Com esta retrospectiva histórica, pretendeu-se apresentar nesta capítulo os principais fatores políticos há serem levados em conta na relação da constituição de uma mediação de cooperação e distensão do Japão na Ásia – em especial, na Ásia do Leste.
Tendo como objetivo elucidar o motivo que levam aquele país em tomar certas medidas quando o Japão busca consolidar mecanismos e instituições – nacionais ou multinacionais – perante outros Estados, salientando fatores essenciais para a consolidação da uma região interligada no continente.
No próximo capítulo serão apresentados os principais programas de cooperação do Japão na atualidade, o papel do Estado como principal articulador da constituição das Redes Capitalistas que visem promover o desenvolvimento interligado dos mercados regionais.
dos Estados Nacionais que levou tanto o Japão e outras nações a entrarem em conflitos beligerantes visando a expansão do domínio territorial para a finalidade de obter mais recursos para fomentar o desenvolvimento industrial, fato que também viabilizou a Revolução Industrial na Inglaterra devido ao seu sistema de suprimentos que a Metrópole dispunha devido a exploração colonial. Entretanto, para os atores políticos que defendem a defesa de interesses internos sobre a possibilidade de verem a sua própria economia enfraquecer-se perante a incorporação de economias vizinhas tendem a ter posturas mais nacionais, defendendo posturas tais como o protecionismo, ampliação de segurança e maior enfoque do engajamento do Estado na defesa de interesses nacionais perante vizinhos e parceiros. A escolha do termo nacionalismo é a que melhor se adéqua a uma ideia abrangente de política ostensiva, visto que os outros termos são majoritariamente econômicos ou militares. A concepção de que somente projetos militaristas são nacionalistas não seria verdadeira, do mesmo modo que a concepção de que os projetos de cooperação regional não possuem uma agenda de segurança própria é igualmente falha (MARTINS, 2008).
CAPITULO TRÊS – Adoção do Poder Brando como política externa
“A propósito, a negociação comercial não é uma função técnica. Não existe nenhuma função no Ministério das Relações Exteriores que seja técnica. Você tem de se valer da técnica, mas tudo o que fizer será político – político no melhor sentido da palavra. Acho que essa capacidade de articulação é soft power.”
(AMORIM, 2011. pg. 494) O terceiro capítulo irá se adentrar na capacidade do Japão em reverter sua percepção como ator hostil em um Estado que possa se valer como parceiro para as demais nações asiáticas. Como observado no segundo capítulo desta pesquisa, destacou-se os meios que o governo de Tóquio adotou para explorar e ampliar sua capacidade econômica e militar frente a pressões externas. Pela justificativa de não tornar-se mais um Estado vassalo asiático de alguma potência ocidental, o Japão expandiu sua condição de soberania valendo-se de artifícios militares, sobrepondo sua soberania àquelas das demais nações vizinhas.
O que se observa é que a adoção de uma agenda calcada em Hard Power fracassa como meio de consolidar o Japão como hegemon asiática, o país volta a realizar atividades externas – visto a sua demanda interna de bens e produtos – contudo, age agora como principal fomentador dos projetos de desenvolvimento regional, adotando uma agenda econômica e menos belicosa.
Também se destacou no capítulo anterior a existência de debates entre determinados setores políticos e intelectuais sobre criar uma fórmula em que o Japão pudesse criar meios de preservar sua soberania sem hostilizar outros Estados. Contudo, por motivos de pressões internas e mudanças de conjunturas políticas, grupos militares e segmentos econômicos favoráveis a investidas agressivas prevaleceram no final da década de 1920 e levaram a uma escalada de conflitos locais que culminaram no envolvimento do Japão na Segunda Guerra Mundial.
Desta forma, o final dos conflitos e a reestruturação japonesa – viável apenas com os recursos americanos destinados a nações aliadas, provenientes do Plano Colombo – fez com que o país tivesse de retomar medidas de ampliação de poder na região do Leste Asiático, visto que naquele momento, o país estava sobre ocupação americana e encontrava-se na condição de aliado das potências ocidentais perante o bloco soviético. A assinatura do Tratado de São Francisco em 1954 decretou a responsabilidade de dolo por parte do governo de Tóquio pelos danos causados no leste e sudeste asiático, não apenas durante o período em que ocorreram as hostilidades, mas pelo acúmulo de posses, ocupações, invasões e aquisições de territórios fora dos limites japoneses.
desenvolvimento industrial e militar do país. Primeiramente, a proposta do governo americano era de reduzir por completo qualquer capacidade – militar ou econômica – do Japão, restringindo-o a uma condição periférica na Ásia. A vitória de Mao sobre Chiang Kai Shek e a Guerra da Coreia (1950-1953) mudaram por completo a relação entre Japão e Estados Unidos. Isto resultou não só no cancelamento de ressarcimento das reparações de guerra do Japão perante Washington, como também levou este governo a estender o Plano Colombo para Tóquio, incluindo-o nos projetos de reconstrução do país.
Neste capítulo será abordada a capacidade do Japão em colocar-se como Potência Regional calcado através da sua capacidade de Poder Brando, destacando suas medidas, motivos e histórico da implementação desta estratégia, sempre observando as limitações, ganhos e objetivos almejados pelo governo japonês na sua busca por constituir-se num ator de relevância no cenário asiático.