2. POLĠÇE RAPOR ĠġLEMLERĠ
2.6. Riskli Poliçe izleme
Apresentam-se aqui as vivências concretas que os sujeitos tiveram por ocasião do Curso de Formação em Pedagogia e os contextos estabelecidos com o fenômeno da pesquisa. É ratificado, como visto anteriormente, que o Curso de Pedagogia surge como ciência para formar professores que desenvolvam conhecimentos, habilidades e atitudes para atuarem como docentes em classes de educação infantil e ensino fundamental (1º a 5º ano). Essa iniciativa em formar profissionais competentes para o ensino, bem como para outras funções de gestão escolar, como coordenação pedagógica ou afins, sempre foi incentivada no ensino presencial, todavia surge a necessidade de ampliar o acesso ao ensino superior com cursos na modalidade a distância, com o propósito de reduzir o número de profissionais leigos e de ampliar o acesso à Educação Superior em lugares mais longínquos.
No interior, onde o mercado de trabalho é mais restrito, é de se esperar que o acesso a um emprego seja fator determinante associado à qualificação profissional na escolha de um curso superior. Diante disso, o que sustenta o desejo de se ter um nível superior de ensino? Algum motivo é latente e sinalizado nas falas dos estudantes? Os discursos que seguem tentam responder a essas indagações.
Na unidade de sentido 3. O mercado de trabalho desperta o interesse em
cursar uma faculdade, os discursos revelam a esperança dos universitários de poderem
conseguir emprego e melhorar o salário por meio do ensino superior. Eles expressam:
O que me motivou, na verdade, foi ter o nível superior, que é pedido muito e até
mesmo na questão salarial, né? (E12, grifo da pesquisadora).
Eu sempre tive vontade de fazer um curso superior [...] (E13, grifo da pesquisadora).
[...] por necessidade, porque eu preciso, né? (E24, grifo da pesquisadora).
[...] É a possibilidade de realização de um sonho de muita gente [...]. (E4, grifo da pesquisadora).
É provável que eles tenham alguma informação sobre a influência que os três elementos indicados – “ter nível superior”, “questão salarial” e “qualificação” – exercem no momento de conseguir um emprego porque são elementos objetivos. Porém, ter esperança de que realmente consigam uma vaga no mercado de trabalho, cujo acesso envolve competição
entre os mais competentes, envolve algo além da objetividade, que se poderia chamar de fé perceptiva, na visão pontiana, na medida em que os ingredientes objetivos são necessários, mas não suficientes. Esse tipo de expectativa pode ser gerado nos fóruns on-line, na interação entre discentes, de acordo com o Anexo E (Boas práticas que têm resultados positivos na aplicação das TICs), de Martyn (2003), dado que esses mecanismos podem fornecer informações sobre o mercado de trabalho e outros assuntos correlatos.
O salário, entretanto, não é o único fator motivador para os estudantes, pois, igualmente, o sonho de ser professor existe, de se qualificar para desenvolver melhor sua atuação profissional e se tornar um agente transformador no processo de aprendizagem. Sobre isso, os aprendizes revelam:
E eu precisava também adicionar isso ao pedagógico. [...] (E4, grifo da pesquisadora).
A Pedagogia conseguiu [...] potencializar meu conhecimento. [...] (E7, grifo da pesquisadora).
O que me motivou foi adquirir mais conhecimento para a minha profissão, né? [...]. (E15, grifo da pesquisadora).
É a possibilidade da realização do sonho de muita gente, que é ser independente, seria muito complicado cursar uma faculdade tradicional, então a EaD foi um projeto iluminado, nos proporcionou muita alegria, né! A realização dos sonhos, como eu falei aqui, certo? É um projeto que visou pessoas que não tinham condições de realizar o sonho de entrar numa faculdade pública [...]. (E3, grifo da pesquisadora).
As expressões evidenciam que o sonho acadêmico não é algo difícil de ser realizado, mas são necessários persistência, estudo e foco para trilhar novos caminhos e adquirir mais conhecimentos. Esse processo é descrito por Merleau-Ponty da seguinte forma: “O sonhador não começa por representar para si mesmo o conteúdo latente do seu sonho, aquele que será revelado pela segunda narrativa com auxílio de imagens adequadas [...].” (apud FERRAZ, 2006, p. 120). Nesse caso, os sentidos reais são cursar uma faculdade, ser independente na vida e realizar um sonho. Vê-se, portanto, a existência de um projeto tido como idealidade que a fé pode transformar em realidade.
