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2.2. TBC SİSTEMİNİN BİLEŞENLERİ

2.2.1. Süper Alaşım Altlık Malzeme

Ao longo dos seus 111 anos o município de Belo Horizonte foi tema de diversos trabalhos relacionados à economia, demografia, arquitetura, urbanismo e aspectos do seu quadro físico, como geologia, geomorfologia, hidrologia, vegetação e clima. Por motivos óbvios, não se pretende, aqui, esgotar esta farta bibliografia, ficando este trabalho restrito a algumas monografias, dissertações e artigos que tiveram como tema central o clima urbano do município.

Apesar de terem sido produzidos alguns estudos sobre a caracterização do clima de Belo Horizonte, lidando principalmente com a variabilidade anual do comportamento médio da temperatura e da precipitação, poucos abordaram diretamente a questão da ilha de calor e do conforto térmico como objeto principal de pesquisa. Entre estes trabalhos destacam-se os de Giovannini (1930), Cavalcanti (1948), Rodrigues (1966), Corrieri (1978), Mól (1984), Moreira (1990) e Ferreira (1996).

Alguns deles, porém, apontaram indícios para a tendência de aquecimento do clima urbano de Belo Horizonte, como os trabalhos de Ribeiro e Mól (1985) e Assis e Gontijo (1996). Este último constatou alterações em alguns parâmetros climáticos, feitas através da análise das

Normais Climatológicas de 1931 a 1960 e de 1961 a 1990, como o aumento da temperatura média anual em 0,4ºC.

Ribeiro e Mól (1985) realizaram estudos visando a constatação de possíveis mudanças climáticas sobre o clima local, analisando principalmente o comportamento da temperatura e da precipitação entre 1937 a 1982. No trabalho, foram apontados alguns sinais de elevação da temperatura, especialmente durante o inverno, bem como pequenas alterações nos picos de precipitação. Os autores, em suas referências bibliográficas, recordam que, até pouco tempo atrás, o clima de Belo Horizonte, segundo a classificação de Köppen, era considerado do tipo Cwa (RODRIGUES, 1966). A mudança de classificação, a partir de análises recentes, pode ser atribuída aos efeitos de degradação do meio ambiente e da configuração de ilhas de calor em todo o tecido urbano.

O estudo de Assis (1990) abordou de perto a problemática da ilha de calor e do conforto térmico sobre a cidade de Belo Horizonte. Neste, foram realizados alguns estudos exploratórios sobre o comportamento térmico da cidade nos períodos críticos de verão e inverno. O objetivo do trabalho era analisar o efeito amenizador de áreas verdes para fins de planejamento urbano, utilizando-se, para isto, de imagens de satélite no canal termal. Realizaram-se trabalhos de campo em alguns pontos da cidade para obtenção de dados sobre a temperatura, umidade relativa, direção dos ventos e insolação. Estes foram confrontados com as informações obtidas nos postos oficiais de observação meteorológica da cidade (5ºDISME/INMET, Aeroporto, etc). Apesar de todos os esforços, não se obtiveram resultados satisfatórios, principalmente em função da falta de aparelhagem necessária (psicrômetros, abrigos, etc), e da indisponibilidade de pessoal para a coleta dos dados.

Assis (1997) realizou estudos preliminares visando à obtenção de informações sobre as diferenciações topoclimáticas dentro do município. Foram avaliadas as condições atmosféricas locais através da temperatura, umidade relativa, ventos e nebulosidade. Estes foram comparados com os postos de observações oficiais (5ºDISME/INMET e CDTN), indicando no período as possíveis mudanças no comportamento termo-hígrico e alterações na circulação atmosférica local, bem como suposições sobre conforto térmico intraurbano. O experimento constituiu-se de uma série de 9 pontos de observação ao longo do “transecto” longitudinal norte-sul. Utilizaram-se os dados do Aeroporto de Confins, localizado a aproximadamente 40 km de Belo Horizonte, como referência rural, na comparação com os dados obtidos no transecto. Como o trabalho de campo foi realizado somente uma vez no período, ele serviu apenas para detectar as variações e diferenças topoclimáticas encontradas nos pontos do espaço focalizado ao longo de 24 horas.

Assis e Abreu (1998) obtiveram medidas em horários sinóticos de vários parâmetros meteorológicos (temperatura do ar, umidade relativa, nebulosidade e direção e intensidade do vento) durante um dia de primavera. Apesar da passagem de um sistema frontal durante a coleta dos dados, que acarretou em precipitações generalizadas em todo município, observou-se a presença de temperaturas mais altas no centro da cidade e nos bairros Caiçaras e Barreiro. Este estudo indicou a presença de valores diferenciados da temperatura do ar, que pode estar associada à distribuição espacial da mancha urbana.

Santos (1999) abordou o clima de Belo Horizonte em sua dissertação de mestrado, analisando os atributos da forma urbana mais significativos na alteração das condições de conforto térmico em uma fração urbana. Os trabalhos de campo foram realizados ao longo da avenida Afonso Pena, indo da praça Sete até o Parque das Mangabeiras. Pôde-se perceber que a verticalização, associada ao adensamento das construções, e a excessiva impermeabilização do solo foram fatores que influenciaram de forma significativa o desempenho térmico e hígrico. Entretanto, a autora não “retira” o efeito da topografia e altitude em seus resultados.

