• Sonuç bulunamadı

Raporun Kurul Düzenlemeleri Kapsamında Hazırlanıp Hazırlanmadığı

Desde a sua origem o Movimento sempre destacou os meios de comunicação como um importante instrumento de crescimento, abertura e comunhão, devido à possibilidade de unir todas as pessoas numa mesma sintonia.

Segundo Lubich, há duas finalidades que ligam profundamente os meios de comunicação ao Movimento dos Focolares:

Em primeiro lugar, uma afinidade concernente aos objetivos.

A finalidade do Movimento dos Focolares é contribuir para atuar o que os nossos jovens definem como um sonho de Deus, isto é, o veemente pedido que Cristo fez ao Pai pouco antes de morrer: ‘Que todos sejam um’ (João17,21).

E qual é o objetivo da mídia? A sua vocação coletiva é evidente: é destinada a ajudar os homens a conviverem entre si.

Mas não é só esse o objetivo – para qual o Movimento trabalha – que aproxima a mídia da nossa vida. Existe uma segunda afinidade que é relativa ao método: a espiritualidade da unidade, típica do Movimento, não é vivida apenas numa dimensão pessoal, mas também comunitária, coletiva. No desenvolvimento dos meios de comunicação de massa podemos identificar um novo passo no processo evolutivo da humanidade. Esse desenvolvimento dá à humanidade uma tensão irrefreável que vai da complexidade à unidade, da fragmentação à busca de unidade, em tempo real. (Siniscalco e Zanzucchi, 2003. p. 23, 24)

Da mesma forma que o Carisma da Unidade reconhece a função integradora dos meios de comunicação, diante do contínuo desenvolvimento tecnológico, concomitantemente evidencia uma série de novos e grandes problemas que a mídia, de um certo modo, gera na sociedade. “É portanto, um panorama de luzes e sombras” (Lubich, in Siniscalco e Zanzucchi, 2003. p. 23, 24).

Na visão dos Focolares, uma das contribuições negativas da mídia para a cultura moderna é a supervalorização do atual modelo de globalização, responsável por uma tentativa de homogeneização das culturas, sufocando suas respectivas riquezas. Outra atuação contraproducente dos meios de comunicação é a instrumentalização do sofrimento humano, transformando, muitas vezes, dramas pessoais em espetáculo. Os Focolares se pronunciam ainda contra a busca irresponsável pela audiência, tornando a concorrência entre as empresas de comunicação mais relevante que a função do próprio veículo como prestador de serviços públicos aos seus espectadores; a invasão da privacidade alheia sem motivos legítimos e a utilização dos meios de comunicação com o instrumento de poder.

Mas foi valorizando principalmente os aspectos positivos dos meios de comunicação que o Movimento dos Focolares estabeleceu um vínculo estreito com

“insistir sobre as coisas boas e sobre as perspectivas positivas, do que ficar no aspecto negativo, ainda que a denúncia oportuna de erros, limites e culpas seja imperiosa para quem tem essa responsabilidade” (Vandeleene, 2003, p. 368).

Foi graças a essa postura que, em 1997, foi outorgado a Chiara Lubich o título de doutor honoris causa em Ciências da Comunicação Social, na Tailândia. Na ocasião da entrega do título, ficou evidenciado que o doutorado não havia sido conferido devido à produção de uma nova teoria no campo da comunicação, mas à forma pela qual o Movimento dos Focolares utiliza os meios de comunicação: como uma preocupação explícita de torná-los instrumentos eficazes para a construção da fraternidade universal.

Alguns dos congressos realizados pelos Focolares podem ser considerados mega-eventos, como o Genfest, um festival direcionado aos jovens que reuniu em sua última edição 25 mil participantes de todo o mundo; o Familyfest, evento promovido para as famílias que, em 1993 conseguiu, ao vivo de Roma, uma audiência potencial de quinhentos milhões de pessoas do mundo inteiro via satélite, através de incontáveis pontos de recepção, com 63 emissoras de TV nacionais e um bom número de TVs regionais. Na história das telecomunicações, esta foi a primeira transmissão televisiva com sete conexões mundiais interativas e com a utilização simultânea de treze satélites. Um outro exemplo da ligação entre Focolares e meios de comunicação é o

Collegamento CH, uma conexão telefônica coletiva mensal. Atualmente, o Collegamento CH reúne 231 pontos em todo o mundo. Através dessa conexão todos os participantes

são convidados a aprofundar e viver um aspecto da espiritualidade (do Movimento), e são, ao mesmo tempo, informados dos últimos acontecimentos referentes à Obra de Maria em seus aspectos religioso e civil. “Do ponto de vista midiático tal evento tem a importância de criar, em tempo real, uma rede cultural e espiritual, uma autêntica ‘aldeia global’ do amor recíproco”, (Crepaz, 2001, p.10).

Portanto, toda a história do movimento evidencia uma nova forma de utilização dos meios de comunicação como instrumento de comunhão e unidade e não apenas de informação.

