2. TEKLİF ÇAĞRISINA İLİŞKİN KURALLAR 12
2.5. Sözleşme İmzalanması ve Uygulama Koşulları
Segundo Ronza (1998), “a monitorização é um mecanismo geralmente adotado tanto para verificar se as condições impostas a um projeto estão sendo cumpridas, como para verificar a qualidade do ambiente afetado pelo projeto em questão”.
Para Agra Filho (1993), o conceito de monitoramento ambiental está intrinsecamente ligado com o conceito de AIA, já que este é revestido de um caráter essencialmente contínuo e adaptativo que não se esgota na aprovação do projeto. Assim, o monitoramento propicia a aferição das medidas mitigadoras implantadas e possibilita a indicação de ações corretivas no caso de se evidenciarem efeitos imprevistos. O monitoramento ambiental é uma atividade indispensável no processo de retroalimentação e no sucesso do planejamento ambiental de determinado projeto. Nesse sentido, acha-se plenamente coerente concordar com o autor, no que diz respeito à avaliação de impacto ambiental ser uma atividade contínua, não se esgotando nem antes nem depois da tomada de decisões e procedendo-se a sua revisão e atualização periodicamente, após o pleno funcionamento do projeto ou atividade.
Ainda segundo o autor, o monitoramento, como fase do processo de AIA, está direcionado pela Resolução CONAMA, 001/86, que determina como uma das atividades mínimas do desenvolvimento de EIA’s e respectivos RIMA’s, a “Elaboração do programa de
acompanhamento e monitoramento dos impactos positivos e negativos, indicando os fatores e os parâmetros a serem considerados”. Nestes termos, pressupõe-se que um programa de acompanhamento previsto constitui-se de atividades de monitoramento sob a responsabilidade do empreendedor; contudo, não existirá um efetivo cumprimento dessas medidas se um modelo correspondente não for desenvolvido pelas autoridades ambientais competentes.
Em resumo, de nada adianta um programa altamente elaborado por parte do empreendedor se não existir a contrapartida do órgão ambiental em relação ao processo de fiscalização e monitoramento desses planos. Em relação a esse assunto, pode-se afirmar que, para o sucesso de um plano de monitoramento ambiental, além de empreendedores sérios e comprometidos com a função que desempenham dentro de uma determinada comunidade, também é absolutamente necessário um órgão ambiental coerente, consciente e envolvido com o seu papel de autoridade ambiental.
A disposição dos órgãos ambientais no acompanhamento desses processos também é discutida por Agra Filho (1993) de maneira mais efetiva, quando diz que “outra dificuldade encontrada é em relação à precariedade dos órgãos ambientais no que diz respeito a grande deficiência operacional ainda observada”. Segundo o autor, o que acaba acontecendo é que os órgãos ambientais muitas vezes não apresentam uma equipe técnica qualificada para fiscalizar os programas de monitoramento desenvolvido pelos empreendedores, assim como para analisar e aferir os resultados apresentados pela empresa.
Por sua vez, Sánchez (2006) fortalece em suas definições outro aspecto de muita importância que os planos de monitoramento desenvolvem e que está relacionado ao papel de controle dos possíveis danos ambientais gerados por determinado projeto. Segundo ele: “a principal função do monitoramento ambiental é controlar o desempenho ambiental do empreendimento, e para isso ele só faz sentido se suscitar ações de controle. Caso o monitoramento detecte algum problema, o empreendedor deve ser capaz de adotar medidas corretivas dentro dos prazos razoáveis”. Infelizmente, é bem nesse aspecto que acontecem os entraves; em sua maioria, os planos de monitoramento ambiental devem ser descritos como receitas de bolo. Diz-se isso no sentido de que devem apresentar ações (passo a passo) de como estes têm que ser realizados e quais os procedimentos necessários para que o bom funcionamento do empreendimento e o cuidado com o meio ambiente possam ocorrer. Na prática, porém, não é bem isso o que se vê, pois, em sua maioria, os planos e programas de monitoramento ambiental apresentam-se vagos e sem nenhuma correlação com o ambiente local. A impressão que se tem é de que eles são apenas cópias sem nenhuma preocupação se estão, ou não, adequados àquele ambiente.