Quanto aos posicionamentos dos docentes sobre o Curso de Pedagogia na modalidade a distância, pode-se afirmar que são bem positivos, pois consideram que a formação superior impacta na realidade dos alunos. Os docentes (tutores e professores) revelam:
Importante, a despeito do pouco acesso ao meio digital da maioria dos alunos Ceará adentro. (PROF. 12).
É uma oportunidade importante para a interiorização da UECE. O projeto é
bem construído e fundamentado; o projeto de estágio tem relevância inovadora, em sua perspectiva interligada e contextualizada, e representa, além de resposta a uma demanda importante de formação de professores, muitas vezes, a única porta de entrada ao ensino superior capaz de mudar as relações sociais e impactar no município participante, pois qualifica seus estudantes. (TUTOR 1, grifo da pesquisadora).
Eu percebo como algo muito importante para o nosso país, mas penso que seria
melhor para a formação continuada, dado o contexto em que vivemos. [...] de todo modo, já vi muitos frutos das turmas em que ministrei aulas, pessoas que nunca
teriam oportunidade de um ensino superior regular estão se sobressaindo em seus municípios. (PROF. 2, grifo da pesquisadora).
Considerando as respostas, é possível perceber posições otimistas quando da realização desse curso na modalidade semipresencial, as quais revelam a importância dessa ação para a interiorização dos cursos superiores no Estado do Ceará, visto ser uma resposta à demanda de profissionais de Educação, no caso, pedagogos, bem como uma oportunidade de mudar a realidade local, pessoal e profissional do estudante.
Não obstante, essa percepção positiva de interiorização do ensino superior é contrastada com as opiniões dos docentes, os quais argumentam que a formação é deficiente, que as estruturas dos polos não colaboram com uma aprendizagem efetiva, em função da deficiência dos laboratórios de informática e da falta de internet, sem contar a repetição dos recursos de interação e interatividade no AVA. Os depoimentos apresentam:
Deficiente, precária: uma formação aligeirada, que não proporciona aos alunos uma
formação sólida, que reflita significativamente doravante na sua atuação profissional. (PROF. 5, grifo da pesquisadora).
Há carência de laboratórios para todas as turmas e todos da turma. (PROF. 1,
grifo da pesquisadora).
Senti que muitos polos têm problemas com os laboratórios de informática; a
internet, às vezes, é ruim, os alunos moram em zonas rurais distantes [...].
(PROF. 2, grifo da pesquisadora).
Não. A conexão com a internet é ruim, a qualidade das instalações físicas é
insatisfatória. Não existem condições para interações on-line de forma síncrona,
utilizando recursos audiovisuais, e não existem padrões arquitetônicos de acessibilidade para pessoas com deficiência. (PROF. 6, grifo da pesquisadora). A estrutura física, por vezes, está saturada, são muitos os cursos e universidades
disputando o mesmo espaço e equipamentos, os polos são monitorados pelo MEC, que, quando constata estrutura inadequada, logo o descredencia, mas temos problemas comuns de falta de equipamentos, laboratórios, bibliotecas adequadas
aos cursos e internet muito lenta. (TUTOR 1, grifo da pesquisadora).
Mesmo com essa posição dicotômica entre a necessidade e a deficiência, é notório que o curso superior assume destaque por sua capilaridade e importância na vida do
indivíduo, não desconsiderando que as fragilidades estruturais devem ser reduzidas para não impactar na comunicação empregada no curso.
Essas posições evidenciam que, embora o curso esteja ampliando o acesso dos indivíduos ao ensino superior, a interiorização de faculdades, as oportunidades de novos negócios e os profissionais na região, ele apresenta problemas em sua operacionalização, principalmente quanto à infraestrutura. Os programas de formação se estabelecem com convênios de parceria, a universidade, por meio do MEC/Capes, assume a gestão do curso (projeto, docentes, material didático, equipamentos e tecnologia), e os municípios assumem o espaço e sua infraestrutura. É mediante essas negociações que se percebe um distanciamento entre o acordado e o executado na prática, no entanto, percebe-se um comprometimento em amenizar essas dificuldades.
Outro aspecto muito preocupante que não deve ser esquecido é o perfil dos aprendizes, que, em sua maioria, possuem uma formação inicial básica, com restrições aos domínios de informática, o que redunda em dificuldades de interatividade com as ferramentas, sem contar o nível de compreensão, que compromete o aprofundamento das temáticas necessárias à ocupação. O comentário a seguir ilustra essa preocupação:
As restrições são: o tempo curtíssimo e a falta de autonomia de algumas pessoas.
