4. ARAġTIRMA SONUÇLARI VE TARTIġMA
4.2. Araştırma Sonuçları
4.2.1. Fiziksel özellikler
4.2.1.2. Renk değerleri
E DOS OUTROS NA PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DA
PROFISSIONALIZAÇÃO
Nesta dimensão estão presentes características de busca por ser e ser cada vez melhor, uma preocupação consigo mesmo e com os outros. Analiso, pois, as narrativas dos professores sob a ótica das vivências pessoais e profissionais, incluindo o início da trajetória de vida, do que foi vivido em família com os pais e irmãos, as primeiras experiências escolares, a vida na universidade ainda como aluno; o primeiro emprego e o primeiro trabalho na profissão, pois as experiências pessoais estão permanente e simultaneamente formando e profissionalizando os professores, que combinando raízes, valores, teorias e práticas, revelam histórias singulares as quais poderão inventar o plural:
Minha educação contemplou também formação religiosa (catolicismo) e contato com todos os problemas da família. Meus pais nunca omitiram de nós as contas para pagar, as discussões, as doenças dos mais velhos, os funerais,...sempre participei de tudo desde bem pequena. Aprendi a lidar com os mais velhos, a cuidar das doenças deles (dentro dos limites do que uma criança pode e deve fazer, é claro), ouvi-los e, o melhor, aprendi a amá-los muito!(DEISE COSTA).
Aqui está presente algo do que escreve Abrahão (2006), quando nos diz que as histórias de vida inscrevem-se num contexto próximo às pessoas que a vivem: realizar algo que fosse motivo de alegria para meus pais sempre foi para mim uma alegria e me faz feliz (AMANDA CABRÁLIA). Estão também inscritas ou fazem parte, pois são influenciadas e influenciam um contexto social mais amplo e mais abrangente, que constitui o cenário da vida do sujeito, no tempo passado e presente, por isto possui uma dialeticidade e uma característica de contradição. As Histórias de Vida incluem a vida contada, ou melhor, os aspectos e vivências com significado e sentido para quem a viveu e por isto mesmo formativos. Os aspectos formativos são aqueles com sentido, narrados e ressignificados pela reflexão, e então integrantes da vida, da identidade, da formação e da profissionalização. A leitura que faço é que ao integrarem a vida enquanto experiências validadas pelo próprio indivíduo, também compõe a identidade do sujeito, que se subjetivou pela prática de si e pela reflexividade a partir destas experiências que na verdade já se transformaram em princípios éticos: Quero fazer a diferença na vida dos alunos, nas aprendizagens deles como cidadãos e profissionais (CLEMENTINO DAVID). Ao definir critérios para a caminhada permanente de constituição do sujeito na sua característica do devir (FREIRE, 1984), no seu infinito inacabamento, o indivíduo elabora seu projeto de subjetivação.
A declaração de Deise Costa sobre a relação familiar e o afeto característico desta relação me faz entender como um aspecto relevante: “aprendi a cuidar dos mais velhos da família e a amá-los muito” e a importância que atribui às relações duradouras: “morei sempre na mesma cidade” (DEISE COSTA). São maneiras de viver que adquiriram um profundo significado. Conforme Josso (2006) são recordações que simbolizam a compreensão da própria formação, incluindo uma dimensão concreta representada pelas vivências e uma dimensão não concreta representada pelos sentimentos e valores, que neste caso estão ilustrando a história de vida e a sua transformação. Quando digo relações de afeto, não me refiro apenas ao carinho com parentes, refiro-me sim às relações de afeto com o mundo, com o universo e com os seres vivos que nele habitam, principalmente o humano, na sua valorização. Deise Costa, ao referir-se ao profissional da educação superior e ao seu trabalho, traz a questão de humanidade.
O envolvimento com as questões sociais que dizem respeito ao ser humano são características da trajetória da professora em seu processo de profissionalização e de uma atuação bem sucedida. No caso de Clementino David também declara sua principal preocupação com o outro, quando afirma o projeto de dedicar-se inteiramente ao aprendizado
138 do aluno e seu compromisso de ajudar os alunos desenvolverem uma ciência jurídica que os torne agentes de uma advocacia humana e solidária: “pretendo ensinar que a ciência jurídica não consiste apenas no ganho de uma causa, mas em solidariedade e de fazer realmente a justiça e o bem” (CLEMENTINO DAVID).
O comprometimento com o processo de ensino e educação dos alunos, ora na busca de alternativas pedagógicas, ora dedicando-se quase integralmente ao trabalho apresenta-se aqui como um denominador comum, aliados a identidade destes professores, como significado de relações pessoais e interpessoais com alunos e colegas, e do que representa para eles o ato de ensinar na universidade. Todos declaram o gosto por sua profissão, pois se identificam como professores universitários e não exercem outra atividade. Os professores, aqui referidos, integram o quadro do regime integral de trabalho; dizem ser felizes com o que e gostar da profissão que exercem e da relação que desenvolvem com seus alunos e com a instituição em geral, valorizando-a e engajando-se na luta pela qualidade de educação superior: “ uma delícia porque a gente trabalha aprendendo, estudando, aprimorando-se (DEISE COSTA).
Neste caso, ser um profissional da educação superior, desenvolver sua profissionalização e ser bem sucedido significa ter prazer em ensinar, em promover o aluno, participar de todas as instâncias dos projetos da universidade, aperfeiçoar-se sempre e aprender com os alunos e com os pares. A criatividade na elaboração de situações de aprendizagem, como fazer a articulação teoria e prática como um facilitador da construção de conhecimentos é uma opção de vida e de trabalho ao mesmo tempo, e isto é um componente presente no processo dos professores: “o dinamismo, que eu acho que ajuda muito” (DEISE COSTA) ; “apresentar o conteúdo de várias formas, até ter certeza que construíram conhecimento” (AMANDA CABRÁLIA); “Percebi que a teoria e a prática realmente articulam-se sempre, que tudo pode ser teorizado, trabalho nessa direção, e isso descobri no curso de doutorado em Economia” (AMANDA CABRÁLIA). “Nosso trabalho não é um trabalho mecânico; é muito desafiador” (DEISE COSTA).
Algumas narrativas me conduzem a inferências a respeito da preocupação dos professores em formar o aluno como ser humano, de seu comprometimento com a cidadania, com a felicidade, com o bem estar e com a promoção dos alunos. Há um cuidado de si, como prerrogativa para cuidar do outro, que me parece, está presente na postura dos professores entrevistados, quando dizem do cumprimento dos horários, do envolvimento, do empenho em fazer com que todos os alunos aprendam, do fato de levar a sério as individualidades de cada aluno, considerando-o um aprendiz em permanente formação: “Outro aspecto é o fato de
permitir o contato com a juventude, com a diferença de comportamento, de pensamento” (DEISE COSTA); “para que os alunos que conviverem com ele durante o ano letivo também possam trilhar seus próprios caminhos de busca pessoal e profissional”(DEISE COSTA). O respeito pelo outro, seu aluno, com direito ao crescimento pessoal e ao desenvolvimento de capacidades de aprendizagens por um processo colaborativo e solidário é um dos indicadores que se traduzem neste estudo de tese e me conduzem a compreensão do desenvolvimento da profissionalização de professores bem sucedidos, como integrante das escolhas que os professores fazem e, do cuidado de si na perspectiva da invenção de si.