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O acompanhamento das experiências de conselho nas DIRes visitadas demonstra uma situação bastante heterogênea na situação dos Conselhos Municipais de Saúde, atribuída devido aos momentos diferentes de implantação dos SUS vivenciado por cada

município.

Por um lado observam-se conselhos fortes e atuantes já consolidados em suas regiões, por outro lado, conselhos fracos sem participação popular. Paralelamente, observam-se também opiniões contrárias e favoráveis ao conselho:

“Agora efetivamente o funcionamento deles, eu acho que a grande maioria dos

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muito bem na região, muito bem mesmo, com efetiva legitimidade dos usuários, mas nós temos também Conselhos montados e a gente sabe, que assim, são indicações de

prefeito, muito menos do que já foi, é um ou outro, mas ainda tem, e alguns Conselhos que também não funcionam como deveriam funcionar, então não tem funcionamento regular, não faz reunião todo mês, mas isso é muito pouco, eu acho que a gente avançou bastante”.

“... Acho que os conselhos estão partidarizados, não são nem ideologizados, por ser

ideologizados era uma coisa até respeitável, eles são partidarizados, a sociedade não tomou conhecimento do que significa o SUS e de o que significaria a sua participação de fato nos órgãos decisórios, então eles são normalmente, não sei, em níveis municipais isso deve variar muito, um prefeito mais autoritário bota a família e os funcionários diretos como membros dos conselhos e aprova como fazia antes do SUS, e uma administração mais democrática, mas fica emperrada, então os próprios democratas, democratas do PT se recentem do emperramento que representa o conselho. A meu critério esse é uma das principais, são duas dificuldades imediatas com as quais nós temos que nos defrontar, uma é o conceito de universalidade que tem que ser discutido com o Ministério Público com judiciário, ao invés de entender que a universalidade proposta no âmbito do SUS é acesso universal a aquilo que o consenso do SUS definir que é o que tem que ser feito, por exemplo, tratamento de AIDS, tratamento de hepatite B, isso feito através de protocolos claros, definidos, concensuados, revistos a cada semestre e isso é que tem que ser universalizado. O outro é o controle social, que estão pondo a perder a figura da participação da sociedade na definição dos rumos do sistema de saúde, pela partidarização, Não é porque eu estou em um colegiado que eu tenho que por definição bater no gestor porque o gestor é de um partido que não é o meu. (José Carvalheiro – Presidente do Instituto de Saúde)

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O que parece unânime é a indefinição do papel do conselho apontado por alguns secretários municipais:

“... não está muito claro qual o papel do Conselho para os próprios Conselheiros, qual é

o papel dele realmente, de instância deliberativa maior de não entrar muito no

operacional, não interferir, qual é o papel do executivo, qual o papel do Conselho como órgão maior de deliberação, de avaliação, de fiscalização. E eu também sinto que às vezes o próprio executivo, o próprio Prefeito e o próprio Secretario Municipal, tem uma certa prevenção, um certo receio do Conselho, que em alguns lugares realmente o Conselho vira um local de conflito político partidário”

Sendo que o papel do conselhos seria não só de fiscalizar os gastos mas os indicadores do município de uma forma geral:

“Eu acho que você tem que pensar muito, como foi, ele saiu muito forte dessa fiscalização então ele fica muito em cima dos gastos, dos gastos. Então, eu acho que eles tem que começar a pensar também numa finalidade maior disso tudo, das Secretarias, quer dizer, como é que estão os indicadores do município. Tudo bem. Como é que estão os gastos é importante, mas os gastos pra que é, quer dizer, como é que estão os indicadores, como é que está. Aí, talvez, a importância de ter um Sistema de Avaliação que seja muito transparente, e tal, que seja copiado pelo Conselho, que esse é o grande objetivo, tanto é que nós estamos criando agora, uma sala de situação que é na sala dos Conselhos que nós vamos atualizar a cada 3 meses, com todo o indicador do município, toda rede nossa, nós apresentamos alguma avaliação de alguma área, constantemente, porque eu acho que talvez esse é o papel maior do Conselho mesmo”

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(José Enio de Servilha Duarte – Secretário de Saúde do Município de Marília e Presidente do COSEMS)

Algumas experiências de conselhos podem ser destacadas nos municípios de Marília, São José do Rio Preto e mais recentemente no município de São Paulo:

“Todos os Municípios que entendem isso como importante, tem feito um trabalho no Conselho, o Conselho de Marília é um exemplo a mais, vamos dizer, que chama mais a atenção, por conta até desse projeto que a gente já falou que é a faculdade a serviço da comunidade [...] Hoje o Município de Marília tem Conselhos locais, em cada área de abrangência dele, então assim, é bonito ver isso, que no Conselho de Marília, existe até a disputa entre os usuário, entre a população para participar do Conselho Municipal, porque antes disso eles tem os Conselhos locais e eles entendem o papel deles. Então, são usuários que já passaram daquela fase da participação reivindicatória, acusatória, então eles conseguem entender que a postura deles é de uma representação ativa, de busca de ganhos, coletivamente e não individual, que eles representam uma certa população, um certo pedaço do Município, por isso que ele está lá”

“O Conselho Municipal de São José do Rio Preto durante dois, três mandatos, conseguiu mostrar um trabalho efetivo de atuação social em prol do coletivo. E ele foi crescendo, avançando e criando credibilidade, então, nós somos porque nós passamos a atender pendências políticas, administrativas. Autonomia, nós temos. Nós temos nossa sede própria; nós temos funcionários; nós temos técnicos contratados e subordinados aos conselheiros; nós temos viatura e toda uma estrutura, uma infraestrutura própria nós temos orçamento próprio,25% de todo o investimento da saúde é o orçamento do Conselho Municipal. 0,25% de todo o nosso orçamento municipal, que são 60 milhões

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de reais, a questão da eleição do presidente, que passa a ser em Plenária, em nível judiciário, a gente tem o canal aberto, tanto com o Ministério Público federal e estadual nós implantamos o disque Saúde, nós temos as nossas operadoras”.

