4. ASKERĠ BAġARILARI
4.2. Revan Seferi
O primeiro padrão que se detectou é o facto de, entre o Período A e o Período B ha- ver muitos indicadores que são criados: tecnologia que é desenvolvida e teorias cientíi- cas que são deduzidas. Também se detectou que há vários indicadores tiveram evolução entre o Período A, Período B e Período C que se relectem no Período C.
Detectou-se que alguns dos indicadores que não existem no Período A aparecem no Período B e no Período C presenciam um abrandamento na sua aplicação em projecto. Esta airmação conirma-se por exemplo, no caso do indicador Cibernética. Este indica- dor não existe no Período A. Aparece no Período B e fruto desse aparecimento e da sua aplicabilidade na Arquitectura, há um grande esforço para assimilar os seus pressupos- tos. Pressupostos que são transpostos para a teoria arquitectural. Inclusive, são aplica- dos em formulação de projectos, ainda que a tecnologia não permitisse essa aplicação, nos moldes desejados. Por im, no Período C existe já toda a tecnologia necessária à aplicação da Cibernética na Arquitectura. O que não acontece é uma aceitação desta Ciência como sendo um elemento potenciador de boa Arquitectura. Dessa forma, são limitadas as suas aplicações em obra e em projecto. Estas são feitas, mas segundo um factor de risco muito diminuto, que opta por preservar um modo de projectar que oferece mais garantias. No Período B a Arquitectura projecta no limiar da tecnologia. Porém, no Período C isso não acontece. Aparenta estar apenas um passo atrás, usando tecnologia que está comprovada e cuja aplicação o arquitecto domina completamente.
O Período B tem uma atitude experimental muito superior à do Período C. Apesar da teoria cientíica e da tecnologia já estar muito desenvolvida no Período C, os sistemas empregues não estão a esse nível de desenvolvimento. No Período B usa-se teoria cientí- ica de vanguarda, mas a técnica não a acompanhava. Este factor pode ter contribuído para a não-aceitação de alguns princípios formulados pelos autores de referência iniciais, por parte dos arquitectos. O crescimento exponencial do parque habitacional implicava soluções que garantissem a massiicação da construção, aliada aos princípios de con- sumo. O Período C usa tecnologia “of the shelf”. Veriicaram-se também limitações de ordem não tecnológica, que puderam impedir a maior disseminação dos indicadores. São eles:
- Dinheiro – sociedade de consumo – tudo tem que ser economicamente viável; - Falta experiencia no emprego destes sistemas;
- Capacidade da Arquitectura suprir as necessidades do programa arquitectural, sem necessitar de recorrer a auxílio mecânico;
O Período C parece ter uma atitude mais sensata. Não arrisca. Na verdade não ne- cessita arriscar. A metodologia projectual permite resolver as necessidades. No entanto, detecta-se que o futuro trará novos desaios projectuais, que não podem ser vencidos com recurso às técnicas existentes, já que exigem outra abordagem ao conceito de es-
paço. Espaço que é menos determinado pelas suas barreiras físicas, pela geometria. Um espaço que é cada vez mais ocupado por um Utilizador ao invés de um Indivíduo ou um grupo de Indivíduos.
No Período B o edifício é visto como uma entidade. Relaciona-se com os seus uti- lizadores. Comunica com eles e adapta-se para optimizar a sua vida. Há a consciência de que o Indivíduo é um ser que evolui e por isso o edifício deve evoluir com ele. Esta característica desaparece no Período C. Aqui o edifício é visto como um conjunto de es- pecialidades, geridas centralmente pelo arquitecto. Edifício sem personalidade. Ganha, porém, a personalidade do arquitecto. Talvez seja por isso que é necessário uma grande experiência proissional para poder criar Arquitectura que seja capaz de suprir as ne- cessidades de um dado cliente. Torna-se necessário para o arquitecto conter em si as respostas para as necessidades que não existem, à data do projecto, sendo capaz de as antever.
