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Nessa seção procuraremos descrever, em linhas muito gerais, o negócio da Xerox como um todo – da Xerox Corporation e da Xerox do Brasil, e o momento atual por que a empresa vem atravessando. Também teceremos breves comentários sobre a ação social da Xerox Corporation.

A história da Xerox teve início em 1938, quando Chester Carlson fez a primeira imagem xerográfica em seu laboratório improvisado na cidade de Nova Iorque (EUA). Atualmente, a sede da Xerox Corporation fica nesta cidade. Suas ações são comercializadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque desde 1961, na Bolsa de Chicago desde 1990, além de serem também transacionadas nas Bolsas de Boston, Cincinnati, Costa do Pacífico, Filadélfia, Londres e Suiça. (http://www.xerox.com/go/xrx, acessada em 02/09/2003)

No Brasil, a Xerox foi fundada em 1965 na cidade do Rio de Janeiro, onde até hoje permanece a sede da companhia no país. Naquele mesmo ano, ela foi transformada em sociedade anônima, porém ainda hoje não tem suas ações negociadas em bolsa no Brasil. Atualmente, além do Rio de Janeiro, a empresa detém filiais comerciais em outros quinze estados. As unidades industriais da empresa estão localizadas em Salvador (Bahia) e em Manaus (Amazonas), sendo que a unidade de Rezende (Rio de Janeiro) foi recentemente (2002) terceirizada para a empresa multinacional Flextronics.

A Xerox do Brasil é considerada, hoje em dia, como a terceira colocada no ranking mundial da Xerox Corporation, atrás apenas da Xerox dos Estados Unidos e a do Japão (Jornal Valor, 08/07/2003, p. B4). Na afiliada brasileira trabalham atualmente 4.990 pessoas,

sendo 2.072 empregados e 2.918 contratados (Xerox do Brasil / Diretoria de Recursos Humanos & Organização, novembro 2003).

Atualmente, a Xerox Corporation não quer ser vista apenas como uma companhia que vende copiadoras, mas sobretudo como uma empresa de tecnologia em processamento de documentos, que oferece soluções de escritório. Dentre os produtos, serviços e soluções oferecidos pela empresa, são destacados:

! Dispositivos para criação de imagem digital: sistemas de impressão e publicação, impressoras, multifuncionais e copiadoras;

! Impressoras a laser e por cera; máquinas de fax; e suprimentos, como toner, papel e tinta;

! Soluções para ajudar as empresas a imprimir manuais facilmente ou a criar documentos personalizados para seus cliente;

! Software de gerenciamento de documentos; serviços de gerenciamento de documentos, como administração de centros de produção internos, desenvolvimento de repositórios de documentos online ou análise de como os clientes podem criar e compartilhar documentos de modo mais eficaz no escritório.

(http://www.xerox.com/go/xrx, acessada em 02/09/2003)

No Brasil, esse novo modelo de negócio, baseado na oferta de soluções para simplificação de processos para escritórios, está apenas começando. Segundo Pedro Fábrega, presidente executivo da Xerox do Brasil, a distribuição da receita da companhia provém, no momento, 45% de negócios com copiadoras, 45% com impressoras, e apenas os 10% restantes é que advêm de consultoria e oferta de soluções. Mas, como ele explica, essa distribuição tende a mudar bastante, já que o mercado de copiadoras está em queda (cerca de 2% ao ano), enquanto o de impressoras cresce entre 5 e 7% ao ano, e os serviços de consultoria vêm tendo uma expansão de mais de 20% ao ano (Jornal Valor, 08/07/2003, p. B4).

A mudança no modelo de negócio foi uma das estratégias adotadas pela empresa para superar a crise financeira que atingiu a Xerox em âmbito mundial, no final da década de 90. Para Anne M. Mulcahy, presidente do Conselho e CEO (Chief Executive Officer) da Xerox Corporation, a empresa conseguiu enfrentar (entre 2000-2002) a crise mais séria de toda sua história, e emergiu como uma empresa que está mais forte, diferente e melhor – uma

companhia preparada e decidida para atingir novos níveis de grandeza (na Carta aos Acionistas in Xerox Annual Report 2002: http://www.xerox.com, acessado em nov./2003).