“...O conselho municipal de saúde (de São Paulo) tem nos ajudado nesse processo de

formação dos conselhos distritais de saúde, eles foram eleitos, nós fomos organizando os cursos para esses conselheiros e agora em outubro nós estamos fechando 41 distritos e cada distrito eu encaminhei 10 conselheiros e estamos fechando ai em torno de 420, 430 conselheiros de distrito e tem essa capacitação sendo feita pela Faculdade de Saúde Publica. Os conselhos estão funcionando regularmente e o conselho municipal de saúde discute as questões na própria legislação, cabe ao conselho acompanhar a execução orçamentária, o planejamento quando eu disse para você a agenda municipal de saúde, ela foi aprovada pelo conselho municipal de saúde , a implantação do programa de saúde da família foi aprovado pelo conselho municipal de saúde, então todas as nossas ações estão submetidas ao conselho municipal de saúde.”

Nos municípios maiores a participação no conselho é maior, já nos municípios pequenos, os secretários de saúde afirmam que, normalmente, o prefeito é quem comanda, então, o conselho é um conselho mais de consenso do prefeito.

“... O conselho de cidade pequena é um conselho quieto, eles (os conselheiros) tem

assim bastante medo de ser mandado embora, nem sempre necessário, mas medo de prefeito, medo de falar, são também menos participativos, deixam mais pro secretario. Eles tem receio, por exemplo, de chegar e pedir olha eu quero ver o extrato de fundo, eu quero ver como é que funciona esse fundo, por mais que a gente estimule, eu mesmo já puxei muito olha, eu jogo pra eles, o conselho tem que

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ver, o conselho tem que discutir onde é que vai poder, essa questão da Santa Casa, principalmente foi difícil de estar discutindo porque embora eles vejam que ela não está servindo, eles também não querem se comprometer.”

(Dra Maria Inês Guion Borges – Secretária Municipal de Saúde de Quintana (DIR Marília)

“Sabe o que eu acho, acho que é um pouco de timidez, um pouco de falta de saber

realmente o que é o Conselho de saúde, a força que tem. Eu acho que o nosso Conselho aqui da nossa cidade, vou usar um termo que a gente usa aqui, é que nem burro, não sabe a força que tem, se soubesse a força que tem não trabalhava para os outros, então eles não sabem a força que tem o conselho de saúde. Agora ia sair um curso, não sei se vai sair, de conselheiros, eu acho que aí pode ser que esclareça um pouquinho, um pouco mais, não são todos que vão, só alguns escolhidos que se candidataram a ir e eu acho que aí sim pode ser que abra um pouco mais a mente do pessoal, o pessoal comece a conversar mais, esclarecer mais, saber o que é o Conselho. Não é o prefeito que manda, quem manda é o Conselho, o prefeito tem que pedir autorização para o Conselho para fazer as coisas e o povo não sabe disso”

(Sr Sirio Valdir Campiani – Representante dos funcionários não universitários do Centro de Saúde no Conselho Municipal de Saúde de Quintana, DIR Marília)

Já em relação ao Conselho Estadual de Saúde a visão é de que não há uma igualdade de poder entre estado e municípios e a participação popular é enviesada.

“... Agora é claro que há uma questão de peso desses dois atores Município e Estado, no

início quando não há consenso estabelece a posição do estado, e acaba prevalecendo a posição do estado porque aí é uma questão de posição de força, o governo vem e pressiona e ao mesmo tempo ele não quer rachar porque não tem interesse em rachar. É

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claro que o estado ele senta numa mesa de negociação com poder diferente. Em São Paulo eu vejo assim. Agora sem dúvida não é uma instância burocrática, acho que é uma instância que viabiliza vários processos de trabalho, embora nenhuma decisão de peso é tomada no Conselho Estadual de Saúde.”

(Elaine Gianotti – técnica da secretaria municipal de saúde de São Paulo)

“E o conselho Estadual eu não gosto da forma como a participação popular se dá.

não sei se a forma como esta montado isso a população esta sendo representada, se aquilo esta sendo defendido é efetivamente a posição mais majoritária da sociedade ou aquilo não tem um viés de um grupo ideologicamente mais mobilizado.”

(Alberto Kanamura – Chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Saúde)

“... Agora eu tenho uma restrição séria contra os conselhos que eu acho que eles são

manipulados politicamente é muito complicado você lidar com o conselho Estadual, por exemplo, porque tem representação Bipartite, segmentos e aí fica uma coisa, fica difícil de você lidar, na realidade a população esta bem longe.”

(Maria José Ribeiro Linguanotto – Coordenadora da Coordenadoria de Planejamento da Saúde de São Paulo (CPS))

IV – ANÁLISE COMPARATIVA DAS DIRES NO ESTADO DE

Benzer Belgeler