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Em setembro de 2012 – ao descobrir a extensão da corrosão nas paredes – a Operação requisitou, especificamente, um aumento de 1,30 m acima do canal de escória (FIG. 23). No projeto original alemão, como mostrado na figura 25, o limite era de 40 cm. A razão para esse número está no fato de que essa foi a altura máxima do desgaste sofrido nas paredes refratárias do Forno conforme as descobertas da demolição. Tal alteração era, na perspectiva da Operação, indispensável. Por esse motivo, a primeira versão foi alterada. Um membro da Operação explicou assim a questão:

Nós vimos a necessidade, na operação, de aumento de flexibilidade em relação ao nível do banho de escória. Isso era algo que tentamos incorporar no novo projeto. Era um dos parâmetros que estabelecemos para nós mesmos em termos de aumentar a flexibilidade [através do aumento do limite do banho] não apenas da escória mas do metal também. Quando percebemos que, naquela primeira versão do projeto das paredes, se o nível de escória se elevasse acima do limite do Forno original, o novo projeto não aguentaria tal situação. Tinha potencial para até haver corrosão das placas de cobre nas placas mais altas [em função das altas temperaturas e por serem placas originais reutilizadas]. Então percebemos que aquele projeto não iria alcançar o objetivo de providenciar proteção suficiente para o Forno dentro das condições operacionais que nós esperávamos.67 (tradução nossa; negrito nosso).

Apesar da requisição da Operação e da imposição de mesclarem placas originais e placas novas, os Projetistas canadenses se mantiveram em desacordo com o aumento do nível máximo do banho. Ao explicar seus motivos, um membro da equipe dos Projetistas canadenses disse:

67 S, Engenheiro da empresa brasileira. Canadá, Junho, 2014. Entrevista concedida a Saulo Costa Val de

Eles tinham uma grande erosão na parte superior da parede porque deixaram o volume do banho ir muito alto. Isso é pura inexperiência. Acontece em praticamente todos os Fornos novos. Em todos acontece a mesma coisa. Então uma das exigências que tínhamos era que nós precisávamos aumentar o nível do banho de metal e escória. E foi isso que nós fizemos.68 (tradução nossa; negrito nosso).

Apesar da discordância, os Projetistas incorporaram a requisição em uma nova versão e então apresentaram a nova proposta, ainda em setembro, com a adição de mais fileiras de placas de cobre originais (FIG. 34):

Figura 33 – Segunda versão da parede lateral

Fonte: Arquivo de pesquisa, 2012 (alterada pelo autor)

Nessa segunda versão, notamos que a quantidade das fileiras de placas de cobre nas paredes refratárias foi dobrada. O aumento chegou aos 1,30m pedidos pela Operação – com um aumento de 1m acima do canal de escória somado a 30cm extras do limite de segurança . Assim um Engenheiro da Operação explicou o processo que levou à construção dessa segunda versão:

Foram tentadas várias disposições, né. Procurando qual seria a melhor opção [da posição das placas de cobre novas e originais].

Foram os dois grupos [Operação e Projetistas que tomaram as decisões]. Pensando mais no projeto em si era a [empresa canadense]. Ela vinha com a proposta e a gente ia discutindo. O que guiou a quantidade de placas foi a gente [a Operação] que sugeriu. O número de placas foi baseado no desgaste das paredes que a gente viu nos Fornos.69

Apesar do aumento de fileiras, a Operação percebeu, ao examinar a segunda versão, que ela ainda mantinha as restrições operacionais que eles queriam remover do novo projeto. A imagem abaixo (FIG. 35) tenta representar a percepção dos Operadores ao avaliar essa versão:

Figura 34 – Percepção da Operação sobre a segunda versão do projeto das paredes

Fonte: Arquivo de pesquisa, 2012 (alterada pelo autor)

No entendimento dos Operadores, a área inferior da parede, que concentrou duas placas de cobre novas, seria uma zona de alta refrigeração. Contudo, na medida em que a altura das placas se elevava, a capacidade de refrigeração diminuiria sensivelmente, tanto em função de haver somente a proteção das placas originais como também do aumento da distância entre cada uma, o que também diminuiria a extração de calor. Portanto, nesse sentido, a inflexibilidade do projeto original seria mantida, pois a Operação ainda estaria restringida a manter o banho de escória e metal dentro da zona de alta refrigeração, o que seria um limite muito próximo ao do Forno original. Posteriormente, engenheiros da equipe de Projetistas realizaram estudos e análises de perfil térmico e confirmaram a interpretação dada pela Operação sobre essa versão. Um membro da equipe dos Projetistas explicou a concepção por detrás desse projeto:

