JEOTERMAL ÇALIŞMALARDA DURAYLI İZOTOP TEKNİKLERİNİN KULLANILMASI
6. REENJEKSİYON ÇALIŞMALARINDA DURAYLI İZOTOPLARIN KULLANIMI
O reggae chegou em São Luís em meados dos anos 70 e formou um núcleo de resistência fora do comum, tornando-se um estilo de vida para muitos, música popular e única opção de lazer. A sua chegada na cidade é contraditória, pois uns acham que foi por meio dos barcos que levavam produtos agrícolas para as mediações caribenhas e traziam produtos diversos para serem comercializados, entre eles, discos de reggae e outros, pelos famosos relatos relacionados à sintonia das freqüências das rádios do caribe que costumavam conter o reggae em sua programação.
Uma versão destacada por Brasil (2005), é que o reggae chegou ao Maranhão via Belém, capital do Estado do Pará, tomando como base o fato dos ritmos caribenhos (a salsa, o merengue, a rumba, o mento e outros) serem bastante conhecidos entre os paraenses, além da proximidade geográfica desse estado (Pará) e o Caribe e também com o Estado do Maranhão. Ainda relacionado à proximidade com o Estado do Pará, existe ainda uma versão que retrata que no começo dos anos 70 um apreciador de músicas caribenhas, conhecido como Riba Macedo, teria tido acesso a alguns discos de reggae vindos de Belém, levando-os a festas embaladas pelos sons do Caribe em São Luís.
Nesse sentido, faz-se necessário um recorte histórico sobre o reggae, fazendo uma breve descrição da participação ativa de alguns personagens que muito contribuíram para a introdução e difusão do movimento em São Luís, durante a década de 70, período da chegada do ritmo na cidade, destacando-se personagens como o já citado José de Ribamar da Conceição Macêdo, conhecido como “Riba Macêdo”, José de Ribamar Maurício Costa, conhecido como “Carne Seca”, José de Ribamar Silva, conhecido como “Zé Roxinho”, Edmilson Tomé da Costa, conhecido como “Serralheiro”, Boa Ventura do Bairro de Fátima, conhecido como o veterano do reggae, Neto, conhecido como “Neturbo” e José Baldez. Cabe ressaltar que esse recorte permitirá compreender a importância histórica das Radiolas no contexto da evolução do ritmo na cidade de São Luís.
Riba Macêdo, é referenciado pelos informantes ligados diretamente a radiolas, como o pioneiro do reggae em São Luís, tendo incluído o ritmo gradativamente em festas realizadas na cidade, tocando nas aparelhagens de amigos radioleiros no início da década de 70. Ressalta-se que os radioleiros da época tocavam o merengue, a lambada e o bolero, ritmos do período, sendo que o reggae foi introduzido por Riba Macêdo, de acordo com Silva (1995), em pequenas inserções nos momentos de música lenta. A esse fato, o informante- chave Paulo Caribe justifica a condição dos regueiros de dançarem aos pares, agarrados, com movimentos corporais que acompanham as batidas do grave das músicas executadas.
O público que freqüentava as festas animadas pelas radiolas da década de 70, quando ouviam o reggae sendo tocado, não sabiam bem como dançar aquele ritmo e, acredito que até por instinto ou mesmo pelo fato dele ser tocado nos momentos de música lenta, as pessoas acabaram buscando seus pares, dançando em uma cadência vagarosa, mas adotando alguns ingredientes na dança e, principalmente nos passos, em função das batidas que as músicas produziam. (Paulo Caribe, entrevistado em 14 de março de 2009).
Um dos marcos da apresentação do ritmo ao público ludovicense na década de 70, está referenciado no depoimento de Riba Macêdo destacado por Silva (1995, p.59).
Eu fui apresentado a Carlos Santos pelo dono da loja “Só Sucessos” no bairro do João Paulo, onde eu comprava muitos discos. O dono da loja disse a ele que eu tinha um gosto diferente que eu gostava de música internacional, música lenta. Carlos Santos disse então que estava fazendo um trabalho musical e que em breve lançaria um disco compacto e assim que ficasse pronto me mandaria uma cópia. Eu esqueci dessa conversa, mas na segunda vez que ele esteve aqui, me
procurou e me deu o disco que ele tinha gravado. Foi aí que me trouxe um disco de Nolon Porter – The Front Line, que a turma aqui batizou de “mão no arame”, por causa da capa que tinha uma mão negra segurando um arame farpado. Trouxe mais um outro compacto, com a música “Montego Bay”...foi aí que começei. Depois eu comprei, no chão, um compacto de David e Ansil Collins, com aquela música “Double Barrel”. Aí passou o tempo e eu consegui outro compacto deles também – The Best Girl, compacto duplo, e um do Aswad que um rapaz me trouxe de Belém.
