3. BÖLÜM
4.7. Regresyon Analizi
Sala do Berçário BH: 8/4/2002 (2ª- feira)
Observação: Descrição do Ambiente (nº 1) Professoras: 2
Crianças no dia: 10
Início: 9h10/Término: 9h50
• Porta da sala
Decoração: tenda de circo, tendo em volta a marca dos pés das crianças nas cores azul, verde, vermelho e preto. Em cima, o nome das professoras e ao lado a marca de suas mãos nas cores citadas.
• Ambiente
Músicas do repertório infantil ao fundo. No momento da observação, seis crianças estavam acordadas perto das duas professoras. Enquanto uma professora fazia anotações nas cadernetas de cada criança, a outra professora lavava as mamadeiras numa das cubas da pia. Das seis crianças acordadas, três chupavam bico, duas não e uma, à medida que engatinhava, o bico também percorria o mesmo caminho. As quatro crianças que estavam próximas ao local onde as duas professoras estavam balbuciavam, remexiam nos brinquedos espalhados pelo chão e, de vez em quando, as professoras respondiam aos balbucios feitos pelas crianças. Duas crianças dormiam. O ambiente estava calmo, tranqüilo, organizado e as crianças que dormiam assim permaneceram.
A sala é bem iluminada e ventilada, possui cortinas em forma de painel e com motivos infantis: Mickey, Minie e pequenos corações vermelhos. As paredes estavam
decoradas com números coloridos, um painel pintado à mão onde se viam duas corujas num galho de árvore e algumas gravuras de crianças. No chão, um tapete emborrachado, colorido, desmontável, brinquedos coloridos (em bom estado de conservação), almofadas em alguns cantos da sala, uma piscina de bolinhas, colchões com lençóis limpos, um “cercadinho” com protetores e dois berços grandes de madeira. A sala possui dois espelhos grandes na altura das crianças e, numa das paredes, um cartaz com um bolo de aniversário, escrito: “Parabéns!” Pendurados no teto, oito móbiles de pequenos palhaços feitos em material emborrachado, confeccionado por uma mãe, conforme o relato de uma das professoras. Os móbiles estão em sintonia com o “Projeto Circo”, que vem sendo desenvolvido pelas professoras com essa turma. Perto do trocador, além da “farmácia”, um toalheiro de papel e um móbile de palhaço bem colorido. Perto da bancada que serve tanto para a troca de fraldas e roupas como para a realização das refeições, ficam as prateleiras com o vasilhame necessário para o complemento das refeições das crianças: lata de farinha Láctea e outros, garrafa com água quente para o leite em pó, mamadeiras para o leite e o suco. Num canto, um filtro de água e suporte para copos descartáveis. Embaixo, o cabideiro com as toalhas de banho de cada criança. As mochilas com os pertences das crianças ficam num armário grande, encostado numa das paredes laterais entre as duas janelas. Próximo a porta, a cortina e ao ventilador, placas com as palavras: “porta”, “cortina”, “ventilador”.
A organização do espaço e o cheiro que paira no ar revelam o cuidado e o respeito das professoras para com as crianças, os brinquedos e os objetos de uso diário, como mamadeiras, copos, toalhas de banho, aventais para as refeições a as roupas usadas das crianças.
