A população da presente pesquisa refere-se ao total de docentes dos cursos de graduação em Direito das duas universidades pesquisadas.
O corpo docente de uma das universidades é composto por 69 professores, sendo que 9% são doutores, 45% são mestres, 46% são especialistas e um livre-docente.
Por sua vez, o curso de Direito da outra universidade tem em seu corpo docente 27 professores, sendo composto por 11% de doutores, 47% de mestres e 42% de especialistas.
Já os participantes da pesquisa foram escolhidos dentre aqueles que lecionam disciplinas que guardam relação direta com a Política Social Pública como Direito do Trabalho, por exemplo. Os participantes da pesquisa foram seis professores divididos em dois grupos, sendo três de cada universidade.
Para a escolha dos municípios, definiu-se como critérios a representatividade (econômica e populacional), para que retratassem a realidade nacional de maneira mais
fidedigna, bem como a proximidade das cidades, o que facilitou o acesso pelo pesquisador, já que estava próximo das realidades e dos participantes, bem como o fato de possuírem cursos de graduação em Direito tradicionais e reconhecidos na região.
Na sequência, apresentam-se os participantes:
O primeiro profissional a narrar suas considerações a respeito das Políticas Sociais Públicas é o participante número 1 (P1), formado há 18 anos em Direito, possui especialização em Direito Processual, mestrado e doutorado em Direito Civil Comparado. É professor de Direito Previdenciário há 09 anos. Foi Coordenador do Escritório de Assistência Jurídica e do Núcleo de Prática Jurídica da universidade que leciona nos anos de 2006 e 2007 e de 2008 a 2012. É Advogado.
Outro professor é o participante número 2 (P2), formado há 24 anos, e leciona há 19 anos a disciplina de Direito e Processo do Trabalho. Possui especialização em Direito e Processo do Trabalho e é Procurador Autárquico18.
18Segundo Reis Júnior (2006), “primeiramente é necessário discorrer a respeito do significado de ente público e
das características da representação exercida pelos Procuradores do Estado e das demais entidades políticas (União; Distrito Federal e Municípios). Pois bem. Entidade ou ente nada mais é do que a pessoa jurídica. Assim, pode-se afirmar que no âmbito de nossa organização política e administrativa, os entes de direito público são os estatais, autárquicos e fundacionais. Acerca da definição dos aludidos entes, é de se trazer à baila as lições de Hely Lopes Meirelles: “Entidades estatais: São pessoas jurídicas de Direito Público que integram a estrutura constitucional do Estado e têm poderes políticos e administrativos, tais como a União, os Estados-membros, os Municípios e o Distrito Federal. A União é soberana; as demais entidades estatais têm apenas autonomia política, administrativa e financeira, mas não dispõem de Soberania, que é privativa da Nação e própria da Federação. Entidades autárquicas: São pessoas jurídicas de direito público, de natureza meramente administrativa, criadas por lei específica, para a realização de atividades, obras ou serviços descentralizados da entidade estatal que as criou. Funcionam e operam na forma estabelecida na lei instituidora e nos termos de seu regulamento. As autarquias podem desempenhar atividades educacionais, previdenciárias e quaisquer outras outorgadas pela entidade estatal-matriz, mas sem subordinação hierárquica, sujeitas apenas ao controle finalístico de sua administração e da conduta de seus agentes. Entidades fundacionais: São pessoas jurídicas de Direito Público ou pessoas jurídicas de Direito Privado, devendo a lei definir as respectivas áreas de atuação, conforme inc. XIX do art. 37 da CF, na nova redação dada pela EC 19/98. No primeiro caso elas são criadas por lei, à semelhança das autarquias, e no segundo a lei apenas autoriza a sua criação, devendo o Poder Executivo tomas as providências
necessárias à sua instituição.” Frise-se, que, comumente, os doutrinadores utilizam-se dos termos Fazenda