Esse relato de Riba Macêdo, é bastante esclarecedor para entender o seu papel na massificação do reggae em São Luís, pois o mesmo foi montando um acervo com músicas que introduziram o reggae nas festas e o apresentaram ao público, sendo um argumento justificável para aqueles que defendem a versão desse personagem como o precursor do movimento na cidade.
José de Ribamar Maurício Costa, o “Carne Seca”, é considerado um dos radioleiros mais antigos de São Luís e um dos primeiros magnatas do reggae. Na década de 70, possuía Radiolas que tocavam principalmente o merengue, chegando a ser conhecido como o Rei do Merengue, animando os salões de dança na cidade. Conforme depoimentos destacados em Silva (1995), Carne Seca possuía uma radiola, cuja potência do som ficou conhecida como “Sonzão do Carne Seca”, passando a tocar reggae por volta de 1976. Posteriormente, montou entre a década de 80 e 90, as radiolas Trovão Azul, Diamante Negro, Retalho 90 e Amarelona, que ficaram conhecidas pela qualidade e potência de som, marcando época na cidade.
Já Zé Roxinho, foi proprietário da radiola Águia do Som, antiga “Som do Zico”, herdada de Dona Antônia, mãe de Zico, radioleiro assassinado brutalmente em uma festa. De acordo com Paulo Caribe (depoimento colhido em 22 de março de 2009), a Águia do Som foi uma das radiolas mais famosas da época, lançada no início os anos 80, tendo contribuído fortemente para a expansão do movimento reggae, pois era especializada em reggae e possuía uma qualidade de som e uma seqüência musical diferenciada das outras da época.
Zé Roxinho e seu sócio Reginaldo abriram um espaço (barracão) chamado Mela Mela, no Bairro da Liberdade onde tocavam reggae com a radiola, tendo se destacado também tocando no antigo Bar do Cajueiro, hoje Espaço Aberto, no Bairro do São Francisco e em festejos no interior da Ilha de São Luís. (Paulo Caribe, depoimento colhido em 22 de março de 2009)
Edmilson Tomé da Costa, conhecido como “Serralheiro”, proprietário da radiola Voz de Ouro Canarinho, que existe até hoje (ano de 2009), é considerado
um dos maiores colecionadores de discos de vinil de reggae da ilha de São Luís, aspecto que o faz ser lembrado sempre em festas de homenagens aos ícones do movimento na cidade. De acordo com Paulo Caribe, fatos marcantes, destacaram a trajetória desse radioleiro, que adotou práticas de proteção contra a concorrência e garantia de reserva de mercado, adotadas até os dias atuais, talvez até influenciadas pelos costumes dos proprietários de Sound Systems Jamaicanos da década de 60.
O radioleiro Serralheiro era fascinado em manter a exclusividade das músicas, por isso costumava comprar vários discos do mesmo cantor para evitar que outros também os comprassem, além disso praticava a raspagem de rótulos dos discos para dificultar a identificação do cantor por outros radioleiros e não soltava uma música sem utilizar sua vinheta. (Paulo Caribe, em 22 de março de 2009),
Outro personagem importante foi o DJ Boa Ventura, do Bairro de Fátima, conhecido como “O Veterano do Reggae” que hoje (ano de 2009), aos 62 anos de idade, é uma das figuras mais importantes do movimento reggae em São Luís. Foi Diretor-Presidente da União dos Moradores do Bairro de Fátima e um dos grandes investidores em compra de discos, tendo administrado a União dos Moradores do Bairro de Fátima, de meados dos anos 70 até meados dos anos 80, além de ter sido proprietário da radiola Som Manchete, cujo slogan era a Nave do Som, no período de 1981 a mais ou menos 1990, por onde passaram vários DJ´s, como Celso Cliff (que hoje tem um bar de reggae no Bairro de Fátima), Natty Nayfson (hoje radioleiro, dono da FM Natty Nayfson) e Robertchanco (hoje é um dos DJ´s da radiola Itamaraty).
