1.4. Çırçır, Linter ve Lif Döküntüsü Prese Fabrikaları
1.4.3. Rollergin makineleri ile sawgin makinelerinin karşılaştırılması
A evidência do sujeito, inclusive a evidência de que “eu sou realmente eu”, mascara, portanto, que o sujeito se produz no processo de interpelação-identificação a partir dos lugares que lhe são designados nesse processo. O discurso jurídico é um exemplo claro dessa designação. Nele, o futuro do subjuntivo (“todo aquele que causar um dano a alguém....”) prepara o advento do sujeito do direito enquanto tal, como um objeto que preenche o lugar de argumento em uma função proposicional. De forma semelhante, o sujeito ideológico que o reduplica resulta da norma identificatória que admite a forma lógica da implicação se p, então
q (“um soldado francês não recua. Logo, se x é um soldado francês, ele não deve recuar”). O
aparato lingüístico funciona assim como “um dispositivo de retomada do jogo” (SD: 160), a partir da ficção da transparência da linguagem, velando o caráter material do sentido das palavras e dos enunciados no interior de uma formação ideológica. Cabe, pois, explicitar em que consiste esse caráter material do sentido, por meio de duas teses e de suas definições correlatas:
1- O sentido de uma palavra, de uma expressão ou de uma proposição está na dependência da formação ideológica na qual se inscreve. Isso define uma formação
discursiva como “aquilo que, numa formação ideológica dada, isto é, a partir de uma
posição dada em uma conjuntura dada, determinada pelo estado da luta de classes, determina o que pode e deve ser dito” (SD: 160). Deriva daí que “os indivíduos são ‘interpelados’ em sujeitos do seu discurso pelas formações discursivas que representam “‘na linguagem’ as formações ideológicas que lhe são correspondentes” (SD: 161). As palavras retiram seu sentido das formações discursivas no interior da qual se relacionam, estabelecendo-se desta forma o campo semântico onde se afere esse sentido. Designa-se então, por processo discursivo, “o sistema de relações de substituição, paráfrases, sinonímias, etc., que funcionam entre elementos lingüísticos — “significantes”— em uma formação discursiva dada” (SD: 161). Pode-se dizer, portanto, que o sujeito é produzido a partir dos pontos de estabilização de um determinado domínio de pensamento, criando-se dessa forma as condições de consenso que regulam as relações intersubjetivas.
2- “Toda formação discursiva dissimula, pela transparência do sentido que nela se
constitui, sua dependência com respeito ao ‘todo complexo com dominante’ das formações discursivas, intrincado no complexo das formações ideológicas [...]” (SD: 162). Define-se como interdiscurso o “todo complexo com dominante” das formações discursivas cuja objetividade material é dada pelo fato de que “algo fala” (ça parle) sempre “antes, em outro lugar e independentemente”. Os dois tipos de discrepâncias assinalados por Pêcheux, quais sejam, o efeito de encadeamento do pré-construído e o efeito de articulação de enunciados, estão, assim, determinados materialmente na própria estrutura do interdiscurso. O funcionamento da ideologia em geral fornece, por meio da interpelação dos indivíduos em sujeitos de seu discurso e mediante o complexo das formações ideológicas, a relação imaginária que cada sujeito estabelece com a realidade. Mas esse “ego”, assim formado, não pode reconhecer seu próprio assujeitamento ao Outro ou ao Sujeito, “já que essa subordinação-assujeitamento se realiza precisamente no sujeito sob a forma da autonomia” (SD: 163), pela qual o sujeito se reproduz como interior sem exterior pela determinação do real e do interdiscurso como real exterior. A esse funcionamento espontâneo da forma sujeito, por fim, corresponde o idealismo filosófico, “por meio do qual se dá como essência do real aquilo que constitui seu efeito representado por um sujeito” (SD: 163). Essa tese pêchetiana pode ser então finalizada a partir de uma citação que sintetiza a relação do
sujeito com o discurso e que, dada a sua importância para o tema que nos ocupa, reproduziremos na íntegra:
Somos, assim, levados a examinar as propriedades discursivas da forma- sujeito, do “ego imaginário”, como “sujeito do discurso”. Já observamos que o sujeito se constitui pelo “esquecimento” daquilo que o determina. Podemos agora precisar que a interpelação do indivíduo em sujeito de seu discurso se efetua pela identificação (do sujeito) com a formação discursiva que o domina (isto é, na qual ele é constituído como sujeito): essa identificação, fundadora da unidade (imaginária) do sujeito, apóia-se no fato de que os elementos do interdiscurso (sob sua dupla forma, descrita mais acima, enquanto “pré- construído” e “processo de sustentação”) que constituem, no discurso do sujeito, os traços daquilo que o determina, são re-inscritos no discurso do próprio sujeito (SD: 163).
A distinção entre o efeito de pré-construído e a articulação de enunciados pode ser esclarecida e simplificada levando-se em conta a forma como se especificam no interdiscurso. Na medida em que o pré-construído corresponde ao sempre-já-aí da interpelação ideológica, ele remete àquilo que todo mundo sabe, isto é, aos conteúdos de pensamento do sujeito universal suporte da identificação e “àquilo que todo mundo, em uma ‘situação’ dada, pode ser e entender sob a forma das evidências do ‘contexto situacional’” (SD: 171). Ao passo que a articulação de enunciados “constitui o sujeito em sua relação com o sentido [...]” (SD: 164), ligando entre si os elementos discursivos constituídos pelo pré-construído, evocando no pensamento do sujeito o Sujeito universal da ideologia, através de formas lingüísticas que o interpelam, tais como: “todo mundo sabe que ...”, “é claro que...”, etc. Nesse sentido, a articulação de enunciados é constituída pelos fenômenos de co-referência que “garantem aquilo que se pode chamar o ‘fio do discurso’, enquanto discurso de um sujeito” (SD: 166).