No EIA/RIMA objeto deste estudo, os planos e programas apresentados são: Plano de Recuperação de Áreas Degradadas, Plano de Monitoramento da Qualidade da Água, Plano de Preservação de Área de Interesse Ecológico, Programa de Educação Ambiental, Plano de Manejo de Resíduos Sólidos e Plano de Proteção ao Trabalhador e Segurança no Ambiente de Trabalho. Em razão da diversidade dos planos apresentados, resolvem-se fazer revisões, para uma análise mais completa, somente àquele que é exigido pela Resolução específica para a carcinicultura como condição legal para a concessão da Licença de Operação para esses empreendimentos, (CONAMA 312/02, anexo III). De acordo com essa Resolução, o Plano de Monitoramento Ambiental deverá apresentar como parâmetros mínimos:
1. Estação de Coleta; 2. Parâmetros de Coleta; 3. Cronograma; e
4. Relatório Técnico.
A análise do Plano de Monitoramento Ambiental apresentado pelo empreendedor, chamado de Plano de Monitoramento da Qualidade da Água, evidenciou que os dados presentes no estudo não mostraram grande diferença do que já foi comentado, onde as informações apresentadas se mostraram generalistas, sem se prender a detalhes referentes à área diretamente afetada. Na descrição dos parâmetros biológicos, a situação é ainda pior, pois a falta de informação realmente útil é constante, e, nem mesmo os aspectos necessários para o monitoramento foram citados, fato que só foi observado posteriormente, no quadro- resumo com a indicação dos parâmetros que deveriam ser analisados no Plano de Monitoramento Ambiental.
O que observa-se, logo no início do plano, é a transcrição de tudo o que está especificado na Resolução CONAMA 312/02. A partir daí, os parâmetros físicos e químicos necessários para a “sobrevivência dos camarões nos viveiros”, como evidenciado no texto, chamado nesse caso de “monitoramento ambiental,” são descritos e com alguns deles são indicadas as formas de monitoramento. Mesmo com esses parâmetros, a maneira como todo o processo é exposto deixa a desejar, pois somente em alguns casos ocorre a indicação de qual equipamento deverá ser utilizado e quais os limites permitidos para cada um deles; outras falhas relacionadas à quantidade e a frequência de cada medição também foram observadas.
Os dados referentes à periodicidade nas medições só são mencionados posteriormente, no final do relatório e de maneira generalista, como pode ser observado no
seguinte trecho: “devido ao grande porte do empreendimento, as amostragens dos parâmetros físicos, químicos e biológicos devem ser realizadas mensalmente, durante toda a vida útil do empreendimento. O período de amostragem deve ser sempre em amostragens regulares”. É necessário deixar bem claro, porém, que todos os parâmetros, por apresentarem características diferenciadas, deveriam indicar separadamente os aspectos inerentes as suas respectivas coletas de dados, tais como: datas e horários de realização das coletas, como estas devem ser realizadas, quais os parâmetro permitidos para cada um dos componentes analisados, quem é o responsável pela coleta e análise do material e quais providencias devem ser tomadas no caso de algum dos parâmetros se apresentarem fora dos limites estabelecidos.
O quadro 03 retrata os principais parâmetros ambientais indicados no PMA e que deveriam ser monitorados pelo empreendedor, de acordo como foi estabelecido.
Quadro 03. Indicação dos parâmetros físicos, químicos e biológicos indicados no Plano de Monitoramento
Ambiental.
Parâmetros físicos Parâmetros químicos Parâmetros biológicos e biogeoquímicos
Transparência Ph DBO
Temperatura Oxigênio Dissolvido – OD Coliformes fecais
Turbidez Amônia ionizada e não
ionizada
Coliformes totais
Salinidade Nitrito Clorofila
Cor Nitrato
Fosfato Total Fonte: EIA/RIMA. SEMACE/2006.