José Baldez, foi presidente da União dos Moradores do Bairro da Jordoa, conhecida como Pop Som (figura 6) em 1975 e contratou várias radiolas para fazer festas nesse local, entre elas a radiola de Aurino, a Som Pop, de Joel entre outras. Com a chegada da Era da Discoteca (conhecida entre os discotecários de São Luís como a Era Disco), no final dos anos 70, Baldez montou um estúdio chamado Cash Pop e contratou Neturbo para o ser o DJ do estabelecimento, tendo antes passado o DJ Luizão, que também fez história como discotecário do Pop Som.
Figura 6: Antiga União do Moradores do Bairro da Jordoa - Pop Som Fonte: arquivo do autor (2009)
O DJ Neturbo foi um dos mais importantes DJ´s de São Luís, tendo reinado desde o final dos anos 70 até o final dos anos 90. Paulo Caribe (em 22 de maio de 2009), afirmou que Neturbo marcou época como DJ da casa de reggae Pop Som, na União dos Moradores do Bairro da Jordoa, pois com os discos de cantores jamaicanos que chegavam ao clube, montava uma seqüência musical que mexia com o público, criando uma identificação forte com os mesmos.
Com o sucesso do Pop Som, que se tornou um dos espaços mais requisitados e conhecidos na realização de festas de reggae em São Luís, José Baldez, com visão comercial, comprou uma casa no bairro do Coroadinho, na avenida Malha Saldanha e montou, conforme depoimento de Paulo Caribe (22 de março de 2009), o Pop Som 2 e mais tarde o Pop Som 3, no bairro do São Bernardo. Atualmente, esses espaços não realizam mais festas de reggae, estando alugados para outros fins e, no caso do tradicional Pop Som da Jordoa (Figura 6), em visita ao espaço, constatou-se que este hoje está alugado para uma Igreja Evangélica.
O grande decênio do reggae compreendeu o período de 1985 a 1995, consagrando grandes radiolas com quantidade de caixas variando entre 60 e 80 caixas acústicas, formando grandes paredões de som que impressionavam pelo aspecto visual. Foi um grande período, momento em que o reggae roots tornou-se o grande produto do movimento, tendo se destacado cantores jamaicanos como Max Romeo, Denis Brown, Ijah Man, Jimmy Cliff, Gregory Isaacs e outros.
Nesse período também ocorreu a popularização dos clubes e programas de reggae, além do registro de inúmeras viagens de prospecção em busca de discos, realizadas por DJ´s, colecionadores e radioleiros para a Jamaica e também para a Inglaterra, destacando-se aí personagens como Dread Sandro, (que afirma ter ido 23 vezes à Jamaica), Júnior Black ( que afirma que já viajou mais de 23 vezes à Jamaica), Chico do Reggae, Enéas Motoca e Natty Nayffison, entre os que mais viajaram com esse propósito.
A figura 7 ilustra os produtos tão desejados pelos colecionadores e que movimentam até hoje as operações mercadológicas do reggae em São Luís, os discos de vinil.
Figura 7: Capas de discos de ícones do reggae das décadas de 70, 80 e 90. Fonte: elaborado pelo autor a partir de recortes de sites (2009)
Vale ressaltar, que os cantores (discos) apresentados na figura 7 são reconhecidos como clássicos da música jamaicana que embalaram os salões de festas nas décadas de 70, 80 e 90 e, com freqüência, promotores de eventos e mesmo as próprias radiolas realizam festas temáticas celebrando esses períodos como Festas da Recordação, Festa da Paz, Geração 90 e outras, a exemplo na figura 8. Em conversa informal com o DJ Jorge Black, registrada no diário de campo, no dia 16 de maio de 2009, mostrando a impressão dessa figura, o mesmo pontuou o período em que cada artista está enquadrado como sucesso nas festas em São Luís, destacando que Peter Tosh, Burning Spear, Jimmy Cliff e
Bob Marley, são sucessos da década de 70, a banda The Gladiators, Bunny Wailler, John Holt e Gregory Isaacs são sucessos da década de 80 e Lucky Dube, sucesso da década de 90.