Prova de que a empresa está conseguindo efetivamente se recuperar é que, entre fins de 2000 e de 2002, a Xerox Corporation conseguiu reduzir a sua dívida total em US$ 4,4 bilhões, fechando este último ano com US$ 2,9 bilhões em caixa. O resultado final de 2002 também apresentou lucro de US$ 91 milhões, contra prejuízo que havia sido de US$ 273 milhões em 2000. Porém, o preço social desse processo de reestruturação vem sendo a redução drástica havida no nível de emprego da Corporação, que passou de 94.600, em 1999, para 67.800 empregados em 2002, e para 63.900 ao final do primeiro semestre de 2003. (Xerox Annual Report 2002: http://www.xerox.com, acessado em nov./2003)

Também no Brasil65, a Xerox quer virar a página das dificuldades financeiras, das investigações contábeis66 da SEC (United States Securities and Exchange Commission) e da reestruturação em que esteve envolvida nos dois últimos anos (Pedro Fábrega, presidente executivo da Xerox do Brasil in Jornal Valor, 08/07/2003: p.B4). De modo a recuperar a rentabilidade dos negócios, a empresa já terceirizou as áreas de vendas, armazenamento, cobrança, distribuição e suporte técnico.

A Fundação Xerox é o braço da Corporação que pretende dar algum tipo de retorno às comunidades de onde provêem os seus empregados, consumidores e a sua própria liberdade de conduzir os negócios. Ela faz doações anuais em torno de US$ 15 milhões, e tem uma atuação bastante abrangente, cobrindo cinco grandes áreas, a saber: (a) educação e preparação da força de trabalho, por meio de doações para escolas e universidades; (b) ciência e tecnologia; (c) funcionários e comunidades; (d) assuntos culturais; e (e) assuntos nacionais.

(http://www.xerox.com/Static_HTML/xerox_foundation/en_US/xerox_foundation.html ,

acessado em 17/12/2003)

O exame do referido site da Fundação Xerox mostra que o foco da entidade está voltado para os Estados Unidos, país-sede da corporação. No Brasil, o Instituto Xerox não recebe doações da Fundação Xerox.

65 Por orientação da Xerox Corporation, não podem ser divulgados os dados em separado do balanço econômico- financeiro das empresas afiliadas.

66 Na referida entrevista, Pedro Fábrega explicou que os contratos de aluguel de copiadoras feitos pela empresa brasileira em prazos de 36 ou 48 meses eram, até então, contabilizados como venda. No entanto, a SEC “achou que essa não era a maneira mais correta de contabilizá-los e, por isso, mudamos”. Inclusive, a empresa decidiu abandonar a prática do aluguel de copiadoras – “a ênfase agora é venda; e só alugamos em casos muito específicos”.

Particularmente, no que se refere à área “funcionários e comunidades”, a Fundação desenvolve quatro programas, que são: (1) Programa de Envolvimento com a Comunidade, que desde 1974 vem fazendo doações para projetos sociais apoiados por grupos de funcionários; (2) Programa de Licença dos Funcionários para Serviço Social, que desde 1971 vem concedendo licença de até um ano para que seus funcionários possam trabalhar em tempo integral em projetos sociais; (3) Programa de Doações para Instituições de Nível Superior, o que é feito em parceria com os funcionários; e (4) Programa de Apoio aos Funcionários para doações às organizações participantes do United Way, que é um movimento norte-americano de atendimento às comunidades carentes67.

Enfim, o interessante aqui é constatar que, apesar das dificuldades econômico- financeiras que a Xerox atravessou recentemente, o programa social da corporação foi mantido, tanto em âmbito internacional como no Brasil. A seguir, ao aplicarmos a metodologia de avaliação da eficácia privada da ação social empresarial que estamos propondo, procuraremos identificar de que modo o programa social desenvolvido pela Xerox no Brasil pode estar contribuindo para os negócios da empresa no país.

III.3) AVALIANDO A EFICÁCIA PÚBLICA DA AÇÃO SOCIAL DA XEROX NA

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