Para exempliicar a sistematização feita faz-se uma comparação entre dois projec- tos, na parte inal deste capítulo. Estes projectos foram referenciados no Estado da Arte. Foram analisados à luz do conhecimento acerca dos objectivos da dissertação, que foi desenvolvido na análise comparativa. A sua sistematização é um resumo do que foi de- senvolvido no decorrer desta investigação.
A escolha dos projectos prende-se com vários factores. No caso do “Control and Choice Dwelling”, é escolhido por causa da inluência que o grupo Archigram teve na criação de pensamento arquitectural. Este grupo foi capaz de transpor o espírito da sua época para uma arquitectura experimentalista. As suas experiências contribuíram para desenvolver ideias acerca da aceitação de tecnologia. O projecto que se apresenta é um exemplo desse pensamento. Houve autores que integraram os avanços tecnológi- cos na sua obra, de uma maneira mais aberta. Um exemplo pode ser dado pela obra de Price (1993). Outros autores aceitaram a tecnologia de uma forma mais contida, mas ao mesmo tempo, concretizável. Esse é o caso de Toyo Ito.
O outro projecto que se apresenta, a Mediateca de Sendai é um exemplo desse tipo de atitude. Houve uma mudança de paradigma, no que respeita às condições sociais que se viviam nos anos 1960. Aliada à falta de soluções tecnológicas, ditou que os pres- supostos do grupo Archigram fossem relegados para um plano puramente experimental. No entanto, como todas as Ciências, a Cibernética continuou a avançar. Esse avanço faz com que hoje sejam possíveis de concretizar quase todas as soluções que se idealizem. Segundo Postman (1995) e Kelly (2001), a era em que estamos a entrar vai permitir à arquitectura dar um salto no que respeita à integração de novas tecnologias. Este salto implicará, porventura, a reformulação das especialidades de projecto. Paralelamente viu- se que a adição de novas técnicas traz sempre duas componentes. Isto é airmado por Arlindo Machado (1993), que diz que:
“De um lado, o dos engenheiros, industriais, investidores e seus porta- vozes na mídia: o discurso apologético, que visa criar as condições culturais para a aceitabilidade de seus produtos. De outro, o discurso de resistência das elites intelectuais, instaladas em universidades, museus e imprensa es- crita, acossadas pelo colapso das formas tradicionais de cultura, onde elas podiam exercer o poder de sua competência.” (Machado, 1993, p. 25).
Uma das componentes tecnológicas é a que faz com que seja mais complicado deinir as respostas aos problemas arquitecturais. É isso a que se referia Heidegger quando airmava que:
“A empresa humana nunca pode sozinha banir este perigo. Mas, a meditação humana pode reletir sobre o fato de que tudo o que salva neces- sita de uma essência superior à do perigo, embora ao mesmo tempo a ela aparentada.” (Heidegger, 2007, p. 395).
Outra vertente de aceitação tecnológica defende que a introdução de novas técni- cas potencia a prática da arquitectura. Além disso, fá-lo à semelhança do que acontece noutras artes.
“Caberia, portanto, ao artista, restabelecer a questão da liberdade num contexto de totalitarismo dos aparelhos, resistindo contra os determinismos das Máquinas e driblando os seus automatismos com achados de trans- gressão.” (Machado, 1993, p. 36).
Seja aceite pelo arquitecto uma ou outra posição, a verdade é que todos os avan- ços que possam implicar devem ser atendidos e compreendidos. É necessário que, aci- ma de tudo, haja um espírito crítico informado e consciente. Nesse sentido, Machado airma que:
“O que não se pode é julgar toda essa produção com base numa le- gislação teórica preixada, baseada em categorias assentadas e familiares, já que ela está sendo governada por modelos formativos que provavelmente não foram percebidos ou analisados teoricamente.” (Machado, 1993, p. 24). A sistematização dos conteúdos desta dissertação serve para ajudar a criar o mo- delo formativo que Machado refere. Com efeito, esse modelo de análise das novas tecno- logias informáticas não existe. Não é possível, hoje, os arquitectos avaliarem eicazmente a aplicação de sistemas cibernéticos.