Figura 8: Chamadas de eventos temáticos de reggae Fonte: Site Reggae Total. Acesso em 16.04.09 e 06.08.09
O reggae, tanto como arte quanto como movimento cultural, tem sua evolução e legitimação no estado, pautadas no desenvolvimento de ações midiáticas massivas, difundidas fundamentalmente nas camadas populares, fazendo das radiolas o principal instrumento de veiculação do ritmo jamaicano, transformando-as em símbolos de uma cultura massiva midiatizada e ressignificada, a partir do desenvolvimento de diversas peculiaridades no processo de produção, utilização, linguagem e consumo.
uma das razões pelas quais este ritmo tenha se fincado em solo maranhense é a grande população negra presente tanto neste estado como naquele país (Jamaica), fato que já leva a uma certa identificação étnica e, por conta disto, há um gosto comum pelos ritmos de raízes africanas. Poderia ser citada aqui, também, alguma semelhança no meio social, na medida em que os dois povos vivem realidades de pobreza parecidas e o reggae é, exatamente, um grito de protesto, uma forma de expressão dos menos favorecidos. Outro possível motivo para a grande identificação do maranhense com o reggae é a semelhança do
reggae roots com certas manifestações culturais maranhenses, como
por exemplo, o bumba-meu-boi. [...] a pulsação do reggae feita pelo contrabaixo elétrico e pelo bumbo da bateria é a mesma feita pelo pandeirão e pelo tambor onça do bumba- meu- boi. (ARAÚJO, 2004, p.3)
O ritmo Jamaicano, conforme Silva (2001) e Brasil (2005), pode ser compreendido como um produto cultural constituído a partir de elementos africanos, ou seja, é uma ressignificação da cultura africana, tendo passado por outro processo de ressignificação na sua chegada e incursão no Maranhão, visto que na evolução do seu processo de produção e consumo nesse estado acabou
adquirindo particularidades únicas que fizeram do ritmo, um produto cultural diferenciado e destacado, principalmente na capital São Luís, considerando a sua absorção também em outras cidades brasileiras.
É preciso considerar que o reggae, enquanto elemento cultural produzido originalmente na Jamaica, passa necessariamente por uma ressignificação ao chegar em São Luís. Nesse sentido, são lhes atribuídos outras características, onde talvez, as determinações político- religiosas do rastafarianismo, pregado por Marcus Garvey e que tiveram uma importância, não sejam reconhecidas com o mesmo grau pelos regueiros de São Luís. (SILVA, 2001, p.47)
Brasil (2005) considera ainda o reggae, em sua fase introdutória, como uma “cultura não midiatizada”, porque no espaço temporal que compreende os anos de 1970 a 1980, não possuía espaço geográfico nem mídia própria de veiculação. A consolidação do movimento deu-se gradativamente, aproveitando lacunas existentes nos eventos populares que detinham espaços nos meios de comunicação de massa e presença física em espaços públicos, como ruas e praças.
Em São Luís, o reggae configura-se em uma atividade cultural bem dinâmica e ao mesmo tempo conflitante, visto as inúmeras discussões travadas entre os defensores da cultura popular tradicional que propõem a legitimação dessa como verdadeiramente maranhenses, ao passo que os militantes do movimento reggae defendem que o ritmo, apesar de ser estrangeiro, assumiu características tão peculiares já incorporadas nos usos e costumes locais que merece ser tratado e reconhecido como elemento da cultura local.
Como reconhecimento de sua importância como elemento integrante da cultura do estado, a Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão, publicou no Diário Oficial do Poder Executivo do Estado nº 224 de 22 de novembro de 2004, o Projeto de Lei nº 110/04, criando a Lei nº 8.184, de 16 de novembro de 2004, de autoria do Deputado Estadual Alberto Franco que dispõe sobre a inserção do movimento reggae no contexto cultural do Estado do Maranhão. De acordo com o parágrafo único dessa Lei, “entende-se como manifestação da cultura reggae os locais e espaços destinados a eventos de reggae, a dança de salão, a música, os grupos musicais, as radiolas, os grupos de dança, o trabalho dos DJ´s e a arte expressada através do artesanato”.
Em São Luís e em todo o Estado do Maranhão, o reggae constitui-se em um movimento que, visto como um negócio tem um amplo portfólio de produtos para o consumidor, contemplando, além dos elementos destacados no parágrafo único da Lei 8.184, a linguagem, os hábitos, os saberes populares, as formas de se vestir e elementos simbólicos como o próprio uso das cores jamaicanas como elementos de identificação. De certa forma, o reggae como produto também leva os detentores da indústria do consumo a adotarem estratégias para atenderem às expectativas e obterem o lucro dentro da lógica capitalista.
