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Como demonstrado neste trabalho, o principal destino de investimentos em ODA japoneses foram aplicados em países asiáticos119. Nota-se que grandes partes da região norte dos países do

118O Japão era o único país asiático membro da OCDE, visto que a Coréia do Sul ingressou na instituição apenas em 1996 e começou a realizar sua participação em ODA em 2008 (quando foi aceito na DAC) e o estado de Israel tornou-se membro recentemente, em 2010.

sudeste asiático possuem matas e selvas que dificultam a locomoção, além de que a capital destes mesmos países estarem situados ao sul, dirimindo a rota para a China. E no caso chinês, os conglomerados urbanos encontram-se ao norte e sudeste. Destaca-se os Municípios Governamentais de Beijing (Capital), Shanghai, Tianjin, Guangzhou e Chongqing e as Regiões Administrativas Especiais (SAR) de Hong Kong e Macau, que concentram a maioria da população urbana – logo, o grande mercado consumidor de produtos manufaturados multinacionais120.

Esta distribuição também é dificultada no interior da própria China, visto que tanto Beijing quanto Tianjin ficam nas regiões nordeste do país, enquanto Shanghai fica no litoral leste, tendo Chongqing estando no interior do país, na região sudoeste e, por último, Guangzhou121 e as SARs estão no litoral sul apresentando distâncias curtas entre si, entretanto as demais cidades estão localizadas em grandes distâncias e com enormes dificuldades de locomoção interna.

Já ao nordeste do continente, encontra-se a Mongólia, a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), a República da Coreia e o Japão. Destes, os dois primeiros são pouco populosos e pouco povoados, criando baixa condição de fluxo de pessoas, bens e serviços, além do fato de que a Mongólia estar situada num grande acidente geográfico das estepes e ter ao sul e sudeste (em direção às cidades de Beijing e Tianjin, com o deserto de Gobi criando dificuldades geográficas de locomoção).

Já a RPDC possuir um regime de controle e entrada de estrangeiros muito rigoroso sobre o país, inibindo circulação na região, além de uma pesada lista de embargos e sanções contra o país imposto pelos Estados Unidos e seus aliados. Esta lista inclui não só produtos de caráter estratégico, como peças e ferramentas que poderiam ser empregados em armas e artefatos militares, mas também restringe a entrada de produtos de uso civil, a fim de criar constrangimento e descontentamento da população civil contra o regime, afetando duramente o desenvolvimento econômico do país.

Tal conjuntura veda a comunicação terrestre da República Coreana para a China e em direção ao Porto de Vladivostok, principal porto russo no extremo oriente. E o Japão, como sabido, é um país composto num arquipélago, condicionando a interação com países estrangeiros apenas por via marítima ou aérea (MARTINS, 2008).

120Os Municípios Governamentais são unidades subnacionais da República Popular da China que tem como principal característica de serem grandes conglomerados urbanos. As SAR são regiões que outrora estavam sobre o controle estrangeiro e foram incorporadas ao país através da política de “um governo, dois sistemas”. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA DE 1982. Acessível em <http://www.npc.gov.cn/englishnpc/news/index.htm> 121A cidade de Guangzhou esta localizada a apenas 120 km de distância de Hong Kong e a 145 km de Macao. Destaca-

se que esta cidade é o maior porto continental da China no sul do país, tornando-se principal via de entradas de produtos.

Neste quadro geográfico, a Ásia apresenta mais dificuldades naturais de integração do que apresentado na Europa. Ao contrário da União Europeia que possui uma grande concentração populacional e grandes centros urbanos numa pequena extensão territorial – em comparativo tanto com Ásia quanto com a América do Sul – que permite uma grande circulação de pessoas e mercadorias, o continente asiático possui uma vasta dispersão populacional que dificulta a composição de uma livre circulação sem intervenção governamental, além de compor diversas fronteiras geográficas que, no caso europeu, são menos abruptas quanto a geografia de alguns países orientais (KAWAI, 2004).

Além do fato de que há, na Europa, regras bem definidas de integração de mercado para apoiar infraestruturas transfronteiriças e prever mecanismos que facilitem a transmigração entre cidadãos, sem estes aparatos direcionados, não há possibilidade viável de sustentar uma integração econômica,

“os países escandinavos têm trocados até 7% da geração total de energia sub-regional baseada unicamente em um 'acordo de cavalheiros'. Embora, em teoria, o projeto-a-projeto de cooperação entre os governos para benefício mútuo não exige uma estrutura formalizada institucional ou legal, na realidade tal abordagem envolve altos custos de transação, elevadas taxas de insucesso, ou investimentos de longo prazo. A abordagem do projeto-a-projeto não segue nenhuma estrutura única e integrada para o planejamento e elaboração de projetos desse tipo.” (KURODA, pg. 2006).

Kuroda apresenta três dimensões importantes para o desenvolvimento de integração regional: política, econômica e financeira institucional. Infraestrutura pode ser entendida como uma dimensão de caráter político, pois a infraestrutura transfronteiriça tem condições geopolíticas, visto que tanto a sua constituição quanto sua elaboração implicam no envolvimento de dois ou mais governos. Outro fato destacado é que a manutenção de uma rota de fronteira acirra o transbordamento de questões internas e externas devido ao fluxo de pessoas que esta estrutura viabiliza. Além do fato de que, para a manutenção de uma infraestrutura transfonteiriça, é necessária a manutenção da confiança mútua e boa vontade entre os governos para a permanência destas rotas de fluxo.

Em seguida, serão abordados os principais projetos de infraestrutura em que o governo japonês possui investimento prioritário ou interesse estratégico das aplicações de ODA, tendo como seu vetor de ação as agências da JICA e JBIC como promotores de realização, sem ter a necessidade de mediação com interesses públicos; sejam estes internos – tais como constrangimentos e negociações com o Parlamento, visto que ambas as instituições possuem autarquia e independênca

de formulação de políticas. E sem constrangimentos externos, visto que, devido a promulgação da “Carta da ODA do Japão”122 os governos estrangeiros devem se submeter aos interesses e princípios estipulados nesta Carta se os mesmos tiverem interesse em captar os recursos de ajuda externa, tornando-se assim um eficiente mecanismo de política diplomática daquele país.

Destaca-se que, investimentos em redução de pobreza podem ser percebidos como meios de diminuir tensões internacionais e salvaguardar possibilidades de investimentos externos japoneses. Outro meio que se destaca a utilização da Carta de ODA do Japão e sua versão revisada, de 2003, é a possibilidade de accountability da ajuda externa, tornando assim mais claros os objetivos do governo em relação aos governos receptores (ARAGUSUKU, 2011).

Benzer Belgeler