momento avaliativo, no qual se poderiam ser organizadas informações diagnósticas fundamentais para a realização da formação docente no âmbito de uma política institucional, apoiando o novo professor desde seus primeiros momentos na Universidade.

Capítulo 4

OS CAMINHOS DA AVALIAÇÃO DOCENTE

O candidato, após ter o sucesso de ultrapassar as barreiras do concurso, agora com status, direitos e prerrogativas de professor da UFC, terá que enfrentar um longo percurso de desafios presentes na academia, dentre os quais as diversas atividades do cotidiano da docência.

A avaliação docente constitui importante apoio que a Instituição pode oferecer aos seus professores, especialmente se compreendida como um dos principais subsídios à organização de programas de formação docente destes, possibilitando melhor compreensão do universo da docência e subsídio ao enfrentamento das dificuldades vivenciadas ao longo do estágio probatório, bem como nos demais momentos da carreira profissional.

Em razão das atividades a serem efetivadas pelos professores, em especial os recém-admitidos, a avaliação dos professores precisa ser bem estruturada na Universidade, pois nem sempre estão preparados para exercer todas as funções de ensino, extensão e pesquisa, então sob sua responsabilidade.

Essa preocupação se justifica, especialmente por ter sido observado que raramente o novo professor adquire formação para a docência no ensino superior anteriormente ao seu ingresso, entre outros, pelo fato de que, como já informado, não é exigência no momento do concurso.

Se acompanhado e avaliado continuamente, entretanto, pode-se estar mais próximo das competências que o fortalecem, bem como das dificuldades que o surpreendem no cotidiano nem sempre previsível da ação docente, para o qual se necessita estar muito bem preparado.

Identificadas essas dificuldades desde o início, torna-se possível dar maior apoio ao professor no sentido de subsidiá-lo para o enfrentamento de suas dificuldades, as quais serão o próprio subsídio à elaboração de propostas de formação docente contínua e continuada para esse mesmo professor.

Considerando que a avaliação é instrumento fundamental para a estruturação de uma política de formação docente, nesse capítulo objetiva-se identificar a relação entre avaliação e formação docente dos professores da Universidade, por meio de sua repercussão: acadêmica – mediante redimensionamento da própria ação docente e em forma de subsídios para formação docente contínua e continuada; e administrativa – buscando perceber como a formação docente para o ensino superior está presente nos critérios para progressão funcional.