A título de considerações finais dessa dissertação gostaríamos de enfatizar a necessidade e importância de efetivação no interior da escola pública de um projeto de intervenção, com as características do trabalho desenvolvido pelos membros do GEIPEE; trabalho que coloca a Universidade pública ao lado da escola pública e dos seus professores e alunos, assim como ao lado dos demais sujeitos que da escola participam.
É importante enfatizar também que tais possibilidades apenas se efetivam por meio de ações concretas na realidade escolar, colocando os sujeitos do processo de intervenção em movimento histórico e social, trabalhando coletivamente e enfrentando as dificuldades presentes no cotidiano escolar, com a finalidade de construção de situações de caráter emancipatório.
Defendemos que projetos de pesquisa realizados no interior da escola pública devem ter o compromisso com a construção de uma práxis educativa e voltada para a transformação qualitativa da escola, pela via da transformação das consciências dos sujeitos participantes da escola, principalmente gestores, professores e alunos, pois são
143 os sujeitos participantes da escola que, conscientes e coletivamente, viabilizarão as transformações necessárias na escola.
Consideramos que o trabalho desenvolvido pelo GEIPEE na escola, em diversos momentos, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas, caminhou no sentido da construção de uma atividade educativa permeada por ações ludo-pedagógicas de caráter emancipatório. Salienta-se que foi possível observar que as orientações pedagógicas do GEIPEE, pautadas numa perspectiva dialética e portanto, movida por contradições e decorrentes do processo histórico vivido no interior da escola, em diversos momentos surtiam resultados positivos, ao passo que alguns alunos aderiam as sugestões apresentadas pelos membros do GEIPEE e procuravam nas relações com os colegas, implementar novas possibilidades de relação social.
Obviamente que um projeto de intervenção e pesquisa, ainda que estruturado a partir de uma visão crítica da sociedade capitalista e da escola na sociedade capitalista, não efetivará a transformação qualitativa e estrutural necessária, no entanto, não há dúvidas que essa experiência educativa e emancipatória, realizada no interior da escola, oferece condições concretas, e pela via do trabalho educativo do professor, para pensarmos as transformações necessárias para a escola e, simultaneamente para a sociedade.
Sabemos o quanto a atividade educativa implementada pelo GEIPEE apresentou limitações, como afirmamos anteriormente, e que não teve condições de transformar a totalidade das relações humanas e sociais, dado o nível de reprodução da alienação presente na escola. No entanto, temos clareza que esse trabalho, a pesquisa intervenção de natureza materialista histórico dialética, deve ser amplamente divulgada e construída nas escolas, assim como outras pesquisas de caráter crítico e comprometidas com a transformação objetiva da escola, pois somente pela via da atividade crítica, educativa e emancipatória, construída junto aos sujeitos responsáveis pela transformação da realidade escolar (professores, alunos, gestores, pais e responsáveis, dentre outros membros da escola) é que será possível pensarmos numa nova escola para uma nova sociedade.
Embora este trabalho não traga grandes e novas descobertas científicas ou conceituais para o campo das ciências da educação, sobretudo porque tanto o processo de intervenção realizado na escola, quanto a sua teorização realizada nessa dissertação, encontram-se em processo inicial. No entanto, é importante enfatizar que temos clareza da qualidade, rigor e compromisso social presente na realização desse trabalho,
144 sobretudo porque o compromisso com a transformação escolar e social, reside na possibilidade de construção de uma metodologia de pesquisa e intervenção, assim como na construção de um trabalho educativo afinado com as necessidades dos filhos da classe trabalhadora presentes nas escolas públicas do Brasil.
Na efetivação de um processo efetivo de transformação da realidade objetiva da escola pública brasileira, defendemos a retomada das proposições teórico-práticas e crítico-transformadoras e construídas junto aos sujeitos da escola, assim como tentamos efetivar ao longo do processo de intervenção realizado na escola. Acreditamos ser essa, uma forma objetiva de resistência e manifestação de indignação diante da caótica situação em que se encontra a educação escolar pública brasileira, a qual, definitivamente, precisa ser transformada desde as suas bases.
Questão fundamental a ser enfatizada ao finalizarmos nossa discussão nessa dissertação é que os processos de transformação, para se efetivarem no interior da escola pública, precisam ser construídos por sujeitos comprometidos com a construção de uma escola voltada as necessidades de emancipação das classes populares e que esse compromisso não se efetiva apenas pelo discurso transformador, mas sim pela efetivação de práticas de caráter crítico e transformador na escola, sem perder de vista que para se efetivar uma prática crítica e transformadora, se faz necessário a apropriação de uma teoria crítica e transformadora. Temos defendido e que a teoria materialista histórico dialética apresenta essas características pois explicita o seu compromisso com a superação do modo de produção capitalista e a construção de uma nova sociedade, a sociedade socialista, isso pela via da organização coletiva dos sujeitos pertencentes a classe trabalhadora na efetivação de uma nova hegemonia, a hegemonia das classes populares.
Enfim, para a efetivação dessa nova hegemonia há que se garantir condições educativas diferenciadas aos membros das classes populares que encontram-se no interior das escolas públicas e, nessa direção, defendemos a radical transformação da escola pública brasileira e, para a efetivação desse processo a universidade pública pode contribuir de forma significativa, principalmente se colocar-se ao lado dos sujeitos das escolas públicas, como procuramos fazer nesse trabalho de mestrado, não para julgá-los ou culpabilizá-los pela caótica situação presente na escola, mas, pelo contrário, para mobilizá-los e com eles trabalhar na construção de projeto coletivo de emancipação humana que pode ter inicio na própria escola.
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