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A. RUMELĠYĠ MANEN FETHEDEN “TAHTA KILIÇLI” BĠR SÛFÎ

2. Bir Sûfî Olarak Sarı Saltuk Gazi

Os comportamentos relacionados ao estilo de vida com impacto na saúde, incluindo as práticas alimentares, são influenciados e determinados por múltiplas forças, de forma que a mudança destes comportamentos requer intervenções e ações comprometidas em seus múltiplos níveis (GLANZ et al., 1995; KING et al., 1995). É também consensual que os comportamentos humanos são influenciados por contextos, portanto, devem ser compreendidos e abordados juntamente com as características dos ambientes onde as pessoas vivem (GLANZ e YAROCH, 2004; POPKIN et al., 2005; JILCOTT et al., 2007).

Os comportamentos em saúde são centrais para as intervenções em Saúde Pública. Eles se referem às ações de indivíduos, grupos e organizações, incluindo mudanças sociais, implementações políticas e melhorias na qualidade de vida. Podem ser definidos por um conjunto de fatores possíveis de serem aferidos, tais como os elementos cognitivos – crenças, expectativas, motivações, valores, percepções; características de personalidade – incluindo características afetivas e emocionais; além das atitudes e hábitos que se relacionam com a manutenção e melhorias da saúde (GLANZ et al., 2008).

Diante da complexidade dos problemas em saúde pública, considerando a multiplicidade de fatores determinantes e respectivas redes de efeitos, diversas teorias e modelos são sugeridos para o delineamento de estudos de determinação, avaliação e proposição de intervenções (GLANZ et al., 2008). Os

modelos ecológicos aplicados à promoção da saúde consideram os múltiplos níveis de determinação dos comportamentos em saúde. Eles enfatizam os contextos ambientais e políticos dos comportamentos ao mesmo tempo em que incorporam as influências sociais e psicológicas. De acordo com estes modelos, as práticas alimentares são determinadas por quatro níveis de condicionantes que interagem entre si, são eles: indivíduo, ambiente social, ambiente físico e macro ambiente (SALLIS et al., 2008).

As influências do ambiente no indivíduo operam por vários domínios: No nível do indivíduo, estão os determinantes proximais relacionados às práticas e escolhas alimentares, incluem atitudes, preferências e características biológicas. O ambiente social está no outro nível e inclui as interações com a família, amigos e outros, em nível comunitário, que podem modular as escolhas alimentares por mecanismos como normas e suporte sociais. O ambiente físico inclui os múltiplos contextos onde as pessoas consomem ou buscam por alimentos, é um determinante de quais alimentos estão disponíveis e acessíveis. Os fatores no nível do macro ambiente se relacionam ao sistema e às políticas públicas, atuando de forma distal e indireta, mas com efeitos substanciais na alimentação das pessoas (LARSON E STORY, 2009).

Apesar da força de determinação do ambiente alimentar no consumo, as escolhas alimentares estão inseridas no conjunto de ações que compõe as práticas alimentares e são determinadas por uma série de outros fatores. Estes devem ser acessados para que se possa compreender a influência do meio em que se vive nos processos alimentares e sua consequente relação com a saúde (CANESQUI e GARCIA, 2005).

O homem é um ser onívoro e, como tal, possui uma suposta liberdade de escolha alimentar. No entanto, o meio ambiente e os recursos disponíveis, os relacionamentos sociais e a história individual, dentre outros fatores, acabam por determinar o que é efetivamente escolhido para a alimentação (POULAIN, 2002). Na evolução cultural, a alimentação vem ocupar funções outras além da nutrição, o que coloca os seus aspectos nutricionais em contextos mais complexos. A alimentação passa a ser um veículo social, permitindo às pessoas realizarem distinções e estabelecerem relações sociais, por exemplo, compartilhando a comida. O alimento, ora assume funções simbólicas, ora assume significados morais e religiosos. A comida se torna um meio para a expressão estética, dando origem às preparações culinárias elaboradas que não podem ser justificadas somente em termos dos fatores nutricionais (ROZIN, 2005).

Para o estudo da alimentação humana, caracterizada por um fenômeno de grande complexidade e interações entre os aspectos fisiológicos, psicológicos e socioculturais, buscou-se uma terminologia capaz de aglutinar estes elementos, adotando o conceito proposto por GARCIA (1999) para práticas alimentares:

Procedimentos relacionados com as práticas alimentares de grupos humanos (o modo de comer, com quem se come, o que se come, quanto, como, quando, onde e com quem se come; a seleção dos alimentos e os aspectos referentes ao preparo da comida, as técnicas de preparo, as combinações de alimentos, o modo de apresentação da comida, a forma de comer, as diferentes refeições definidas pelos alimentos que as compõe, os horários, onde são feitas as refeições, etc.) associados a atributos socioculturais, ou seja, aos aspectos subjetivos relacionados com o comer e a comida (alimentos e preparações apropriadas para situações diversas, escolhas alimentares, combinação de

alimentos, comida desejada e apreciada, valores atribuídos a alimentos e preparações).