Nós pensamos assim:à o deà à ueà a osà olo a àessasàpla asào igi aisà aisà fracas para que elas não sejam destruídas? .àEntão você as coloca no topo da parede, onde a escória não usualmente vai. Então você as coloca lá, em um lugar relativamente seguro, inócuo.70 (tradução nossa).

A relação dessa versão com a experiência dos Projetistas foi explicitada na fala de out oà e oàdaàe uipeà ue,àaoàse àpe gu tadoà “eàdepe desseàdeà o s,ài depe de teàdaà requisição da Operação, o que te ia àfeitoà oàp ojetoàdasàpa edes? :

N sàte ía osàfeitoàoà e h a ki gàeàdito:à olha,àtipi a e te na indústria o limite acima do canal de escória é de 60 a 90 .à“eàti esseàsidoàdei adoà nas nossas mãos, nós teríamos feito com 80 ou 90cm.

[Eles requisitaram] 1,3 m acima do canal de escória. Originalmente, tinham só 40cm. Isso era tudo que podiam operar antes. O máximo. Mas esse não era o problema principal da Operação. Se você olhar agora, verá que as bicas de escória estão funcionando bem, e nós sabíamos que isso aconteceria, então vai ver que eles não precisavam aumentar o limite. [...] Eles tiveram, nos dois primeiros anos de operação, muitas dificuldades em extrair a escória [em referência ao problema da baixa inclinação das bicas]. Esse era o grande problema. E se eles não conseguiam extrair, eles tinham que continuar com o Forno ligado. Eles tinham então que guardar escória dentro do Forno até que pudessem vazá-la. Então era desejo deles ter uma altura maior. Eu resolvi o problema dando a eles condições melhores para extrair. Nós fizemos o que eles pediram, mas demos a eles melhores condições pra vazar. Eles provavelmente nunca irão precisar daquela altura. 71 (tradução nossa; negrito nosso)

70 Y, Projetista canadense. Canadá, Junho, 2014. Entrevista concedida a Saulo Costa Val de Godoi. 71 F, Projetista canadense. Canadá, Junho, 2014. Entrevista concedida a Saulo Costa Val de Godoi.

A fala demonstra a diferença do que apareceu co oà figu a e fu do para ambos os grupos: a perspectiva do usuário, na qual a flexibilidade e a possibilidade de manobras são valorizadas; a perspectiva do projetista, na qual a melhoria dos sistemas tecnológicos auxiliares dá, ao usuário, o que ele necessita. Especificamente, nessa fala, nota-se a relevância atribuída ao aumento da inclinação e à redução do cumprimento das bicas. Os Projetistas canadenses entendiam que não seria necessário aumentar o limite pois, com bicas mais inclinadas e mais curtas, a Operação não teria dificuldades em extrair rapidamente escória no interior do Forno. Desse modo, a segunda versão ainda carregava, em sua forma, a noção de que a refrigeração das paredes deveria se concentrar na porção mais inferior pois, na visão presc iti aà dosà P ojetistasà a ade ses,à asà egi esà aisà altasà daà pa edeà oà de e ia à te à es ia .

A Operação, contudo, reforçou sua requisição e a tornou mais clara: o que era pleiteado não era somente um aumento na altura do limite do banho de escória e metal, mas também uma parede lateral com uma refrigeração homogeneamente robusta. As implicações dessa reivindicação incidiriam, entretanto, no orçamento final do projeto, pois, para que ela fosse alcançada, seriam necessárias mais do que duas fileiras de placas de cobre novas. Nota- se, nesse ponto, um impasse. Como agir diante dessa discordância técnica? Quem poderia ser o juiz dessa questão? Phillip, que estava acompanhando a discussão e tinha o poder de decisão, tinha, em mãos, uma escolha a fazer: optar por atender a reivindicação da Operação e aumentar os custos do projeto, ou manter o projeto como estava.

Benzer Belgeler