Outro fator é a fraca formação inicial, pois tem cursistas com sérias dificuldades de compreensão, que não têm hábito de leitura e nem formação básica para usar o PC. O primeiro ano do curso é muito difícil, pela falta desses conhecimentos prévios. (TUTOR 2, grifo da pesquisadora).
Essas colocações imprimem uma posição de que, embora o Curso de Pedagogia na modalidade a distância tenha uma relevância social, é preciso ter um projeto de melhorias de suas estruturas físicas, tecnológicas e de recursos didáticos, bem como exigir dos discentes uma postura mais ativa diante do curso, com atitudes de responsabilidade, organização, interesse, autonomia e disciplina para se adequarem a essa modalidade de ensino.
Na unidade de sentido 4. Os conteúdos acadêmicos conectam-se com a vida
prática do estudante, revela-se que a aquisição de conhecimento é importante para a vida
profissional e pessoal, posto que vai se relacionando com o cotidiano do aprendiz. Assim, percebe-se uma ótima aceitação das temáticas discutidas no curso, haja vista que os assuntos são úteis na vida cotidiana do indivíduo. Os educandos revelam:
Têm muita utilidade para a minha vida em geral, sim, pois eles nos humanizam.
(E1, grifo da pesquisadora).
[...] Muita utilidade tanto para exercer a profissão como para a vida diária da
Tem muitos assuntos que têm, porque, muitas vezes, o professor na sala puxa
aquele assunto que dá certinho para a vida da gente. [...] a gente sente que está
se referindo igualmente ao que está acontecendo com a família. (E23, grifo da
pesquisadora).
Os depoimentos mostram que os assuntos discutidos em sala de aula têm interação com o estudante e assumem um papel importante na vida prática dele após concluir o curso. Como mostram Moore e Kearsley (2010, p. 152), “É a interação com o conteúdo que resulta nas alterações da compreensão do aluno, aquilo que algumas vezes se denomina uma mudança de perspectiva”. As temáticas discutidas são organizadas para que os discentes percebam a necessidade de estudo e o relacionem com a realidade, evitando o desinteresse e o distanciamento, estimulando-lhes para que assumam ações contextualizadas com o que foi apreendido na formação.
Dessa forma, os relatos apontam na direção de que os educandos colocam em prática os assuntos discutidos em sala e que os temas têm toda relação com a sua realidade, seu cotidiano e sua família, isto é, os conhecimentos são aplicados tanto na vida pessoal como na profissional. Essas confirmações também podem ser vistas nas posições dos docentes, os quais acreditam que, por meio de um currículo contextualizado, os alunos são estimulados a praticar o conteúdo estudado. O currículo, na formação de nível superior, deve ser construído de acordo com a visão de mundo, de sociedade e de homem que a instituição defende. Essas escolhas filosóficas, sociológicas e pedagógicas devem primar pela educação do indivíduo, articuladas aos conhecimentos técnicos e de profissionalização que a ocupação em docência exige e também à sua relação com a prática. Os educadores sinalizam:
Os módulos são bem contextualizados e organizados, baseados em reflexões críticas e na valorização da práxis como ação fundamental na ação docente (TUTOR 1). Sim, achei muito interessante também a inclusão de Libras e de Educação
Especial, devido à sua inclusão nas escolas. (TUTOR 3, grifo da pesquisadora). Sim, pois todos os materiais utilizados têm relação direta com as disciplinas curriculares que constam no projeto pedagógico do curso. (PROF. 6, grifo da
pesquisadora).
Sim, acredito que o currículo é bem diversificado e tem muitas disciplinas interessantes. A estrutura das disciplinas de Pesquisa e Prática Pedagógica contribui
de forma mais efetiva, que finalizam com os projetos de estágio e a sua concretização, momento em que o aluno tem oportunidade de colocar tudo o que viu em prática. (PROF. 2, grifo da pesquisadora).
Com certeza. Gosto da proposta curricular do Curso de Pedagogia a distância
da UECE. Garanto que mais de 70% dos cursistas que acompanhei estão aptos para o mercado de trabalho. Não só como professores, mas como educadores.