• Atividade realizada
Conforme a rotina diária do Berçário, o banho das crianças acontece logo após o banho se sol realizado na quadra. Após as professoras terminarem as tarefas citadas, passaram a organizar o banho. Uma das professoras organizou as fraldas, as roupas e a toalha de cada criança ao lado da bancada de mármore. Logo em seguida, forrou-a com um
emborrachado. Enquanto isso, a outra professora iniciou o banho das crianças. Um fato nos chamou a atenção: cada criança tem a sua toca de banho, o seu sabonete e sua saboneteira. As duas professoras ajudavam-se nessa tarefa: enquanto uma se responsabilizava em dar o banho, a outra enxugava e trocava cada uma das crianças. Não foi observada nenhuma resistência por parte das crianças em realizar essa atividade, como o uso da touca plástica na cabeça. O uso da mesma se faz necessário para evitar inflamações no ouvido, conforme o relato das professoras. Neste dia, o banho foi rápido. Mas percebemos o cuidado e a paciência das duas professoras em realizá-lo. As crianças pareciam gostar do contato com a água e do carinho das professoras neste momento. Posteriormente, as professoras nos disseram que em casos de febre, diarréias ou calor, o banho é bem mais demorado. Após enxugar cada criança, a professora passava uma pomada nos locais irritados e colocava-a bem próximo dela. Após arrumar cada criança, a professora dava-lhe também um beijo. Enquanto isso, a música ao fundo continuava e alguma criança que iniciava um choro baixinho, a professora que estava dando o banho respondia: “Calma...a E. já vem!” A professora estava referindo-se a si própria. Tentava acalmar a criança pedindo que esperasse só mais um pouco que ela já lhe daria o banho. A criança, parecendo compreender, parou de chorar. Quando todas as crianças já estavam de banho tomado, roupa trocada e cabelos penteados, a professora que fora a responsável pelo banho nesse dia lavou as duas pias e a bancada. Passou álcool e estendeu as toalhas no varal do lado de fora da janela. A outra professora foi buscar o almoço no 1º andar, e todas as crianças, de banho tomado, aguardavam sentadas no chão com alguns brinquedos. As duas crianças que estavam dormindo permaneceram. O ambiente era de tranqüilidade.
• Projeto Pedagógico em desenvolvimento
Projetos Pedagógicos: “O Circo” e “Quem sou eu?” O planejamento das atividades é feito bimensalmente, sob a orientação da Coordenação Pedagógica. A comunicação entre a creche e a família é realizada por meio de anotações diárias das cadernetas. As famílias contribuem com o material necessário para o desenvolvimento dos
projetos. Durante o ano, realizam reuniões com os pais para a apresentação do trabalho realizado.Cada sala tem o seu “portfólio” com o planejamento diário, fotos das atividades desenvolvidas e o planejamento.
• Reflexões pessoais
Pude perceber a sintonia existente entre as duas professoras e como conseguiam realizar com sucesso as tarefas de organização do ambiente e, ao mesmo tempo, acolher as crianças nas suas necessidades, interpretar os balbucios e choros. Causou-me admiração estar num ambiente com um grupo de crianças tão pequenas e o mesmo estar tão tranqüilo. As crianças pareciam satisfeitas e realizavam experimentações com os brinquedos à volta e, vez por outra, percorriam a sala, engatinhando e emaranhando-se nas pernas das professoras. A sensação por mim experimentada foi a de que as crianças sentiam-se seguras e notavelmente estavam bem cuidadas: roupas adequadas à temperatura do dia, nenhuma apresentando aspecto descuidado como, por exemplo, nariz com secreções a escorrer ou fraldas a trocar. No entanto, o bico daquela criança que estava pendurado na blusa e que tocava o chão revela a necessidade de reflexão a respeito e possíveis mudanças nesta prática.
O ambiente era convidativo às descobertas e muito aconchegante: música do repertório infantil (nada de músicas comerciais), lençóis limpos e decorados com motivos infantis, mantas, berços com protetores macios e, acima de tudo, a presença constante das professoras que pareciam não se “desligar” do grupo. Não observei conversas paralelas entre as duas, revelando com isso o compromisso e o cuidado naquilo que realizavam. A sala nos fez sentir como se estivéssemos num local totalmente diferente daquele turbilhão costumeiro de uma creche: reinava naquele momento a tranqüilidade e os balbucios característicos das crianças nessa idade. O diálogo estabelecido entre as crianças e as professoras era algo pertencente ao campo do olhar, do tocar e do sentir.