As escolhas alimentares, por conseguinte, se estabelecem nas bases das práticas alimentares. A aquisição ou o consumo de alimentos se dão em uma variedade de locais e situações e são influenciados pela forma como as pessoas classificam e selecionam os alimentos e bebidas. Os fatores individuais e sociais estão igualmente envolvidos nas escolhas alimentares, investigando-se os elementos cognitivos, motivacionais e biológicos, bem como os aspectos culturais, situacionais e ambientais (FURST et al., 1996).

Muitas das escolhas alimentares baseiam-se em aprendizagem, tanto no ambiente ancestral quanto no mundo contemporâneo. Para os humanos modernos esta aprendizagem acontece principalmente por transmissão cultural. Por exemplo, o acesso aos modelos, transmitidos por família, colegas, mídia, determinam quais os comportamentos o indivíduo é capaz perceber. A retenção cognitiva de um comportamento observado depende de capacidades intelectuais e, por fim, a prática do comportamento modelo depende de condições físicas e da motivação para a ação (MC ALISTER et al., 2008).

A influência dos aspectos cognitivos nas práticas alimentares é bastante importante, mas sendo as escolhas determinadas por fatores diversos, elas podem envolver decisões conscientes, mas também as automáticas, habituais e subconscientes (ROZIN, 2005; FURST et al.,1996).

As pesquisas sobre os determinantes das práticas alimentares predominantemente destacavam os fatores individuais, tais como atitudes, preferências, intenções, motivações e autoeficácia. Ultimamente, maior atenção tem sido dada aos determinantes ambientais da alimentação, porém a evidência

empírica ainda é insuficiente em mostrar quais aspectos do ambiente são os mais relevantes e principalmente como estes interagem com os fatores individuais. Também não há, ainda, evidências sobre as intervenções mais factíveis e efetivas para melhorar o ambiente e impactar as práticas alimentares em populações diversificadas, em vistas modificar os desfechos em saúde (LARSON E STORY, 2009).

Os estudos sobre modelos ecológicos dos comportamentos em saúde mostram que os esforços para a promoção de práticas saudáveis e preventivas serão mais efetivos quando desenvolvidos em múltiplos níveis – individual, social e cultural, ambiental e político. Além disso, devem ser direcionados para um comportamento específico (por exemplo, consumo de frutas e hortaliças), permitindo a identificação das influências potencialmente mais relevantes em cada nível (SALLIS et al., 2008).

Desta forma, fica bem estabelecida a premissa de que as ações para a promoção da alimentação saudável se desenvolvam a partir das políticas públicas, com efeitos nas cidades, nas comunidades e nos indivíduos. Contudo, considerando a extensão de elementos que compõe as práticas alimentares, é relevante destacar que nem todos os níveis de influência destas práticas são alcançados com as mesmas estratégias, e por isso devem ser ponderados. Uma melhor compreensão da problemática a respeito da alimentação e suas consequências em saúde, delineando a sua complexidade e provendo reflexões a respeito, poderá ajudar no enfrentamento desse desafio (GARCIA, 2011).

As ações isoladas, sejam individuais, coletivas, institucionais ou do campo das políticas públicas, não são suficientes para a promoção de práticas alimentares saudáveis em pessoas e populações. As intervenções devem ser

complementares e sinérgicas, respondendo à rede de fatores que determinam e caracterizam as questões da alimentação na atualidade (CASTRO et al., 2011). Portanto, as intervenções educativas para a adoção de comportamentos saudáveis que focalizam o indivíduo terão maiores resultados quando a sociedade proporcionar ambientes e políticas que encorajem as pessoas a utilizarem os conhecimentos e habilidades aprendidas. Da mesma forma, modificações políticas e ambientais serão mais efetivas quando combinadas com programas que motivem e capacitem as pessoas a praticarem a alimentação saudável (BOOTH et al., 2001).

Neste sentido, para o delineamento de estratégias abrangentes de promoção de saúde, sugere-se um mapeamento mais completo e compreensivo sobre os fatores e processos que determinam as práticas alimentares nos diferentes grupos populacionais. Em vista disso e da natureza multifatorial dos determinantes, dentre outros, psicossociais, culturais e ambientais, há a demanda de que estes sejam estudados em conjunto (WETTER et al., 2001).