Para comunicar, sentimos o dever de ‘fazer-nos um’ – com quem nos escuta. Também quando falamos ou fazemos uma palestra, não nos limitamos a expor o conteúdo de nosso pensamento. Primeiro sentimos a exigência de saber quem está diante de nós, conhecer o ouvinte e o público, suas exigências, desejos,

problemas. Também de dar-nos a conhecer, explicar porque se deseja fazer aquele discurso, o que nos levou, quais os efeitos disso sobre nós mesmos, e criar assim uma certa reciprocidade. Desse modo, a mensagem não é somente recebida intelectualmente, mas também participada e compartilhada (...). Enfim, o que importa é o homem, não o meio, que é um simples instrumento. Para levar a unidade é preciso, antes de tudo, esse meio imprescindível que é o ‘Homem novo’ no dizer de São Paulo, ou seja, que acolheu o mandato de Cristo para ser fermento, sal e luz do mundo, (Lubich, in Vandeleene. 2003. p. 23, 24)

Portanto, na visão focolarina, a comunicação é essencial não só devido à sua função integradora, mas também por ser um importante instrumento de divulgação de valores que contribuem para a formação de uma cultura em estreita sintonia com a justiça e a fraternidade universal. Por tudo isso, o Movimento acredita que a verdadeira vocação da comunicação seja a construção de um mundo unido.

2.2.3. DIÁLOGOS

O Movimento dos Focolares procura trabalhar pela fraternidade universal e “compor em unidade, na diversidade, a família humana mediante quatro diálogos: dentro da Igreja Católica; com cristãos de diversas Igrejas e comunidades eclesiais; com fiéis de outras religiões e com pessoas de boa vontade de convicção não religiosa” (Vandeleene. p.443, 2003).

A Igreja Católica aprovou pela primeira vez o Movimento, em 1962, sendo que os Estatutos Gerais foram atualizados e aprovados pelo decreto do Conselho Pontifício para os Leigos em 29 de junho de 1990. A partir dessas aprovações, o Movimento dos Focolares pode ser considerado uma das expressões da Igreja Católica.

Além do contínuo diálogo com as instituições da Igreja, o Movimento mantém uma estreita relação com muitas outras igrejas cristãs. Até 1960, apenas católicos faziam parte da Obra de Maria, mas desde que Chiara Lubich manteve contato com um grupo de luteranos alemães, esse perfil foi sendo modificado:

Aconteceu que três pastores luteranos alemães, presentes por ocasião de uma pequena palestra que eu fiz em um convento das Mariensehwestern, tiveram uma reação de admiração: como, os católicos vivem o Evangelho?’ Imediatamente combinaram conosco como fazer para que esta vida (a espiritualidade dos Focolares) fosse anunciada às suas fraternidades, a grupos e paróquias luteranas. Assim, aos poucos, caíram preconceitos seculares de ambas as partes. (Vandeleene, 2003. p. 443)

A partir desse relacionamento com os luteranos foi construído um centro de vida comunitária entre os membros das duas denominações cristãs, em Ottmaring, nas proximidades de Augsburg, exatamente a cidade onde, em 1530, se confirmou a divisão entre luteranos e católicos. Esse centro inspirou a construção de uma cidade-piloto do Movimento dos Focolares, em Ottmaring, que passou a acolher também batistas, cristãos da Igreja Livre e membros de outras igrejas que passaram a compartilhar a espiritualidade do Movimento dos Focolares, embora permanecendo fiéis a suas igrejas.

A experiência na Alemanha motivou um grupo de ministros leigos anglicanos que desejaram que o mesmo acontecesse com a Igreja da Inglaterra. Em 1966 o então Arcebispo de Cantuária, Dr. Ramsey, concedeu uma audiência a Chiara Lubich, convidando-a a levar este espírito a grupos anglicanos. Hoje o Movimento dos Focolares vive e se desenvolve entre os anglicanos de todo o Reino Unido, como entre os luteranos da Alemanha.

O ecumenismo focolarino também chegou aos Reformados, na Suíça, e à Igreja da Reforma, nos Estados Unidos. Atualmente há um diálogo ecumênico dos Focolares com diversas igrejas cristãs em todas as partes do mundo, como a Igreja Ortodoxa da Turquia, em Istambul. “Cristãos de todas as denominações, presentes no mundo inteiro, começaram a se encaminhar em direção uns dos outros, deixando para trás de si um passado de hostilidades e de ofensas recíprocas” (Lubich, 1988, p. 56).

Uma outra forma de diálogo do Movimento dos Focolares é o diálogo inter- religioso, que motivou, em 1977, a entrega do Prêmio Templeton para o Progresso da Religião a Lubich. A idéia de que a unidade e a fraternidade devem permear todas as relações sociais e religiosas também foi relevante para que ela fosse convidada, em 1981, a comunicar sua experiência de vida a dez mil budistas, em Tóquio. Foi também devido à proposta da unidade entre os povos que, em 1997, Lubich se tornou a primeira mulher cristã e leiga a falar a mais de 800 monges e monjas budistas tailandeses. Ela comunicou igualmente a experiência dos Focolares a três mil muçulmanos afro-

americanos do Harlem, em Nova York, na mesquita de Malcoem X. Chiara Lubich é presidente de honra da Conferência Mundial das Religiões para a Paz (WCRP).

Benzer Belgeler