Assis e Mendonça (2000) analisaram a influência da estrutura urbana sobre as condições do clima local em Belo Horizonte, a partir de um estudo de caso no bairro Floresta. De acordo com as medições de campo e os resultados, verificou-se que o bairro apresentou uma grande amplitude térmica, iniciando o dia com temperaturas amenas e alta umidade relativa, chegando ao meio-dia com condições para o stress térmico e o ar mais seco. Como resultado final da pesquisa, confeccionou-se um mapa-síntese que engloba as áreas que devem ser protegidas ou melhoradas arquitetonicamente, o que contribuiria para amenizar a relação ocupação & sítio e possibilitaria ações de planejamento urbano para melhorar as condições de conforto térmico no bairro Floresta.

Assis (2001) avaliou as condições topoclimáticas no município de Belo Horizonte através de aferições locais realizadas em dois trabalhos de campo. No primeiro experimento, foram distribuídos os abrigos meteorológicos ao longo de um transecto longitudinal norte-sul, abarcando tipologias de uso e ocupação do solo e unidades morfológicas diferenciadas. No segundo experimento, a coleta dos dados foi realizada no hipercentro da cidade, observando-se assim as flutuações horárias da ilha de calor. Confirmaram-se as suposições dos modelos teóricos, que alegam que a excessiva impermeabilização do solo, a verticalização, o adensamento das edificações e a arborização deficitária influenciam de forma significativa o desempenho térmico e hígrico da baixa atmosfera. Porém, os resultados apontaram que a configuração da ilha de calor no município difere daquelas

observadas nos modelos clássicos, onde o hipercentro é mais quente e menos úmido em relação às áreas periféricas.

Em sua tese de doutorado, Assis (2003) apresentou um procedimento de simulação física em modelo reduzido do fenômeno ilha de calor numa área urbana da cidade de Belo Horizonte integrado à abordagem de trabalho de campo. O objetivo era mostrar a capacidade do modelo empregado em reproduzir fatos do mundo real, conferindo-lhe uma capacidade preditiva. Os modelos foram ensaiados em uma câmara fria e os sensores foram calibrados para reproduzir as experiências descritas por Oke (1981). Levantaram-se dados em campo sobre o comportamento térmico, hígrico e anemométrico durante 24 horas na área de estudo, sob condições atmosféricas estáveis. Os resultados mostraram que a área construída permaneceu mais aquecida do que as áreas abertas e que grandes áreas livres inseridas em áreas verticalizadas reduziram o efeito da ilha de calor. Segundo a autora, a boa correlação entre os resultados encontrados demonstrou que a simulação física pode ser utilizada na avaliação dos impactos das estruturas urbanas sobre o clima natural.

Assis e Pereira (2004) e Assis e Pinto (2006) estudaram as interações entre a urbanização e os parâmetros meteorológicos nos bairros Estoril e Buritis, localizados na região Oeste do município de Belo Horizonte, durante o período seco. Como subsídio à análise dos dados e escolha dos pontos amostrais, foram confeccionados um modelo digital de elevação e um mapa de uso do solo. Abrigos meteorológicos foram distribuídos conforme as diferenciações na impermeabilização, volumetria, densidade, vegetação e morfologia do terreno. Coletaram-se dados da temperatura do ar, umidade relativa, nebulosidade, direção e intensidade dos ventos, fluxo de veículos e pedestres. Os resultados demonstraram que o efeito da ilha de calor configurou-se preferencialmente nas porções Norte e Centro-Sul da região, caracterizados por altos índices de verticalização e impermeabilização, e nas imediações da Av. Mário Werneck. Constatou-se também que o Parque Aggeo Pio Sobrinho é uma importante fonte de umidade para a região, favorecendo e amenizando ganhos térmicos observados no seu entorno.

Vilela (2007) analisou os impactos gerados pela intensa verticalização no comportamento térmico e hígrico na região do Belvedere III. O estudo foi desenvolvido através do estabelecimento de uma relação empírica entre os parâmetros climáticos (variáveis de temperatura e umidade relativa) e os parâmetros urbanísticos (massa construída e fator de visão do céu), avaliada em cenários diferentes (existente em 2006 e futuro). Os resultados apontaram para uma tendência de ocorrer mudanças significativas nas variáveis climáticas nos locais onde o adensamento e a verticalização são mais vigorosos, o que pode acarretar,

segundo a autora, um aumento no consumo de energia e uma série de problemas de saúde para a população, que vão além do desconforto térmico.

De modo geral houve um aumento no número de estudos sobre o clima urbano em Belo Horizonte a partir da década de 90, quase todos oriundos do Instituto de Geociências e da Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG. Entretanto, a maioria destes trabalhos descreveu o comportamento médio dos parâmetros meteorológicos na camada de cobertura urbana utilizando dados de curtos períodos de tempo (24 horas) e sob condições sinóticas estáveis. Além disso, a quantidade de pontos amostrais empregados nestas pesquisas foi insuficiente para representar o comportamento médio da atmosfera local, tendo em vista a elevada amplitude topográfica e a multiplicidade de uso do solo observados na capital mineira.

Com relação aos procedimentos metodológicos, as pesquisas sobre o clima em Belo Horizonte podem ser divididas em dois grupos. No primeiro encontram-se os estudos que analisaram o clima local utilizando técnicas estatísticas para estabelecer padrões e identificar os desvios (oscilações) em relação ao comportamento médio. No segundo grupo estão as pesquisas que adentraram a cidade e compararam as medidas tomadas em áreas urbanas e em áreas arborizadas, empregando abrigos meteorológicos de campo distribuídos em frações pré-estabelecidas no município. Apesar deste avanço, são necessárias mais estudos que possam subsidiar a tomada de decisão dos planejadores e gestores urbanos.