Sempre são colocados na perspectiva da atuação profissional, portanto, os estudantes têm a oportunidade de refletir a prática profissional lastreados nos
conteúdos propostos. Quando os estudantes já são profissionais do magistério (e a
maioria o é), eles contrastam a teoria à própria prática e retificam ou ratificam
seu comportamento, sempre ampliando o saber. Cabe aos tutores presenciais e
virtuais estimularem a construção colaborativa de „novas‟ práticas, propondo pesquisas, anotações, reflexões e registros das conclusões fase a fase, sempre iluminando a possibilidade de mudanças contínuas, durante e depois da presente formação. Desse modo, teremos sempre conteúdos úteis e relevantes para a vida
dos estudantes e já ou futuros profissionais (eternos estudantes). (PROF. 1, grifo
da pesquisadora).
Como visto nas respostas, os conteúdos ministrados no Curso de Pedagogia a distância da UECE são bem organizados e estruturados, possibilitando uma proximidade com a vida prática dos universitários, favorecendo o conhecimento de assuntos da realidade laboral. Isso mostra que o curso foi pensado numa perspectiva de ação, reflexão e ação, como tanto defende Paulo Freire (2009). Não obstante, alguns discentes, em virtude do nível de escolarização, precisam de um amadurecimento intelectual para que consigam realizar as abstrações e interlocuções das temáticas das disciplinas com a vida pessoal e profissional.
Associado à proposta de curso on-line, currículo, conteúdo e formas de atuação dos sujeitos, está também o encerramento da disciplina. Esse momento significa que os envolvidos em alguma ação, projeto ou atividade precisam finalizar e fechar o ciclo (começo, meio e fim; para uma disciplina, seria abertura, desenvolvimento e fechamento). Como isso acontece? Existe algum ritual? Acredita-se que sim, malgrado se reconheça algum tipo de ansiedade por parte dos educandos para concluírem a disciplina, já que o rendimento obtido na prova, somado aos conseguidos nos demais instrumentos, reflete o sucesso ou não da disciplina, resultado que só se efetiva no final. Considerando essa perspectiva de ritualidade, o Prof. 6 (grifo da pesquisadora) apresenta:
Geralmente a avaliação presencial na forma de prova é o marco final da disciplina, havendo um encontro presencial no dia anterior para o esclarecimento de
dúvidas. No Ambiente Virtual de Aprendizagem, são registradas as notas desse
processo avaliativo, considerando as ponderações de pesos, distinguindo as avaliações presenciais das avaliações a distância.
Como percebido, existe, sim, um processo de ritualidade no encerramento da disciplina, revisão geral do conteúdo, aplicação da prova no dia seguinte, preenchimento on-line
dos resultados. Essa organização faz com que esse encontro presencial seja o último contato dos estudantes com os professores e/ou tutores, um ritual, tira-dúvidas e prova. Mas será que essa ação deveria se dar somente no último dia de aula? E os momentos de feedback com os alunos? E as reflexões acerca de melhorias e possíveis ajustes na construção e consolidação do conhecimento? Sobre isso, é pertinente o discurso de um dos depoentes: “Tento discutir os
resultados com os alunos, mas, em virtude dos prazos curtos a cumprir, nem sempre é possível
fazer isso com mais profundidade.” (PROF. 5, grifo da pesquisadora).
A consideração do professor revela sua preocupação em dar um feedback para seu estudante, todavia, a estrutura sugerida pela instituição não possibilita essa ação tão importante para a reconstrução dos conhecimentos. Talvez fosse necessário repensar esse encerramento da disciplina, vislumbrando não o fim, mas a continuidade de uma formação que seja retroalimentada pelas reflexões, práticas e interlocuções entre colegas, conteúdos e professores.
Na unidade de sentido 5. A modalidade de Educação a Distância desperta
interesse pelo estudo, reporta-se à importância de sua relação com a aprendizagem e com a
construção de conhecimento, entretanto, traz-se um descompasso conceitual dos posicionamentos dos aprendizes, envolvendo os elementos mostrados no Anexo H sobre o AVA e sobre a definição técnica que a Educação a Distância tem na literatura. No entanto, aspectos vivenciados decorrentes do uso da EaD e que transmitem sua essência são revelados nos depoimentos que seguem:
[...] É uma modalidade que ela facilita a tua vida [...] para você buscar o seu
próprio conhecimento [...]. (E11, grifo da pesquisadora).
[...] é a modalidade que dá liberdade ao aluno para desenvolver a autonomia de
pesquisador [...]. (E6, grifo da pesquisadora).
A Educação a Distância é a Educação em que você tem aquela autonomia de
buscar, de procurar, de conhecer, de aumentar, é uma forma em que você é
estimulado a isso, é uma forma em que você é estimulado a buscar o
conhecimento, o estudo, a formar-se no estudo. A EaD fomenta isso na gente, ela
coloca isso na gente [...]. (E4, grifo da pesquisadora).