Ao promover os subalternos à condição de consumidores, as indústrias tiveram a necessidade de pesquisar as linguagens que antes eram por elas mesmas ignoradas e desqualificadas, a fim de poder formular estratégias de comunicação com esse público que, de certa forma, era alienígena para os planejadores de marketing e mediadores culturais típicos da cultura de consumo no Brasil. (FONTANELLA 2005, p. 106).
Nesse contexto, situam-se as radiolas de reggae que foram consideradas as principais responsáveis pela produção musical e massificação do ritmo em São Luís, assumindo um papel amplo dentro do universo simbólico do movimento, calcado na grandiosidade de suas formas e potência de som, executando músicas, personalizando linguagens e formando verdadeiras legiões de seguidores. Além disso, contribuíram fortemente para o reconhecimento da cidade como a “Capital Brasileira do Reggae”, sendo reconhecidas como as primeiras mídias específicas do ritmo, tendo contribuído também na geração de todo um conjunto de particularidades que modelaram a identidade e características do reggae, enquanto produto e movimento cultural na cidade.
De acordo com Homero Silva, autor do artigo “Radiolas de Reggae”, disponível no site Reggae Total (www.reggaetotal.com) “as radiolas são equipamentos de som com uma aparelhagem „suigeneris‟, exclusivamente utilizadas para reproduzir o reggae”. Costa (2008, p.11) as considera como “um conjunto de aparelhos de som de alta capacidade de projeção sonora, além de outros equipamentos relevantes, a fim de aperfeiçoamento da estética das festas de reggae, com equipamentos digitalizados, limpeza sonora, efeitos de luz e som”. Sua versão no Maranhão é decorrente dos sound systems, estruturas de som que surgiram na Jamaica durante os anos 40, ganhando impulso a partir da década de 60. Um sound system padrão jamaicano era constituído por uma caminhonete coberta de caixas de som amplificadas, levando música e animação volante às pessoas, conforme ilustrado na figura 9.
Figura 9: Sound System Jamaicano Fonte: Simão Pessoa (2009)
Tarcisio Ferreira (conhecido como Tarcisio Selektah) DJ, professor e pesquisador, no artigo “História, Características e Curiosidades do Mundo das Radiolas/Sound Systems”, disponível no site Central Reggae (www.centralreggae.com.br), faz uma passagem sobre a importância dos sound systems para a cultura reggae na Jamaica, auxiliando, de certa forma, na compreensão do papel e importância dessas aparelhagens na sua forma e representação adaptadas ao cotidiano do reggae maranhense.
O fenômeno dos sounds systems de reggae (também conhecidos como
sounds) é algo que há intrigado a muitos observadores na Jamaica e em
todo o mundo há décadas. Em nenhum outro lugar do mundo poderia haver sido criada uma cultura que se mova tão rápido como os sound
systems. Começaram como um movimento “underground” na indústria
do reggae jamaicano, mas os sound systems ascenderam até chegar a ser uma parte integrada na cultura do reggae. De fato, as raízes do
dancehall reggae podem ser traçadas a partir da formação dos sounds systems locais e nacionais conhecidos (alguns há mais de 30 anos).
Assim, a idéia de utilizar sistemas de som que pudessem ser deslocados para vários lugares a fim de animarem festas na capital, teve como modelo referencial os sound systems jamaicanos que eram considerados verdadeiras discotecas ambulantes que deram o ponto de partida para a exportação do reggae para além das fronteiras da Jamaica, penetrando em várias partes do mundo, a partir de trabalhos dos cantores, bandas e produtores daquele país, até chegar ao Estado do Maranhão.
De acordo com Albuquerque (1997), em um sound system jamaicano trabalhavam o DJ, que em muitos casos poderia ser até o próprio dono da aparelhagem, sendo a pessoa responsável pela animação dos eventos e trabalhava também o Selector, que no inicio era meramente um técnico que colocava e tirava os discos, passando posteriormente a assumir um papel mais importante nessa composição, interferindo beneficamente no trabalho do DJ, fazendo sua própria escolha musical e adicionando variados efeitos sonoros, além da habilidade que tinha que ter para fazer uma discreta transição de um disco