Entre outras falhas observadas durante a análise do Plano de Monitoramento Ambiental, pode ser citada a total falta de coerência entre alguns parágrafos, pois, além de não apresentarem informações não verdadeiras para a área de estudo, ainda dizem respeito a outros ambientes. Este fato serve para comprovar ainda mais uma teoria particular de que os planos, assim como muitos EIAs, são meras cópias de um estudo para outro, como observado no parágrafo extraído do PMA: “considerando que as águas de abastecimento da fazenda ilhotas de criação de camarão provêm do estuário do rio Aracati Mirim, há que se convir que o nível de salinidade dos viveiros deva apresentar grande variação durante os períodos de inverno ou verão”. Quando se ler esse parágrafo no plano não se conseguiu acreditar. Diz-se isso porque o estudo em questão não é referente a essa fazenda e nem a água que é provida para o abastecimento dos tanques tampouco é captada do estuário citado. Assim, com a descrição desse parágrafo, fica bem claro o descaso da equipe técnica, responsável pelo estudo, durante a confecção desse plano.
Outro fator bastante relevante diz respeito a não-observação, em nenhum momento, no controle dos parâmetros ambientais, das características relacionadas à qualidade do ambiente propriamente dito, como, por exemplo, ao controle da água que voltará para o recurso hídrico. Muito pelo contrário, a única preocupação de todo o plano de monitoramento está relacionada simplesmente à qualidade da água para cultivo do camarão, fato que pode ser comprovado com o parágrafo: “Em face do exposto e considerando o fato de que a atividade de cultivo de camarão (carcinicultura) exige excepcionais condições bio-ecológicas em todo o seu processo produtivo, o monitoramento da qualidade da água utilizada no abastecimento dos viveiros, cultivo das pós-larvas/camarões e drenagem dos viveiros fará parte integrante do processo de gerenciamento do empreendimento”.
Além das especificações relacionadas aos parâmetros de coleta e ao cronograma, o Plano de Monitoramento Ambiental também apresenta um quadro indicando onde as estações de coleta deverão ser inseridas e descreve como deverá ser o relatório técnico enviado para o órgão ambiental. Durante a indicação de como essas informações deverão ser apresentadas, contudo, é evidenciado pelos técnicos (autores do PMA), o fato de que as informações referentes a esses dados deverão ser tratadas com muito cuidado, fato que se torna irônico, pois esse zelo no tratamento da informação não ocorreu nem durante a descrição do próprio plano.
Durante a pesquisa de campo, procura-se verificar com o gerente da fazenda se os planos de monitoramento para a área estavam ou não sendo cumpridos e, segundo ele, o plano de monitoramento da água estava sendo realizado e o órgão ambiental fiscalizava a fazenda regularmente, contudo, durante a pesquisa no órgão ambiental, esse fato não pode ser confirmado, pois não se pode ter acesso aos documentos que comprovam tal monitoramento e como os processos de carcinicultura estão parados. Em razão do entrave IBAMA/SEMACE, fica praticamente impossível saber alguma coisa sobre esse assunto.
Em entrevista realizada com o Superintendente da SEMACE, Sr. Herbert de Vasconcelos, no entanto, foi afirmado por ele que a fiscalização do Monitoramento no EIA tem como um das suas demandas o Plano de Controle Ambiental, que é visto pela SEMACE como uma espécie de automonitoramento. De acordo com o Superintendente,
“O órgão ambiental não pode está em todos os locais então, se entende que o empreendedor, na figura do consultor ambiental, deverá nos informar como anda o encaminhamento daquele plano, contudo, o monitoramento só é efetivamente considerado na renovação da licença com uma visita do técnico a área em questão. Como as licenças têm duração de um ano, pelo menos uma vez por ano ocorre o monitoramento”. (ENTREVISTA REALIZADA EM 04 DE MARÇO DE 2009. SUPERINTENDENTE DA SEMACE SR. HERBERT DE VASCONCELOS).
Assim, como arrimo nesse trecho da entrevista, conclui-se que o PCA, por si só, representa o monitoramento ambiental e fica a cargo do empreendedor e de uma consultora, e a SEMACE fica responsável por fiscalizar, uma vez por ano, durante o período de renovação da licença se o mesmo está ou não sendo cumprido.