Os estudantes definem EaD não pela descrição da estrutura, mas pelos efeitos que ela provoca, apresentando, assim, características essenciais desse tipo de ensino, como “autonomia”, “formar-se no estudo”, “estimulado”, dentre outras sinalizadas no cotidiano dos processos de formação, a saber: disponibilidade de tempo, autodisciplina, liberdade, busca de conhecimento, organização de seus horários e comportamento autodidata.
No último excerto dos discursos anteriores, há uma expressão que merece ser interpretada com mais vagar pelo fato de envolver um termo de difícil compreensão. Trata-se de “[...] formar-se no estudo [...]”. Num sentido mais corriqueiro e direto, poder-se-ia dizer que o aprendiz quis expressar que as pessoas estudam para se formar, ter um diploma para exercer uma profissão. Sob o ângulo filosófico, formar é dar contorno, formar um objeto. A questão que se põe é: Qual a predicação de objeto? Na visão de Kant, as formalizações não têm predicações reais, o
que remeteria o problema para a essência do objeto. Porém, in casu, o objeto é real. O estudo leva a pessoa a obter um diploma. Cria-se, dessa forma, uma dualidade entre realidade e transcendentalidade. Sobre esse tema, Heidegger (apud FONSECA, 2013, p. 4) se posiciona assim:
Eu não vejo a determinação quidativa a partir do objeto, ao contrário, eu vejo sua determinação, por assim dizer, „em redor‟. Eu preciso ver para além do conteúdo quidativo e me ater apenas a que o objeto é dado e apreendido num modo de colocação [ou de atitude]. Assim, a formalização surge a partir do sentido de remissão da própria relação pura de colocação, e não do „conteúdo quidativo‟ em geral.
Nesse caso, há relação entre o estudo e a formação numa carreira universitária, cuja variância de pertencimento pode ser revelada pelos sentimentos produzidos na EaD, dentre eles destacaram-se o otimismo e a esperança. O otimismo é uma característica muito pessoal; a esperança, nesse caso, é explicável pelo fato de que muitos desses estudantes não teriam acesso ao ensino. Os educandos revelam: “A minha conclusão, sempre eu sou muito
otimista em relação à Educação, muito, muito. Isso é bom até certo ponto, mas não tanto,
porque, às vezes, a gente se decepciona [...].” (E7, grifo da pesquisadora); “[...] é a
Educação do futuro.” (E1, grifo da pesquisadora).
Apesar de otimista, E7 tem momentos de decepção com o ensino, mas continua a ter fé nele. Esse depoimento lembra a noção de fé perceptiva de Merleau-Ponty, na medida em “[...] que se trata de compreender e dela fazer uma crença, entre outras, fundada, como qualquer outra, sobre razões – as razões para pensar que há um mundo” (2009, p. 57). O discente tem fé perceptiva crítica sobre a EaD, transforma a decepção de preconceitos em credibilidade; isso demonstra que, apesar de reconhecer seu valor para sua vida, a fala aponta deficiências na estrutura da EaD.
É fato que o computador se baseia numa metáfora que tem o cérebro humano como elemento central. Assim é que o grande desafio tem sido construir um equipamento que, cada vez mais, aproxime-se do modus operandi do cérebro humano. Desse modo é que a linguagem dos computadores tem-se aproximado, a cada dia mais e mais, da linguagem humana, e seus algoritmos se esmeram em seguir o modo como os humanos raciocinam e resolvem problemas complexos.
Com o surgimento da neurociência, é de se esperar que a aprendizagem via computador contemple variadas mídias para a construção do conhecimento. O que se quer dizer com isso é que conteúdos ensinados de forma tradicional não podem ser simplesmente transpostos para o meio tecnológico. Várias questões podem ser levantadas a esse respeito: Os professores tiveram formação para o uso adequado da EaD? O material didático está
elaborado de maneira a possibilitar a exploração ampla das possibilidades ofertadas pela EaD? Os estudantes tiveram momentos de ambientação no uso das possibilidades do sistema? Autores como Muzi, Heins e Mundell (2001) indicam o uso de meios gráficos – mapas e gráficos digitais, vídeos e videoconferências – como instrumentos capazes de melhorar a aprendizagem em meio digital.
Quanto à preparação dos docentes (professores e tutores) para ministrar o curso, levando-se em conta que esses sujeitos já exercem o magistério em cursos presenciais, os