Pública; Estado-Administração; Entidade Política ou Pessoa Jurídica de Direito Público como sinônimos de ente de direito público. Os entes públicos são representados em juízo pelo Chefe do Executivo ou por procurador constituído de forma contratual ou institucional. O ente estatal, mais especificamente, os Estados-membros e o Distrito Federal, são representados por procuradores institucionalmente constituídos, nos termos do art. 132 da Carta Magna adiante transcrito: “Art. 132: Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fazes, exercerão a representação judicial e a consultoria jurídica das
respectivas unidades federadas”. Da mesma forma, a União, nos termos em que estabelece o disposto no artigo
131 da Constituição Federal: “Art. 131: A Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial ou extrajudicialmente, cabendo-se, nos termos da lei complementar que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e
assessoramento jurídico do Poder Executivo”. Os Municípios, por sua vez, são representados pelo Chefe do Executivo, ou por procurador, conforme estabelecido no inciso II do art. 12 do Código de Processo Civil: “Serão
representados em juízo, ativa e passivamente: II – o Município por seu Prefeito ou procurador”. No que tange às autarquias e fundações de direito público, pode se afirmar que serão representadas por seus dirigentes máximos ou por procurador autárquico ou fundacional, nos termos em que dispuser a lei, conforme se depreende do
O participante número 3 (P3), é formado em Direito há 22 anos, professor de Direito Constitucional há 21 anos, especialista em Direito Processual Penal, Mestre em Direito e em Ciências Ambientais. Foi Coordenador do Curso de Atualização Jurídica e Coordenador do Escritório de Assistência Jurídica, ambos da universidade em que leciona. Atua também como Advogado.
O participante número 4 (P4), é formado em Direito há 21 anos, professor de Direito e Processo do Trabalho há 20 anos, Advogado, Palestrante, Mestre em Filosofia do Direito e Doutor em Teoria Geral do Estado.
O participante número 5 (P5), formado em Direito há 14 anos, professor de Direito Previdenciário há 05 anos, é especialista em Direito Processual Civil e em Direito Privado, bem como atua como Juiz Federal.
O participante número 6 (P6), formado em Direito há 26 anos, é professor de Direito Constitucional e de Direito Administrativo há 15 anos. Mestre e Doutor em Direito do Estado, é Coordenador do Arquivo Público do Estado de São Paulo, vinculado à Secretaria da Casa Civil e Procurador do Município de São Paulo. Foi Secretário dos Negócios Jurídicos do Município de Jacareí/SP, Assessor Jurídico no Centro de Estudos e Pesquisa de Administração Municipal (CEPAM), Secretário Adjunto da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo e Chefe de Gabinete do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP).
O que torna similares as narrativas (não obstante as particularidades das duas universidades nas quais os participantes lecionam, a diferenciação dos espaços sócio ocupacionais de cada participante, a variável tempo de atuação e a especificidade dos alunos aos quais ensinam) é o contexto no qual tanto os profissionais participantes quanto os alunos estão inseridos. Tal contexto revela a experiência partilhada sobre a percepção das Políticas Sociais Públicas tanto daquele que ensina o Direito, como do futuro operador do Direito, o aluno.
O cenário político em que se encontra o docente do curso de graduação em Direito, bem como as Políticas Sociais Públicas, é marcado pelo viés neoliberal que atua sobre todas as ações da sociedade capitalista. Nesse sistema, a estruturação da forma como se dá a
disposto no art. 12 do Código de Processo Civil. Assim, os procuradores das entidades estatais (União; Distrito Federal; Estados-membros e Municípios) são detentores da importante missão de representá-las judicial e extrajudicialmente, agindo ativa ou passivamente (defesa) em seu favor e, prestando-lhes consultoria jurídica”.
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produção assume um caráter dúplice, pois ao mesmo tempo em que promove o acúmulo de riqueza de um lado, fomenta a miséria do outro.
Dessa forma, enfatizam-se categorias para se conhecer a percepção dos docentes dos cursos de graduação em Direito em relação as Política Sociais Públicas, expressa pelas narrativas dos participantes, esperando-se contribuir com o debate que envolve a formação profissional em Direito e a relação desses com a inserção profissional e social de seus egressos na efetivação das Políticas Sociais Públicas.
3.3 Instrumentos
Numa pesquisa qualitativa como a que se propôs, inúmeros instrumentos podem ser utilizados e combinados visando à produção de um conhecimento mais aprofundado (MINAYO et al, 2010).
Na presente pesquisa, entretanto, utilizou-se a entrevista. Como já mencionado anteriormente, nos valemos da História Oral, que trata da subjetividade da memória, do discurso e do diálogo. Ressalte-se, que a objetividade científica não visa nos retirar da cena do discurso e em impor uma neutralidade, que tanto é impossível como não recomendável. A objetividade científica consiste numa atividade de interpretação (PORTELLI, 1997).
Conforme ensina Portelli (1997),
[...] antes de nos perguntarmos o que fazer com a História Oral, creio que deveríamos indagar: para que a fazemos. Minha impressão é a de que a fazemos, antes de mais
nada, para nós mesmos, motivados pelo desejo e pela necessidade de “tentar aprender um pouquinho” e de “conseguir com que as pessoas [nos] contem histórias”
PORTELLI, 1997, p. 29).
Partindo, portanto, da importância da realidade e experiência vivenciada pelos participantes da pesquisa, é que a História Oral se mostra relevante, pois através de narrativas orais podemos construiu um novo conhecimento.
Abordando a história como um processo construído pelos próprios homens, de maneira compartilhada, complexa, ambígua e contraditória, o sujeito histórico não é pensado como uma abstração, ou como um conceito, mas como pessoas vivas, que se fazem histórica e culturalmente, num processo em que as dimensões individuais e sociais são e estão intrinsecamente imbricadas (PORTELLI, 2001, p. 80).
Ademais, a História Oral realça a importância do participante na pesquisa, uma vez que trabalha com a memória, consistente no ato e na arte de lembrar, que nunca deixam de ser essencialmente pessoais.
[...] A memória pode existir em elaborações socialmente estruturadas, mas apenas os seres humanos são capazes de guardar lembranças. Se considerarmos a memória um processo, e não um depósito de dados, poderemos constatar que, à semelhança da linguagem, a memória é social, tomando-se concreta apenas quando mentalizada ou verbalizada pelas pessoas. A memória é um processo individual, que ocorre em um meio social dinâmico, valendo-se de instrumentos socialmente criados e compartilhados. Em vista disso, as recordações podem ser semelhantes, contraditórias ou sobrepostas. Porém, em hipótese alguma, as lembranças de duas pessoas são – assim como as impressões digitais, ou, a bem da verdade, como as vozes – exatamente iguais (PORTELLI, 1997, p. 16).
E para a coleta de dados que este instrumento requer, nos valemos das técnicas/métodos de entrevista.
Uma entrevista é uma troca entre dois sujeitos: literalmente uma visão mútua. Uma parte não pode realmente ver a outra a menos que a outra possa vê-lo ou vê-la em troca. Os dois sujeitos, interatuando, não podem agir juntos ao menos que alguma espécie de mutualidade seja estabelecida. O pesquisador de campo, entretanto, tem um objetivo amparado em igualdade, como condição para uma comunicação menos distorcida e um conjunto de informações menos tendenciosas (PORTELLI, 1997, p. 9).
E essa entrevista foi balizada pelos seguintes eixos norteadores:
a) Compreensão sobre as Políticas Sociais Públicas, seu significado para a sociedade contemporânea e o papel do Estado.
b) Aspectos da formação em Direito que favorecem o conhecimento das Políticas Sociais Públicas.
c) Contribuições do futuro profissional do Direito para a efetivação das Políticas Sociais Públicas.
Acredita-se, dessa forma, que no decorrer das entrevistas, foram estabelecidos laços
progressivos de confiança, possibilitando riqueza nas informações, e permitindo “trazer” os